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Nota de esclarecimento ao Portal Yahoo

No artigo Quem são os bandidos que batem em jornalistas e pedem o “impeachment” de Dilma, publicado em seu blog no Portal Yahoo, a jornalista e militante “esquerdista” Laura Capriglione associou a Frente Integralista Brasileira (FIB) a “predadores neonazistas” que, segundo ela, espancam homossexuais e negros nas ruas de São Paulo, e classificou esta associação como uma “contrafação de organização nazista”.

Profundamente revoltados com tais afirmações, que revelam, com efeito, completo desconhecimento a respeito do Integralismo e da Frente Integralista Brasileira, escrevemos o presente texto manifestando nosso total repúdio às absurdas e injuriosas afirmações da referida jornalista, passando a repetir, uma vez mais, a verdade sobre o Integralismo. A verdade sobre o Integralismo é, aliás, o nome de um pequeno grande livro de Jayme Ferreira da Silva [1] que a autora do supramencionado artigo deveria ler antes de associar o Integralismo ao nacional-socialismo, confundindo duas doutrinas e dois movimentos cívico-políticos muito diversos.

Ao contrário do nacional-socialismo alemão, essencialmente racista, o Integralismo sempre pregou a união de todas as etnias, partindo do pressuposto de que, como sublinhou Plínio Salgado, “o problema do mundo é ético e não étnico” [2]. Ademais, o chamado Manifesto de Outubro,documento inaugural do Integralismo, escrito por Plínio Salgado e lançado a 07 de Outubro de 1932, condena veementemente o racismo, nele sendo duramente criticados os pequenos e grandes burgueses citadinos do Brasil, que são, em regra, cosmopolitas que desconhecem “os pensadores, os escritores, os poetas nacionais” e vivem a “engrandecer tudo o que é de fora, desprezando todas as iniciativas nacionais” e se envergonhando “do caboclo e do negro de nossa terra”. Não conhecendo, nas palavras de Plínio Salgado, “todas as dificuldades e todos os heroísmos, todos os sofrimentos e todas as aspirações, o sonho, a energia, a coragem do povo brasileiro”, vivem tais burgueses “a cobri-lo de baldões e de ironias, a amesquinhar as raças de que proviemos” [3].

Plínio Salgado, que já em 1934 denunciou a “guerra” movida aos judeus, na Alemanha, pelos nacional-socialistas, segundo ele inspirada, em seus exageros, “pelo paganismo e pelo preconceito de raça” [4], que condenava integralmente, escreveu, em dezembro do ano seguinte, a célebre Carta de Natal e fim de ano, em que voltou a atacar o nacional-socialismo hitlerista, denunciando suas tendências racistas, totalitárias e pagãs e o endeusamento do Führer [5].

Em 14 de fevereiro de 1936, foi publicado, no jornal integralista A Offensiva, do Rio de Janeiro, o artigo Nacional-Socialismo e Cristianismo Social, de Plínio Salgado, do qual destacamos o seguinte trecho, que mostra a posição oficial do Integralismo a respeito do chamado nazismo:

No caso da Alemanha, não tenho dúvida (pelo que tenho lido nos livros nazistas, notadamente no livro de Hitler – Minha Luta – e pelo que tenho deduzido das medidas e iniciativas governamentais), que o governo hitlerista está, sem dúvida alguma, infringindo as mais sagradas leis naturais e humanas e dando lugar a que católicos, ciosos do livre arbítrio e da intangibilidade do homem e de sua família, se rebelem contra o Estado. (...) O ascetismo, a mística, (...) a super-humanização do tipo do Fuehrer, a sua divinização ao ponto de o considerarem, os mais exaltados, a encarnação de Odin, exprime um artificialismo político que foge de toda a base e equilíbrio da razão humana. Nós, os integralistas, que somos coisa absolutamente diferente do nazismo e do fascismo, não nos cansamos de dizer que o nosso fundamento é cristão [6].

Isto posto, cumpre ressaltar que não apenas Plínio Salgado, mas todos os principais pensadores integralistas condenaram o racismo nacional-socialista. No artigo Nós e os fascistas da Europa, publicado na edição de abril-maio de 1936 da revista Panorama, de São Paulo, Miguel Reale, logo após deixar claro que o Integralismo não aceitava a tese nazista da superioridade racial, escreveu que

Nós brasileiros devemos nos libertar do jugo do capitalismo financeiro e do agiotarismo internacional, sem que para isso abandonemos os princípios éticos para descambarmos até aos preconceitos racistas. A moral não permite que se distinga entre o agiota judeu e o agiota que diz ser cristão; entre o açambarcador que frequenta a Cúria e o que frequenta a Sinagoga. O combate ao banqueirismo internacional e aos processos indecorosos dos capitalistas sem pátria, justifica-se no plano moral. E quando a pureza da norma ética está conosco, não se compreende bem qual a necessidade de outras justificações, que podem ser de efeito, mas que certamente são discutíveis [7].

