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Celso Marcondes Ferreira, in memoriam*

Faleceu, aos oitenta e três anos de idade, no dia 3 de dezembro de 2016, na cidade de Ubatuba, no litoral paulista, o escritor e ferroviário aposentado jordanense Celso Marcondes Ferreira.

Como bem notou Benilson Toniolo,[1] atual Presidente da Academia de Letras de Campos do Jordão, instituição em que Celso Marcondes Ferreira ocupava, desde o ano de 2008, a cadeira de número 17, cujo patrono é Plínio Salgado, ao longo de sua laboriosa vida, Celso Marcondes Ferreira, infatigável cultor e defensor da História de sua terra natal, não mediu esforços para preservar a maior quantidade possível de registros históricos da chamada Suíça Brasileira, Montanha Magnífica e Joia da Mantiqueira. Ainda consoante observou o autor de Poemas jordanenses e de Canoeiro (Benilson Toniolo), o acervo de registros  históricos reunido, ao longo de décadas, por Celso Marcondes Ferreira e por este doado à Secretaria Municipal de Cultura de Campos do Jordão se constitui num “precioso e indispensável acervo” para aqueles que amam a História da Montanha Magnífica e lutam pela sua preservação.[2]

Além de incansável e destemido defensor da História dos Campos do Jordão, foi Celso Marcondes Ferreira um igualmente incansável e destemido defensor das matas de araucárias da Serra da Mantiqueira em geral e do seu burgo natal em particular e da Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ). Esta, aliás, talvez ainda exista graças sobretudo a ele, que, em 1980, liderou uma comissão de ferroviários junto ao Governo do Estado de São Paulo, opondo-se à intenção de setores deste de fechar a referida Estrada de Ferro, tendo afirmado, em carta publicada a 25 de março daquele ano no jornal O Estado de São Paulo, da Capital Paulista, que a intenção do Governo parecia ser a de fechar a Ferrovia “por ‘meios indiretos’, sem maiores preocupações com os servidores mais idosos”.[3]

Escritor inspirado, Celso Marcondes Ferreira publicou o livro Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifolia e diversas crônicas no Jornal da Montanha, de Campos do Jordão, e deixou inéditos muitos contos realistas e regionalistas, além de um livro sobre a História da Estrada de Ferro Campos do Jordão e da obra Campos do Jordão dia a dia, que contém os já aqui mencionados registros históricos da Terra Jordanense por ele reunidos ao longo da vida.

Filho de Benedicto Leôncio Ferreira e de Enoêmia Marcondes Ferreira, Celso Marcondes Ferreira nasceu aos 4 dias do mês de agosto do ano de 1933, numa humilde casa de madeira, no local em que hoje se encontra a Colônia de Férias dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo,  em Vila Capivari, nos Campos de Jordão, que eram ainda então ainda um distrito do Município de São Bento do Sapucaí.[4] Como observou o escritor e acadêmico jordanense na breve autobiografia não assinada que escreveu na terceira pessoa do singular e que consta da mais recente edição de sua já aqui mencionada obra Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifolia, veio ele ao Mundo, pois, nestas magníficas montanhas, encravadas no alto da Serra da Mantiqueira, quando ainda ecoava pelas sombras dos seus perfumosos pinheirais o eco dos derradeiros tiros da Revolução Constitucionalista de 1932.[5]

Segundo filho de uma prole de oito, cujo primeiro filho falecera pouco depois do nascimento, nasceu Celso Marcondes Ferreira no seio de uma família pobre, mas temente a Deus e, em suas palavras, “nobre de sentimentos e amor”. Ao nascer, pelas mãos da parteira Laurinda da Matta, na pequenina casa de madeira da Vila Capivari, erguida no meio dos pinheirais, naquele ora já longínquo ano de 1933, o então futuro escritor montanhês foi desenganado pelos médicos, mas, como observou ele,[6] quis Deus que continuasse vivo, nestes altos, frios e brumosos píncaros da Terra Jordanense, no coração da Mantiqueira.

Aos sete anos de idade, Celso Marcondes Ferreira aprendeu a escrever no Grupo Escolar Domingos Jaguaribe, em Vila Jaguaribe, em Campos do Jordão. Três anos mais tarde, ainda estudante, teve que principiar a trabalhar a fim de ajudar a família, carregando cestas no Mercado Municipal por alguns trocados e engraxando sapatos pelas pacatas e bucólicas ruas de seu lindo burgo montanhês.

Mais tarde, passou a trabalhar na Casa Ferraz, de propriedade do Sr. Clementino de Oliveira, onde realizou diferentes serviços, e depois no estúdio e laboratório fotográfico Foto Abernéssia, de Manoel Luiz Ferreira, e, em seguida, no Foto Capivari, de Jair Antunes de Lemos, tendo aprendido, nestes dois últimos empregos, o ofício de fotógrafo, que exerceu por algum tempo na Força Aérea Brasileira (FAB), havendo sido depois arquivista e protocolista no Ministério da Aeronáutica. Na juventude, exerceu, ainda, ofícios como aqueles de pintor de paredes, pedreiro, lavador de carros, cumim, garçom e vendedor de cestas natalinas e de seguros de automóveis.

