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Prefácio à obra Integralismo: Tradição, moralidade e política em solo nacional

Celebrando os oitenta e seis anos do Manifesto de Outubro, de Plínio Salgado e do surgimento oficial do Integralismo e da Ação Integralista Brasileira (AIB), postamos o texto revisto do prefácio de Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira (FIB) à obra IntegralismoTradição, moralidade e política em solo nacional, de Daniel Branco, publicada neste ano de 2018 pela editora Prismas, de Curitiba-PR.

 

Prefácio

 

Já se contam às várias centenas os trabalhos acadêmicos sobre o Integralismo, escritos de norte a sul do Brasil, o que, com efeito, demonstra a importância histórica do Movimento Integralista, que continua vivo e atuante e foi, na década de 1930, o primeiro “movimento de massas” do País e o maior movimento cívico-político-cultural tradicionalista e nacionalista de toda a América Hispânica. Poucos dentre tais trabalhos, porém, podem ser qualificados de inteiramente honestos do ponto de vista intelectual, uma vez que a esmagadora maioria deles está impregnada, em maior ou menor medida, por um injusto preconceito ideológico, que procura denegrir a Doutrina e a História do  Movimento do Sigma, lançando sobre este um manto de injúrias e calúnias.

Integralismo: Tradição, moralidade e política em solo brasileiro, de Daniel Branco, é, sem dúvida alguma, um dos raros trabalhos acadêmicos a respeito do Integralismo que não estão sequer um pouco impregnados pelo preconceito ideológico, buscando nada dizer além da verdade sobre este grande movimento cívico-político-cultural essencialmente cristão e brasileiro, oficialmente nascido a 7 de outubro de 1932, com o lançamento do Manifesto de Outubro, de Plínio Salgado.

Havendo recebido de Daniel Branco o convite para prefaciar este trabalho, convite que muito nos desvanece, assinalamos, antes de tudo, que tivemos o primeiro contato mais aprofundado com o Integralismo por volta dos quinze anos de idade, quando lemos as memórias de dois dos maiores juristas patrícios, que haviam vestido, nos anos 30, a camisa-verde integralista e que permaneciam fiéis à maior parte dos princípios da Doutrina do Sigma: Miguel Reale e Goffredo Telles Junior.

As palavras elogiosas dos dois aludidos jurisconsultos brasileiros à obra literária e política de Plínio Salgado e ao Integralismo nos levaram a ler os romances e as obras religiosas do tão grande quanto injustamente olvidado autor de O estrangeiro, de A voz do Oeste,da Vida de Jesus e de tantas outras joias da Literatura Pátria, e, em seguida, as obras políticas deste e de outros doutrinadores do Integralismo, como Gustavo Barroso, Tasso da Silveira e o próprio Miguel Reale. Lendo tais obras, verificamos que Plínio Salgado foi e é um dos maiores escritores e pensadores cristãos do Brasil e de todo o Mundo Lusíada e que o Integralismo possui uma doutrina sólida e fecunda, o que explica, com efeito, o fato de este haver reunido, na década de 1930, muitas das mais fulgurantes estrelas da constelação da intelectualidade pátria, formando, nas palavras de Gerardo Mello Mourão, o “mais fascinante grupo da inteligência do País”.[1]

No mesmo sentido do que acabamos de afirmar, observou Miguel Reale que o Integralismo reuniu, na década de 1930, “o que havia de mais fino na intelectualidade” patrícia,[2] e Acacio Vaz de Lima Filho ponderou que o Movimento do Sigma reuniu, no aludido decênio, “o que havia de mais belo na juventude brasileira em termos de ideal”, assim como “a fina flor da intelectualidade nacional”, intelectualidade esta que, rompendo com a tradição de servil imitação dos modelos estrangeiros, voltou-se “para o Brasil, e para as mais profundas raízes da brasilidade”.[3]

Neste mesmo diapasão, Roberto Campos, ao falar, em suas memórias, de San Tiago Dantas, evocou “o surpreendente fascínio que o Integralismo exerceu em sua geração, particularmente sobre a parte mais intelectualizada”,[4] e Pedro Calmon, na biografia de seu pai, Miguel Calmon, escreveu que a plêiade de intelectuais reunida pelo Integralismo “poderia lotar uma Academia, em vez de ocupar uma trincheira”.[5] Aliás, devemos dizer que Pedro Calmon se equivocou, posto que a plêiade de intelectuais reunida, na década de 1930, em torno da bandeira azul e branca do Sigma, e que bem podemos denominar a falange ou a legião dos “homens de mil” do Integralismo, daria para lotar não apenas uma, mas diversas academias.

