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Imperialismo e democracia

Quando se fala em imperialismo econômico não se deve conceber a idéia de uma determinada nação, organizada de mo­do a sugar de outras todos os elementos de vitalidade, através de transações comerciais, a fim de converter aqueles elementos absorvidos em novas expressões de Força e Poder de caráter nacional.
 
O imperialismo, sendo uma organização que se estrutura dentro de um país, nem por isso é uma expressão política desse país. As condições favoráveis do meio, a questão das matérias-primas, dos combustíveis, o grau de desenvolvimento técnico do proletariado, a maneira como estão dispostas as for­ças do Capital, tudo isso influi para que se arme num país, com maior ou menor potência, o imperialismo absorvente. Ele representa o início da fase final da evolução capitalista.
 
Os grandes "trusts", monopólios, sindicatos, bancos e companhias constituem forças poderosas agindo dentro do Estado, com a plena liberdade que lhes outorgam os princípios funda­mentais da economia clássica, oriunda dos fisiocratas e da Re­volução Francesa.
 
Essas expressões do imperialismo econômico servem-se do Estado para os seus fins, influem na estruturação das leis de um país, nas diretrizes de sua política exterior, na consagração de certas teses de direito que consultam as conveniências dos grupos financeiros.

Mas, na realidade, o imperialismo econômico não tem Pá­tria, ao contrário do que erradamente se pensa, quando se fala em imperialismo inglês, imperialismo norte-americano, etc.

As forças econômico-financeiras, que se desenvolvem livre­mente no seio das democracias, os agentes da expansão indus­trial e comercial usam apenas das Nações em que se acham instalados, como de instrumentos políticos necessários aos seus fins, pois é através de certas fórmulas inerentes ao conceito da soberania nacional que essas forças e agentes encontram maior facilidade de agir, desde o tratado comercial e as con­venções aduaneiras, à obtenção de favores alfandegários, de privilégios e concessões e, finalmente, desde os pactos e alianças internacionais até as operações militares e a guerra.
 
O imperialismo econômico, portanto, não deve ser consi­derado como expressão de uma nacionalidade, mas como uma força internacional ocasionalmente instalada num país, explo­rando até os sentimentos mais nobres de um povo e suas pró­prias aspirações idealistas e espirituais.

* * *
 
No fim do Feudalismo, as Monarquias serviram-se das forças do capitalismo para armar exércitos e impor à tendência desagregante dos feudos o imperativo da centralização.
 
Ficou assim lançada a semente da crise do Estado, que viria ressurgir mais aguda depois da Revolução Francesa, para fundamentar os princípios mediante os quais, durante todo o século XIX, o poder econômico se desenvolveria formidavel­mente à revelia do poder nacional, subjugando os governos aos banqueiros, os destinos da economia pública aos caprichos da economia particular, para entrar, finalmente, em pleno sé­culo XX, na marcha franca para o unitarismo da concepção marxista.
 
O imperialismo econômico, portanto, que não tem Pátria nem Deus, que subordina o personalismo ao individualismo e
este ao coletivismo, é hoje o grande impulsionador das forças econômicas universais no sentido materialista do seu absoluto predomínio em face do Estado, que ele pretende aniquilar.
 
A curva que descreve o capitalismo conduz ao mesmo ponto visado pela marcha retilínea através da qual o comu­nismo pretende operar a precipitação do processo histórico.
 
Dessa identidade de idéias, de sentimentos e de fins desnacionalizantes, origina-se a mesma aspiração política das duas correntes (capitalismo e comunismo). Essa aspiração é a libe­ral democracia.

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Só esse regímen convém aos representantes dos "trusts", monopólios, sindicatos, bancos e companhias; aos interesses in­ternacionais do capitalismo; aos interesses pessoais da avareza e da ambição sórdida. Porque esse é o regímen das máximas liberdades, para todas as negociatas, para todas as opressões contra o proletariado, para o predomínio dos plutocratas, dos potentados, dos que influem nas leis e decidem das guerras e usufruem o proveito material do sangue derramado nas fron­teiras, como aconteceu na Conflagração Européia.
 
E, também, só esse regímen convém aos adeptos do mar­xismo, porque esse regímen, abandonando as forças da produ­ção ao seu próprio destino, não permitindo praticamente ao operário que ele se represente nas assembléias — pois pelo su­frágio universal só se elegem os ricos, os medalhões ou os demagogos anarquistas —, conservando-se alheio à exploração do Trabalho transformado em mercadoria sujeita à lei da oferta e da procura, assiste impassível e impotente ao desespero das massas sofredoras.
 
O liberalismo entra, por conseguinte, no plano darwinista de Sorel, quando preconiza, no seu livro Reflexões sobre a violência, a franca expansão da burguesia.
O Estado liberal-democrático é o que convém ao imperia­lismo internacional, seja o norte-americano, seja o inglês, pois ele terá mais facilidade de agir por intermédio das forças desnacionalizantes do comércio quando este desintegrado das fina­lidades nacionais.
 
Esse imperialismo que já nos escravizou depois de um sé­culo de exploração miserável, estende, cada vez mais, as suas garras sobre nós. A sua influência é sutil e profunda. A sua finalidade é materialista e desnacionalizadora. E estamos hoje
entre dois fogos: Londres-Nova York e Moscou.

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A campanha comunista, fingindo-se anticapitalista, tem por fim desorganizar as forças de produção nacional, de modo a nos submetermos, cada vez mais, ao imperialismo financeiro dos magnatas do ouro. Estamos ameaçados pelas duas bestas apocalípticas: Rothschild e Trotski. Ambas trabalhando surda­mente pela nossa desagregação, pela nossa maior confusão, espetáculo doloroso de povos decadentes.
 
O capitalismo internacional fomenta secretamente as ten­dências separatistas, para enfraquecer a Nação. O comunismo russo incute no espírito das massas que a Pátria não passa de um convencionalismo. Perdemos, assim, dia a dia, a nossa resistência nacional. Avança, desse modo, dia a dia, a influên­cia do supercapitalismo.
 
Todas as Pátrias sofrem hoje a pressão dessas duas forças.
 
No Brasil, estamos atravessando uma crise sem precedente e uma angústia social que fala nos orçamentos de todos os lares com a eloqüência acabrunhadora dos déficits.
 
Nunca se reclamou do povo brasileiro maior fortaleza de ânimo. E nunca também se exigiu tanto dos homens que têm uma parcela de responsabilidade entre nós, um maior despren­dimento, maior heroísmo nas atitudes e decisões.
 
 
Plínio Salgado
 
Nota:
[1] Extraído de: O Sofrimento Universal, ed. cit., pág. 105.


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