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Nacionalismo no Mundo: NATION!

Tive o privilégio de conhecer Hervé Van Laethem em um agradável final de tarde no outono de 2011, em Bruxelas. Esse militante nacionalista da Bélgica francófona, de 47 anos, afável, de sorriso fácil, usando frequentemente gravata, com uma barba bem cuidada e óculos, assemelha-se a um professor universitário, não guardando nenhuma semelhança com o estereótipo do militante à la Ian Stuart. Entretanto, que ninguém faça equívocos: Hervé Van Laethem, em suas três décadas de militância política nacionalista, esteve frequentemente em situações que exigiram coragem física. Esse ex-militar das forças especiais belgas liderou o L’Assault, grupo que fazia a segurança dos eventos nacionalistas na Bélgica francófona durante o período mais duro para os nacionalistas, no final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando sair às ruas para realizar uma manifestação significava atrair centenas de militantes da extrema-esquerda, prontos para agredir qualquer um que desafiasse o seu monopólio nas manifestações de rua.

Enquanto conversava com Hervé, tive a oportunidade de observar as fotos de várias manifestações do grupo NATION, fundado por ele em 1999, que hoje é o principal grupo nacionalista da Bélgica francófona. Os temas dos inúmeros protestos variavam, mas estavam sempre ligados à preservação dos valores fundamentais da sociedade européia. Assim, muitas manifestações eram contra a chamada “islamização” da Europa, enquanto outras estavam contra o aborto, a “cristianofobia”, ou contra a adoção de crianças por “casais” homossexuais, etc. É esse movimento que Hervé Van Laethem liderou desde a sua fundação até 2006, quando o NATION passou a ser dirigido por um colegiado de dez membros, cada um encarregado de um setor (atualmente, Hervé responde pelas relações exteriores do NATION). O movimento possui também diversas comissões temáticas, dedicadas a vários assuntos, como defesa do meio-ambiente, solidariedade social, combate contra a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança de defesa ocidental capitaneada pelos Estados Unidos), expulsão de falsos refugiados (particularmente importante no combate pela retomada de várias igrejas católicas, que foram ocupadas por muçulmanos para pressionar o governo a conceder a eles o status de refugiados), etc. Também fazem parte do organograma do NATION o Centro de Formação Nacionalista Jacques Borsu, a editora Tridente e o CNEP (Centro Nacionalista de Estudos Políticos), que estuda e edita temas de Economia, Historia e Geopolítica

Hervé e o conjunto do NATION possuem o mérito de serem nacionalistas em um país particularmente complexo como a Bélgica. Ao contrário dos suíços, cujas diferentes comunidades linguísticas não são um óbice ao surgimento de uma identidade e um sentimento de comunidade nacional, os belgas estão irremediavelmente divididos pela rivalidade latente entre suas duas principais comunidades: os valões, que falam francês, e os flamengos, que falam um dialeto próximo ao holandês. Os malabarismos políticos para evitar a cisão do país em dois levaram à formação do que me parece ser a estrutura administrativa mais complexa do mundo: três comunidades autônomas compõem o país – Flandres, Valônia e Bruxelas. A elas, se sobrepõe uma divisão lingüística entre as populações que falam o dialeto flamengo, o francês e o alemão. Mas as fronteiras linguísticas não correspondem àquelas entre as comunidades autônomas. Não entendeu? Sem problemas, ninguém fora da Bélgica entendeu... O importante para a boa compreensão desta entrevista é saber apenas que não há partidos ou grupos políticos que representem toda a Bélgica, sendo que cada comunidade lingüística tem seus próprios grupos políticos e que o NATION é o principal representante dos nacionalistas belgas francófonos. 

Boa leitura!
 
***

Acredito que a maioria dos brasileiros não faz idéia da complexidade da Bélgica, com suas várias comunidades linguísticas e rivalidades regionais. Poderia nos explicar um pouco a respeito da situação política da Bélgica e como o NATION vê essa situação? E, para retomar o título de uma entrevista sua à rádio Méridién Zero, “A Bélgica: ela vai morrer?”

