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125 anos de Gustavo Barroso

Em 29 de dezembro, a Frente Integralista Brasileira (FIB), herdeira do legado da gloriosa Ação Integralista Brasileira (AIB), lembra os 125 anos do nascimento do grande literato e acadêmico Gustavo Barroso, que, ao lado do Chefe Nacional Plínio Salgado (1895-1975) e do filósofo e jurista Miguel Reale (1910 – 2006), formou na década de 1930 a célebre tríade dos principais teóricos e líderes do Integralismo.

“Acostumei-me a achar-lhe nas contradições, tão de Fortaleza na simplicidade comunicativa, João do Norte, tão grandioso na ambição de ser o que imaginava – um tanto de gigante e de criança”. - Pedro Calmon, “Memórias”.
 
“Apertei-lhe respeitosamente a mão, passei-lhe o olhar guloso pela galeria, vi no chão, apoiados à parede, quatro retratos à óleo, subi correndo a livraria, achei um volume de medalhas heráldicas, e desci, apressado. Informava ao diretor que os quadros eram evidentemente do espólio da imperatriz Leopoldina. Nada menos do que Metternich, o imperador Franz I, os reis de Espanha e de Inglaterra, Fernando VII, goiesco, Jorge IV, primoroso! Barroso iluminou-se com a descoberta; ordenou que fossem suspensos na sala do I Reinado; e travou comigo (graça que devi àqueles ilustres personagens) a amizade que nos uniu até o fim”.
 
As palavras são de Pedro Calmon (1902-1985), um dos maiores historiadores brasileiros, retiradas de suas Memórias – Editora Nova Fronteira, 1995; tinha 23 anos de idade quando, recomendado por Miguel Calmon, fora nomeado 3° oficial interino do Museu Histórico Nacional. Denota a narrativa o profundo respeito do jovem por seu superior, Gustavo Barroso, fundador e diretor da instituição, inaugurada em 1922, no Rio de Janeiro. Era já Barroso, por esse tempo, notório intelectual: “A popularidade bafejara cedo Gustavo Barroso. Tinha memória invejável, cultura enciclopédica, resolutas disposições de atividade. Nas sessões solenes ou nos bailes oficiais, destacava-se como o brasileiro mais condecorado”.
 
De fato, a invulgar genialidade de Barroso, identificada desde cedo, o colocava, ainda moço, entre os grandes de sua época; sua profícua obra literária superou a marca dos cem títulos e, quando de sua morte, o qualificou na restrita galeria dos imortais da Pátria!

 
As secas
 
Seguindo ainda Pedro Calmon: “Tinha talento – multiplicado em dezenas de livros – e a vistosa presença de um homem forte, belo na mocidade, olhos claros traindo a origem alemã (do avô Dodt), cabeça cearense, alma patriótica; adivinhávamo-lhe a tendência para a grandeza, a ênfase, o espetáculo”.
 
Grandeza expressa até no nome: Gustavo Adolfo Luiz Guilherme Dodt da Cunha Barroso. Nascido a 29 de dezembro de 1888, em Fortaleza, Ceará, terra massacrada pelas secas, três das quais ficaram famosas e lembradas pela gente cearense como as “dos dois setes, dois três oitos, dos dois zeros”, em referência às secas de 1877, 1888 e 1900, que castigaram fortemente a terra e o povo do Ceará.
 
Em carta destinada à pesquisadora decana cearense Maria da Conceição Souza, escrita no Rio, em 25 de março de 1958, Barroso relembrara o passado de menino quando, em companhia do pai, coronel Antônio Filino Barroso, percorria as áreas afetadas pela seca: “Em 1898, tinha eu dez anos e vi a primeira seca. Indo com meu pai à tarde ao nosso sítio do Benfica, encontramos os cajueiros pejados de redes sujas de retirantes. Ele pegou-me da mão e, com os olhos rasos de água, me disse: ‘Meu filho, nunca pensei depois de 1877 ver mais estas cenas!’ Elas continuaram tempo além. Quando terá fim o doloroso martírio de nossa gente? Os governos se sucedem e os paliativos também. O que um Epitácio quer fazer, um Bernardes destrói. Duro destino contra o qual temos de erguer o peito no desafio de sempre: desgraça pouca é tiquinho! Ou bobagem...”
 
