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Bandeira nova dos tempos novos

É triste, é realmente muito triste considerar que a humanidade de hoje se extrema em duas facções igualmente condenáveis, que se chocam em todos os países, sem oferecer aos países, sem oferecer aos oprimidos, aos que gemem como vítimas de um desequilíbrio social doloroso, o remédio para as suas aflitivas angústias.

O espetáculo oferecido à vista do observador, em qualquer nação do mundo, é sempre o mesmo. De sorte que, apreciar um povo é o mesmo que apreciar todos os povos. Olhar para o nosso país é ver os outros países neste século de brutalidades e dureza dos corações. E contemplar as outras nacionalidades é pôr a nossa diante dos olhos.

Para se ter uma noção das desigualdades e das injustiças, basta estabelecer alguns confrontos. De um lado, vemos uma sociedade epicurista, gozando todos os requintes do progresso técnico e entregando-se a todas as seduções do prazer; do outro, multidões de párias, encontrando no caminho da vida as maiores dificuldades.

Há um desequilíbrio mundial, de cujas conseqüências não se exime nenhuma nação. E é preciso viver no meio do povo, ouvir as suas queixas, para compreender o drama coletivo, porventura o maior de todas as épocas da História, que está a pedir uma solução aos espíritos capazes de penetrar o seu trágico sentido.

* * *

Vivemos a dizer que sustentamos e defendemos a civilização cristã. Mas onde está, nos dias que vivemos e nos aspectos sociais que temos diante de nós, o espírito do cristianismo.

O espírito do cristianismo não pode ficar circunscrito exclusivamente às práticas religiosas. Nem as exterioridades do culto, nem a satisfação puramente mística da alma podem satisfazer ao espírito cristão, se esse espírito tem as suas raízes no Redentor da Humanidade.

O Cristo traçou normas de vida que exigem, não apenas a prática pessoal pelo discípulo, mas a sua propaganda constante e não somente para conquistar novos adeptos, mas para modificar as estruturas sociais.

Basta rememorar o que fez o Evangelho no Império Romano. A sua influência foi não apenas moral sobre os indivíduos, mas política e social, econômica e jurídica. A face da terra foi, realmente, renovada.

O estudioso que demora suas vistas nos costumes familiares e públicos, tanto de Roma como do vasto Império e das regiões dos bárbaros sobre cujos países não se estendera a asa da águia latina, verifica a espantosa diferença que vai entre o tempo dos primeiros aos últimos Césares.

Àquilo a que chamamos historicamente decadência, tomando como critério de julgamento os padrões político-sociais do Paganismo, podemos hoje, libertados do preconceito em que se exprimiu a fobia de Juliano Apóstata, reproduzida em tantos historiadores, denominar: ascendência do Homem sobre os destroços de suas primeiras construções.

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Nada se parece mais com uma casa em destruição do que uma casa em construção, disse um escritor do período modernista francês do após-guerra, em 1920. E isso, que se referia aos temas exclusivos da arte, bem podemos aplicar às fases de transição histórica.

Essas fases são às vezes longas e podem durar séculos, outras são rápidas, provocando verdadeiros cataclismas humanos. A ação do Cristianismo foi lenta; mas não se pode negar que foi segura. Só os loucos negarão a superioridade ética dos grupos sociais na Idade Média em comparação com as normas de vida do Paganismo.

Poderosa influência na amenização dos costumes, no teor cavalheiresco das guerras e no respeito aos valores morais através do sistema de relações entre indivíduos, famílias e grupos, exerceu-a o Cristianismo, o qual, de espaço a espaço, foi, por assim dizer, interrompido pela reação pagã manifestada sob novos aspectos.

É costume acusar-se a Renascença de todos os males anti- cristãos que fizeram ressurgir, com o sentido fáustico da vida, as expressões de magnificência da força e o esplendor das grandes ostentações dos poderosos da inteligência ou do dinheiro. Mas, muito antes da Renascença, houve períodos de franca sensualidade, a tal ponto que foi preciso surgir um Francisco de Assis para reconduzir os homens ao caminho do Cristo. Nem para outra cousa vêm os santos ao mundo, senão para reconduzir-nos, quando andamos transviados.

