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Como educar um povo

(1957)

Nada vale para a dignidade, a honra, a soberania, a independência, a grandeza e a glória de uma Pátria serem seus filhos muito instruídos, mas inteiramente destituídos de capacidade moral. Não é pelo fato de possuir cientistas, literatos e artistas que uma Nação se ergue no esplendor da sua afirmação e da consciência do seu destino histórico. O que engrandece os povos e os torna livres da escravidão sob o domínio estrangeiro é o sentimento comum da dignidade nacional, que decorre do sentimento pessoal da dignidade inerente a cada membro da sociedade política de que faz parte e à qual damos o nome de Nação.

Esse sentimento de dignidade origina-se da consciência da moralidade. Cumpre, entretanto, que a moralidade seja definida em termos claros, precisos e nítidos, que não admitam mais de uma interpretação.

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Não há, não pode haver autodidatismo em matéria de moral. As regras das ações derivam de princípios certos de moralidade, pois se decorressem de pressupostos incertos, seriam tão variavas e tão numerosas que levariam à anarquia intelectual, à desordem dos sentimentos e ao entrechoque das paixões armadas de sofismas. Aqueles princípios certos se transmitem de geração a geração. Procedem de raízes históricas. Não podem admitir reformas, nem retificações, nem substituições. Podemos
compará-los ao que há de essencial na estrutura, na forma, na euritmia do corpo humano; pois se neste as células se renovam, se neste a estatura se desenvolve com a idade e com a mesma idade se deprime, jamais a personalidade deixa de ser a mesma e jamais se decompõe a imutável geometria das expressões fundamentais do ser físico. Menino, adolescente, jovem ou homem na plenitude da maturidade ou no crepúsculo da senectude e finalmente de decrepitude, a pessoa é a mesma pessoa e as sucessivas fotografias dos álbuns familiares nos revelam, desde a criança ao velho, a sucessão de uma diversidade à qual não faltam os índices evidentes de uma unidade absoluta e de tal forma que, olhando a fotografia do infante, logo a reconhecemos como pertencente ao retrato do adulto. Essa permanência da unidade intrínseca através das manifestações extrínsecas do desenvolvimento corpóreo constitui aquilo que é indestrutível no ser: a sua personalidade. Ora, se assim é no que se refere à expressão material do Homem, ou seja, o seu corpo, muito mais o é no que concerne ao seu espírito. E, se a união social dos seres humanos, em comunidades políticas diferenciadas historicamente da totalidade dos povos, pressupõe uma origem e um destino comum dos seres humanos que se agruparam, temos de concluir que, tanto aquela origem como este destino, perderiam a significação, se as atitudes e atividades, do grupo humano a que chamamos Pátria, não exprimissem um mínimo de identidade substancial inerente a cada membro da sociedade cívico-política e comum a todos.

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Se não podemos negar que a criança seja o adulto e que o adulto seja o velho, também não podemos negar que a Nação, séculos antes ou séculos depois seja a mesma, se ela conservar através da sua história aquela euritmia essencial da personalidade nacional. E quando uma Nação não mais apresenta aquelas características da sua identidade, podemos estar seguros de que a Nação desapareceu, sendo substituída no espaço
geográfico, atualmente ocupado por outros, cujas normas de ação se contradizem com a personalidade nacional anterior.

E assim morrem as Nações. E assim têm morrido no transcurso dos séculos. E quem folhear um desses atlas-históricos que apresentam as cartas sucessivas dos Impérios, das Monarquias, das Repúblicas desaparecidas na voragem dos tempos, verificará que esse desaparecimento foi precedido de uma distrofia moral, que levou à derrocada as estruturas da personalidade ético-política. Nem foi de outro modo, senão pela confluência dos deuses estrangeiros e pela proliferação das escolas filosóficas gregas, que o Império Romano entrou nas crises que precederam a sua morte; os últimos Césares tentaram criar uma nova base de unidade no Cristianismo, porém as ondas subseqüentes das heresias do III ao IV séculos e, finalmente, a desordem intelectual de Bizâncio, facilitaram a invasão dos bárbaros. E se avançarmos no tempo, iremos encontrar o mesmo fenômeno de dissolução moral precedendo o domínio dos árabes, no Império Visigótico.

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Sobre os escombros de uma Nação constróem-se outras. Não importa que subsistam, individualmente, os tipos étnicos da Nação desaparecida, mesclando-se ou isolando-se na nova sociedade política; o fato incontestável é o desaparecimento da Nação que perdeu a sua personalidade por haver perdido o tipo social marcante da sua personalidade.