Do mesmo modo, Gustavo Barroso, principal doutrinador integralista depois de Plínio Salgado, também condenou duramente o racismo e o totalitarismo e fez diversas críticas ao denominado nazismo, assim como ao fascismo italiano, ressaltando que estes são muito diferentes do Integralismo, cada um deles tendo sua “doutrina própria” e obedecendo “a realidades humanas diferentes, que só os ignorantes ou os de má-fé negam ou escondem” [8].

Como observamos algures [9], os integralistas sempre tiveram plena consciência de que as pretensamente científicas teorias racistas tinham, como já apontara Alberto Torres, “natureza política” [10], não passando de um instrumento das nações economicamente desenvolvidas da Europa e da América do Norte para justificar o domínio dos povos por eles julgados inferiores. Estando, ademais, no dizer de Alberto da Costa e Silva, entre os “mais atentos leitores” do autor de O problema nacional brasileiro e de A organização nacional, não puderam os integralistas deixar de fazer constar de sua agenda “a valorização do mestiço e a dignificação do negro” [11].

Ainda sobre a posição antirracista do Integralismo, cumpre evocar o testemunho de Gilberto Freyre, que, em Uma cultura ameaçada – a luso-brasileira, faz referência ao geógrafo nacional-socialista alemão Reinhard Maack, que, atacando o Integralismo, afirmara, com indignação, que um dos “chefes teuto-brasileiros” da Ação Integralista Brasileira havia proclamado, em discurso proferido na cidade de Blumenau que, “na época de completa fraternização de toda a família brasileira num Estado integral, não haverá mais diferenças de raça e de cor”. No entender de Freyre, tal posição seria “um dos pontos simpáticos e essencialmente brasileiros do programa daquele movimento”, isto é, do Movimento Integralista, enquanto para Maack seria a “heresia das heresias” [12].

É mister salientar que o Integralismo não apenas sempre condenou o racismo, como também sempre teve negros em suas fileiras, contando-se aos milhares os descendentes de africanos que vestiram a camisa-verde da Ação Integralista Brasileira na década de 1930, havendo muitos deles ocupado posições de liderança. Dentre os negros ilustres que militaram no Movimento Integralista, reunindo-se à sombra da bandeira azul e branca do Sigma, podemos destacar, dentre outros, o “Almirante Negro” João Cândido, líder da chamada Revolta da Chibata; o ativista negro, teatrólogo, escritor e artista plástico Abdias do Nascimento; o sociólogo Guerreiro Ramos; o escritor e militante negro Sebastião Rodrigues Alves; o professor de Direito, escritor e membro da Academia Sul-Riograndense de Letras Dario de Bittencourt, que chegou a ser Chefe Provincial da AIB no Rio Grande do Sul, e o jornalista, escritor, advogado, militante negro e professor Ironides Rodrigues, que durante anos assinou uma coluna sobre cinema no jornal integralista A Marcha, dirigido por Gumercindo Rocha Dorea.

Cumpre enfatizar, ademais, que sempre foram excelentes as relações da Ação Integralista Brasileira com a Frente Negra Brasileira (FNB), maior movimento negro da História do Brasil e de toda a América Hispânica, que teve como principal líder Arlindo Veiga dos Santos, também Chefe Geral da Ação Imperial Patrianovista Brasileira (AIPB). O jornal da FNB, intitulado A voz da Raça, chegou, aliás, a ter como epígrafe o lema “Deus, Pátria, Raça e Família”, muito parecido, com efeito, com o lema integralista “Deus, Pátria e Família”.

A Frente Integralista Brasileira, que leva adiante o facho do Integralismo, também tem em suas fileiras vários negros e lançou, aos 13 de maio de 2009, o chamado Manifesto de 13 de Maio, que condena o racismo e assim principia:

O Integralismo, movimento cívico, político, cultural e social alicerçado numa visão integral do Universo e do Homem, luta pela edificação de um Estado Ético e de uma Democracia Orgânica e condena, à luz dos ensinamentos do Evangelho e de pensadores como Alberto Torres, todas as teorias defensoras da superioridade de determinadas etnias sobre outras. Defende, a Doutrina do Sigma, portanto, que o nosso povo é tão capaz quanto qualquer outro e que o Brasil deve se tornar efetivamente uma Democracia Étnica onde brancos, negros, índios, orientais, caboclos, mulatos, cafuzos e demais mestiços vivam em harmonia e em igualdade de deveres e de direitos em face da Sociedade e do Estado.

Os Integralistas, partidários da harmonia social e étnica que somos, rejeitamos tanto a luta de classes quanto a luta de “raças” e fazemos nossas as palavras de Plínio Salgado, criador, Chefe perpétuo e principal doutrinador do Integralismo Brasileiro, quando preleciona que “o problema do mundo é ético e não étnico” [13].