E, ainda aí, é o espírito do Cristianismo exprimindo-se pela forma mais adequada no esforço de curar as enfermidades de uma época.

Tudo isso temos escrito acima, como a pedir ao Céu que nos mande algum desses emissários capazes de tocar com o seu dedo o ponto nevrálgico das nossas desgraças atuais, operando uma revolução nos costumes, de sorte a repor a sociedade de hoje nas bases do espírito cristão.

Porque essa civilização que pretendemos defender pode ser tudo o que queiram, menos uma civilização cristã. E constitui até mesmo um crime utilizarmos de semelhante rótulo, para sustentar injustiças clamorosas, desregramentos gerais, sensualidades sem freios e orgulhos sem conta.

Chame-se a essa civilização pelo nome de ocidental, de materialista, de científica, de técnica, do que for, mas não infamem o nome de Cristo, fazendo-o guarda-noturno das propriedades dos ricos, comparsa de insensatos, comensal de prazeres e mantenedor de vícios.

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Que há de comum com o Cristianismo a ostentação dos milionários, que vestem suas mulheres com peles de quinhentos contos, enquanto há criancinhas e velhinhas a tiritar de frio nos casebres imundos?

Que relação tem com o Cristianismo o contraste entre os palácios luxuosos e os bairros miseráveis? Em que se confundem a fartura dos possuidores de cincoenta pares de sapatos e os pés descalços ou mal acomodados em botinas rasgadas, que marcham a pé, enquanto os opulentos rodam nos seus carros de raça?

Tem alguma coisa com o Cristianismo o espetáculo luxurioso das praias, onde os pintores de nus poderão prescindir dos míseros modelos que lhes freqüentam a oficina a tanto por hora?

E essa vida social onde as damas não repetem vestidos e os cavalheiros de bom gosto não repetem as damas em dois invernos seguidos; e essa preocupação constante, absorvente, de bailes, de chás, de teatros, de corridas, de banquetes, de granfinagens de toda a espécie; essa ausência de interesse por tudo o que não seja o prazer estonteante, o anestésico embotador do íntimo sentido do superior destino humano; e essa insensibilidade diante da impressionante tragédia que ressalta do quotidiano, do dia a dia das multidões rebeladas; tudo isso, quê tem de comum com o Cristianismo?

 * * *

Se existe uma civilização cristã, onde está ela? Acaso os que assim vivem e agem, não são os que batizam e casam nas igrejas, fazem celebrar missas de sétimo dia e de ação de gra-ças, e assinam subscrições para construir templos, e às vezes chegam ao supremo heroísmo de concorrer para obras de be-neficência?

Que tem feito essa sociedade, essa civilização, e o Estado por elas engendrado, para recompor, não apenas o equilíbrio econômico-social, mas também e principalmente o equilíbrio moral das relações humanas?

Os que falam em democracia são homens enfatuados, incapazes de promiscuir com os humildes. Se eles se detivessem, se vissem e ouvissem, e tivessem coração para compreender, descobririam muitas mágoas de deserdados, que lutam pela roupa, pela comida, pelo remédio, pelos livros onde possam estudar, ou por uma ração de carinho, de afetuosa palavra, de que tanto necessitam como homens que são.

A desgraça do mundo moderno, a maior de todas, é re-presentada por este fato assombroso: são os materialistas confessos, os ateus ostensivos, numa palavra, os comunistas, que levantam a bandeira que deveria estar erguida nas mãos dos que dizem crer num Deus de Justiça.

Então, os sofredores, os oprimidos, os revoltados, os hu-milhados, negando a todo o princípio da espiritualidade, olham com raiva, com irada cupidez as peles de bisão e de arminho, os adereços de brilhantes, os vestidos de seda, as casacas, os automóveis de luxo, a champanha que estoira, os adultérios elegantes, o orgulho túmido, a avareza esquálida, a preguiça flácida e as festas retumbantes.

