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Nacionalismo econômico

Exacerbado nacionalismo criou nos Estados Totalitários uma aspiração de autarquia, ou de auto-suficiência, que parecia ter em mira os dias negros da guerra. Esse nacionalismo isolou os povos daqueles Estados e influiu nos outros povos, que, ou por motivo de represália ou de imitação, adotaram políticas aduaneiras perturbadoras do comércio das nações.
 
Numa Declaração dos Direitos do Homem, em que se fala do direito à subsistência, o assunto não pode ser posto à mar­gem. Mas nenhuma Nação poderá assumir sozinha uma atitude liberal no tocante à política alfandegária, pois ficaria em condi­ções de inferioridade. Um convênio internacional se impõe, para regular de forma humana e cristã o comércio dos povos. A Na­tureza dividiu de tal sorte o planeta, que parece-nos indicar uma vida de intercâmbios e de ajuda mútua. O estudo da geografia econômica mostra-nos, com a diversidade dos climas, da flora e da fauna, das condições do solo e do subsolo, que a Huma­nidade pode e deve viver em paz, em trabalho fecundo e sem necessidade de atritar-se.
 
Todavia, o que vemos é uns povos pretenderem produzir o que outros, por circunstâncias mais favoráveis, produzem em condições melhores de preço e perfectibilidade. Muitas vezes, certas nações preferem o sucedâneo ao produto original, uns tomando infusos de chicória ou cevada, para fazer as vezes do café; outros fabricando borracha sintética, de reduzida elasti­cidade e resistência, para não se utilizar das vastas reservas de seringais que se encontram em países alheios. A autarquia dos totalitários inventou os produtos artificiais; temos-lhe seguido os exemplos no após-guerra, com a mantença de indústrias falsá­rias, como ainda recentemente aconteceu, com as tentativas nor­te-americanas de produzir a cera de carnaúba sintética. Para pro­teger tais indústrias adotam-se impostos de importação excessi­vos. As Nações fazem mal umas às outras, porém muito mais aos seus respectivos habitantes, obrigados a comprar produtos inferiores por preços às vezes mais elevados do que os dos pro­dutos genuínos. Tudo isso em benefício, quase sempre, de um grupo econômico, usufrutuário daqueles expedientes.
 
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A tendência para a industrialização dos povos é uma das doenças do nosso século. Como o marxismo observou (e com razão) e as nações verificaram mediante dolorosa experiência, que os povos agricultores são explorados e oprimidos pelos povos industriais, todos pretenderam tornar-se industriais. A miséria do mundo provém principalmente desse fato. Em 1930, e nos anos posteriores, os povos agricultores e pastores tiveram de queimar as suas safras acumuladas, porque elas não encontravam preço compensador nos mercados internacionais, dado o imenso volume da produção. Na verdade, não havia superprodução, como se assoalhava. Quem tivesse dúvidas, que procurasse as populações miseráveis das cinco partes do mundo, esfarrapadas e esfomeadas, enquanto se queimava café no Brasil, trigo no Canadá, lãs na Argentina.
 
O que havia era desorganização econômica pela interfe­rência de grupos financeiros e pela própria política egoística dos Estados. Mas a miséria a que foram levados agricultores e pas­tores incutiu nos povos empobrecidos verdadeiro medo aos tra­balhos na terra. Então, multiplicaram-se as indústrias e grandes massas de populações se deslocaram dos campos para as cidades.
 
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Quer-me parecer que esse problema da reorganização eco­nômica de todas as Nações é fundamental e urgente. Uma Comissão Mundial, baseada em estatísticas e aprofundados estudos da distribuição das matérias-primas vegetais, animais e minerais do planeta, deveria funcionar permanentemente, determinando cada ano a cota de produção e de consumo de cada povo.

Não se compreende que, num século que se diz científico e técnico, o mais importante dos problemas materiais, que é o abastecimento da Humanidade, ainda esteja relegado às inicia­tivas dos grupos capitalistas ou à visão unilateral de cada país, que se vê forçado, por se sentir sozinho, a assumir atitudes egoísticas, por imperativo de sua própria conservação.

De que valerá proclamarmos os direitos à subsistência do Homem, se praticamente nenhuma Nação está em condições de efetivá-los?
 
 
Plínio Salgado
 
Nota:
[1] Extraído de: Direitos e Deveres do Homem, Obras Completas, vol. 5, pág. 343.


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01/12/2017, 17:14:47

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