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Corrupção e relações ocultas nos bastidores da Democracia

Se uma das lições que o escândalo envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e os mais diferentes políticos dos mais variados partidos pode nos dar é que a democracia brasileira - e as democracias em geral - são bastante vulneráveis a interesses particulares e a modos obscuros de fazer política. Deste modo - sobremaneira a democracia brasileira - em seu exterior (como numa “fachada”) há linhas gerais e regras que representam, como num teatro, o jogo político; mas que nos bastidores, essas linhas gerais e regras obedecem a outros princípios, a saber: o coleguismo, o poder econômico subordinante, amplas alianças que não obedecem a princípios ideológicos (ou “princípios” morais do partido), algo que, devemos dizer, se dá nas mais diferentes democracias ao redor do mundo, mas no Brasil, entretanto, vemos a radicalização dessa característica.

A Democracia, palavra que literalmente significa “governo do povo”, uma junção das palavras gregas Demo e Kratos, surgiu na Grécia, mas ainda naquela civilização, cujo modelo de democracia representara o gérmen das democracias do mundo ocidental, fizeram uma distinção importante ao qual pode iluminar os problemas brasileiros. Na Grécia Antiga, a distinção entre o público, que concerne ao agir político par excellence,sendo o lugar da decisão dos cidadãos gregos, o lugar da Práxis, i.e., do agir intransitivo em que se decidia aquilo de interesse ao povo grego dava-se na Ágora. No que diz respeito ao privado, pelo contrário, não cabia aos gregos decidir na Ágora, não era negócio público. De como um pai deveria educar seus filhos, por exemplo, era assunto privado.

Mas o que tem a ver a democracia brasileira com tudo isso? No Brasil os interesses privados dos políticos e de alguns grupos ditam todo o resto, ditam a partir dos bastidores, mas subordinados a outras esferas de poder. O caso Carlinhos Cachoeira, análogo ao filme Godfather (traduzido no Brasil como “O Poderoso Chefão”, uma tradução errônea, é verdade) evidencia por demais este aspecto. Os tentáculos do “chefão” são abertos e alcançam diferentes esferas estatais. Tudo que diz respeito ao Estado pode beneficiá-lo. Aqueles que de alguma maneira quiserem obter vantagens terão que ceder algo em troca. Deste modo é nos bastidores que o verdadeiro jogo político acontece, que se decidirá se irão construir uma ponte, um viaduto – se ambos, a empresa que constrói e o político, lucrarão verdadeiramente com isso; se haverá verba para a educação ou não; se o investigado por corrupção será avisado que está sendo investigado ou não.

Esta característica pode se estender até abranger conjuntos de países, se concentrando todo o poder nas mãos daqueles que possuem o poder econômico e que passam a ditar regras a seu bel-prazer. As mais diferentes esferas estatais, como no caso brasileiro, estão vulneráveis a minoria poderosa, podendo-se generalizar às metarrelações e até à afirmação de que a maioria dos países está nas mãos de alguns poucos que agem nos bastidores e ditam as regras, não sendo algo surpreendente dizermos que nos EUA é assim e de que destes se deriva todo o comando restante. A situação de explorados e dominados ainda prossegue fortemente de acordo com os interesses de poucos, esta é a regra oculta. Com efeito, o escândalo de Carlinhos Cachoeira apenas demonstra que as microrrelações são reflexo de macrorrelações muitas vezes ocultas e que estas macrorrelações por sua vez obedecem às metarrelações que conseguem fugir ao âmbito da verificação das pessoas comuns, uma vez que, estas relações, vão além da observação e mesmo da imaginação dos cidadãos comuns.

Nesta característica de ocultação do verdadeiro jogo político é tornado possível para o homem comum sentir seus efeitos apenas no âmbito das microrrelações, e nas relações de micropoder, especificamente no dia-a-dia. Podemos ter como exemplo, o caso de políticas favoráveis à legalização do aborto: Há todo um conjunto de organizações por trás, nos bastidores, que financiam todo o movimento pró-aborto, como a Fundação Ford e a Fundação Rockefeller; são estas fundações que, por meio de metarrelações, influenciarão os diferentes países e suas macrorrelações, sendo que seus efeitos dar-se-ão nas próprias microrrelações e no micropoder que ocorrem na vida dos cidadãos comuns. É somente através de interesses privados - que podemos ver aqui em abstrato, pois diz respeito aos interesses das grandes fundações, bem como daqueles que exercem suficiente influência nas esferas estatais conseguindo abrir seus tentáculos sobre os mais diferentes pontos que a democracia nos diferentes países verdadeiramente ocorre; não é novidade. Com efeito, podemos ter como exemplo que a imagem que a mulher tem de si (e que os homens, por conseguinte têm delas) mudou bastante ao longo dos anos, sobretudo no Brasil.

Não é espantoso que desde a consolidação do brazilian way of being a woman pela mídia, tendo como representantes em seus primórdios Rita Cadillac e Gretchen, mas, tendo como ápice, sobretudo, o modo Carla Perez de agir, este imposto de cima para baixo às massas por motivações de mercado a fim de criar um produto a ser consumido tendo, por conseguinte, mais a ver com bunda do que com neurônios; não foi um golpe à imagem da mulher tanto no que diz respeito a sua auto-imagem como na forma que os homens as vêem? Este fato, verdadeiramente uma inversão do que é a mulher – colocando-a de ponta cabeça, a bunda no lugar da cabeça e a cabeça no lugar da bunda – constitui, além de atentado à sua dignidade, vista agora meramente como uma bunda ambulante, a materialização dos efeitos de macrorrelações e metarrelações. Quão mais fácil não ficou discutir explicitamente sexo depois da letra “Segure o Tchan”? Tendo como refrão a seguinte parte:

“Tudo que é perfeito a gente pega pelo braço
Joga ela no meio
Mete em cima
Mete em baixo 

Depois de nove meses
Você vê o resultado
Depois de nove meses
Você vê o resultado.”

O funk carioca é apenas uma radicalização deste aspecto; radicalização de tal forma que algumas feministas vêem nele, por suas letras, uma “expressão da liberdade feminina”.

Se, como apontamos no início, há algo que pode nos ensinar o caso Carlinhos Cachoeira é que a democracia, como atualmente a temos no Ocidente, é vulnerável. Ora, qualquer comunista, por mais estúpido que seja, sabe do básico: que no nosso modelo de democracia o poder político subordina-se ao poder econômico, sendo algo que o bom integralista deve ampliar em sua visão e saber ainda mais: que no nosso tipo de democracia o verdadeiro jogo político ocorre nos bastidores, longe da vista dos cidadãos. Ademais, a vida dos brasileiros e seu modo de agir é muitas vezes efeito de forças ocultas que agem nos bastidores e que invertem relações e ditam regras.


Rafael Sandoval


02/07/2012, 15:08:45



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