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Pequena homenagem a Gustavo Barroso

Por Victor Emanuel
victor.emanuel.brasil@gmail.com

É lastimável que, em nosso Brasil, pouquíssimas sejam as pessoas que sabem quem foi o grande Gustavo Barroso, não havendo sequer ouvido falar deste homem tão brilhante ou – ainda pior – tendo escutado somente as velhas e absurdas calúnias que a seu respeito repetem os inimigos da Pátria e os inconscientes a seu serviço. Como bem observa o companheiro José de Freitas Neules em seu magnífico artigo “100 anos de Gustavo Barroso”, publicado no jornal patriótico “Ação Nacional” em maio de 1988, “a cortina de silêncio que as forças antinacionais lançaram sobre seu nome e sua obra fazem com que hoje em dia seja quase impossível avaliar-se plenamente a contribuição de Gustavo Barroso para a História Nacional.”
Nascido em Fortaleza, no glorioso Estado do Ceará, a 29 de dezembro de 1888, o filho de Coronel Antônio Filinto Barroso e de D. Ana Dodt Barroso foi batizado com o nome de Gustavo Adolfo Luiz Guilherme Dodt da Cunha Barroso, posteriormente abreviado para Gustavo Adolfo Dodt Barroso. Assinou algumas de suas primeiras obras como Gustavo Dodt Barroso, até firmar-se nos universos cultural, literário e político pátrios como Gustavo Barroso, assim passando à posteridade.
Advogado bacharelado em 1911 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, professor, político, contista, folclorista, cronista, ensaísta, orador, historiador, geógrafo, romancista, poeta e Imortal, Gustavo Barroso publicou 128 obras e foi membro da Academia Portuguesa de História, da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia de Belas Artes de Portugal, da Sociedade dos Arqueólogos de Lisboa, do Instituto de Coimbra, das Sociedades de Geografia de Lisboa, Rio de Janeiro e Lima, da Sociedade Numismática da Bélgica e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de vários Estados da Federação.
Barroso teve seu primeiro livro, um ensaio poético a respeito da natureza e dos costumes do Sertão cearense intitulado “Terra de Sol” publicado, sob o pseudônimo de João do Norte, quando tinha apenas 23 anos de idade. Aquele jovem intelectual cearense, pouco depois de sua chegada à então Capital Federal, numa noite em que se encontravam reunidos os mais notáveis homens de pensamento daquela época, leu as páginas desta obra que – como disse Plínio Salgado em sua homenagem póstuma a Gustavo Barroso, proferida na sessão da Câmara Federal de 04 de dezembro de 1959 – “o tornaria um astro de primeira grandeza nas letras pátrias.”
A respeito de temas nordestinos, escreveu Barroso, além do já mencionado “Terra de Sol”, “Heróis e Bandidos” (1917), obra-prima sobre o Cangaço indispensável àqueles que pretendem conhecer a fundo esse fenômeno sertanejo do qual Barroso, aliás, já tratara em “Terra de Sol”; “Alma Sertaneja” (1923); “O Sertão e o Mundo” (1924); “Almas de Lama e de Aço” (1930); “Santo do Brejo” (1933) e “Fábulas Sertanejas” (1948), dentre outros. É uma literatura regional, como a de Simões Lopes Neto no Rio Grande do Sul ou a de Valdomiro Silveira no interior de São Paulo, mas, como bem observa Plínio Salgado em sua há pouco citada homenagem póstuma a Barroso, é ao mesmo tempo “nacional, brasileira e expressiva de valores universais, porquanto – tem-se observado – aqueles escritores, como os russos, que tangeram a corda da regionalidade ou da nacionalidade tornaram-se universais.”
Grande estudioso e pesquisador dos mitos e do Folclore pátrios, Barroso publicou a obra “Através dos Folk-lores” (1927) e, em francês, “Mythes, Contes et Légendes des Indiens du Brésil” (1933).
Em 1919, Gustavo Barroso - que fora secretário da Superintendência Geral da Borracha em 1913, no Rio de Janeiro, secretário do Interior e da Justiça do Ceará em 1914 e deputado federal por aquele Estado entre 1915 e 1918 – integrou, como secretário, a Delegação do Brasil à Conferência de Paz de Versalhes.
Alguns anos mais tarde, mais precisamente em 1922, foi Barroso o criador, o fundador, o organizador do Museu Histórico Nacional, construído, em cada um de seus detalhes, por seu gênio e por seu profundo amor à Pátria do Cruzeiro. “Visitar aquele museu é – como bem notou Plínio Salgado – sentir a própria alma do grande escritor, apóstolo da brasilidade; é transmitir, geração por geração, o sentido da unidade da Pátria e do culto de seus heróis.”
