Quinze minutos de Google não valem a pena!
Você já pensou em como a Acção Integralista Brasileira se desenvolveu em sua cidade? Claro, se você for Integralista. Mas, e se você não for? Se não for provavelmente nunca se fez esta pergunta.
Quando eu tinha quinze anos de idade, estudava nas aulas de História sobre os movimentos políticos brasileiros dos anos 1930. No Colégio Hélio Alonso, onde estudava, minha professora decidiu estimular o aprendizado com uma interessante pesquisa: cada aluno teria um mês para descobrir algum fato relacionado aos movimentos políticos da década de 1930 em seu bairro. O trabalho deveria contar com cerca de vinte linhas e valia um ponto na nota final.
Um de meus colegas de classe, residente no bairro do Catete, logo abriu um sorriso já que este local possuía uma série de histórias, além de ter sido moradia de vários presidentes da república (no bairro localiza-se o Palácio do Catete, antiga sede do governo brasileiro). Já eu, que residia no bairro da Gávea, abaixei a cabeça, fechei os olhos e pensei: “danou-se”.
Freqüentei o Arquivo Público da Cidade do Rio de Janeiro, no centro da cidade, durante duas semanas atrás de algum fato interessante. Não havia ainda ferramentas como o Google, muito mal internet. O resultado desta cansativa pesquisa foi desanimador: não encontrei nada que pudesse usar em meu trabalho.
Certo dia, ao voltar para casa, tive uma grande idéia: comecei a perguntar aos vizinhos mais antigos se tinham conhecimento de algum fato interessante que ocorria nos anos 30 em nosso bairro. A resposta veio de um senhor chamado Paulino, com seus 90 anos, e foi animadora. Através dele descobri que em nosso bairro existiu um movimento político muito forte, com um núcleo muito atuante no local, chamado Acção Integralista Brasileira. Com esta informação fui à Biblioteca Nacional pesquisar.
Por meio desta pesquisa descobri que de fato existiu mesmo tal núcleo da Acção Integralista Brasileira, conforme informado pelo Sr. Paulino. O núcleo foi estabelecido no ano de 1934 e teve como coordenador o camisa-verde Raymundo Barbosa Lima. Este núcleo fundou ambulatórios e escolas, porém, dentre as escolas, a que mais se destacou foi a escola “Dan Nunes Maia”, que funcionava em horário integral. Neste mesmo local ocorriam sessões literárias e musicais, com marchas Integralistas, cantos e recitais, apresentações de pianistas e de poetas humorísticos e, é claro, o canto do Hino Nacional.
Graças a esta pesquisa fiz um trabalho muito interessante, ganhei minha nota e o mais importante é que tomei conhecimento do Integralismo. Virei também um curioso insaciável quando o assunto é história: aonde vou busco conhecer um pouco mais sobre a cidade e suas histórias.
Nunca esqueci este trabalho, custaram-me algumas semanas de pesquisa que valeram à pena. Hoje, conversando com meu sobrinho, descobri que sua professora pediu o mesmo e meu único conselho para ele foi: “Não troque duas semanas de pesquisa por quinze minutos de preguiça no Google”.
Por Jorge Figueira
18/08/2009, 16:56:15