Dentre os diversos intelectuais de escol que pertenceram, nos idos da década de 1930, ao Movimento Integralista, compondo, no dizer de Gumercindo Rocha Dorea, uma “formidável plêiade de homens, cujos nomes se projetavam em todos os campos da atividade e do saber”,[6] podemos destacar, dentre outros, além de Plínio Salgado, Gustavo Barroso, Miguel Reale, Tasso da Silveira, Rui Ribeiro Couto, Luís da Câmara Cascudo, Gerardo Mello Mourão, o Conde de Afonso Celso, Jorge Lacerda, Goffredo Telles Junior, Ignacio da Silva Telles, José Loureiro Júnior, Alfredo Buzaid, Álvaro Lins, José Lins do Rego, Adonias Filho, Augusto Frederico Schmidt, Dantas Mota, Catulo da Paixão Cearense, Francisco Karam, Vinícius de Moraes, Américo Jacobina Lacombe, Raymundo Padilha, Francisco Luiz de Almeida Salles, Everardo Backheuser, San Tiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Vicente Chermont de Miranda, Gilson Amado, Lúcio José dos Santos, Alcibíades Delamare, Francisco Teive de Almeida Magalhães, Herbert Parentes Fortes, Madeira de Freitas, Belisário Penna, Hélio Vianna, Othon Gama D’Eça, Ítalo Galli, Adib Casseb, Mansueto Bernardi, Roland Corbisier, Ovídio da Cunha, Alberto Cotrim Neto, J. G. de Araújo Jorge, D. Antônio de Almeida Moraes Júnior, Judas Isgorogota (pseudônimo de Agnelo Rodrigues de Mello), Rubem Nogueira, Gladstone Chaves de Melo, Oldegar Vieira, Carvalho Filho, D. Odilão Moura, René Penna Chaves, Mário Marroquim, Ernani Silva Bruno, João Carlos Fairbanks, Miguel Seabra Fagundes, Pedro Lafayette, Francisco Galvão de Castro, Rodolfo Josetti, Olbiano de Mello, Isaías Alves, Jacinto de Figueiredo, D. Hélder Câmara, Félix Contreiras Rodrigues, Nestor Contreiras Rodrigues, Anor Butler Maciel, Dario de Bittencourt, Olympio Mourão Filho, Paulo Edmur de Souza Queiroz, Manuel Sobrinho, Antônio Pompêo, Alberto Lamego Filho, Padre Ponciano dos Santos, Fernando de Oliveira Motta, Rui de Arruda Camargo, Paulo Fleming, Nóbrega de Siqueira, Genésio Pereira Filho, Clarival do Prado Valladares, Rocha Vaz, Oswaldo Teixeira, Augusto Duque, Ulisses Paranhos, Arthur Machado Paupério, o Comandante Victor Pujol, Maurício Joppert, Djalma Cavalcanti, Renato da Rocha Miranda, Eurípedes Cardoso de Menezes, Custódio de Viveiros, José Mayrink, Mário Ypiranga Monteiro, Brasil Pinheiro Machado, Marcus Sandoval, Roberto Simonsen, Manoel Rodrigues de Mello, Afonso de Carvalho, Eulálio Motta, Laurindo Gomes Maciel, Rômulo Almeida, Abdias do Nascimento, Sebastião Rodrigues Alves, José Osvaldo de Meira Penna, João Ribeiro de Barros, Newton Braga, João Cândido, Paulo Zingg, Francisco de Assis Arruda Furtado, Ângelo Simões de Arruda, Antônio de Toledo Piza, Alpínolo Lopes Casali, Damiano Gullo, o Almirante Hasselmann, o Contra-Almirante Serejo, Guido Mondin, Wolfram Metzler, Andrade Lima Filho, José Carlos Dias, Plínio Doyle, Renato Mesquita, José Guiomard, Ubirajara Índio do Ceará e, segundo alguns, Olegário Mariano, Jônatas Serrano, Oliveira Vianna, Vicente do Rego Monteiro e o Padre Leonel Franca, todos estes últimos, no mínimo, grandes admiradores do Integralismo. Este movimento teve como simpatizantes, ainda, intelectuais da estirpe de Azevedo Amaral, Francisco Campos, Vicente Rao, Octavio de Faria, Lúcio Cardoso, padres Emílio Silva de Castro e Júlio Maria de Lombaerde, Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima), Osvaldo Aranha, Cândido Motta Filho, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Monteiro Lobato, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Andrade Muricy, Arlindo Veiga dos Santos, o Conde Sebastião Pagano, José Carlos de Ataliba Nogueira, José Carlos de Macedo Soares, Manoel Lubambo, Guilherme Auler e dezenas de outros.