O fenômeno contemporâneo de povos como os da Europa Oriental ou o daquele tão tradicional Império, como é o chinês, caírem sob o domínio estrangeiro dissimulado pela implantação de um regímen que se inspira em idéias contrárias à tradicionalidade nacional, demonstra que tais povos já esta-vam mortos, já não existiam como grupo diferenciado, como personalidade moral e política distinta.

O fundamento, portanto, da personalidade nacional de um povo é constituído por um conceito de moralidade imutável. E quando um povo começa a perder o senso do Bem e do Mal; quando procura em novas fontes as normas para as suas ações; e quando, finalmente, em meio às entrechocantes doutrinas, opta pelo desprezo a todas, eis que esse povo principia a morrer, lenta ou aceleradamente. Nem era por outro motivo que os Profetas de Israel clamavam, uns após outros, no intuito de impedir que a Nação aceitasse os ídolos estrangeiros ou praticasse os atos tidos como lícitos pelos povos convizinhos. O nosso Alberto Torres chama a atenção dos brasileiros para esse fato, repetindo as palavras que ressoavam continuamente aos ouvidos de Israel: "Não terás outros deuses..."

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Educar um povo é repetir-lhe mil vezes aqueles princípios certos, aqueles princípios imutáveis que constituem a base da moralidade de uma Pátria. São esses princípios que inspiram os atos humanos na vida intelectual, na vida administrativa, na vida política. Fácil é ao educador (que devem ser não apenas os professores, mas todos os homens públicos, todos os que exercem magistério pela palavra ou pela pena) esclarecer o povo sobre as normas de seus atos, se esse educador se inspira na imutabilidade dos princípios geradores daquelas normas. Tais princípios encontrarão natural ressonância na alma de todo o povo que ainda não entrou totalmente na crise agônica procedente da morte histórica das Nações. Porque esses princípios, no íntimo do sentimento popular, ainda vivo, harmonizam-se com a essencialidade anímica de cada um dos componentes da comunidade política.

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Princípios certos hão de basear-se em terreno de certeza. Esse terreno de certeza não pode ser a areia movediça das hipóteses científicas, das teorias que se revezam no cartaz da notoriedade, das doutrinas filosóficas constantemente servidas por um ecletismo que pretende ser original, compondo a sua trama com as misturas de conceitos, elocubrações, interpreta-ções e sofismas apanhados no mercado universal das idéias, principalmente nessa feira de disparates que referve, desde o século XVII até nossos dias, reproduzindo em larga escala o pedantismo grego que deu por terra com o Império Romano.

Os princípios certos vêm de Deus. E se o bom senso da humildade (ao contrário da megalomania orgulhosa dos chamados sábios) recebe-os com a alegria dos que encontram o Caminho no meio da confusão, também o secreto raciocínio do nosso espírito, desprendido dos interesses passageiros do egoísmo e das paixões delirantes, confere a sua autenticidade em face da própria intuição humana que gerou, mesmo entre os pagãos da Antigüidade, o Direito Natural.

Já Farias Brito, em A Verdade Como Regra das Ações, demonstra não ser possível traçar normas morais sem um conceito de verdade sobre o Universo e o Homem. Ora, a verdade é uma só, e não uma variedade, porque, se existissem duas verdades, nenhuma seria verdadeira.

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A verdade verdadeira há de ter Deus por única fonte. Essa verdade é a própria vida do espírito e o espírito, por sua vez, é a vida da personalidade. E assim como o corpo se acrescenta com o evolver dos anos e troca as suas células no curso do tempo, sem que perca o sentido da sua expressão e a estética da sua conformação, também o espírito pode enriquecer-se de conhecimentos científicos, pode alterar grande parte de suas atitudes em conseqüência do saber adquirido, mas não pode, de forma alguma, deixar de ser o que é em si mesmo, a menos que se escravize aos caprichos dos sentidos e até aos caprichos da inteligência degenerada pelo hábito dos sofismas com que a si mesma se ilude para justificar os vícios.

O criminoso é escravo do seu crime, o pecador impenitente é escravo do pecado, o homem imoral é escravo da sua imoralidade. Toda libertação vem do espírito, pela predominância das verdades indestrutíveis, das verdades eternas, que exercem o seu império sobre as tendências más da criatura humana.

Esse pensamento deve ser o primeiro de todos para quem se abalança na empresa da educação de um povo.


Plínio Salgado

Nota:
[1] Extraído de: Reconstrução do Homem, ed. cit., pág. 157.
 



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01/12/2017, 17:14:47

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