Efetivamente, o slogan «België barst!» , que quer dizer literalmente «que a Bélgica exploda!» - que também pode ser traduzido por «que a Bélgica morra!» - é um slogan dos nacionalistas flamengos repetido durante muitos anos. Este slogan tem sua origem em uma declaração em francês de um líder nacionalista flamengo, Joris Van Severen, durante um de seus discursos, quando ele para de falar holandês, pois naquele momento o francês era a língua dominante na Bélgica. Isto queria dizer que, se alguém quisesse realizar seus estudos superiores na Bélgica, estes deveriam ser em francês. Em consequência, Joris Van Severen, ao invés de falar holandês, assumiu a língua dominante, dizendo «la Belgique» - porque em seu espírito «la Belgique» é forçosamente francesa – «la Belgique, qu’elle crève !» (a Bélgica, que ela morra!) «België barst!». Este slogan foi retomado e, atualmente, quando você vai a uma manifestação do Vlaams Blok, do NSV, dos estudantes nacionalistas flamengos ou de outras organizações, é algo que surge muito regularmente, sendo um lema do que costumamos chamar de «direita nacional flamenga».

E, se a Bélgica explodir algum dia, isso ocorrerá em parte devido ao seu funcionamento desde a sua criação. Quando a Bélgica foi criada, em 1830, ela foi, antes de tudo, uma revolta da burguesia – em grande parte francófona – e apoiada simultaneamente por forças financeiras e políticas. Primeiro, porque era necessário criar um Estado tampão com países imperialistas, como a França, que não parava de aborrecer o resto da Europa. Mas, sobretudo e antes de tudo, era necessário criar um centro comercial e financeiro, uma espécie de «no man’s land», onde poderiam funcionar as forças do capital; o que ainda é o caso atualmente.

Mas rapidamente ficou claro que nesse Estado – que é feito para e por francófonos – os flamengos são cidadãos de segunda categoria. No parlamento, fala-se unicamente o francês. No exército, os oficiais falam unicamente o francês. Se as pessoas querem fazer um curso superior, é unicamente em francês. E a burguesia, forçosamente, fala o francês, incluindo a burguesia flamenga. É preciso salientar que nas grandes cidades flamengas, cria-se uma burguesia que fala francês em suas casas, pelo fato de ser um idioma muito mais sofisticado.

Em 1914, ocorre a Primeira Guerra Mundial e uma grande parte dos jovens estudantes flamengos se engaja de boa vontade no seio do exército belga, dizendo «nós falamos a mesma língua que a Holanda, mas agora vamos mostrar pelo engajamento e pelo nosso sacrifício que nós somos inteiramente belgas». O problema é que, no final de três anos, eles haviam sido utilizados como carne de canhão e houve uma grande decepção. Daí veio o slogan flamengo: «Hier ons bloed, wanneer ons recht ?» (Eis aqui o nosso sangue, e quanto aos nossos direitos?). Este será o mito fundador do movimento separatista flamengo.

Após a guerra e apesar da repressão o movimento nacionalista flamengo retoma suas reivindicações e terá mais peso sobre o mundo político flamengo. Começa uma mudança, iniciando a saída da Bélgica dos velhos tempos, em 1963, quando são criadas fronteiras lingüísticas com territórios demarcados. Existe um tipo de partilha de território que, como todas as partilhas, nem sempre é feita de maneira pensada. No momento em que são criadas as fronteiras linguísticas, cria-se também, em torno de Bruxelas, o que chamamos de “communes à facilites” (comunas facilitadas). Ou seja, comunas que são flamengas, mas no seio das quais há uma forte minoria francófona, a quem a lei autorizou facilidades administrativas, o que significava que os francófonos teriam trinta anos – período de tempo previsto originalmente – para se adaptar. Assim, os seus filhos poderiam ir à escola e se tornar bilíngües, as pessoas poderiam manter, durante trinta anos, os seus documentos escritos em francês, etc.