Ao lado dos nomes dos grandes homens de pensamento e de ação que fizeram parte da Ação Integralista Brasileira, nela constituindo o mais importante núcleo de reflexão da realidade e dos problemas brasileiros de toda a História Pátria, devem ser evocados os nomes das grandes mulheres que pertenceram às coortes do Sigma, como Rosalina Coelho Lisboa, Margarida Corbisier, Maria Amélia Salgado Loureiro, Carmela Patti Salgado e Nilza Peres.

Às centenas de homens e mulheres de mil que o Integralismo reuniu nos anos 30, juntaram-se, nas décadas seguintes, novos intelectuais e homens de ação de valor, atraídos, ainda na mocidade, pelas doutrinas políticas de Plínio Salgado, a exemplo de Gumercindo Rocha Dorea, Augusta Garcia Rocha Dorea, Hélio Rocha, Euro Brandão, Aníbal Teixeira, Ronaldo Moreira, Dídimo Paiva, Alberto Hoffmann, Antônio Pires, Umberto Pergher, Hugo Hammes, José Baptista de Carvalho, Dario Alves, Ivan Luz, Walter Povoleri, Ironides Rodrigues, Adolfo Vasconcelos Noronha, Ítalo Dal Mas, Alfredo Leite, Acacio Vaz de Lima FIlho, Cláudio de Cicco, Ronaldo Poletti, Carmen Pinheiro Dias, Gaspar Brígido, Nertan Macedo, Antônio de Pádua Ramos e Rufino Levi de Ávila, sem mencionar Ubiratan Borges de Macedo, Ignácio de Loyola Brandão, Mário Chamie e Marco Maciel, que pertenceram, na juventude, como muitos dos anteriormente mencionados, à Confederação dos Centros Culturais da Juventude (CCCJ), movimento de orientação integralista que tinha Plínio Salgado como Presidente de Honra e também ficou conhecido como Movimento “Águia Branca”. No mesmo período, alguns importantes intelectuais que não haviam pertencido à Ação Integralista Brasileira nos anos 30 se aproximaram do Movimento e deste participaram, em maior ou menor medida, como foi o caso de Heraldo Barbuy e dos já aqui mencionados Conde Sebastião Pagano, Padre Emílio Silva de Castro e José Carlos de Ataliba Nogueira.

Assim,  o Integralismo, admirável escola de civismo, de patriotismo, de tradicionalismo e do mais sadio e construtivo nacionalismo ou, nas palavras de Madeira de Freitas, “escola de civismo, de brasilidade e fé".[7] reunindo, no decênio de 1930, a mais fina flor da intelectualidade brasileira, se constituiu, na expressão do Embaixador José Osvaldo de Meira Penna, no “movimento de ideias mais criativo da década dos 30, desmentindo a assertiva de Oswaldo Aranha de que era então o Brasil um deserto de homens e de ideias”.[8]

Em sua obra O humanista, Mario Vieira de Mello observou que Plínio Salgado recrutou, entre as “figuras mais talentosas da juventude estudiosa” brasileira dos anos 30, os elementos necessários para formar o Movimento Integralista,[9] afirmando, pouco adiante, que, em sua mocidade, vira no Integralismo “um esforço, como não havia sido feito até então, de levantamento das energias nacionais para que se pudesse, enfim, apresentar à nação um projeto que merecesse o empenho, o sacrifício e a devoção de todos os brasileiros”.[10]

Fazendo-se presente de norte a sul do País, como bem frisou Daniel Branco em seu relevante ensaio, o Integralismo não atraiu para suas fileiras apenas grandes homens de pensamento e de ação, mas também centenas de milhares de brasileiros humildes. Neste sentido, em sua obra O Integralismo na vida brasileira, primeiro volume da Enciclopédia do Integralismo, organizada por ele e por Gumercindo Rocha Dorea em fins da década de 1950, Plínio Salgado fez ressaltar que o Integralismo realizou “a maior obra cívica do Brasil”,[11] havendo mobilizado desde “o homem do sertão até os numerosos e legítimos expoentes da cultura nacional”[12] e tendo soprado “a brasa do patriotismo aparentemente adormecido do povo brasileiro, acendendo um clarão como de outro não há notícia na nossa Pátria”.[13] Ainda como sublinhou Plínio Salgado, o Integralismo

