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Na plenitude da idade demoníaca

A nossa chamada civilização ocidental encontra-se, na opinião de todos os idealistas e pensadores, assoberbada por dois males: o capitalismo e o comunismo. O homem, as suas liberdades, a sua dignidade, sentem-se ameaçados por uma gradual ou violenta absorção de grupos monopolizadores e opressores, que se organizam fora do Estado ou se identificam com o próprio Estado. Mas essas duas ameaças não passam de conseqüências de uma psicologia expressiva dos dias brutais em que vivemos: a psicologia de um egoísmo sem freios, que corresponde ciclicamente àquele individualismo em que se traduziram os anseios do romantismo nos alvores do século XIX.

Que o individualismo liberal e romântico é o prefácio do coletivismo, eis uma verdade já verificada no transcurso de um século. Foi esse individualismo que se derramou nas páginas de Goethe, de Lamartine, de Georges Sand; que se expandiu nas revoluções políticas e no ritmo desagregador dos partidos; que se alargou e imperou no desenvolvimento econômico dos povos com a nota predominante da usurpação impositiva de grupos financeiros em detrimento dos trabalhadores e das famílias; e que, finalmente, desviou a humanidade dos seus superiores destinos, dando-lhe por único pasto os vis interesses materiais.

Dessa forma, a partir da segunda metade do século XIX, deflagrou-se a luta entre os homens, de modo terrível. Homo hominis lupus tornou-se o emblema das relações humanas sob a égide de um egoísmo cego e inconseqüente. Atualizava-se o pensamento de Plauto, pois na realidade o homem se tornou o lobo do homem, sem nenhuma consideração de ordem moral.

A guerra entre os competidores no comércio, a batalha da concorrência nas praças consumidoras, o combate entre os detentores do capital e os agentes do trabalho, paralelizavam-se com o choque dos partidos políticos, o estraçalhar-se mutuamente dos próprios correligionários desses partidos nas querelas internas das facções, as disputas dos cargos rendosos e das posições de comando, as discórdias em todos os setores da vida humana, inclusive no próprio ambiente do lar doméstico.

* * *

Partindo do individualismo romântico no século XIX, temos chegado ao egoísmo realista do século XX. E, com o aceleramento da velocidade, o egoísmo tornou-se sofreguidão, pressa vertiginosa de vencer, de atingir o máximo no menor tempo. O aventureirismo político já esboçado no tempo de Napoleão III, Bismarck e a Rainha Vitória, ganhou subitamente, com o advento das massas inconscientes a substituírem o voto consciente, uma velocidade espantosa em nossos dias. Mas esse espírito de aventura estendeu-se a todos os setores da vida humana, instaurando o "golpismo", como estilo e técnica de rápido enriquecimento e rápida ascensão. Se no período em que predominou o utilitarismo corriam todos atrás das coisas materiais, hoje que impera esse mesmo utilitarismo traduzido nas formas mais execráveis do egoísmo, a humanidade despenhou-se no abismo das paixões animada por uma sofreguidão, uma pressa, que revela, no fundo o anseio de gozar o mais imediatamente possível os bens do mundo.

Essa pressa evidencia também um supermaterialismo, horrendo nos seus aspectos, insensato e trágico nos seus desígnios. Já não é possível conceberem-se os gestos altíssimos de renúncia; já ninguém compreende a possibilidade de alguém nada querer para si, nada ambicionar senão o bem dos seus semelhantes.

Porque, achando-se todos espicaçados pelo muito querer, perderam o sentido das belas atitudes e das espirituais posições de desprezo pelas coisas materiais.

O homem, que continua a ser o mesmo que se encontra nas páginas de Ésquilo, de Shakespeare, de Balzac, agravou os seus próprios males pela velocidade que imprimiu às suas paixões. Quer ser veloz, que ir depressa, porque sente a vida curta e porque, no íntimo, prefere as coisas efêmeras e despreza as coisas eternas.