Mas, cinqüenta anos depois, os francófonos não estão integrados e, fortalecidos pela sua presença em numerosas comunas, reivindicam mais e mais direitos frente aos flamengos, que continuam apegados ao direito do sangue e do solo. Ocorreu também uma inversão econômica em relação ao que as regiões conheciam: a Valônia tinha minas e elas foram fechadas, uma após a outra. Foi então que Flandres se tornou uma potência econômica e nos últimos anos os flamengos passaram a ter a impressão de que são eles os que carregam economicamente a Bélgica.

Mas a diferença não é somente lingüística, os dois já são países diferentes. Há uma maneira diferente de se conceber a organização do trabalho, etc. É verdadeiramente uma grande diferença, mesmo em termos eleitorais: atualmente, 60% da população de Flandres vota de maneira “conservadora”, enquanto, na Valônia, 60% da população vota nos socialistas e ecologistas


Em vários países europeus, após a Segunda Guerra, a esquerda aproveitou para realizar uma depuração em todo o campo nacionalista, mesmo se muitos destes nacionalistas fossem contrários ao nacional-socialismo. Creio que um exemplo claro é a condenação de Maurras à prisão perpétua mesmo sendo ele radicalmente contrário à ocupação alemã na França. A Bélgica foi um dos países mais fortemente golpeados por esse expurgo esquerdista. Como o campo nacionalista foi reconstruído após a depuração?

Aqui também é necessário analisar de forma distinta, segundo observamos do lado flamengo ou valão. Os nacionalistas flamengos esperavam que os alemães concedessem mais autonomia a Flandres, talvez a independência. E este elemento, além do conceito da guerra contra o bolchevismo, teve um importante papel no engajamento de numerosos flamengos na colaboração com a Alemanha nacional-socialista. Os que, por exemplo, partiram para a Frente Oriental diziam que “um dia os alemães nos devolverão o favor”. Mas havia também um lado puramente anticomunista.

Na Valônia, a colaboração foi unicamente ideológica. E, por conta disso, a repressão foi mais eficaz. Efetivamente, foi suficiente eliminar os dirigentes, o que era feito fuzilando-os ou os colocando nas prisões. E quando as pessoas saíam da prisão, havia ainda mais repressão, uma rejeição social. Não somente não encontravam emprego, mas suas famílias não as aceitavam mais. Assim, as pessoas tinham outras preocupações além da reconstrução do partido.

Em Flandres, os efeitos secundários da repressão foram atenuados por uma verdadeira solidariedade do movimento flamengo e pela percepção, por parte da população, que via os colaboradores como tendo somente tentado travar um combate pela liberação nacional do povo flamengo. u colocando-os nas prisndo-os ar o ziam "smo, teve um importante papel no engajamento de numerosos flamengos na colaboraç

Dito isto, sublinha-se que tanto do lado flamengo como do valão, a repressão foi feroz. Houve centenas de mortos: 242 (se contamos apenas as execuções legais), mas também houve numerosos acertos de conta e atrocidades. O problema evidentemente é que o momento foi aproveitado para destruir o conjunto do que chamamos – do que poderíamos chamar, pois à época não usávamos esse termo – a “direita nacional”.

Mas, em Flandres, repito, não era uma colaboração ideológica, havia realmente uma raiz völkisch, como diríamos. Não diria “popular”. Völkisch é a maneira germânica de chamar o nacionalismo em seu sentido de “nacionalismo do povo”. E – como vimos com os corsos, bascos e irlandeses –, quanto mais você fuzila pessoas, mais você cria nacionalistas. Quanto mais você os reprime, mais você fortalece o movimento de libertação. É exatamente isso que aconteceu em Flandres.

Em 1948, três anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, já havia um novo partido nacionalista flamengo, que se chamava De Vlaamse Concentratie. O grupo foi criado a partir de uma rede formada pelas pessoas que saíam da prisão e que estavam “recicladas”, se ouso dizer, em uma comunidade – evidentemente composta de excluídos – que conseguia empregos para os que eram libertados.

Após a guerra, a primeira reivindicação foi a anistia. Isto é, o movimento flamengo se mobilizava unicamente para dizer: “é necessário perdoar”, “as pessoas que fizeram isso o fizeram por Flandres, eles não sabiam o que se passava nos campos de concentração”, “eles não são responsáveis e nem cúmplices disso”, “eles cometeram um erro, mas foi por Flandres, é necessário anistiá-los”.

