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Mapa-Mundi

(1934)

 
O mundo atravessa atualmente o instante decisivo em que se está jogando a sorte da Civilização.
 
Por mais otimista que queira ser o político utópico, ou o homem indiferente à sorte da Humanidade, o que ninguém pode negar é que a civilização transita, na hora presente, por sua crise máxima.
 
E essa crise não é uma conseqüência da pobreza do planeta ou de dificuldades criadas por tremores de terras, secas, inun­dações, cataclismas e epidemias. A crise (e isto assombraria a um estadista da Antigüidade ressuscitado no século XX!) tem por origem a própria fartura.
 
Não há hoje um só país que não esteja sendo roído pelo cancro moderno, que se convencionou chamar "os sem traba­lho". Não há hoje uma nação do mundo em que se não defla­grem os conflitos sociais.
 
Os governos, sem exceção, estão devendo colossalmente, e a maior parte não encontra meios de solver seus compromissos. Dentre as nações, cumpre destacar aquelas, como o Brasil e suas irmãs da América do Sul, que se acham, sob esse ponto de vista, em situação de angústia jamais atingida.
 
De todos os cantos da Terra se ergue o clamor da Huma­nidade.

Nunca houve tanta fome, tanto desconforto; e, entretanto — suprema ironia! —, nunca os povos produziram tanto, nunca houve maiores estoques de manufaturas e frutos agrícolas.

* * *
 
Cada máquina trabalha por dezenas de homens. As má­quinas se multiplicaram. E, em vez de trazerem a abolição com­pleta das preocupações materiais, elas agravaram essas preocupa­ções, puseram fora de combate o trabalho humano e mataram todo o sentido espiritual da existência.
 
Nunca lavrou tão desenfreadamente o materialismo, como agora. O homem moderno requintou em orgulho, em crueldade, em desprezo pelo seu semelhante.
 
A Revolução Francesa instituiu a igualdade política, mas criou a desigualdade econômica. A Burguesia constituiu-se uma classe privilegiada, que valorizou o indivíduo na sociedade, pelo que ele possui, não pelas suas virtudes.
 
Homens e mulheres de uma sociedade que se diz cristã, e mesmo muitos daqueles que apresentam exterioridades religiosas, possuem uma tão profunda consciência da seleção dos seres humanos pela sua capacidade de ostentar e de impor na vaidade e no luxo, que o observador do nosso tempo conclui que a ci­vilização moderna arrancou o coração do Homem e o atirou aos dentes das máquinas.
 
O espírito das trevas parece que erigiu o seu trono na alma das classes abastadas; o fogo da sua perfídia parece lampejar nos olhos cúpidos dos grandes chefes financeiros, que comandam a marcha trágica da Civilização; a sua avareza enche as arcas dos estabelecimentos bancários e aflige as classes produtoras; a sua solércia inflama de rancores e revoltas as massas proletá­rias e o exército dos que sofrem necessidades e curtem dores secretas, oprimidos, humilhados, por uma organização social que se esqueceu dos mais elementares sentimentos da solidarie­dade e da justiça humana.
 
E quando o atormentado não encontra remédio para a grande angústia, é ainda da negação absoluta que surge o contraveneno para o tóxico terrível do materialismo burguês. E o comunismo se apresenta como a conseqüência lógica da evolu­ção econômico-social de uma sociedade execrável, sem piedade, sem coração e sem Deus.
 
* * *
 
Como fugir a Humanidade dessa evolução fatal? Que po­derão fazer os governos para restaurar o senso comum na lou­cura universal? Como forçar a máquina a trabalhar como es­crava e não como cruel algoz do proletário? Como tornar o homem mais digno do que a máquina? Que fazer, para implan­tar a igualdade entre os povos, não baseada no materialismo de Marx, porém na finalidade superior da criatura humana?
 
Se há produção em excesso, não é um crime guardá-la em estoques, atirá-la ao mar, reduzi-la a cinzas, para manter altos preços?
 
Se há excesso de trabalho das máquinas, por que não se estabelecem horários para os trabalhadores universalmente?
 
Por que não nos regermos por estatísticas, determinando tarefas de produção aos povos e efetivando o intercâmbio entre as nações de uma maneira mais humana?
 
Por que não substituir a concorrência agrícola, industrial e comercial, pela cooperação agrícola, industrial e comercial? Por que os países não se auxiliam mutuamente?
 
Nada disso será possível, pois os governos não é que go­vernam; quem manda no mundo são os argentários sem pátria e sem alma.
 
Os governos nada significam nos países liberais-democráticos, porque, à revelia deles, decidem a sorte dos povos os car­téis, os monopólios, as bolsas, os bancos.
 
* * *
 
Veja-se o que aconteceu no caso do tratado austro-alemão. A Alemanha e a Áustria firmaram um acordo aduaneiro. Esse acordo foi examinado pela corte de Haya. Foi julgado justo. Todas as nações o aprovaram.
 
Pois bem. Os banqueiros ingleses liquidaram a questão contra a vontade expressa dos governos da Europa e da Amé­rica. E liquidaram, apenas, com isto: negaram crédito à Áustria.
 
E as duas nações, que tinham sido perdoadas pelas outras nações, foram condenadas pelos banqueiros.
 
Tiveram de voltar atrás, desfazer o acordo.
 
* * *
 
Não precisamos entrar no mérito da questão.
 
Apreciamo-la como um sintoma alarmantíssimo de que os governos liberais-democráticos, não tendo significação econômica nem expressão autoritária, não representando as forças integrais das nacionalidades, também não dispõem de força para dar di­retrizes ao mundo.
 
A Humanidade chega, pois, a esta encruzilhada:
 
— Ou os governos se fundamentam nos princípios de ordem moral, cultural, espiritual e, em nome deles, empolgam, dominam e subjugam todas as forças econômicas, realizando acordos internacionais, regulando a produção, a circulação e o consumo;
 
   Ou então é melhor cruzar os braços, porque será ri­dículo lutar contra o inevitável...
 
* * *
 
O inevitável será o desaparecimento do Estado; a implan­tação de uma ditadura universal de técnicos financeiros; a es­cravidão de toda a Humanidade; o domínio absoluto do mate­rialismo mais torpe.
 
Ou violentamos a História, ou morreremos esmagados pela ditadura supernacional dos bancos e das bolsas.
 
 
Plínio Salgado
 
Nota:
[1] Extraído de: O Sofrimento Universal, ed. cit., pág. 33.


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01/12/2017, 17:14:47

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