* * *

Em última análise, as desgraças do nosso tempo decorrem da ausência de religiosidade. O homem desligou-se de Deus, das aspirações tendentes a um destino eterno. Fala-se numa civilização cristã, mas esta civilização age materialisticamente. Pois é entre cristãos, é entre homens que se dizem de Cristo, que verificam as discórdias, as disputas pelos cargos, pelas posições, pelo dinheiro, pelas glórias ridículas do mundo. Quem observa a sociedade atual nota, forçosamente nota, que os cristãos se preocupam, tanto como os pagãos, somente com os bens terrenos, que colocam sempre acima dos bens do espírito. Vivemos uma época de cristianismo puramente nominal, sem nenhum conteúdo de Cristo. E essa é a suprema desgraça da chamada civilização ocidental.

Como conseguiremos nos opor contra as forças organizadas do capitalismo ou do comunismo, se não encontrarmos no seio da sociedade que se diz cristã os elementos de aglutinação das forças salvadoras? Como unir, se o orgulho é mais forte, a ambição mais prepotente, as odiosidades mais imperativas, o egoísmo mais decisivo, do que os superiores objetivos de uma ação comum em face do mal? Como combater o mal se o mal esta em nós mesmos? Como lutar contra as forças dissolventes, se dentro da nossa cidadela se encontram os germens da dissolução?

Pobre mundo! Infeliz século! Diante das suas calamidades, os que pensam e sofrem a dor de ver transviado para o mal o curso de uma civilização que se diz inspirada no cristianismo, não vêem para onde ou para quem apelar, senão para Deus. E, apelando para Deus, nesta idade demoníaca, os que se compadecem diante do triste espetáculo que os homens apresentam, precisam ofertar aos Céus os seus pensamentos puros, os seus sentimentos cândidos, juntamente como o sacrifício que hoje representa, a quantos querem viver pelo espírito, o convívio doloroso, cheio de atritos e violências, de um século que se resseca e estiola ao sopro infernal do materialismo.

II

Insistirei, teimarei, repetirei por todas as formas, em todas as ocasiões que se me oferecem: o problema do mundo de hoje é essencialmente espiritual, direi mesmo religioso.

Critiquem-me os pragmáticos; apontem-me como sonhador os que a si se dão por objetivos e realistas; lamentem-me os que me desejariam ver manipulando comentários ou intrigas nas provetas dos fatos quotidianos; deplorem-me os que me julgarem abstêmio das preocupações imediatistas em que se exaurem as sociedades políticas e literárias do nosso tempo: — e eu continuarei proclamando que o único problema que os homens e as nações têm a resolver é o problema do Espírito.

Mas, quando me refiro ao Espírito, não tomo esta palavra nas suas expressões ambíguas, a significar vida intelectual, índices culturais, aspirações ou realizações artísticas, padrões de vida social. Não quero com essa palavra "espírito" exprimir a quintessência da civilização, ou o caráter, o temperamento, as tendências de um povo, nem tão pouco aludir a formas de inteligência ou ao sentido dessas formas e às crises em que se debatem os dramáticos espectadores das aventuras filosóficas dos eleatas e epicuristas contemporâneos.

Falo do Espírito mesmo. Falo do Espírito como realidade. Em suma: falo da Alma do Homem.

Ponho em equação o problema da Alma Humana.

Não há outro mais importante na hierarquia lógica das nossas cogitações, quando assumimos a atitude sincera com que exprimimos uma dor verdadeiramente sentida.

Desse problema decorrem todos os outros. Da sua solução dependem as soluções de todas as dificuldades individuais, fami-liares, sociais, econômicas, políticas, nacionais e internacionais do século em que vivemos.

* * *

É preciso pôr ordem nos espíritos.

Mas essa ordem não a encontraremos no mundo irreal das elucubrações sutis onde a inteligência se perde como um náufrago na imensidade do oceano.

