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Nacionalismo no Mundo: Forza Nuova!

Roberto Fiore já era uma lenda do nacionalismo europeu antes mesmo de fundar em 1997 o Forza Nuova juntamente com o seu amigo, o igualmente lendário músico nacionalista Massimo Morsello. A vida de Fiore poderia facilmente inspirar um romance de aventuras. Ativo politicamente desde 1973, ele funda em 1976 - juntamente com outros militantes - o Lotta Studentesca com o objetivo de agrupar os estudantes partidários de um nacionalismo de Terceira Via. Em 1978 o nome do movimento muda para Terza Posizione, expressando assim a sua natureza igualmente contrária ao comunismo e ao capitalismo.

Entretanto, a Itália vivia então os chamados “anos de chumbo”, em que grupos terroristas de esquerda realizavam seguidos atentados à bomba e assassinatos. A isso se somavam atuações clandestinas pouco claras envolvendo grupos armados de direita, os serviços de inteligência italiano e norte-americano, a máfia e a então poderosa Loja Maçônica P2, em um momento da História da Itália que ainda necessita ser totalmente desvendado. Nesse contexto, alguns integrantes Terza Posizione, sem conhecimento da liderança do movimento – que incluía Fiore – se envolveram com o Nuclei Armati Rivoluzionari (NAR), grupo armado direitista que praticava ações extremamente violentas. Em dezembro de 1979 três integrantes do Terza Posizione são presos com grande número de armas. A isso se segue algo ainda pior: investigações relacionadas ao atentado de Bolonha, em 1980, que matou 85 pessoas, apontam para uma ação do NAR em colaboração com integrantes do Terza Posizione. Embora até hoje não se saiba exatamente quem ordenou aquele ataque, a promotoria italiana expede mandados de prisão para toda a liderança do Terza Posizione, obrigando muitos líderes do grupo – incluindo Fiore – a procurarem asilo no Reino Unido. O governo britânico, percebendo que as acusações italianas não possuíam fundamento, concedeu asilo aos refugiados. Em Londres, Fiore trabalhou em estreita colaboração com o seu amigo britânico Nick Griffin no fortalecimento dos movimentos europeus de Terceira Via.

Em 1999, com a prescrição das acusações, Fiore e Morsello retornam a Roma e assumem a liderança do movimento que haviam fundado ainda no exílio. Em 2001, o Forza Nuova sofre com o impacto do falecimento precoce de Massimo Morsello, mas, sob a firme liderança de Fiore, o movimento se fortalece. Atualmente, o Forza Nuova é o principal movimento nacionalista italiano, fortemente influenciado pelas ideias do romeno Corneliu Zelea Codreanu, fundador da Legião do Arcanjo Miguel. Nas eleições parlamentares de 2013 conseguiu aproximadamente 90.000 votos, resultado modesto, mas superior aos dos demais partidos nacionalistas italianos.  

Com esta entrevista, pretendemos possibilitar que os leitores integralistas conheçam o pensamento desse personagem que vem marcando a história do nacionalismo italiano desde o último quarto do século XX.

 

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Você e o Massimo Morsello fundaram, em 1997, o Forza Nuova, atualmente o mais importante movimento nacionalista italiano. Mas, antes, você participou de outro movimento que era conhecido por toda a Europa: o Terza Posizione. Você pode falar um pouco a respeito do Terza Posizione para os leitores brasileiros? O que distingue o Forza Nuova em relação ao Terza Posizione? Podemos dizer que o Forza Nuova é o Terza Posizione mais maduro?

Podemos dizer que há uma forte ligação entre os dois movimentos, não somente pela minha presença e a de outros dirigentes do Forza Nuova que provém do Terza Posizione, mas também pela irredutível luta contra o sistema, sempre conduzida em termos políticos absolutamente radicais. Assim como existe um fechamento total e radical do sistema em relação ao Forza Nuova porque ele é a continuação histórica de algo que nasceu muitos anos antes. A única diferença real entre o Forza Nuova e o Terza Posizione é o posicionamento católico do movimento forzanovista, amadurecido em décadas de busca espiritual.