Ensinou o povo a cantar o Hino Nacional (que raríssimas pessoas sabiam); levou multidões a aplaudir freneticamente os desfiles do Exército e da Marinha (que então, como hoje, passavam nas ocasiões das paradas, em meio ao silêncio de reduzidos espectadores frios e apenas curiosos); promoveu o culto das datas históricas e dos heróis do nosso Passado Nacional, realizando comemorações imponentes, como as de Caxias, de Carlos Gomes, de Tamandaré, de Couto de Magalhães, de Pedro II, que foram memoráveis; abriu cerca de 3.000 escolas de alfabetização para adultos e cerca de mil lactários para a infância; organizou bibliotecas e fez dar cursos de História do Brasil, Geografia, Instrução Moral e Cívica, Economia Política, elementos de Direito Público e de Filosofia; fundou milhares de ambulatórios médicos e cooperou na obra de recuperação física da nossa gente; realizou exposições e concertos e cursos de Cultura Artística, um dos quais foi notabilíssimo, no salão da Escola Nacional de Belas Artes; e – o que mais importava! – arregimentou a infância e a adolescência, incutindo-lhes entusiasmo pelos nobres ideais, formando-lhes os corações segundo a doutrina do Evangelho, incendiando-as num surto de patriotismo como nem antes nem depois se viu algo de semelhante.[14]

O Movimento do Sigma, ainda nas palavras do autor de O Integralismo na vida brasileira,

fez escola de austeridade e de firmeza de princípios, de altruísmo e abnegação, de idealismo construtor, de amor ardente pela Pátria, de sacrifício por ela. Uma escola de disciplina e de ordem, de simplicidade e de modéstia, de preocupação pela coisa pública, de apostolado pela regeneração dos costumes. Uma escola que tinha por base a revolução interior, a transformação do próprio Homem pelo domínio de si mesmo, na luta contra os baixos instintos que perseguem o Ser Humano como consequência da culpa original. Uma escola de vigilância constante na defesa das bases fundamentais da vida brasileira: a Religião, a Pátria, a Família.[15]

Como frisou D. Odilão Moura, nas páginas da obra Ideias católicas no Brasil, “nacionalista, tradicionalista (...), o integralismo”, cujas teses não contrariam a Doutrina Católica, propugna “por um Estado de estrutura corporativa e municipalista (...), visando a um regime de justiça social para o povo” e foi, assim como ainda é, um movimento, antes de tudo, educativo, que, na década de 1930, conseguiu dar a “grande parte da juventude brasileira (...) um ideal elevado, despertou uma grande preocupação pelos problemas e tradições brasileiros, indicou uma direção política visando mais às ideias que à eleição dos candidatos, desviou do comunismo aqueles que desejavam uma ação política de reivindicações sociais”.[16]

  Ainda conforme ressaltou Dom Odilão Moura, o Integralismo, cujos adeptos sacrificavam os interesses particulares em prol da “redenção do Brasil”, onde deveria surgir “uma nova civilização cristã e ordeira”, atraiu centenas de milhares de católicos por sua “posição espiritualista”, pela valorização que sempre deu “às nossas tradições cristãs”, pela aceitação dos princípios da Doutrina Social da Igreja e “pelo combate tenaz ao comunismo”, e era, no Brasil dos anos 30 do século passado, no entender do religioso beneditino e pensador tomista, “o único movimento político não comunista que apresentava um programa de uma reforma social mais ampla e fundamentada em ideias”, donde grande parte da mocidade nele haver encontrado a “concretização de um ideal construtivo”. Assim, inúmeros “bispos, sacerdotes, instituições religiosas, intelectuais e universitários católicos” apoiaram o Integralismo ou mesmo “ingressaram nas suas fileiras” e graças, em larga medida, a eles, o Movimento do Sigma – sem dúvida alguma o movimento cívico-político que mais apoio recebeu, em todo o Mundo, de autoridades da Igreja e de vultos do laicato católico[17] – “cresceu enormemente, sendo raro o recanto brasileiro onde não houvesse uma sede da AIB, propagando as ideias do movimento, alfabetizando, prestando assistência social”.[18]