Se pelo lado materno Barroso tinha antepassados de raça germânica, pelo lado paterno possuía ascendentes brasileiros “da gema”, como se expressara na dedicatória de uma de suas maiores obras, Brasil, Colônia de Banqueiros, de 1934. Sangue alemão na nobreza do caráter, sangue brasileiro no espírito fortificado! Orgulhoso do berço nordestino, costumava utilizar o pseudônimo João do Norte. Na primeira fase de sua produção literária, valorizou o folclore e o regionalismo. Terra de Sol, de 1912 – seu primeiro livro - e Praias e Várzeas, de 1915, são verdadeiras joias da literatura regional brasileira, valendo do grande folclorista Luiz da Câmara Cascudo, o seguinte comentário: “Foi um mestre incontestável do folclore brasileiro, valorizando-o em fase em que ninguém percebia interesse e valia, enriquecendo-o com livros de notável erudição, divulgando os confrontos temáticos que revelavam a universalidade e velhice do que se julgava local e apenas pitoresco no momento. Um estilo ágil e claro, de discreta elegância vocabular, trazia uma força de comunicabilidade admirável”.
 
 
 
1º Edição de “Terra do Sol” (1912), obra inaugural de Gustavo Barroso (João do Norte)
 
 
A formação
 
Gustavo Barroso foi educado no Liceu do Ceará até o ano de 1906 - em 1940, o livro Liceu do Ceará comporia o segundo volume de sua trilogia de memórias, iniciada com Coração de Menino (1939) e concluída com Consulado da China (1941). Em 1907, Barroso, cursou a Faculdade de Direito de Fortaleza, formando-se em 1909. Em 1910, ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde colou grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais em 1911.
 
A partir de então, passa a desenvolver intensa atividade cultural e política: Redator do Jornal do Ceará (1908-1909); Redator do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro (1913-1919); Secretário Geral da Comissão de Defesa da Borracha, no Rio de Janeiro (1913); Secretário de Estado do Interior e Justiça do Ceará (1914).
 
Em 1915 é eleito Deputado Federal pelo Estado do Ceará, cargo que exerce até 1918. “Celebrizou-se pelo projeto que mudou o 1º de Cavalaria na Guarda de Honra, capacetes austríacos com o penacho ao vento, o uniforme do tempo de D. Pedro I”, registra Pedro Calmon.
 
Em 1919, com o fim da I Guerra Mundial, integra como secretário a delegação brasileira na Conferência da Paz em Versalhes.
 
 
                                             
 
Os Dragões da Independência, unidade militar do Exército Brasileiro, ligada ao Regimento de Cavalaria. Criada a partir de projeto de lei de 1917, de autoria do então Deputado Federal Gustavo Barroso. As fardas foram confeccionadas a partir dos modelos das fardas oficiais da Imperial Guarda de Honra, que pertenciam ao Museu Histórico Nacional.
 
 
Museu Histórico Nacional
 
Entra o ano de 1922. Concedera então o presidente Epitácio Pessoa, no último ano de seu mandato, amplos poderes a Gustavo Barroso para a criação do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, em comemoração ao Centenário da Independência. Herman Lima, em Poeira do Tempo – Rio, 1967 -, diz que “o Museu é o imenso retrato de sua fé; o escrínio das relíquias de um Brasil diferente. Entre-se nesse palácio de antiqualhas... Tudo ali é um florilégio da História Pátria... Diretor, fundador, animador dessa casa de pura brasilidade, há 37 anos Gustavo Barroso lhe dispensava a solicitude do lavrador, cuidando religiosamente do seu campo. Edificou-a com a dedicação de todos os dias; defendeu-a com zelo, até a bravura, de um alcaide antigo, que tivesse a seu cargo a torre senhorial. Defendeu-a principalmente da incompreensão, da hostilidade, da indiferença; e de tal sorte que nem a indiferença, nem a hostilidade, nem a incompreensão, conseguiram arrebatar-lhe as chaves do seu castelo ideal”.
 
                                             
 
Museu Histórico Nacional, criado em 1922 pelo presidente Epitácio Pessoa e dirigido por Gustavo Barroso de sua fundação até 1959.
 
 
Academia Brasileira de Letras
 
Em 08 de agosto de 1923, com apenas 35 anos, Gustavo Barroso - então Diretor do Museu Histórico Nacional - é eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 19, em sucessão ao Dr. Silvério Gomes Pimenta; cinco anos depois já ocupava a Secretaria Geral da instituição e, em 1931, finalmente, assumia a presidência da casa, posição que voltaria a ocupar no biênio 1949/1950.
                                                      
 
Gustavo Barroso em 1923, ano de sua posse na Academia Brasileira de Letras.
 
