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O fator geológico

Vivemos hoje a Idade do Combustível e do Ferro. O pro­gresso das nações depende desses dois elementos. Entre os com­bustíveis, até agora, o mais importante é a hulha, porque sem ela não se fabrica o ferro de boa qualidade e economicamente mais rendoso. A posição mais vantajosa é a dos países que pos­suem os dois elementos. Vem depois os que possuem apenas hulha, e em terceiro lugar os que possuem apenas ferro. As de­mais nações estão condenadas a viver em vida agrícola e pastoril e a consumir as produções industriais das outras. No transcurso do século XIX ficou, porém, assinalada a preeminência absoluta das nações detentoras da hulha. Em primeiro lugar, os Estados Unidos, em seguida a Inglaterra, a Alemanha, a França, o Japão, a Rússia. Todos os povos meridionais do planeta não puderam acompanhar o progresso técnico daqueles países.

O predomínio dos mares, que pertenceu à Espanha e Por­tugal na época da propulsão pelo vento, passou a pertencer à Inglaterra e depois aos outros países que possuíam hulha, por­quanto a invenção do vapor criou uma fase inteiramente nova à navegação. A conquista, desbravamento, povoamento e explo­ração econômica, de vastas áreas continentais, tornou-se fácil no Novo Mundo aos Estados Unidos, pela facilidade de lançar vias férreas à aventura, em cujas margens se iam estabelecendo as colonizações, ao passo que na América Meridional tudo conti­nuou difícil, porque primeiro era preciso desbravar e criar fontes produtoras, o que se fazia a cavalo e em carros de bois, para em seguida oferecer garantias de lucros a empresas ferroviárias que se interessassem no transporte das mercadorias. As grandes concentrações industriais concentraram-se nos países detentores de hulha e fabricantes de ferro. Com o ferro se fazem as má­quinas, com as máquinas todas as sortes de produtos da indústria.
 
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Os povos sem ferro nem hulha foram chamados por Marx "povos semicoloniais", destinados a fornecer matérias-primas aos povos industriais. No alvorecer do século XX, surgia no mundo a classificação das nações em grandes e pequenas potências. Aquelas eram as possuidoras da hulha, as fabricantes de ferro, as exploradoras das indústrias, as dominadoras das distâncias no mar e na terra, com os navios a vapor e as locomotivas. O orgulho por tão grandes progressos levou homens como Houston, Chamberlain e Gobineau a proclamar a superioridade da raça ariana, dos povos setentrionais sobre as raças e os povos meri­dionais do planeta. Nasceu o racismo, como política justificativa de uma desigualdade econômica advinda das diversidades do subsolo, como surgira o livre cambismo e a moral, primeiro uti­litária e depois evolucionista, na Inglaterra, como justificativa da expansão comercial e domínio a exercer-se pelos povos in­dustriais sobre os povos agrários.
 
Em conseqüência do enriquecimento das nações setentrio­nais, tiveram elas mais fáceis os confortos da higiene e da ins­trução. Como a saúde e a instrução custam dinheiro, tornaram-se mais saudáveis e mais instruídos os povos mais ricos. Então surgiram aqueles que tomaram os efeitos pela causa e houve quem proclamasse que o atraso dos povos meridionais da Eu­ropa e da América provinha da sua inferioridade étnica.
 
Em 1907, a consciência de superioridade das grandes po­tências manifestou-se na Conferência Internacional de Haia. Ex­primindo o sentido de domínio universal da política alemã, o Barão Marshall von Bieberstein apresentou, pela primeira vez, a tese que propugnava o governo do mundo pelas grandes po- tências, tese que ressurgiu mais tarde com Hitler. Ao Brasil coube a glória de se opor a essa tese que consagrava o predo­mínio da força sobre o direito; o bom senso, que nunca faltou aos Estados Unidos, levou o governo daquela Nação a apoiar a tese brasileira, a qual propunha a igualdade das Nações. E o Brasil fez vencer a doutrina do Espírito sobre a doutrina do orgulho e da brutalidade.
 