 

Roberto Fiore, fundador do Forza Nuova, em entrevista à imprensa italiana. (Reprodução/IlPaesano)

Vimos um fortalecimento de partidos nacionalistas das mais variadas tendências na recente eleição para o Parlamento Europeu, incluindo dos gregos do Aurora Dourada, próximos ao Forza Nuova. Podemos dizer que estamos assistindo um novo despertar europeu? E a Itália? O que falta para um melhor desempenho eleitoral do nacionalismo italiano?

Há um forte despertar do patriotismo e do radicalismo político, mas o sistema se defende e, enquanto cede em alguns países como Hungria e Grécia (aqui, entretanto, a reação do sistema é fortíssima no momento), não recua em nada na Itália, Espanha, Inglaterra ou Alemanha porque o sistema europeu não pode permitir uma revolução nessas nações. Na França a situação é outra, mas é um assunto a ser discutido separadamente.

Uma característica do Forza Nuova e que o distingue da maioria dos demais movimentos nacionalistas italianos e europeus é o profundo apego às tradições espirituais católicas do povo italiano. Entretanto, os governos europeus – com apoio de setores da própria igreja – tem adotado uma política suicida de permitir a entrada de imigrantes provenientes de países culturalmente muito distantes da europeia. Qual é o tamanho da ameaça representada pela imigração maciça de povos não-cristãos para a civilização europeia e para os valores cristãos, e porque as elites europeias – incluindo muitos na hierarquia da Igreja – são cúmplices nesta invasão?

A História da Europa é uma história de fidelidade e traição, de soldados anônimos que morrem pela Pátria e elites que a traem. A imigração, o declínio populacional, os abortos, têm como objetivo, além de enfraquecer a Itália moralmente, a destruição em termos concretos e numéricos do nosso povo. As elites traem, os povos decaem, mas a verdadeira aristocracia, aquela do espirito, reage, luta, se sacrifica e salva a Europa e a Cristiandade da morte certa.

Podemos perceber que em momentos de crise econômica algumas pessoas desenvolvem tendências egoístas e contrárias ao espírito de solidariedade nacional e passam a defender a secessão de regiões mais ricas do país. Isso acontece no Brasil, onde de tempos em tempos certas pessoas retornam com o discurso de independência do Sul, e, acredito, na Itália. Os movimentos que querem a independência de Veneza ou da fictícia Padaria são de fato ameaças à integridade territorial italiana? Ou na Itália esses grupos – assim como no Brasil – não possuem representatividade junto à opinião pública?

A Padania não existe, é uma criação artificial que não existe na historia italiana. Outra coisa é o Veneto, terra sempre leal a Roma, mas, com razão, exigente. Os habitantes da região estão fartos de ver os seus empresário morrerem cometendo suicídio, a imigração devastar cidades como Pádua ou Mestre e da classe política italiana não se importar minimamente com eles. Por esta razão muitos falam de independência, mas, na realidade, o sofrimento deles é similar ao de milhões de italianos de outras regiões.

Temos acompanhado, desde 2008, a crise do sistema capitalista em todo o mundo, principalmente nos chamados países desenvolvidos. O capitalismo, baseado na busca desenfreada do lucro, parece estar gradualmente ruindo. É possível uma economia mais solidária? Em quais bases? A crise do capitalismo pode ser também a crise da sua contraparte política, o sistema liberal?

Em 1989 morreu o comunismo e em 2009 morreu o capitalismo. Ninguém acredita mais nestes sistemas, que criaram somente injustiça e sofrimento. O enriquecimento geral de muitos povos e certa distribuição das riquezas não vem do capitalismo, mas da filosofia cristã que permeou o mundo civil e que não permite aos detentores da riqueza pensar em enriquecer sem pensar nos próprios velhos, no futuro dos filhos ou nas pessoas desfavorecidas.

O Capitalismo está morrendo em decorrência da sua própria evolução financeira e usurária que, como um câncer, está levando à morte as economias, apesar de haver abundância no mundo graças às descobertas científicas. Todos os povos poderiam viver bem, se não fosse por aquelas teorias econômicas que conduzem ao extremo enriquecimento de poucos e ao empobrecimento de muitos.

