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A alma de uma nação

A alma de uma Nação não se desperta com leis; não se agita em atividade criadora apenas pelos efeitos das adminis­trações, ainda que honestas e bem intencionadas; não se levanta mediante simples medidas governamentais, por mais felizes elas sejam.

Os melhores governos do mundo não conseguirão arrancar um país do marasmo, da apatia, se não exprimirem, eles pró­prios, as energias nacionais. Poderão, no máximo, construir boas estradas, boas pontes, excelentes açudes, belos edifícios, magní­ficos laboratórios técnicos. Tudo isso, porém, terá a duração efêmera das iniciativas transitórias e nada significará como expressão de uma Pátria.

As leis mais perfeitas não se poderão adaptar às realida­des de um país cuja alma está adormecida. Não as compreen­derá o povo, não as respeitará, não as estimará porque elas nada dirão ao instinto da Raça, ao espírito nacional, ao senti­mento das multidões,

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Enganam-se aqueles que, ao cabo de longos estudos, tendo chegado a uma conclusão, tratam de, preliminarmente, conquis­tar o Poder para, depois, pretender executar o plano preconce­bido. Enganam-se aqueles que pensam em reformar, em traçar novos rumos à nacionalidade, pelo milagre dos artigos, pará­grafos e alíneas de leis e de regulamentos.

Galgar o Poder, de qualquer modo, dizem os que repugnam as grandes campanhas doutrinárias, e, depois, tudo se arranjará. Atingir o Governo, pelos conchavos, pelas transações partidá­rias, pelas conspirações, pelos golpes armados, até pela subser­viência e pela traição, eis o problema, dizem os "homens práti­cos", os que blasonam extraordinária experiência. A política, para esses,é o velho jogo de Maquiavel, a arte de iludir a todos, para atingir o objetivo do Poder. pidir as facções, inu­tilizar os concorrentes mais perigosos, equilibrar as forças, atra­vessar as situações difíceis, transformar a ciência do governo em esporte perigoso, e ir realizando, como for possível, as refor­mas, esse o processo de muitos.

Que consonâncias, porém, podem ter tais métodos, com as forças profundas da Nação? Que poder ambicionado é esse que se transforma nas transigências de todos os instantes, nas inquietações de todas as horas, na consulta contínua das forças partidárias e dos caudilhos que ainda se encontram em cartaz? Que transformações podem operar? Que energia revolucionária podem conter? Que palavra podem dizer, que impressione até ao cerne o corpo da Pátria, e o vitalize, arrancando-o do letargo?

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Há um erro na concepção dos governos fortes, na época presente. O governo forte de Maquiavel corresponde a uma época histórica. Essa época já passou. A massa popular adquiriu, des­de a Revolução Francesa, uma força nova. Tornou-se um nú­mero novo que o secretário florentino jamais suspeitou, quando escreveu "O Príncipe". No tempo de Maquiavel, jogava-se com tudo, menos com o Povo. É certo que o ardiloso amigo dos Bórgias fala do povo, mas este, naquela fase da civilização, era uma coisa muito persa da que hoje é representada no jogo das forças sociais.

A alma de uma Nação, no tempo das repúblicas italianas, se exprimia por uma nobreza, pelas forças mercenárias, pelo clero e pelos intelectuais. No século XVIII entrou em cena o Inpí­duo; no século XIX entraram no palco da grande tragédia o Capital e o Trabalho. No alvorecer deste século percebeu-se a presença de novos personagens: o argentarismo internacional e o idealismo nacional. Esses mesmos personagens se apresentam sob as formas mais variadas e imprevistas, e tudo constitui o cortejo das causas numerosas que inquietam os povos em cujo seio se formam as angústias subconscientes, ansiosas por encontrarem tradução consciente nos lábios dos que primeiro interpretarem as dores humanas de uma Pátria.

Os governos fortes não podem sair nem das conspirações nem dos golpes militares, como não podem sair dos conchavos de partidos, do jogo maquiavélico das correntes políticas. Eles só podem nascer das próprias raízes da Nação. Eles só podem surgirà luz do dia, no desafogo das campanhas abertas sobre o rebojo das massas populares. Porque, nesse caso, terão, pre­liminarmente, despertado a alma da Pátria. Sem alma, um povo historicamente não existe. Sem energia espiritual, todas as for­ças materiais desencadeadas só servirão para agravar os males, aumentar as angústias, transtornar, cada vez mais, as situações já de si catastróficas.

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É por isso que o Integralismo Brasileiro não transaciona, não entra no jogo medíocre dos partidos, não se interessa pelas situações governamentais, não apóia, nem desapóia governos, não atrapalha os que estão administrando para uma Nação Morta, não se preocupa com detalhes de leis e de regulamen­tos, nem se dá ao trabalho de criticar a carta constitucional votada por uma Assembléia Constituinte que foi um ajunta­mento de alfaiates talhando a roupa para um defunto.

O Brasil, para o qual se elaborou uma Constituição, já morreu, de há muito, desde os primeiros tiros de canhão de Copacabana, em 1922. O que existe agora é uma Nação Nova, cuja alma estamos começando a despertar.

Sem despertar essa alma, de nada valerão as leis, de nada valerá a sabedoria dos juristas, que já estão também agonizando e a pedir às novas gerações que os enterrem depressa.

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A alma de um povo, porém, só se desperta com sacrifício e com dor. Sacrifício de toda a vaidade e de toda a pressa de conquistar o Poder. Sacrifício moral diante da horda dos in­conscientes, dos sonambúlicos, dos incapazes, que sorriem o sorriso amarelo das opilações intelectuais. Sacrifício de todas as horas para suportar o cheiro dos cadáveres putrefatos que o liberalismo, o materialismo, o ceticismo, o oligarquismo e a política facciosa deixaram sobre o campo onde ainda ressoam as vozes dos demagogos, transformados em separatistas e so­cialistas, última pele que vestem antes de serem esmagados pelas ondas invencíveis dos "camisas-verdes".

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A alma de um povo só se desperta com coragem, com fé, com energia, numa arregimentação contínua, em permanente doutrinação, em disciplina perfeita, em esperança renovada, em sugestão espiritual, em excitação de brios, em combate sem tréguas contra os entorpecentes políticos e os preconceitos lite­rários, contra o cosmopolitismo despersonalizador, contra o grosseiro oportunismo, contra a aventura generalizada que cons­titui todo o aviltante pragmatismo dos povos sem destino his­tórico, contra a decrepitude precoce das gerações roídas do ce­ticismo, e, principalmente, contra a estagnação pestífera, os pân­tanos morais onde se afogam as raças decadentes e se escravi­zam as nacionalidades.

A alma de um povo só se desperta pela propaganda das idéias sadias, generosas, de coragem, de força, de ambição na­cional, em contraposição ao passivismo desvirilizante, à gan­grena das negações e ao cancro do materialismo.

A alma de um povo só se desperta na batalha, na tre­menda batalha das idéias, que fustiga as energias em abandono e muda a atitude da Pátria, forçando-a a erguer a cabeça e a caminhar na História.


Plínio Salgado

Nota:
Extraído de: Despertemos a Nação, Obras Completas, vol. 10. pág. 159.



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