 
O segundo do Sigma
 
“A voz do Chefe anunciou que diríamos uma palavra nova ao mundo. Nenhum integralista duvida que o que o Chefe diz se realiza; mas nenhum integralista pensou que isso se realizasse tão depressa. Antes de conquistarmos o poder, de pormos em prática as nossas ideias, de tornarmos o Brasil a Grande Potência que sonhamos, eminentes figuras da intelectualidade uruguaia reconhecem que somos já um impulso criador, um dínamo que espalhará um vasto movimento integralista nos demais países do nosso continente. Essa glória será a recompensa de Plínio Salgado, impulso criador desse impulso criador!”.
 
E Gustavo Barroso ouviu a voz, o chamado do Chefe Nacional, anunciando a “Boa Nova”; tornou-se integralista!
 
A cultura invulgar, a alta intelectualidade, a forte personalidade, a oratória vibrante, logo o colocaram em elevada posição dentro do movimento. Era o segundo do Sigma. Acima dele, somente o “Chefe”, como sempre se dirigia a Plínio Salgado.
 
Comandava as milícias integralistas, que chegaram a reunir em suas fileiras 100.000 homens!
 
Foram anos gloriosos. Ao lado do autor de Psicologia da Revolução, percorreu o país em intensa campanha doutrinária: o Integralismo arrebatava as massas.
 
Durante o período em que envergou a camisa-verde, intensificou sua produção literária, desta vez voltada à pregação do novo ideal. Escreveu, nesse tempo: O Integralismo em marcha; O que o Integralista deve saber; O Integralismo de norte a sul; A Palavra e o Pensamento Integralista; Brasil, Colônia de Banqueiros; Judaísmo, Maçonaria e Comunismo; História Secreta do Brasil (obra em três volumes), etc.
                                        
 
 
Gustavo Barroso, chefe nacional das milícias integralistas.
 
 
Estado novo, novos rumos
 
Em 1937, com a instituição do Estado Novo pelo presidente Getúlio Vargas, o fechamento da Ação Integralista Brasileira (AIB) e o exílio de Plínio Salgado em Portugal (1939), Gustavo Barroso volta-se novamente às atividades culturais. Representante do Brasil nas comemorações dos Centenários de Portugal (1940); representante do Brasil no Congresso Íbero-Americano de Berlim (1940).
 
Em 1948, passa a colaborar com a revista O Cruzeiro, responsável pela seção de História do Brasil, escrevendo até 1958, sendo substituído pelo amigo Pedro Calmon.
 
                          
 
 
Praça Gustavo Barroso, em Fortaleza, bairro Jacarecanga
 
 
Últimos dias
 
Citamos novamente a carta escrita em 1958, endereçada à conterrânea decana Maria da Conceição Souza, na qual segreda Barroso: “Ultimamente não tenho passado muito bem de saúde. A máquina que completa 70 anos de uso diário está com os parafusos afrouxando. Ouve-se já um grilinho de vez em quando, como nos automóveis que caminharam muito tempo por estradas ruins. As de minha vida nem sempre foram suaves. Atacou-me, de súbito, a doença do Eisenhower (que honra!), rebelde ileíte, inflamação do íleo, da qual, apesar de rigorosa dieta e tratamento adequados, ainda não me livrei de todo”.
 
Pelas palavras de Pedro Calmon, “o pai chegara aos 102 anos. Tinha o mesmo corpo cheio, a mesma saúde alegre. Dizia-se mordido pelo ‘bico de papagaio’, que lhe picava as vértebras. Era o câncer”.
 
Residia nessa época no Rio de Janeiro. Realmente, eram já 70 anos de lutas e vitórias; viveria só mais um. Aos 3 de dezembro de 1959, falecia. O Brasil perdia um de seus maiores filhos, João do Norte, bravo combatente, nobre brasileiro, Barroso, filho imortal da Pátria.
 
           
Luiz Gonçalves Alonso Ferreira
Professor de História, Membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (cadeira 189, Plínio Salgado), Diretor-Administrativo da Sociedade Museu do Mar e Membro da Frente Integralista Brasileira (FIB).
 
 
* Artigo publicado originalmente no boletim informativo A Pátria (janeiro/fevereiro de 2000), revisado em 2013 para a publicação no portal da FIB.

 


29/12/2013, 19:39:56



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