Militantes do Forza Nuova durante manifestação contra a crise econômica, que na visão do movimento foi causada pelos bancos com a cumplicidade dos partidos políticos e os políticos do país.

Sabemos que grandes partidos nacionalistas de vários países europeus, para tentar provar que não são «nazis», terminaram por apoiar outro tipo de racismo, o sionismo. Como você analisa esta deriva sionista de muitos nacionalistas europeus?

Muito simples. O sionismo é um mal que deve ser combatido, é uma ideologia que conduz à guerra e aos abusos, é um verdadeiro racismo que pretende transformar uma nação, a hebraica, em um deus. Só podemos apoiar os palestinos e defender a formação de uma pátria palestina que, como a Suiça, defenda as diferentes religiões e os diferentes povos, incluido o hebreu.

A crise na Ucrânia tem provocado intenso debate no interior dos movimentos nacionalistas em todo o mundo. A maioria dos nacionalistas tem apoiado o governo russo e as comunidades russas na Ucrânia contra o governo de Kiev apoiado pelo ocidente. Entretanto, outros mantiveram o apoio aos ucranianos em função da simpatia pelos movimentos nacionalistas desse país, como o Pravy Sektor. Como o Forza Nuova se posiciona nessa crise? 

Quando eclodiu a revolta contra o Yanukovich, ficamos ao lado do Svoboda, pois sabíamos que ele não representava os interesses russos; na verdade, ele era um traidor a soldo dos americanos.

Mas quando a América e certos setores europeus se lançaram ​​contra a Rússia, provocando-a continuamente para fazê-la cair em uma armadilha, saímos em defesa da Rússia e denunciamos politicamente grupos como o Pravy Sektor por estarem totalmente alinhados com aqueles que queriam a guerra. Mas a Rússia de Putin soube jogar xadrez, tomou, de maneira justa, a Criméia e está possibilitando que os russos do leste possam defender-se da brutal agressão do governo de Kiev.

Se o Svoboda compreender que ele mesmo está caindo em uma armadilha a situação poderá normalizar-se; caso contrário, os ventos da guerra serão ainda mais fortes e nós estaremos ao lado do Putin.

Há uma grande discussão nos movimentos nacionalistas da Europa e da Ibero-América a respeito dos regimes “nacionalistas” - inspirados no bolivarianismo venezuelano e o seu “socialismo do século XXI” - implantados hoje em países da América Latina, como a própria Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. Para alguns, esses regimes estariam baseados em uma proposta nacionalista de Terceira Via. Para outros, são uma variação mais ou menos disfarçada do velho comunismo cubano. Qual a sua opinião a respeito deste tema?

Pergunta interessante, porém complexa. influências peronistas nesses movimentos, mas também uma forte veia marxista. Paradoxalmente, a chave passa pela visão de sociedade. Somos contra ou a favor do casamento gay e do aborto? Somos contra ou a favor do liberalismo rockfelleriano que está invadindo a América Latina? Sobre estes temas se joga o futuro; de qualquer maneira, estamos muito interessados em conhecer a opinião de vocês.

Gostaria de enviar uma mensagem aos militantes da Frente Integralista Brasileira?

A Europa conta muito sobre o vosso posicionamento antiamericano e católico, de liberdade verdadeira e de antiliberalismo, de terceira posição e de orgulho popular. Se penso na liberdade da América Latina e nos seus heróis, não penso em Che Guevara ou em Simón Bolívar, mas antes em Evita Perón, Gabriel García Moreno e nos mestres do integralismo brasileiro.


*

Alexandre Villacian
Um dos dirigentes do núcleo de Curitiba (PR), Alexandre é também coordenador da Secretaria de Relações Internacionais da Frente Integralista Brasileira.

Marina Inglese (Tradução)
Ítalo-brasileira residente na Itália, Marina é militante do Forza Nuova e participa ativamente das relações entre o Forza Nuova e a Frente Integralista Brasileira.


Nota:
[1] A página do Forza Nuova pode ser acessada pelo seguinte endereço: http://www.forzanuova.org/


16/07/2014, 11:55:29



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