Debalde reviveremos as inquietações pascalianas, os debates jansenistas sobre a predestinação, ou as antiquíssimas querelas dos bizantinos acerca da luz incriada, enquanto os turcos sitiavam Constantinopla. Inutilmente atualizaremos e discutiremos as mil questões dos céticos, dos nominalistas, dos racionalistas, dos sensualistas, dos naturalistas, dos panteístas, dos idealistas travestidos em novas roupagens muitas vezes urdidas com os remendos das mais variadas filosofias. Não conseguiremos com isso outra coisa senão nos metermos na balbúrdia de uma feira, onde todos falam, poucos ouvem, ninguém se entende e cada um sai mais confuso e perturbado.

Não será adubando crises subjetivas ou revolvendo o entulho da parlapatice universal em polêmicas estéreis que conseguiremos atingir o equilíbrio moral de que depende a ordem social e a paz entre os homens.

Assistimos hoje ao ressurgir de um humanismo do tipo erasmiano, a evitar comprometer-se em atitudes definidas capazes de provocar incômodos na profissão, na carreira ou nos negócios, quebrando o ritmo epicurista de uma existência brilhante de prazeres. Dentro dessa atmosfera proliferam todas as desordens intelectuais e morais, refluindo, sob formas cautelosas de transigências, vetustas heresias com ares de novidades.

* * *

Vivemos hoje uma época em tudo semelhante aos tempos periodicamente repetidos através da História, em que surgem, sob aspectos diversos, novos rebentos de agnósticos, de maniqueístas, de pelagianos, de arianos, de albigenses, a pretender conciliar suas complicações mentais com a pureza simples da verdade cristã.

O fato incontestável é que os êmulos de Pascal em nosso tempo não fazem mais do que aparentar, nas atitudes melancólicas das dúvidas consuntivas, o oportunismo de Erasmo de Roterdam, a ajeitar a ortodoxia do seu credo ao gosto da moda e às injunções das correntes literárias do cartaz.

A preocupação de atualizar-se, de acompanhar a onda do pensamento moderno, leva a muitos indivíduos, que se confessam cristãos, a tentar o conúbio de subfilosofia da atualidade com a doutrina do Evangelho. Outros, como os antioquianos ou nestorianos, a insurgir-se contra Árrio, pretendem combater certos erros engedrando erros mais graves. Arregimentam-se terceiros a coibir o zelo reacionário, mas caem no extremo oposto implantando com erros superlativos, que a vaidade agrava e eriça, a confusão geral que a todos desorienta.

O que se gasta de tempo e espaço em arrazoados infindáveis e papel de jornal, queimando-se os fogos de artifício dos debates inúteis, é verdadeiramente assombroso. Tudo sem o menor resultado benéfico à solução do problema espiritual que aflige os indivíduos e os povos.

* * *

Há uma preocupação erasmiana de acomodar as linhas simples da verdade eterna com as loucuras e dispautérios do mundo. Não há doutrina que surja baseada nas hipóteses do experimentalismo científico ou nas elocubrações de cérebros doentios, que logo se não pretenda assimilá-la, enquadrando-a nos limites da ortodoxia católica, sob o pretexto de que, exercendo ela fascínio sobre as massas, representam forças que vale a pena aproveitar para maior rendimento do bem.

Essa atitude covarde de transigência com a demagogia e com a efêmera maré dos caprichos das multidões magnetizadas por quantos Simões Mágicos ou Cagliostros produz o charlatanismo político do nosso tempo, considero-a a principal responsável pelas desgraças da humanidade neste século.

É uma vergonha o convívio amistoso e o conúbio cínico de intelectuais que se dizem cristãos com o teor de vida e o timbre do caráter de confrades materialistas, cujas doutrinas filosóficas e cujos conceitos éticos ou estéticos predominam sempre quando fazem liga, à fusão desmoralizante de complacências e tolerâncias absurdas.

Já se tem cogitado de cristianizar o marxismo materialista, ou o epicurismo plutocrata, ou o liberalismo determinista e até de captar, dirigir e transfundir o existencialismo, que sintetiza aqueles três males, amoldando-o às normas da vida cristã. Fala-se de um socialismo, de um capitalismo, de um liberalismo ou de um existencialismo domesticados segundo os preceitos do Evangelho, com a mesma naturalidade com que um louco falaria em domesticar animais selvagens que há milênios o homem não conseguiu trazer para o convívio do lar.