Um ano depois, Barroso, com apenas 35 anos de idade, foi eleito para ocupar a Cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de D. Silvério Gomes Pimenta, sendo recebido por Alberto Faria. Como tesoureiro daquela instituição, Barroso administrou, naquele ano de 1923, a transferência da sede da Academia, do Silogeu Brasileiro para o prédio do Petit Trianon, que o Governo francês oferecera ao Governo brasileiro. Exerceu ainda os cargos de segundo e primeiro secretário e de secretário-geral e foi também presidente da instituição em 1932, 1933, 1949 e 1950. Foi designado, a 09 de janeiro de 1941, ao lado de Manuel Bandeira e Afrânio Peixoto, para coordenar as pesquisas e os estudos relativos ao folclore brasileiro.
Como lembra Plínio Salgado, o que distinguiu Gustavo Barroso foi, antes de tudo, “a sua dedicada fidelidade e fervoroso amor às Forças Armadas da Nação.”
Assistindo aos funerais daquele insigne brasileiro, Plínio Salgado não pode deixar de se recordar dos funerais do ilustre poeta, político e patriota Olavo Bilac e de comparar o autor de “Terra de Sol”, “História Militar do Brasil” e “Brasil, Colônia de Banqueiros” ao príncipe dos poetas brasileiros. Como o Mestre Plínio Salgado, considero que – apesar de admirar imensamente o poeta de “Via Láctea”, de “Tarde” e de “Caçador de Esmeraldas”, o homem que dedicou aproximadamente um ano de sua vida à propaganda das glórias militares de nosso País, conclamando os jovens daquele tempo a seguir para os quartéis a fim de que iniciassem o serviço militar obrigatório que ora se instituía – foi Gustavo Barroso “maior, mais extenso, mais intenso do que Olavo Bilac” naquilo que tange à continuidade dos serviços prestados à nossa Defesa.
Toda a vida de Barroso foi, com efeito, dedicada a incutir em nosso povo os dignos valores do culto das Forças Armadas e das glórias militares da Nação.
No ano de 1918, publicou ele um livro por nome “Tradições Militares”; em 1922, o livro “Uniformes do Exército”; em 1928, lançou sua obra “A Guerra do Lopez”, iniciando a formidável série de livros sobre as Guerras do Prata e a Guerra do Paraguai, de que fazem parte, além do citado “A Guerra do Lopez”, “A Guerra do Flores” (1929), “A Guerra do Rosas” (1929), “A Guerra do Vidéo” (1930) e “A Guerra de Artigas” (1930). Em 1932, escreveu “Osório, o Centauro dos Pampas” e no ano seguinte publicou “Tamandaré, o Nélson Brasileiro”. No ano de 1935 lançou a “História Militar do Brasil”, obra que focaliza magistralmente a evolução de nossas Forças Armadas desde o Descobrimento até o século XX e que teve origem nas notáveis e freqüentadíssimas aulas do curso de História Militar do Brasil que, a pedido de Plínio Salgado, Gustavo Barroso deu aos inúmeros oficiais do Exército e da Marinha que faziam parte do Movimento Integralista.
Foi graças à iniciativa de Barroso criado o Regimento dos Dragões da Independência, cujo uniforme foi desenhado por ele próprio, após longa e criteriosa pesquisa dos originais da Imperial Guarda de Honra, que remontam ao tempo de D. Pedro, o primeiro do nome, são inspirados nos uniformes da cavalaria napoleônica e foram retratados por Debret e posteriormente por Pedro Américo em seu famoso quadro “Independência ou Morte”.
Plínio Salgado jamais se esqueceu da noite em que conheceu Gustavo Barroso, como observa em sua homenagem póstuma: “tinha eu, em outubro de 1932, lançado um manifesto à Nação e em 1933 iniciei uma série de conferências doutrinárias que se realizavam na Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro. Eu era um desconhecido, vinha pregar uma idéia: alguns amigos à esquina convidavam os passantes a subir ao segundo andar para escutar um homem que dizia algo novo. Uma noite, a sala se encontrava cheia. Falava eu do problema do livre arbítrio e do determinismo histórico, demonstrando que o homem possui poder optativo, deliberativo e criador, capaz de interferir no curso da História e modificar-lhe a direção. Conciliava, segundo a doutrina da filosofia integral, o livre arbítrio, o determinismo e o providencialismo, quando, ao terminar um homem levanta-se de uma das últimas filas, aproxima-se de mim. Eu não o conhecia pessoalmente. Ao se aproximar pede-me um distintivo do Movimento por mim lançado; entreguei-lhe o que tinha na lapela e perguntei quem era. Responderam-me: é Gustavo Barroso, Presidente da Academia Brasileira de Letras. Nossa amizade selou-se naquela noite mediante o pacto profundo do amor da Pátria, na comunhão perfeita de idéias pelo ressurgimento do Brasil, pela reconstrução do grande Império que outrora teve tão grande influência na política das Américas e que em nossa temporaneidade como que definhava e morria.
“Nessa ocasião nossas almas vibraram em uníssono, sonhando atualizar, por uma reconstituição histórica, todas as glórias do passado, aquelas glórias vitais que nos animavam. Desde então, selamos um pacto de fraterna amizade, de dedicação por inteiro à nossa Pátria, para arrancarmos o Brasil da situação de pequeno País, desrespeitado e sem voz no concerto internacional, e levá-lo, de qualquer maneira, a mais larga repercussão, exprimindo a consciência dos povos do Novo Mundo.”