Em seguida, aos poucos se desenvolve um partido, o Volksunie (União Popular). Nesta organização fala-se mais e mais em federalismo, etc. Mas, à época, falar de federalismo era um crime quase de lesa-majestade na Bélgica. É importante dizer que, naquele momento, portar a bandeira flamenga era perigoso.

Jovens militantes flamengos que iam, desde o início dos anos 1950, à festa do “Canto Flamengo” (uma grande manifestação cultural) eram agredidos por antigos resistentes – militantes de esquerda e resistentes eram, por vezes, a mesma coisa –, que os espancavam, cortavam os cabelos das moças, etc. Desde então, constituíram-se muito rapidamente grupos de autodefesa – não há outro termo a ser utilizado –, incluindo um que é criado em 1950, e que se chamava Vlaamse Militanten Organisatie (Organização Militante Flamenga) e que foi, durante vinte anos, o serviço de ordem de tudo o que existia do lado flamengo. Posteriormente, aparece o Vlaams Blok [1], nos anos 70, que se tornou o grande partido que conhecemos hoje, antes de afundar, ele também, no politicamente correto.

Do lado francófono, seria necessário esperar até os anos 60 e a descolonização para que houvesse uma verdadeira dinâmica, devido em parte ao grande número de repatriados muito descontentes com o que havia ocorrido a eles.

Além disso, havia uma nova dinâmica nos meios belgas da direita nacional em função da OAS [2] na França. Houve um momento em que não se sabia mais onde esconder os líderes da OAS na Bélgica francófona. Mas, tudo isso levou a um caminho sem saída, pois a extrema-direita era muito “legalista”: os militantes da época pensavam: “um dia os oficiais irão nos libertar deste regime corrupto”, e também “a polícia é nossa amiga”, etc.

Por outro lado, a consequência mais importante foi a criação da “Jovem Europa”. Na sua origem, chamava-se “Movimento de Ação Cívica” e a sua principal atividade era esconder os integrantes da OAS. A partir daí, foi criada por Jean Thiriart uma organização muito mais revolucionária, muito mais radical, que se chamava “Jovem Europa”. Esta organização era muito promissora: eles tinham um hebdomadário (sem o suporte da informática, que não existia), eles tinham uma sede para o partido, eles tinham sua própria gráfica.

E, se a “Jovem Europa” tinha, no início, uma mensagem de “extrema-direita clássica”, esta rapidamente evoluiu e se tornou bastante revolucionária. Além disso, eles conseguiram criar uma nova geração de líderes, graças à sua escola de quadros, baseada no modelo marxista. É necessário saber que Thiriart, antes de sua passagem para o nacionalismo, foi um militante trotskista ou, em todo caso, de extrema esquerda.

Sobre esse modelo foi criada uma escola de quadros que funcionou bem. Quando a “Jovem Europa” infelizmente implodiu, houve uma infinidade de grupos que foram criados pelos seus antigos quadros, pois eles tinham a capacidade de iniciar grupos, embora nem sempre com sucesso.

E é o movimento “Jovem Europa” que está na base, direta ou indireta, dos grupos que foram criados nos últimos 40 anos. Entre os quais NATION...

 

Você fundou, em 1999, o Mouvement pour la Nation (Movimento pela Nação), que se torna simplesmente NATION, atualmente o mais importante movimento nacionalista da Bélgica francófona. Mas antes, você fundou outro movimento que era conhecido por toda a Europa: L’Assaut (O Assalto). Você pode falar um pouco a respeito do l’Assaut para os leitores brasileiros? O que distingue o NATION em relação ao L’Assaut? Podemos dizer que o NATION é o L’Assaut mais maduro?

Em 1988 alguns jovens nacionalistas vindos de diversos grupos decidem criar uma publicação, que se tornará rapidamente uma “revista militante”, que tinha por objetivo sustentar e encorajar a criação de um grupo de ação nacionalista. Não foi uma idéia vinda do nada, senão o ambiente da época que guiou alguns militantes em direção a uma evidência absoluta: a necessidade da existência de um grupo de ação unitária e radical.

