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O penúltimo parceiro

O Departamento de Estatística do Tesouro Norte-americano informou à imprensa, em 1931, que o número de milioná­rios nos Estados Unidos baixou de 643, em 1929, a 139 naquele ano.
 
No laconismo do comunicado exprime-se todo o fenôme­no social do grande país ianque.
 
Evidentemente, numa época de retraimento e desconfian­ças, em que os detentores do ouro procuram armazená-lo, retirando-o da circulação para os cofres dos Bancos, o fenô­meno da diminuição do número dos milionários não obedece a um ritmo de distribuição determinado pelo movimento dos negócios.
 
Seria explicável, até certo ponto, que as somas amealha­das em alta escala e detidas por indivíduos isolados se difundissem através da oscilação das transações, dos fracassos de empresas, ou da própria prodigalidade dos ricos, indo fracionar-se em novas células geradoras de novas acumulações.
 
Enfim, seria natural, intensificadas que fossem as opera­ções comerciais, que as fortunas se subdividissem, se espalhas­sem. É esse um fenômeno de reação natural, que proporciona o equilíbrio das riquezas, sob o signo arbitrário da sorte dos negócios, nas épocas de relativa prosperidade.
 
* * *
 
Esse jogo do dinheiro, esse vaivém dos capitais efetiva-se de uma maneira tão sugestiva nas quadras normais, que chega a iludir quantos queiram apreender o sentido mais profundo da evolução capitalista, entregue às leis naturais e propicia­da pelos amplos conceitos de liberdade que estruturam a base dos regímens democrático-burgueses.
 
Entretanto, a marcha inexorável do Capital, que desco­nhece toda e qualquer autoridade e exerce o seu predomínio e o seu fascínio arrebatador sobre o panorama da nossa civi­lização, é do deslocamento das riquezas de pluriproprietários para o menor número de detentores, como será um dia, do menor número de detentores para o detentor único, isto é, o Estado Capitalista.
 
A linha geral do desenvolvimento do Capital traçada por Karl Marx está hoje se tornando bem nítida. Os dados esta­tísticos fornecidos pelo Tesouro dos Estados Unidos são bas­tante eloqüentes para que nos convençamos de que o perigo comunista do mundo contemporâneo não se acha nas massas proletárias, mas na própria política da burguesia capitalista.
 
Sabendo, como sabemos, da desconfiança que impera hoje sobre todos os espíritos na América do Norte, o que já ocasionou, só de uma feita, a quebra de 2.200 bancos, pela retirada de depósitos que fogem de uns para outros, é fácil imaginar-se que não pode, de maneira alguma, ter subido o índice de transações comerciais através das quais se processa a distribuição e redistribuição normal das riquezas. O volume de negócios diminuiu em Norte América. Diminui, dia a dia, o número de empresas que inspiram confiança ao grande e ao pequeno capitalista.
 
A paralisação dos capitais é evidente.
 
Ora, nestas condições, o natural seria também que o número de milionários não diminuísse, que ficasse onde esta­va. E, ao contrário, a casta vai minguando...
 
* * *

Como explicar esse fenômeno?

 
Julgamos que ele se explica pela tese oposta aos dias de prosperidade e de jogo de negócios.
 
A difusão do dinheiro e de todos os valores móveis e imóveis, através do movimento das transações em épocas de excesso de negócios, é um fenômeno de saúde, de circulação e respiração do organismo social. É um como que revesamento de detentores que, no seu aspecto dinâmico, ilude ao observador do ritmo inexorável do capitalismo.
 
Pode, nesse caso, diminuir o número de milionários, mas aumenta o número dos que estão em caminho de se tornarem milionários. É como que uma época de semeadura. São os períodos das iniciativas de toda a sorte padronizando um tipo geral de prosperidade.
 
Ao contrário, o que se dá hoje, nos Estados Unidos, é como que uma seleção natural pela capacidade de resistência. É um fenômeno de revisão de valores subordinado ao imperativo do ouro.
 
O que está em crise, verdadeiramente, não é o comércio nem a produção que a este alimenta. O que está em cheque é a capacidade elástica do ouro para acompanhar o desenvol­vimento dinâmico da produção e do consumo [1].
 
É um ciclo de civilização que se fecha e em que a efi­ciência da máquina e a facilidade dos transportes e das comuni­cações se adiantou demasiadamente, esgotando a capacidade de aquisição e de crédito das massas que têm, entretanto, a capacidade de consumo centuplicada.
 
Incapaz de acompanhar a marcha do mundo moderno, o ouro retrai-se.
 
Como conseqüência desse retraimento, processa-se uma liqüidação automática em que sucumbem os mais fracos. To­dos os que não estabilizaram suas fortunas em ouro, ou va­lores ocasionalmente sólidos, e as puseram no serviço das grandes aventuras, têm de fracassar.
 
E, assim, os meios de produção caem, fatalmente, nas mãos dos que ainda puderam fazer o "jogo do ouro". Esse é o aspecto da grande batalha.
 
Não se trata mais de uma vasta e brilhante batalha no campo raso dos negócios; é uma estratégia de cerco.
 
As cidadelas do crédito e das possibilidades de transa­ções estão sitiadas. Ou os seus recursos são suficientes para sair a campo e conquistar novas áreas de crédito, ou terão de se render como míseras bastilhas ante a pressão exterior.
 
* * *
 
Caem, um a um, os milionários.
 
Vai rareando a casta.
 
Os mais rijos, entretanto, ficarão. O mundo pertencerá ao que se levantar por último da mesa do grande jogo.
 
Por isso, o perigo do capitalismo único, do capitalismo de Estado, do capitalismo como finalidade da existência, do capitalismo mecanizador da sociedade e bolchevizador das massas, numa palavra, o perigo do comunismo, não está entre os "poetas", que são os que se sacrificam na propaganda do credo vermelho.
 
Pois, enquanto estes se sacrificam, o capitalismo interna­cional age.

Age com segurança, com firmeza. O capitalismo é o grande bolchevista.

E a proletarização universal, a escravização definitiva dos povos se dará quando, diante do pano verde dos negócios, se levantar, batido e humilhado, o último parceiro.
 
 
Plínio Salgado
 
Notas:
[1] Estas considerações foram publicadas na "A Razão", muito antes, portanto, da revolução econômica de Roosevelt e da quebra do dólar. (Nota do Autor, em 1935).
[2] Extraído de: O Sofrimento Universal, ed. cit., pág. 83.

 



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