Consoante sublinhou D. Odilão Moura, o gigantesco crescimento que teve o Integralismo, em curto espaço de tempo, deveu-se, antes e acima de tudo, à pena e aos discursos de Plínio Salgado, “homem inteligente, autodidata, bom escritor e jornalista” e brilhante orador, que “sabia (...) usar dos recursos oratórios como ninguém”.[19]

A relação de proximidade existente entre a Igreja e o Integralismo, nos anos 30, bem resumida por D. Odilão Moura na obra há pouco citada, foi também tratada por Daniel Branco no ensaio que estamos prefaciando, em que destacou principalmente as boas relações mantidas entre ambos no Ceará, boas relações cuja intensidade pode ser medida pela eleição dos integralistas Ubirajara Índio do Ceará e Carlos Benevides à Assembleia Legislativa daquele Estado pela Liga Eleitoral Católica (LEC).

Como fez ver Daniel Branco, no notável ensaio que ora temos a honra de prefaciar, o Integralismo é um movimento essencialmente brasileiro, que não se confunde com nenhum dos grandes movimentos nacionalistas europeus das primeiras décadas do século 20 e que sempre afirmou os ideais de Fé e de Brasilidade, tendo como pontos doutrinários principais os seguintes: Afirmação da existência de Deus e da alma imortal da pessoa humana; Concepção Integral do Universo e do ente humano; Patriotismo; Nacionalismo Integral, justo, equilibrado e edificador, apoiado na Tradição e tendente ao Universalismo, que não pode ser confundido com o internacionalismo liberal ou comunista; defesa da Família, cellula mater da Sociedade, e do Município, cellula mater da Nação; respeito à Tradição Nacional; combate sem quartel ao comunismo e ao liberal-capitalismo internacional; guerra sem tréguas ao cosmopolitismo e ao espírito burguês; garantia da Propriedade justa, cujo uso se condiciona aos deveres do proprietário para com o Bem Comum; sustentação da Harmonia e da Justiça Social; restauração dos princípios de Autoridade, Hierarquia, Ordem e Disciplina; pugna contra o racismo e em prol da valorização do nosso povo e das nossas tradições, bem como dos pensadores e escritores nacionais; luta pela construção de uma Democracia Orgânica e de um Estado Ético Orgânico Integral Cristão, instrumento da Nação, do Homem e do Bem Comum.

O Integralismo, cujo lema é “Deus, Pátria e Família” e que, nas palavras do Padre Júlio Maria de Lombaerde, em sua doutrina, sua finalidade e em sua organização, é bom e merece o apoio de todos que têm amor a sua Pátria e ao Progresso",[20] longe de estar ultrapassado, possui uma impressionante atualidade, como poderão constatar todos aqueles que o estudarem com honestidade. A propósito, se, ao saudar Plínio Salgado, por ocasião de uma conferência que este realizou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 3 de agosto de 1953, o Professor Heraldo Barbuy, examinando a obra do conferencista como escritor, pensador e homem de ação, observou que a Doutrina Pliniana se tornara, então, mais do que nunca, necessária por firmar os verdadeiros conceitos do Homem, da Sociedade e do Estado,[21] na hora que passa, ainda muito mais do que no ano de 1953, é necessária, em nosso sentir, a Doutrina Pliniana para o Brasil e para todo o Mundo.

Tratando do Integralismo, Fernando Whitaker da Cunha observou que a Doutrina Integralista merece ser estudada “pela seriedade de suas premissas e de seus propósitos”; pelo fato de ter engendrado “o primeiro movimento partidário de repercussões nacionais” desde a implantação da República; por pretender “um Direito Público em moldes brasileiros”; por “censurar vaidades estadualistas em benefício da pátria global e, acima de tudo, por pregar um Estado Ético fundado na moral cristã, na dignidade do homem e no culto de Deus, da Nação e da Família”.[22]

Discorrendo a respeito do pensamento e da obra de Plínio Salgado, a quem se referiu como o “profeta incandescente e sublime de seu povo”, a “encarnação viva do Brasil melhor”[23] e o “descobridor bandeirante das essências de sua pátria”,[24] Francisco Elías de Tejada y Spínola salientou que, com os defeitos que toda obra humana possui, e era Plínio um ente humano, “a sua obra aparece majestática” pelo muito “que tem de coerente, pela lógica interna que anima o seu sistema” e, sobretudo, “pela magnitude do pensamento que sabe elaborar uma teoria da Tradição brasileira com traços de granítico castelo, destinado a suscitar adesões para quem queira em tempos vindouros conhecer a substância do Brasil”.[25]