Em 1988, os nacionalistas sofriam o «assédio democrático». Na realidade, isso consistia em algumas centena de ativistas de extrema esquerda que tentavam, inclusive por meio da violência, impedir que os nacionalistas se expressassem e se reuníssem. Diante do imobilismo (cumplicidade?) das forças de ordem da época, concluímos que faltava uma estrutura ativista eficaz e determinada. 

Além disso, a «paisagem» nacionalista tinha ficado muito «política». Nós não tínhamos muita vontade de brincar eternamente de coladores de cartazes bem-comportados. Junte a isso o fogo da juventude e as boas pessoas que se encontravam em um bom momento, e você tem L’Assaut. Este será comentado na mídia pela primeira vez quando organizou uma conferência «não-conformista» no luxuoso Hotel Metropolis, em pleno centro de Bruxelas.

Mas é a partir da primavera de 1989 que o L’Assaut vai se tornar mais conhecido, graças a um concerto do SOS Racismo [3], que será perturbado por numerosos incidentes, pelos quais alguns culparão L’Assaut. Os incidentes repercutiram muito na mídia e tiveram como resultado o desaparecimento do ramo belga do SOS Racismo em função dos prejuízos resultantes dos incidentes ocorridos no concerto.

A partir desta época e, apesar de numerosas rasteiras provenientes da própria família política nacionalista, L’Assaut não cessa jamais de crescer, e organiza ou participa de um número impressionante de manifestações, serviços de proteção ou de contra-manifestações; tudo isso ao mesmo tempo em que publicava uma revista, ampliada cada vez mais – um sucesso que ultrapassava até mesmo as nossas fronteiras.

Em 1992, três militantes do L’Assaut foram presos e ficaram detidos durante seis semana em Liége após incidentes contra militantes esquerdistas do PTB [4]. Decepcionando a expectativa de alguns, l’Assaut superará esta provação e sairá ainda mais forte, continuando uma luta militante em todos os momentos.

Em julho de 1993, três dos melhores militantes do L’Assaut: Yannick Stoefs, Jean Jacques Cordonnier e Stéphane De Gyns morrem em um trágico acidente automobilístico. Em setembro de 1993, a justiça condena alguns jovens implicados a título pessoal em uma briga de rua e aproveita-se do fato de que, dentre eles, há alguns simpatizantes de L’Assaut para amalgamar o movimento a uma “associação que incita o ódio racial”. Em 18 de setembro de 1993, frente à dinâmica de repressão lançada e para evitar que o Estado belga, em função da proximidade das eleições, pudesse forjar uma provocação utilizando-se do L’Assaut,a equipe da revista decide cessar sua publicação, assim como toda e qualquer atividade.

É certo que pela sua atividade militante e seu sucesso, o L’Assaut foi um fenômeno único na Bélgica francófona desde o desaparecimento do Front de la Jeunesse (Frente da Juventude). E quase vinte anos após sua autodissolução, L’Assaut ainda fascina. Seja dentre à imprensa, adversários, assim como “amigos”, L’Assaut continua sendo assunto para discussões apaixonantes. Eu costumo repetir que esta experiência não poderá ser reconstituída e não deve ser tentada novamente. L’Assaut foi a conjunção de uma época, de pessoas e de um estado de espírito. Não haverá novamente tal conjunção!

Não possuo arrependimento algum pelo que fiz naquela época, mesmo se atualmente não fizesse da mesma maneira. Na época, faltavam pessoas para nos aconselhar. Isso também é o que nós quisemos mudar com o NATION, para que nossos militantes tivessem pessoas para aconselhá-los. Isso não quer dizer que é necessário escutar tudo. Por vezes, o fogo da juventude é bom, mas ao menos temos pessoas para orientar os mais jovens.