Também houve e há judeus nas hostes do Movimento do Sigma, sendo o mais célebre deles o Dr. Aben Athar Neto, fundador do Centro Oswaldo Spengler e Chefe do Departamento Universitário e depois Secretário Provincial de Propaganda da AIB no Rio de Janeiro. Como fez ver o ilustre diplomata e escritor Rui Ribeiro Couto, célebre autor de Cabocla, O jardim das confidências e Baianinha e outras mulheres e um dos próceres do Integralismo, em entrevista ao Diário de Notícias de Lisboa, os integralistas não admitimos “a menor animosidade contra quaisquer raças” e reconhecemos no “judeu integrado na consciência do país” um “formidável elemento de ação realizadora na formação nacional” [14].

São, pois, absurdas a afirmações de que a FIB se constitui em uma “contrafação de organização nazista” e de que membros seus agridem negros nas ruas, assinando um atestado de profunda ignorância ou de completa má-fé aquele que repeti-las. O mesmo podemos dizer a respeito da afirmação de que integralistas agridem homossexuais, pois condenamos as práticas homossexuais como contrárias à Lei Natural e à Lei Divina e, por conseguinte, à Lei Eterna, de que estas duas formas de Lei são expressões, mas igualmente condenamos qualquer agressão ou discriminação injusta contra qualquer pessoa.

Ressaltamos que nenhum membro da FIB jamais agrediu qualquer jornalista, da mesma forma que sublinhamos que, alicerçados nos ensinamentos de Santo Tomás de Aquino, aceitamos a violência física apenas nos casos de legítima defesa, de guerra justa e de resistência legítima contra governos injustos. Salientamos, ainda, que a FIB não acredita na possibilidade de um impeachment de Dilma Rousseff no atual cenário brasileiro, assim como julga que tal impeachment pouco alteraria a situação do País.

Encerramos estas linhas na esperança de que Laura Capriglione pare de nos atacar por aquilo que não somos e não fazemos, passando a nos atacar, caso deseje, por aquilo que realmente somos e fazemos. Se, mesmo depois de haver lido estas linhas, a referida jornalista nos atacar por aquilo que não somos e não fazemos, estaremos certos de que ela não é intelectualmente honesta, como, aliás, a maioria dos “esquerdistas”, caracterizada, antes de tudo, pela completa desonestidade intelectual.


Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira,
São Paulo, 06 de dezembro de 2014-LXXXII.



Notas:
[1] A verdade sobre o Integralismo, 2ª edição, São Paulo, Edições GRD, 1996.
[2] Trechos de uma carta, In Panorama, Ano I, Nº 4 e 5, São Paulo, abril-maio de 1936, p. 5. Também disponívelem: http://pliniosalgado.blogspot.com/2011/02/trechos-de-uma-carta-plinio-salgado-em.html. Acesso em 01 de dezembro de 2014. Carta originalmente escrita em 24 de abril de 1934.
[3] de Outubro. Disponível em:  http://www.integralismo.org.br/?cont=75. Acesso em 01 de dezembro de 2014.
[4] Trechos de uma carta, cit.
[5] Carta de Natal e fim de ano, O Integralismo perante a Nação, 4ª edição, in Obras completas, 2ª edição, vol. IX, São Paulo, Editora das Américas, 1957, pp. 142-143. A Carta de Natal e fim de ano foi originalmente publicado em 25 de dezembro de 1935 no jornal A Offensiva, do Rio de Janeiro, e a obra O Integralismo perante a Nação foi lançada no ano de 1945.
[6] Apud Jayme Ferreira da SILVA, A verdade sobre o Integralismo, cit., pp. 29-30.
[7]Nós e os fascistas da Europa, in Obras políticas (1ª fase – 1931-1937).Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1983, p. 231-232.
[8] A Sinagoga Paulista, 3ª edição, Rio de Janeiro, Empresa Editora ABC Limitada, 1937, p. 176.
[9] Posição do Integralismo em face do racismo. Disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=219. Acesso em 02 de dezembro de 2014.
[10] O problema nacional brasileiro, 3ª ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, Brasília, INL, 1978, p. 58.
[11] Quem fomos nós no século XX: as grandes interpretações do Brasil, In MOTA, Carlos Guilherme (Org.), Viagem incompleta, A experiência brasileira (1500-2000): a grande transação,São Paulo, Editora SENAC, 2000, pp. 22-23.
[12] Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira, 2ª edição, Rio de Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, 1942, pp. 87-88.
[13] Victor Emanuel Vilela BARBUY, Manifesto de 13 de Maio. Disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=825&ox=4. Acesso em 02 de dezembro de 2014.
[14] In Milton TEIXEIRA, Ribeiro Couto, ainda ausente, São Paulo, Editora do Escritor, 1982, pp. 259-260.


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