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120 anos do Tratado de Amizade Brasil-Japão

Há cento e vinte anos, mais precisamente no dia 05 de novembro de 1895, foi assinado, em Paris, o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Tal tratado estabeleceu relações regulares entre as duas nações, possibilitando a imigração nipônica para o nosso País e um grande intercâmbio entre as duas culturas, que juntas edificaram uma longa, sólida e frutuosa história de interação e integração, que nem mesmo a guerra –que nenhum dos dois povos desejou e que não beneficiou nenhuma das duas nações – foi capaz de destruir.

Celebrando os cento e vinte anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o nosso Império da Terra de Santa Cruz e o Império do Sol Nascente, a Frente Integralista Brasileira homenageia a todos os japoneses e nipo-brasileiros que há mais de cem anos têm contribuído para o desenvolvimento cultural, social e econômico da Nação Brasileira, salientando que, como fez ver Gustavo Barroso, em O Integralismo e o Mundo, o respeito às tradições, à honra nacional e ao Imperador, bem como o acendrado patriotismo e o profundo senso de ordem e disciplina e o espírito de heroísmo e de sacrifício que caracterizam os autênticos japoneses os aproximam muito do Integralismo Brasileiro, tendo a Doutrina do Sigma exercido, na década de 1930, considerável influência sobre diferentes pensadores e movimentos tradicionalistas e nacionalistas nipônicos.[1] Por esta mesma época, no Brasil, muitos foram os japoneses e filhos de japoneses de ambos os sexos, que, amando a Pátria que os acolhera ou em que tinham nascido, vestiram camisas ou blusas verdes e se reuniram a brasileiros de diversas origens à sombra da bandeira azul e branca do Sigma.

Isto posto, faz-se mister sublinhar que muitos foram os integralistas brasileiros que colaboraram na difusão, em nosso País, da literatura, das artes e da cultura japonesa em geral. Dentre estes, podemos destacar o jurisconsulto, professor universitário e poeta Oldegar Franco Vieira, membro da Academia Baiana de Letras e um dos primeiros e maiores haicaístas do Brasil,[2] agraciado pelo Imperador Akihito com a insígnia de Comendador da Ordem do Tesouro Sagrado; o lutador Hélio Gracie, principal difusor do Jiu-jitsu em nosso País e criador do chamado "Jiu-jitsu brasileiro", e o próprio Plínio Salgado, cujo discurso de saudação ao mesmo Akihito, então Príncipe Herdeiro do Japão, e à sua esposa Michiko, atuais imperantes daquele país, proferido na Câmara dos Deputados, em Brasília, na sessão de 23 de maio de 1967, é uma magnífica aula sobre a História do Japão, a literatura e as artes japonesas, a imigração nipônica no Brasil e a cooperação econômica entre o nosso País e o Império do Sol Nascente.[3]

Como salientou Plínio Salgado na aludida homenagem ao então Príncipe Akihito e à sua esposa, o primeiro contato, ainda que indireto, entre o Japão e a nossa Terra de Santa Cruz remonta ao século XVI, quando outro nobre povo, de caráter e temperamento universalistas, a saber, o povo português, levou, ao mesmo tempo, suas naus evangelizadoras ao Império do Sol Nascente e à Terra do Cruzeiro do Sul.[4] Do mesmo modo, ainda como enfatizou Plínio Salgado, o perfeito entrosamento entre os imigrantes japoneses, aqui chegados a partir do ano de 1908, graças ao tratado cujos cento e vinte anos ora celebramos, foi possibilitado por sermos “herdeiros da tradição portuguesa de confraternização dos povos” e do “espírito lusitano de universalidade”, estando, assim, abertos ao acolhimento cordial de todos os povos, irmanando-os “num processo de integração que tem sido o segredo da fusão de todos os sangues numa expressão universal”. Harmonizou-se com tal atitude de espírito, como observou o autor da Vida de Jesus, a atitude de ânimo dos imigrantes nipônicos, aos quais, ainda que remotamente, estamos ligados etnicamente, pela origem dos primeiros habitantes do Brasil,[5] dos quais, aliás, muitos de nós descendemos e que deixaram maiores e mais profundas marcas em nossa cultura do que se costuma pensar.

Antes de concluir este breve texto, julgamos ser oportuno ressaltar que esperamos que a cooperação entre o Brasil e o Japão seja cada vez maior e que o Império do Sol Nascente, assim como o Império da Terra de Santa Cruz, retome o caminho de sua Tradição, de modo que não tenha sido em vão o sacrifício de Yukio Mishima, o último grande samurai, assim como o maior romancista japonês do século 20, que realizou o seppuku a 25 de novembro de 1970, depois de haver assistido ao fracasso de sua revolução restauradora. Isto porque, como prelecionou Plínio Salgado, “cumpre preservar o que há de próprio na personalidade nacional, pois um povo que faz tábula rasa de suas características, de suas peculiaridades, de sua tradição, destrói as energias defensivas do seu organismo e prepara-se – através de um mal-entendido internacionalismo e cosmopolitismo dissolvente – para se tornar escravo daqueles que souberam conservar sua tradicionalidade”.[6]

Encerramos estas linhas com uma paráfrase da magnífica peroração do aludido discurso de Plínio Salgado:[7]

Para nós, brasileiros, o Japão é, de fato, o Império do Sol Nascente, posto que confiamos que dali surja, para a Ásia e demais continentes, o astro do dia anunciado já pela estrela matutina de um ideal nobre e puro.

Enquanto o Japão é o Império do Sol Nascente, este vasto Império do Brasil é o Último Ocidente.

Quando o sol desaparece no horizonte da Terra de Santa Cruz, surge no horizonte nipônico.

Ao nascer, traz-nos a mensagem do Império do Japão; ao se pôr, mergulhando no mar de nossos sertões do Oeste, leva a nossa mensagem ao povo japonês, sendo ambas as mensagens de solidariedade humana, de confraternização das estirpes, de paz na Terra aos homens de boa vontade.

Assim, quando os japoneses estiverem em sua pátria, ao verem o nascer do sol, deverão dizer, lembrando-se de nós: “Ele veio do Brasil.”

Nós aqui, por nossa vez, ao vê-lo surgir ao clarão de nossas incendiadas manhãs tropicais e subtropicais, diremos: “Ele veio do Japão”.

O Último Ocidente saúda o Sol Nascente!

 

 

Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Campos do Jordão (SP), 29 de dezembro de 2015-LXXXIII.


Notas:
[1] O Integralismo e o Mundo, 1ª edição, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1936, pp. 164-165.
[2] Oldegar Vieira publicou três belos livros de haicais, a saber, Folhas de chá (primeira coletânea), Ilustrações de Anita Malfatti, São Paulo, Cadernos da Hora Presente, 1940; Folhas de chá (segunda coletânea), Salvador, [s.n.], 1976, e Gravuras no vento, São Paulo, Massao Ohno, 1994, tendo, ainda, publicado o ensaio O haicai, essencialmente japonês?, Rio de Janeiro, Livraria Editora Cátedra, 1975. Sobre o haicai no Brasil: H. Masuda GOGA, O haicai no Brasil, Tradução de José Yamashiro, São Paulo, Editora Oriento, 1988.
[3] in Discursos parlamentares (Perfis parlamentares 18 – Plínio Salgado), Seleção e introdução de Gumercindo Rocha Dorea, Brasília, Câmara dos Deputados, 1982, pp. 439-452.
[4] Idem, p 439.
[5] Idem, pp. 443-444.
[6] Idem, p. 451.
[7] Idem, pp. 451-452. 


31/12/2015, 11:15:52



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