Desde esse momento, lutaram lado a lado, Barroso e Plínio, e Barroso tornou-se, como Chefe das Milícias Integralistas, o virtual segundo homem da Ação Integralista Brasileira e também um dos maiores doutrinadores do Integralismo.
Foi como doutrinador do Integralismo que Barroso escreveu grandes livros como “O Integralismo em Marcha” (1933); “O Integralismo de Norte a Sul” (1934), “O Quarto Império” (1935), “A Palavra e o Pensamento Integralista” (1935), “O Que o Integralista Deve Saber” (1935), “O Integralismo e o Mundo” (1936) e “Integralismo e Catolicismo” (1937).
Mas o maior livro de Barroso escrito no curto longo tempo em que militou nas coortes do Sigma foi, sem dúvida alguma, “Brasil, Colônia de Banqueiros” (1934), obra que espanta a todos pela clareza e sinceridade com que mostra como o Brasil deixou de ser colônia de Portugal para se tornar colônia da alta finança internacional, do super-capitalismo apátrida e sem alma, dos grandes grupos financeiros como o do famigerado Sr. Rothschild. Mas a mensagem de Barroso em “Brasil, Colônia de Banqueiros” é, antes de tudo, uma mensagem de esperança, uma mensagem de fé na redenção da Pátria. Esta grande obra, produto do mais sadio nacionalismo, foi recebida com entusiasmo pelos críticos e pela imprensa não apenas do Brasil, mas de todo o Mundo, representou um ato de imensa coragem da parte de Gustavo Barroso e deveria ser lida e meditada por todos os autênticos patriotas de nosso País, em especial por aqueles que pretendem influir nos destinos da Nação.

Sobre o alegado "anti-semitismo" de Barroso, que se considerava um antiracista, justificava-se para ele justamente como combate ao racismo judaico, conforme explica no capítulo I de sua obra “Judaísmo, Maçonaria e Comunismo”: “Entre nós, o anti-semitismo não pode provir de um sentimento racista, porque o brasileiro é eminentemente contrário a qualquer racismo, porém desse sentimento exatamente anti-racista.”
Gustavo Barroso faleceu no Rio de Janeiro a 03 de dezembro de 1959. Dois anos antes, mais precisamente em 06 de novembro de 1957, por ocasião da celebração do centenário do romance "O Guarani", de José de Alencar, compusera, juntamente com Antônio Gondim, o Hino de Fortaleza.
Faço minhas as palavras finais do Dr. Elimar Máximo Damasceno (PRONA-SP) em seu belo discurso em homenagem à memória do assinalado acadêmico e político cearense Gustavo Barroso, proferido na Câmara Federal durante a sessão de 18 de junho de 2003, esperando que “minha modesta iniciativa contribua para tornar mais conhecida a participação desse cidadão invulgar na constituição do patrimônio simbólico nacional” e dando, como o insigne parlamentar do partido de Dr. Enéas Carneiro, meus parabéns ao povo do Ceará!
E, para encerrar esta pequena homenagem a Barroso, reproduzo um trecho do belíssimo capítulo VI da obra “Brasil, Colônia de Banqueiros”, onde o Imortal se refere à ocasião em que, no Zoológico da então Capital Federal, comovera-se ao ver um condor andino preso em uma gaiola por demais apertada e reconhecera naquele condor prisioneiro a imagem do nosso espoliado
“BRASIL,
“Brasil, Brasil, meu querido Brasil, não te concentres mais, como o condor prisioneiro, na tua grande dor! A tua concentração e o teu desprezo eles chamam de preguiça, de inércia, de jecatatuísmo. Estás sendo caluniado. Vamos, acorda do marasmo de teu desespero, distende as asas possantes e soberbas, amola o bico anavalhante, desembainha as lâminas das garras formidáveis! Eia! Prepara-te para o combate aos urubus traiçoeiros e nefandos!
“Escuta! Não ouves, no fundo dos séculos, esse retumbo soturno de passos que marcam a imensidão das tuas terras virgens povoadas de onças, papagaios e índios nus, todos empenachados de palmeiras verdes? São as botas dos bandeirantes, cujo ritmo embalou o teu berço de taquara. Não ouves agora outro tropel mais próximo, um tropel que os teus ouvidos nunca ouviram? São os passos de novos bandeirantes, são os homens vestidos de verde, vestidos da cor da esperança, que vêm quebrar as grades de ferro e as grades de ouro desta prisão!
“Então, ó grande e infeliz Condor Brasileiro, com um grito triunfal que espantará todos os urubus em todas as carniças do planeta, tu desfraldarás o pálio magnífico das grandes asas que Deus te deu para os grandes vôos e subirás para as alturas azuis do espaço. E a vasta sombra das tuas asas passeará vitoriosa sobre o mapa das nações!”
27/05/2006, 17:14:46



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