A plebe torna-se também materialista. Cria a sua mística, prepara a revolução. Como remédio, aqueles gozadores fundam asilos e recomendam aos protegidos que combatam o comunismo... E se a onda cresce ameaçadora, não encontram outra solução senão a de pôr o comunismo fora da lei. Conseguido isso, dormem tranqüilos sem reparar que os maiores comunistas são eles, os que vivem uma vida pagã, que repre- senta em nosso século a mais completa negação de Deus e da Alma, a mais absoluta indiferença pelos deveres cristãos.

Francamente, leitores: extinguir o comunismo para manter isso que aí anda, isso a que chamam civilização cristã, seria tão grave injustiça aos olhos de Deus, que admira como alguém possa conceber.

* * *

Urge combater o comunismo, não há sobre isso a menor dúvida, pois essa doutrina levará o povo à escravidão mais tenebrosa, como sucede na Rússia e nos países por aquele Império ocupados. Mas o comunismo não se combate a ferro e fogo, e nem fundando meia dúzia de hospitais, que são muletas de uma civilização coxa. O comunismo combate-se com Cristianismo. E o Cristianismo se reduz a duas palavras: castidade e caridade. Na palavra castidade devemos abranger a repulsão a todas as formas de sensualidade: a avareza, a ociosidade, a exibição, o conforto exagerado, a ambição desmedida, o orgulho tolo, a exaltação da força, o requinte intelectual, vícios que são, como a luxúria, animalizadores da criatura humana. E quanto à caridade, ela não consiste apenas em dar esmolas, às vezes com humilhação ao beneficiado, nem na simples manutenção de instituições beneméritas, porque a caridade é mais ampla e mais profunda: é o próprio amor, que sabe compreender, e sofrer, e renunciar, e perdoar, e resignar-se, e confortar, e pacificar, e unir, e estar sempre diligente porque não conhece repouso nem dificuldades.

Com essas duas armas, será possível renovar o padrão da sociedade deste século. Dar-lhe teor de Cristianismo. Pois o Cristianismo é a recondução dos valores espirituais ao pedestal de onde foram derrubados para que nele se entronizasse a Mamon, o Bezerro de Ouro. Só o Cristianismo possui o sentido exato e profundo da palavra Pobreza, que não significa a destruição dos bens terrenos, mas o nosso desapego por eles.

Os ricos de espírito, os sedentos de glória, de gozo e de poder, não evitarão as catástrofes deste século. O que temos de evitar, a todo o transe, é que Satanaz, que também se chama Orgulho, Sensualidade e Avareza, empreenda uma cruzada para salvar a Civilização Cristã, a qual, salva por ele, passaria a existir apenas no rótulo, como já vai acontecendo sob certos aspectos, e já aconteceu durante o período em que o materialismo nazista arvorou-se em defensor da Cristandade.

Hoje, o velho Lusbel organizou várias hostes: uma se chama a "mão estendida", forma execrável de certo liberalismo dito cristão; outra se chama "neo-fascismo", ou seja, o ressurgimento de uma concepção absorvente do Estado; outra se chama "socialismo", com predomínio do econômico sobre o espiritual; outra se chama "esquerdismo", com proclamações de que o mundo marcha para a esquerda; outra se chama "capitalismo", com aparências imediatas de anti-comunismo, porém com a mesma mentalidade mecanizadora dos adeptos da teoria marxista.

No meio de todas essas correntes da confusão que Mamon (o material dominando o espiritual) organizou, com ares de Pedro Eremita, para a sua cruzada catastrófica, temos de nos levantar sustentando, não apenas em nossas convicções íntimas e em nossa vida interior, mas no campo social e político, a bandeira gloriosa daquela Cruz que é símbolo da purificação dos homens e das Pátrias, da redenção da Humanidade e do Reino de Cristo.

Então, podemos dizer que estamos defendendo alguma cousa superior, alguma cousa que não se confunde com a vida contraditória dos burgueses progressistas, porque estaremos defendendo com direito de por ela batalhar - a Civilização Cristã.


Plínio Salgado

Nota:
[1] Extraído de: Espírito da Burguesia, Obras Completas, Vol. 15, pág. 167.



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01/12/2017, 17:14:47

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