Como sublinhou Daniel Branco, ao concluir o trabalho que ora prefaciamos, o Integralismo é amado por uns e odiado por outros, sendo estes últimos, em regra, pelo que temos visto, completos desconhecedores daquilo que o Integralismo realmente é. Do mesmo modo, conforme ponderou o Prof. Acacio Vaz de Lima Filho, no magnífico prefácio que fez à obra “Existe um pensamento político brasileiro?” Existe, sim, Raymundo Faoro: o Integralismo!, organizada por Gumercindo Rocha Dorea, o Integralismo pode, sem dúvida, ser combatido, mas jamais ignorado e subestimado.[26] Esperamos haver demonstrado isto no presente prefácio e estamos certos de que Daniel Artur Branco o fez nas páginas que seguem, páginas estas que demonstram que o Ceará de nossos dias não é um deserto de homens e de ideias.

Aqui concluímos estas linhas. Que o leitor aprecie honestamente o honesto trabalho do autor deste livro e nele perceba toda a importância e atualidade do Integralismo.

 

Victor Emanuel Vilela Barbuy, São Paulo, 25 de setembro de 2017.

 

 


Notas:

 [1] Entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Disponível em:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=414001. Acesso em 25 de setembro de 2017.

 [2] Entrevista concedida ao Jornal da USP. Disponível em: http://espacoculturalmiguelreale.blogspot.com/2007/08/entrevista-concedida-pelo-prof-reale-ao.html. Acesso em 25 de setembro de 2017.

 [3] Prefácio, in Gumercindo Rocha DOREA (Organizador), “Existe um pensamento político brasileiro?” Existe, sim, Raymundo Faoro: o Integralismo!: uma nova geração analisa e interpreta o Manifesto de Outubro de 1932 de Plínio Salgado, São Paulo, Edições GRD, 2015,  p. XVI.

 [4] A lanterna na popa, Rio de Janeiro, Topbooks, 1994, p. 843.

 [5] Miguel Calmon – uma grande vida, Prefácio de Afonso Arinos de Melo Franco, Rio de Janeiro, José Olympio Editora; Brasília, INL, 1983, p. 170.

 [6] Plínio Salgado e a estirpe de Aretino, in Enciclopédia do Integralismo, volume VIII (Estudos e depoimentos), Rio de Janeiro, Edições GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d, p. 150.

 [7] O Movimento do Sigma, in Enciclopédia do Integralismo, volume II (Estudos e depoimentos), Rio de Janeiro, Edições GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d, p. 172.

 [8] Plínio Salgado e o Integralismo, in VV.AA., Plínio Salgado: “In memoriam”, volume I, São Paulo, Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985, p. 176.

 [9] O humanista: A ordem na alma do indivíduo e na sociedade, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Topbooks, 1996, p. 87.

 [10] Idem, p. 92.

 [11] O Integralismo na vida brasileira, in Enciclopédia do Integralismo, volume I, Rio de Janeiro, Edições GRD/Livraria Clássica Brasileira, s/d, p. 37.

 [12] Idem, p. 7.

 [13] Idem, p. 37.

 [14] Idem, pp. 37-38.

 [15] Idem, p. 38.

[16] Idéias católicas no Brasil, São Paulo, Convívio, 1978, pp. 99-100.

 [17] Alguns dos muitos elogios de arcebispos e bispos brasileiros ao Integralismo e a Plínio Salgado foram publicados na edição do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro,de 11 de novembro de 1937 e transcritos por Plínio Salgado na obra O Integralismo perante a Nação (O Integralismo perante a Nação, 4º edição, in Obras Completas, vol. 9, 2ª edição, São Paulo: Editora das Américas, 1957, pp. 209-214).

 [18] Idem, p. 98.

 [19] Idem, p. 99.

 [20] O Luctador, 20 de setembro de 1937.

 [21][21] Cf. A MARCHA, Plínio Salgado falou aos estudantes da Universidade Católica de São Paulo, in A Marcha, ano I, n. 26, 14 de agosto de 1953, p. 1.

 


07/10/2018, 16:51:39



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