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O Ser Integralista: A distinção entre Ideologia e Doutrina

“Acima dos regimes, que tudo prometem, existe o próprio Homem, cuja personalidade cumpre preservar, e acima do Homem existe o seu Criador, para cujo seio devemos dirigir os nossos passos na terra, através de tão curta passagem por este mundo”. (Plínio Salgado).

Repetidas vezes, e com razão, fora afirmado por nós integralistas que o Integralismo não é uma ideologia tal como tantas outras, mas uma doutrina. É verdadeiramente um abismo que separa a ideologia de uma doutrina legítima sobretudo quando se considera o homem como Indivíduo (aquele que não pode ser dividido) enquanto ser dentre outros seres.

Para entender esta diferença é preciso ter em consideração a distinção de doutrina e da ideologia. A ideologia em seu aspecto fundamental passa a de certa forma ter independência dos sujeitos a que se refere no sentido de que é um conjunto de ideias que é criado por homens, evidentemente, mas cuja aplicação pouco depende do que o Homem (com a primeira letra maiúscula) seja de fato. Nisto se entende sendo a verdadeira distinção do Integralismo a qualquer Ideologia; o homem pode ser definível enquanto ente material, homem subsumido no gênero animal, porém indefinível em seu aspecto espiritual, uma vez que o homem é uma centelha do Ser Absoluto -como bem lembra Gustavo Barroso na obra O Espírito do Século XX.

A ideologia pelo contrário tem pouco sentido da realidade do que é o homem, porque, na ideologia, o homem é mero meio para que se concretizem fins. Ideologia é, segundo o nome dado por Destutt de Tracy, um estudo das ideias a que julgava emanadas por sensações, embora os marxistas a utilizem para significar os variados sistemas, como filosófico, ético, religioso, e que, segundo eles, compreende a superestrutura de um sistema político, que é função da infra-estrutura. Sendo esta infra-estrutura de caráter material ou econômico, o homem, bem como seu pensamento, é produto desta última. Mas, segundo o sentido dos marxistas, e é nisso que eu quero me ater, a ideologia tem fins alheios aos homens, ou seja, os homens são meros instrumentos para que haja a concretização de objetivos ou a manutenção de determinados estados de coisas muitas vezes não claros e implícitos na ideologia. A doutrina, por outro lado, possui sua origem no latim, no verbo docio, que significa ensinar, instruir, apontar, educar; e que dá origem à palavra doctrina e, por conseguinte, à palavra educatio, o que originará a palavra educação de nossa língua. Segundo a sua significação, doctrina é lhe atribuído o sentido de educação, sistema de conduta. É, com efeito, no sentido da prática que a doutrina se difere substancialmente da ideologia. À Ideologia se adere, isto é, se torna desta ou daquela ideologia; a doutrina antes de tudo se pratica e se toma consciência de seus preceitos; a ideologia pode existir sem a prática; a doutrina é indissociável da prática e por conseguinte dos ajustes do comportamento que ela exige; a partir do momento que pára de se praticar, passa-se a não ir de acordo com a doutrina e perde-se, com efeito, todo o sentido da doutrina. Pode se matar o próximo injustificadamente, trair e bater na esposa, difamar o amigo que não se deixará de ser comunista ou liberal; não se deixa de ir de acordo com as duas ideologias; mas fazendo isto deixa-se de ser integralista.

Outro aspecto que caracteriza fortemente a doutrina é que ela tende a ser fundacionalista, ou seja, há ideias bases que sustentam todo o corpo doutrinário. Assim sendo, das ideias bases se seguem ideias derivadas. Exemplos são os dogmas base da Igreja Católica, dos quais se segue todo o corpo da doutrina; um exemplo dessas crenças bases é que Cristo é o filho Unigênito e Salvador da Humanidade e é Deus o criador de todo o Universo; seguindo destes dogmas a noção de Salvação, por exemplo. Quanto ao protestantismo, por exemplo, tem como fundamento a Bíblia, sendo ela a única fonte da doutrina protestante e por conseguinte a salvação sendo possível através da graça concedida pela fé. Poder-se-ia elencar mais exemplos, entretanto não me alongarei demasiado neste ponto para não divagarmos demasiadamente. Mas basta lembrar que a base da doutrina Integralista se dá sobretudo com a concepção de Deus, da Pátria e da Família. A ideologia muitas vezes, ou todas as vezes, tem como objetivo mascarar a realidade. Ou, como entendido pelo filósofo francês Paul Ricouer, ligando os traços comuns da ideologia à utopia:

Cada um um tem um lado positivo e um negativo, um papel constitutivo e um destrutivo, uma dimensão constitutiva e outra patológica. Um segundo traço comum é que, dos dois lados, o patológico apararece antes do constitutivo, o que nos leva a andar para trás da superfície para as profundezas. A ideologia designa então, inicialmente, alguns processos dissimulatórios, distorcidos, pelos quais um indivíduo ou um grupo expressa a sua situação, mas sem o saber ou sem o reconhecer. (RICOUER, Paul. Ideologia e Utopia. pág. 66, 1986.)

Com efeito, para mascarar a realidade não fisicamente (pintar a realidade com outra forma, o que seria impossível) é necessário que esse mascaramento seja no campo das ideias, por isso ideologia. Se assemelha em certo sentido a uma esquizofrênia. O que pouco se liga à noção de educação, de apontar, do latim docio.

Neste sentido, terminando este pequeno artigo eu ratifico o que os integralistas já sabem: o Integralismo é uma doutrina, possui concepções metafísicas. Ser um Homem Integral significa compreender o peso da existência e sua responsabilidade perante os outros que o rodeiam.

Com efeito, o Integralismo, e esta é sua maior distinção quanto às ideologias, não possui o Homem como meio para nada a não ser Deus, o Ser Absoluto ao qual cada um deve buscar. Diz-se Homem, Mulher, Indivíduo no Integralismo com a primeira letra maiúscula..

Rafael Sandoval
Coordenador da Região Centro-Oeste e Presidente da FIB-DF

* Texto originalmente publicado em: Ação! N° 2, 2011. Pág. 3 - Suplemento Distrito Federal.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SANTOS, Mario Ferreira dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. São Paulo: Matese, 1962
RICOUER, Paul. Ideologia e Utopia. Lisboa: Edições 70, 1986.
BARROSO, Gustavo. Espírito do Século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936.


11/04/2011, 16:26:32



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