Mas, em relação a todo o restante, NATION é completamente diferente do que foi L’Assaut. NATIONé uma organização política no sentido completo do termo. E, mesmo se ela continua uma formação essencialmente militante, NATION recusa o ativismo pelo ativismo. NATION, além disso, é uma organização resolutamente direcionada para o futuro. E, enfim, no NATION, os antigos integrantes de L’Assaut podem ser contados nos dedos de uma só mão. Isso quer dizer que a página foi definitivamente virada



NATION é um movimento que reivindica o pertencimento aos ideais nacional-revolucionários e identitários. A palavra “identitário” é praticamente desconhecida no Brasil e, infelizmente, as pessoas que conhecem o termo não a compreendem realmente. Pode nos falar um pouco do que significa ser “identitário”? Um camarada do GRECE fez uma comparação entre os ideais identitários e uma boneca russa. Segundo ele, entre os identitários encontra-se uma identidade dentro da outra. Primeiro temos uma identidade regional, após uma identidade nacional, e, por fim, uma identidade européia. Você está de acordo com essa opinião?

Certamente! O problema é que atualmente o termo identitário é utilizado por qualquer um e, portanto, em demasia. Para nós, a identidade de um povo é o que faz dele um povo. Ou seja, sua memória comum, sua língua comum, sua etnia comum, sua civilização comum. E, evidentemente, pode-se ser apegado às identidades regional, nacional e européia.

O processo de decadência das populações, quer sejam elas flamengas, valãs ou européias em geral, tem sido largamente favorecido por um fenômeno – a perda de identidade provocada por uma tentativa de implementar o dogma do multiculturalismo, que é uma perigosa utopia. Nós acreditamos que esta sociedade multicutural que tenta-se implementar, favorecendo o American Way of Life (modo de vida americano) e todos os contra-valores que ela representa, tem como único objetivo criar uma massa « cosmopolita » de produtores e consumidores que, não tendo mais um caráter nacional, nada mais fará do que obedecer àqueles que tomam as decisões, que já não são mais os políticos e sim os detentores do capital. Dito isto, o termo identitário não deve ser utilizado a torto e a direito. Defender o conceito de identidade é também defendê-lo de ser confundido com outros conceitos. A idéia identitária não deve ser um termo genérico utilizado para exprimir todos os tipos de frustações.

Ser militante identitário não deve significar desprezar o outro. Um militante identitário deve ser por uma Europa européia, da mesma forma que deve ser por uma África para os africanos e por um mundo árabe para os árabes. Enquanto identitários, devemos nos proibir de, por exemplo, condenar uma religião pelo que ela é. Não devemos lutar contra o islã pelo que ele é, mas simplesmente quando ele manifesta condutas imperialistas sobre o nosso solo europeu. De resto, se as mulheres afegãs portam o seu tradicional véu no Afeganistão, é uma questão deles e não devemos interferir em tradições ancestrais.

Pouco me interessa se um burguês de direita é um admirador da Grécia Antiga, pois o modelo de sociedade que ele defende hoje é antípoda aos nossos valores, da mesma maneira que o modelo de socidade defendido por certos partidos de «direita nacional». Muitos acham bonito amar o paganismo, se vestir «de germânico» e contudo defender o neoliberalismo. São essas derivas que devemos evitar, pois nossa concepção da politica é também defender um tipo de sociedade, independentemente do fator «racial». Eu imagino facilmente que certos burgueses não apreciam muito a chegada de populações alógenas nos arredores dos seus belos bairros. Isso é suficiente para fazer deles identitários? Acho que não.



Nos últimos anos, NATION temparticipado de eleições, como participarão dos pleitos comunais de 2012. Vocês estão esperando um bom resultado nas urnas este ano? A participação mais seguidamente em eleições representa uma mudança na estratégia do movimento?

Esta será nossa quarta participação eleitoral em 13 anos de existência. E nossos melhores resultados foram justamente nas últimas eleições comunais, com uma lista de coalizão, que conseguiu a eleição de uma conselheira comunal com 6,6% em Viviers. Infelizmente, o estado de saúde desta corajosa senhora idosa não permitiu que ela desempenhasse o seu cargo como era necessário. Ela terminou por falecer.