Pondo de lado as conseqüências políticas da desigualdade da distribuição das riquezas do subsolo, para só considerar as conseqüências econômicas, verificamos que os povos, em cujos países não se pode fabricar ferro economicamente conveniente e que não dispõem de hulha para acionar seus navios, locomo­tivas e fábricas, encontram-se em situação de dolorosa depen­dência.
 
A eletricidade representa, é certo, uma grande esperança de recuperação a esses povos semicoloniais; mas ainda não se descobriu o processo de utilizar a energia elétrica na fabricação do ferro e, além do mais, há muitos países que não possuem ferro.
 
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Tenho para mim que a Providência Divina assinalou o Brasil e os Estados Unidos para serem os pioneiros da liberta­ção do mundo, por circunstâncias geológicas profundamente sig­nificativas. Possui o primeiro a maior porção de ferro do mundo (34% das reservas mundiais e minerais com a média de 70% de ferro, enquanto nos outros países, inclusive os Estados Unidos, a média é de 45%), mas não possui carvão nem em quantidade nem em qualidade suficientes para explorar essa incalculável ri­queza; e os segundos possuem as maiores hulheiras do planeta, superando a sua produção a de todos os outros países reunidos. Da união espiritual das duas grandes nações, pode surgir uma política econômica que praticamente distribua, a preços justos e humanos, o ferro e o carvão. É, pois, motivo de júbilo ver-se
no projeto de Declaração dos Direitos do Homem, redigido pelos católicos dos Estados Unidos (National Catholic Welfare Conference), esta proposição verdadeiramente cristã: "O direito (das nações na comunhão internacional) de acesso em igualdade de condições aos mercados e matérias-primas do mundo" e "o di­reito de proteger os seus próprios recursos naturais e a sua própria vida econômica contra toda exploração injusta". A se­gunda proposição completa a primeira, porque evita que se dê o caso das Nações detentoras de hulha, que já atingiram alto progresso técnico e situação econômico-financeira de real pode­rio, imporem aos povos detentores apenas de ferro condições contratuais que os conservem praticamente em inferioridade.
 
Com a invenção do motor a explosão, apareceu outro ele­mento da máxima importância na vida econômica dos povos: o petróleo. Os povos já possuidores de hulha e ferro, se tiveram a fortuna de encontrar no seu subsolo o precioso óleo mineral, completaram a sua riqueza e esplendor. Mas, se não o encontra­ram, ou se se esgotaram as suas reservas, esses povos, já enri­quecidos e poderosos pelos seus capitais, pela sua potenciali­dade militar e política, facilmente irão conquistar petróleo, ainda mesmo pela forma pacífica, aos povos sem hulha nem ferro, que por acaso possuam tão precioso óleo mineral. A luta por esse combustível tem sido tremenda, assim como as pesquisas científicas para encontrar o seu sucedâneo. Acredito que o pro­gresso técnico, responsável por tantas guerras, mas que, final­mente, um dia, será utilizado pelo Homem no sentido de uma fraternidade sincera, dentro em pouco libertará a economia dos povos dessa situação de desigualdade que assinala todo o horror de uma idade em que o ferro dominou o homem e parece haver-lhe transmitido a sua dureza e frialdade. Mas, enquanto isso não se der, cumpre à Sociedade das Nações estudar o problema da produção e da distribuição do ferro e dos combustíveis, de modo que todos os povos sejam postos em pé de igualdade dentro da qual todos possam viver, prosperar e garantir aos indivíduos e às famílias de toda a terra um padrão de vida tão elevado quantas forem as possibilidades mundiais, mediante in­tercâmbio harmonioso e fraternal das Nações entre si.
 
As riquezas da terra pertencem a toda a Humanidade. A propriedade, seja do Homem ou das Nacionalidades, deve ter fim social; do homem em relação aos seus semelhantes, das Nacionalidades em relação às outras Nacionalidades.
 
 
Plínio Salgado

Nota:
[1] Extraído de: Direitos e Deveres do Homem, Obras Completas vol. 5, pág. 337.


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