Vivemos hoje o período áureo do ressurgimento sofista. Com papel e tinta desenvolvem seus argumentos variadas espécies de Pródicos, Crítias e Trasímacos, restaurando em nosso século a pedanteria dos discutidores de Atenas, os quais, à força de provar que o preto é branco e que o branco é preto, ridicularizam a lógica e a si mesmos se ridicularizam, demonstrando, ao cabo de tanto falar e escrever, tudo defendendo sem nada sustentar convictamente, que a verdade é a mais inverídica das coisas e que os argumentos deduzidos pelos homens nâo passam, como exclamou Hamlet, de palavras, palavras e palavras...

Não faltam modernos Protágoras relativistas, ou novos Górgias que tudo negam ainda quando afirmam, a ensinar dialética e retórica em calhamaços infindáveis de crítica literária e de divagações políticas. Requentam sistemas, desenterram teorias, escovam múmias, pulverizam a Detefon as traças e baratas do pensamento antigo, e misturando conceitos de variadas escolas, apresentam, como novidades da última moda, os arranjos filosóficos com que pretendem resolver o problema do mundo nas portas das livrarias e nas mesas de café.

Tudo é moderno, moderníssimo como as pirâmides do Egito. Tudo é atualizado como as músicas clássicas de fox americano. Dois dedos de Spinoza, três de Schopenhauer, uma pitada de James, outra de Bergson, algumas fumaçadas de Nietzsche, e temos uma filosofia nova, misto de Aristipo de Cirene — o eufórico hedonista e alegre precursor da maconha e do suicídio dos fracassados.

Bebe-se, come-se, dança-se, joga-se, pratica-se o câmbio negro e a adoração do Bezerro de Ouro, com suspiros fundos de Leopardi, bizarrices de Baudelaire e tédios de Byron, contra- ponteando sibarítismos elegantes e fundas melancolias de crises distintíssimas, como é da moda entre gente de alto coturno literário.
Tal é o problema do espírito para os habitantes do mundo das letras, em Paris, Nova York ou Rio de Janeiro...

* * *

Enquanto isso, a sociedade do mundo ocidental vai-se dissolvendo, vai apodrecendo e tresandando o fedor das decomposições, fibra por fibra, dos elementos que a constituem.

Vai mal a economia dos povos, vai mal a administração pública, vai mal a política dos partidos, vai mal a vida das famílias; destroem-se os degraus de toda a hierarquia dos valores morais; degrada-se o sistema de educação nas escolas primárias, secundárias e superiores; corrompe-se o funcionalismo; anarquiza-se o trabalho; pervertem-se os homens, infamam-se as mulheres, multiplicam-se os adultérios, oficializa-se a pornografia no cinema, nas revistas ilustradas, nos teatros, no rádio e nos romances, estalam — molécula a molécula — as estruturas das nações: e o socorro para tamanhos e tão catastróficos males vai-se procurá-lo na discussão bizantina das questões complicadas em vez de se empregarem as inteligências armadas de vontade decidida, na campanha urgentíssima de pro-filaxia, terapêutica e saneamento com que se curem os beribéricos e escorbúticos da alma, que definham à míngua de vitaminas de brio.

Não há duas opiniões sobre a nossa desmoralizada sociedade. É colocar face a face dois dos nossos contemporâneos e puxar pelo assunto. Cada um conta uma infinidade de casos de subornos, de prevaricações, de malversações, de negligências de funcionários; cada um narra meia dúzia de negociatas de que foi testemunha ou de que ouviu falar, em que tomaram parte altos e até altíssimos personagens de governos, de partidos ou simplesmente da elite grãfina; cada um possui, para uso próprio e desfastio em conversas ociosas, um Decameroni de Bocácio, anedotas bocagianas ou aretinas, antologias de Kama-sutra e florilégios de aventuras e fraseados de Pantagruel, em que entram, como comparsas de grossas bandalheiras, senhoras da alta plutocracia e cavalheiros com fitilhos de comendas papais à lapela ou diplomas encaixilhados de ócios beneméritos de Ligas abstêmias ou Associações pró-Decoro Público.