Nós esperamos realmente um resultado marcante nestas eleições. E isso é necessário, pois, se não houver agora uma reação de nossa população, ela não ocorrerá jamais. Em todo caso, a receptividade que nossos membros estão tendo durante a campanha nos dão uma impressão muito positiva, que jamais haviamos encontrado. Além disso, a enorme repercussão midiática de uma marcha contra a islamização em Bruxelas, no meio de junho, ocorreu no melhor momento, apenas quatro meses antes das eleições de outubro.

Em relação à estratégia, ela sempre seguiu o mesmo esquema triplo: ativismo – formação – eleições. 



Recentemente vimos que os resultados das eleições gregas provocaram grandes mudanças políticas. Os gregos, decepcionados com os politicos da situação, votaram sobretudo em partidos políticos contrários ao sistema, inclusive nos nacionalistas do Aurora Dourada. Você acha que a crise pode ser uma oportunidade para o despertar dos povos? A crise do capitalismo pode ser também a crise da sua contraparte política, o sistema liberal?

Com certeza. Pensamos que chegamos ao fim de um ciclo! O capitalismo vai provavelmente implodir e então as populações se voltarão para os que sempre estiveram fora e contra o sistema que afundou. O Aurora Dourada, apesar de certas diferenças com o NATION, é a prova. Como o NATION, eles permaneceram sempre ativistas. Como nós, eles sempre colocaram a questão social no centro da sua ação. Como nós, finalmente, eles tiveram por muito tempo resultados eleitorais «modestos» (0,29% nas últimas eleições...).

Mas, como nós, eles também perseveraram. Também, como nós, eles sempre rejeitaram o compromisso com o sistema. E agora, frente à falência do sistema político-econômico na Grécia, esta estratégia teve a sua recompensa! E este sucesso é um formidável encorajamento para todos os nossos militantes.



No Brasil, não temos grandes problemas com a imigração e a comunidade muçulmana é pequena entre nós. Mas me parece que, na Bélgica, assim como por toda a Europa, a situação é diferente. Lí que em uma grande empresa de comunicação da Europa, um dos seus executivos declarou que era permitido publicar piadas a respeito de Jesus, mas que piadas a respeito de Maomé eram proibidas. Qual é o tamanho da ameaça representada pela imigração maciça de povos não-cristãos para a civilização européia e para os valores cristãos, e porque as elites européias gostam tanto de depreciar a cristandade?

Evidentemente nos opomos ao fenômeno da imigração e a todos os excessos que ele traz. E isto em um plano social, financeiro, de segurança, mas também identitário. Mas não confundimos tudo. Podemos ser sensíveis ao problema da imigração, que não é apenas muçulmana, sem nos opormos ao mundo árabe em seu conjunto. Mundo árabe que poderia, sobre bases precisas, ser um aliado de uma Europa nacionalista.

Mas, para nós, o problema da imigração ultrapassa de longe a questão religiosa. Não se trata de uma religião contra a outra (mesmo se o Islã tem uma tradição e uma real tendência ao imperialismo), é, antes de tudo, um problema relacionado à presença maciça de populações estrangeiras na nossa terra, entre os nossos povos, as nossas tradições, a nossa cultura. Mas se esse é evidentemente o caso da enorme população árabe-muçulmana presente na Europa, todas as outras comunidades não-européias participam igualmente, através de sua presença maciça, da destruição da identidade européia.

Se a agressividade de alguns islâmicos torna essa parte do perigo bem visível, não se deve perder de vista que o perigo maior é a confusão em que transformaram a Europa. O cosmopolitismo é o inimigo contra o qual não podemos nos defender... E pode-se perceber que os politiqueiros que, após anos de anti-nacionalismo, promovem repentinamente o medo do Islã com finalidades eleitoreiras, não questionam jamais o dogma da multiculturalidade.



Sabemos que grandes partidos nacionalistas de vários países europeus, para tentar provar que não são «nazis», terminaram por apoiar outro tipo de racismo, o sionismo. Como você analisa esta deriva sionista de muitos nacionalistas europeus ?

