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O verdadeiro nacionalismo

Entre tantas outras palavras cujo sentido foi inteiramente deturpado, em nosso tempo, essa palavra nacionalismo é certa­mente a que sofreu a maior deturpação. Os intérpretes do na­cionalismo fizeram dele um espelho de suas próprias paixões, de seus exageros e de suas insuficiências. Não o tomaram na sua realidade humana, como expressão de um culto pelo grupo natural constituído por frações da humanidade tipicamente di­ferenciadas. Uns o exaltaram a tal ponto que o tornaram um instrumento de opressão interna e de ameaça externa. Con­fundindo a Nação com o Estado, os teoristas alemães, a partir de Bluntschli, fizeram do nacionalismo um instrumento de absor­ção das pessoas humanas e dos outros grupos naturais em que as pessoas se agregam com o objetivo da defesa de seus direi­tos fundamentais; e confundindo a Nação e o Estado com a Raça, ou com uma ideologia de tendência imperialista, muitos pensadores, filósofos, juristas e homens públicos do nosso tem­po transformaram o nacionalismo em constante ameaça contra os povos.
 
Considerando o nacionalismo sob esses aspectos, surgiram as reações dos que amam a liberdade do Homem e a paz ali­cerçada em bases jurídicas; mas esses incorreram no erro opos­to, o que nos faz lembrar os primeiros tempos do Cristianismo, quando o combate a uma heresia se tornava, no curso polêmico da controvérsia, outra heresia e, às vezes, maior do que a da doutrina adversária.

O erro dos que combatem o nacionalismo exagerado, ou transvertido nas formas destruidoras do verdadeiro nacionalis­mo, consiste em condenar essa palavra, in limine, sem estabe­lecer distinções. E, assim procedendo, esses inimigos do na­cionalismo desarmam os povos constituídos em grupos huma­nos nacionais, tirando-lhes a única arma com que se podem defender das agressões e da dominação do nacionalismo detur­pado. Fazem, dessa maneira, o jogo do próprio adversário.

Existe ainda outro erro — e esse é o das mentalidades ignaras ou medíocres — que está em tomar o nacionalismo como sinônimo de xenofobia, de jacobinismo, de atitude de re­pulsa às nações estrangeiras. Esquecem-se de que o grupo natural que chamamos Nação constitui um meio pelo qual estabelecemos as relações comerciais, culturais, jurídicas e mo­rais com os outros grupos nacionais em que se acha diferen­ciada a unidade humana. Esquecem-se de que, se a colaboração entre as Nações já se apresentava como uma realidade entrevista nos séculos XVI e XVII, por Francisco Vitória e por Grotius, muito mais hoje se impõe, primeiro pela internacionalização do comércio, que principiou a desenvolver-se de maneira acele­rada, desde os albores do século XIX; depois pelo instrumental técnico do século XX, que liga os povos pelo avião, pelo rádio, pela televisão, finalmente pelo interconhecimento das condições econômicas, sociais e psicológicas, as quais, denunciando a identidade das aspirações, insinua a adoção de fórmulas solucionadoras de problemas comuns.
 
De tantos erros concluímos que a palavra nacionalismo precisa ser recolocada na sua verdadeira posição e na sua ver­dadeira significação.
 
* * *
 
Devemos ser nacionalistas? Sim; é a única resposta que cabe a um cristão, uma vez que sustenta o princípio da intan­gibilidade da pessoa humana e dos grupos naturais de que se servem as mesmas pessoas para defender seus direitos e cum­prir seus deveres tendentes a um fim determinado por Deus. A Nação é um grupo natural, uma realidade histórica e social; nela se conjugam e se exprimem os outros grupos naturais. Acima dela, só a realidade — maior do que todas as outras — que é a Religião. Mas se nesta encontramos os princípios fundamentais da liberdade e da responsabilidade do Homem e a sustentação doutrinária da autonomia dos grupos naturais, a começar pela Família, que é o mais importante, então temos de aceitar a Nação e o nacionalismo, como um meio de defesa e garantia de sobrevivência dos direitos individuais e grupais. Combater o nacionalismo é desarmar os grupos naturais e o próprio Homem dos meios materiais, jurídicos e internacionais de sua permanência e intangibilidade. É, ao mesmo tempo, insurgir-se contra a lei de Deus, que diferenciou a unidade humana em expressões particulares, segundo condições geográ­ficas, climáticas, econômicas, culturais, idiomáticas, históricas e temperamentais, o que fez evidentemente para algum fim, o qual não pode ser outro senão a própria defesa do Homem e dos Grupos Naturais, em conseqüência do equilíbrio de for­ças pela qual se impede a escravização universal dos seres hu­manos a uma só potência, que poderá ser inimiga de Deus.
 
Esse nacionalismo cristão deve ser cultuado. Sem ele não nos defenderemos do cruel materialismo que ameaça o mundo. Esse nacionalismo não deve ser nem exagerado nem superficial. Equilibrado e profundo, justo e lúcido, ele refletirá a perso­nalidade de uma Pátria, constituída pelo conjunto das perso­nalidades congregadas no grupo nacional.
 
 
Plínio Salgado

Nota:
[1] Mensagem às Pedras do Deserto, Obras Completas, Vol. 15, pág. 338.

 



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01/12/2017, 17:14:47

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