Vai tudo mal, dizem. Não há remédio, exclamam. Isto é um país perdido, rugem os leões da pudicícia e da honestidade puritanas. E ao passo que uns vociferam contra as gorjetas tornadas instituições, outros clamam contra as porcentagens que pagaram à assinatura de contratos por serviços públicos, ainda outros esperneiam pela preferência que obteve a amante do Ministro, do Senador ou do Desembargador em detrimento de 'seus direitos, e outros ainda comentam a vida secreta de certos Catões que refazem as forças gastas no magistério, à sombra de confortáveis tebaidas não sabidas nem sonhadas pelos de sua audiência, entregando-se aos auspícios de discretas Afrodites da estirpe das Marias Candelárias.

Este reclama, porque os cinemas trazem beijos demais, os teatros são apimentados e despigmentados de vergonha, os jornais e revistas ilustradas lhe entram pela casa mostrando às filhas os clichês que podem excitar os humores; aquele berra porque as danças são muito agarradas ou porque nas boates presenciou, à cumplicidade da escuridão ali reinante, os maridos se enganarem bebendo o whisky dos amigos, enquanto os amigos nada enganados beijam-lhes as esposas, ao inocente compasso de alguma dança ingênua; aquele outro sabe de garçonnières onde devassos tiberizam a senectude e altimetrizam a pressão arterial em taquicardias dionisíacas, e sabe também de alguns mistérios elêusicos de virgens versadas em técnica psicanalítica ou rapazes gideanos que reproduzem retratos de Dorian Gray em Cíteras de Sacopã.

"Já não se pode freqüentar a sociedade", lamentam os últimos varões e matronas da República. E alegam que os casais se renovam e se revesam na sucessividade de divórcios e matrimônios anuais; que o fumo, o álcool e o pif-paf são hoje as preocupações únicas da alta roda; que as conversas giram em torno, exclusivamente, de automóveis, hotéis, modas, jóias, maledicências tesourando ausentes; que vai desaparecendo, dia a dia, a vida do lar e da família; que já se não sabe quem e como receber em casa; que os escândalos de há uns dez anos atrás são hoje coisa corriqueira no convívio de alto bordo; e por aí vão em lamúrias de Jeremias a prantear sobre as ruínas da cidade antiga.

Passadismos!, dizem os avançados, os modernos, os sabichões. os faustosos Cresos e os finos literatos bem nutridos por sinecuras de ministérios. E o país rola. desaba, pulveriza-se,
enlameia-se, enquanto aqueles, que deveriam, por dever de crença, por fidelidade ao Cristo, fazer-se paladinos da mais gloriosa das batalhas, vão gastando o cérebro escaldado e a vaidade fútil nas discussões infindáveis, exasperantes, inúteis e criminosas sobre temas complicados de filosofia ociosa e altas indagações acerca de problemazinhos secundários...

* * *

Como resolver as questões magnas da nossa economia, das nossas finanças, do trabalho nacional e da produção do país; e como estabelecer um largo plano com que solucionar as necessidades básicas da nossa vida material; e como sacudir num trabalho intenso e poderoso a máquina administrativa da nação; e como coordenar todas as forças da Pátria numa arrancada gloriosa de realizações, se nos falta o principal, que é a honestidade pública, e se esta depende da honestidade privada, a qual desaparece desastrosamente em todas as classes sociais

E como restaurar o teor saudável da vida pessoal de cada um, se não encararmos de frente e resolvidos a solucioná-lo, o problema do Espírito, ou melhor, o problema da Alma do Homem?

Por isso insisto, repito, repetirei sempre, teimosamente: o problema do mundo de hoje é, antes de tudo, espiritual, religioso.


Plínio Salgado

Nota:
[1] Extraído de: O Ritmo da História, Obras Completas Vol. 16, pag. 139.



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01/12/2017, 17:14:47

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