Efetivamente, faz mais de dez anos que por toda a Europa, uma parte da «direita nacional» faz a corte de maneira mais ou menos assídua aos meios sionistas e atlantistas [5]. Alguns o fazem por cálculo político. Eles esperam, assim, serem «desdiabolizados» e poderem assim participar, cedo ou tarde, do poder, sem nenhum resultado tangível até o presente.

Outros procuram identificar-se com uma espécie de grande irmão longínquo (Israel), que os vingaria de suas fraquezas por meio dos golpes que aplicam contra os países muçulmanos. Eles se sentem vingados das gangues urbanas por meio dos massacres do Tsahal [6] ou do exército americano. Isto deve-se à falta de consciência politica e de formação no seio de numerosos grupos politicos ditos «nacionalistas».



Um camarada francês disse que nós, os nacionalistas, podemos vencer ou perder a luta contra o sistema, mas iremos ganhar ou perder juntos. Você está de acordo que nós, os nacionalistas de todo o mundo, devemos deixar de lado as diferenças e combater juntos contra o sistema liberal-esquerdista? Há uma mensagem que gostaria de passar aos integralistas brasileiros?

Podemos nos aliar com muita gente... mas não com qualquer um. O que eu quero dizer com esse jogo de palavras é que a unidade é evidentemente um objetivo louvável, mas é muito difícil de ser obtido. Além disso, com a exceção de ações bem pontuais, está fora de questão de nos aliarmos com os elementos da direita clássica. Aqui, na Bélgica francófona, as próximas eleições comunais serão primordiais para provocar a união, por isso esperamos um bom resultado do NATION e o desaparecimento de todas as outras pequenas listas. Então, os melhores elementos se unirão a nós...

Aos camaradas brasileiros da Frente Integralista, eu envio as minhas melhores saudações por parte dos camaradas da Bélgica francófona. Nós desejamos a vocês um combate coroado de sucesso.



Alexandre Villacian
Membro da FIB-PR, Alexandre é coordenador da Secretaria de Relações Internacionais.


Notas:
[1] Nota do tradutor: O Vlaams Blok (Bloco Flamengo), atual Vlaams Belang (Interesse Flamengo) é o grande partido nacionalista flamengo criado no final dos anos setenta. Em 2004 conseguiu 24% dos votos nas eleições para o Parlamento de Flandres. Em 2010, apesar de o partido ter moderado muito o seu discurso, só conseguiu 12,6% dos votos flamengos, em parte devido à ascensão de um novo partido nacionalista flamengo mais moderado, o Nova Aliança Flamenga.
[2] NT: A Organisation de l’Armée Secrete (Organização do Exército Secreto) foi uma organização nacionalista francesa de caráter político-militar composta principalmente por militares e chefiada pelos generais Raoul Salan e Edmond Jouhaud e o coronel Yves Godard. Particularmente ativos entre 1961 e 1962, lutavam pela defesa da Argélia francesa, ou seja, pela manutenção da Argélia como parte integrante do território francês. A OAS gozava de grande popularidade entre os aproximadamente um milhão de franceses que habitavam a Argélia. Com a repressão por parte do governo de Gaulle e a condenação à morte de vários de seus integrantes, muitos militantes do grupo refugiaram-se na Bélgica, Espanha, Portugal e América do Sul.
[3] NT: Organização próxima ao Partido Socialista da França que tem entre seus financiadores a Fundação Ford. Um dos seus fundadores, após sair da organização, escreveu um livro denunciando a instrumentalização políticas do anti-racismo feita pelo grupo.
[4] NT: Partido do Trabalho da Bélgica, pequeno partido esquerdista, ainda hoje assumidamente marxista.
[5] NT: “Atlantista” é o termo utilizado pelos europeus para designar aqueles que são partidárias de uma colaboração mais estreita com a grande potência do outro lado do Atlântico, ou seja, os Estados Unidos.
[6] NT: Sigla em hebreu das Forças Armadas de Israel.
[7] A página do NATION pode ser acessada pelo seguinte endereço eletrônico:
http://nation.be/


29/07/2012, 00:54:24



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