Posteriormente, tornou-se ferroviário, trabalhando por longos anos na Estrada de Ferro Campos do Jordão, onde exerceu os cargos de Portador, Chefe do Armazém de Cargas, Agente de Estação, Chefe de Estação, Chefe do Teleférico, em cuja construção trabalhou e que, inaugurado em 1970, é o mais antigo teleférico com cadeirinhas do Brasil, e, por fim, o cargo de Chefe dos Serviços de Turismo. Aposentado da EFCJ neste último cargo, foi mais tarde funcionário da Prefeitura de Campos do Jordão.

Celso Marcondes Ferreira foi, ademais, Presidente da União dos Ferroviários de Campos do Jordão, fundador e proprietário da malharia Regina’s Malhas, cujo nome foi dado em homenagem a todas as suas filhas, que têm Regina como segundo nome, e fundador da Associação dos Malharistas e do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Campos do Jordão e do Teatro Amador Jordanense, que presidiu por muitos anos e no qual atuou em diversas peças. E foi, ainda, Comissário de Menores por mais de dez anos e o primeiro “Pai Alberguista” do Brasil, tendo fundado, em Campos do Jordão, o Albergue Internacional da Juventude “Elis Regina” e, mais tarde, em Ubatuba, cidade em que viveu os últimos anos de sua peregrinação terrena, o Albergue Internacional da Juventude “Cora Coralina”. E, por fim, foi o autor de Pinha Pinhão Pinheiro também compositor, havendo escrito diversas músicas carnavalescas, muitas das quais premiadas em diferentes festivais.

Preocupado com o Bem Comum, Celso Marcondes Ferreira candidatou-se a vereador em Campos do Jordão por quatro vezes, não tendo sido, porém, eleito.

Casado com D. Maria Aparecida Iocci Ferreira, já falecida, nosso saudoso homenageado deixou filhos, netos e bisnetos.

Como assinalou Pedro Paulo Filho, mais importante historiador dos Campos do Jordão e um dos mais inspirados poetas da Joia da Mantiqueira, também chamada de Jardim do Brasil, na obra A Montanha Magnífica (memória sentimental de Campos do Jordão), na década de 1990, por intermédio da Academia de Letras de Campos do Jordão, e, mais especialmente, graças ao auxílio do poeta e acadêmico Walter Dalla Déa, veio à luz, em edição distribuída gratuitamente, o já aqui por mais de uma vez mencionado livro Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifolia, de Celso Marcondes Ferreira.[7]

 Em 2005, Celso Marcondes Ferreira, o “escritor do pinhão”, no dizer de Pedro Paulo Filho,[8] deu à estampa, pela Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), a primeira edição comercial de seu livro, reeditado em 2007, pela JAC Editora, de São José dos Campos. É esta última edição, que conta com prefácio de Pedro Paulo Filho, apresentação de Arakaki Masakazu e “orelhas” de Alexandre Gonçalves da Silva e Shisuto José Murayama, aquela que possuímos e que ora temos em mãos.

Conforme sublinhou Pedro Paulo Filho, em seu breve porém significativo prefácio à mais recente edição de Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifolia, “este precioso livro de Celso Marcondes Ferreira, já em terceira edição, enriquece o patrimônio cultural e ecológico de Campos do Jordão”.[9] Aliás, devemos dizer que esta pequena grande obra enriquece não apenas o patrimônio cultural e ecológico da bela cidade montanhesa em que nasceu o nosso saudoso homenageado, mas de toda a Serra da Mantiqueira, todo o Vale do Paraíba, toda a Província de São Paulo e todo o vasto Império da Terra de Santa Cruz/Brasil.

Em Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifolia, Celso Marcondes Ferreira, maior defensor dos pinheiros de suas montanhas natais, discorreu sobre a araucária, que é também conhecida como “pinheiro brasileiro” e é, aliás, a árvore símbolo de Campos do Jordão, e também sobre o fruto desta, o pinhão, e o valor nutritivo deste, trazendo diversas receitas de quitutes doces e salgados de pinhão, muitas das quais elaboradas por sua esposa, Maria Aparecida Iocci Ferreira. Discorreu o nosso saudoso homenageado, ainda, em sua obra, sobre a tradicional Festa do Pinhão de Campos de Jordão e sobre a Lenda da Gralha-Azul,[10] semeadora de araucárias, e transcreveu alguns belos poemas dos inspirados poetas jordanenses Pedro Paulo Filho[11] e Iracema Abrantes, que falam sobre pinheiros, pinheirais, pinhas, pinhões e gralhas-azuis.

No ano de 2008, o autor de Pinha Pinhão Pinheiro, admirador da fecunda obra literária de Plínio Salgado, “esse injustiçado”, na expressão de Pedro Paulo Filho,[12] tomou posse da cadeira 17 da Academia de Letras de Campos do Jordão, cujo patrono é, como ressaltamos há pouco, o autor de Vida Jesus, O estrangeiro e A voz do Oeste e mais ilustre filho de São Bento do Sapucaí (Plínio Salgado), cidade mater de Campos do Jordão.

Encerramos esta singela homenagem póstuma a Celso Marcondes Ferreira rogando a Deus que acolha numa das moradas de Seu Reino Celeste este nobre filho da Magnífica Montanha dos Pinheirais, Joia da Mantiqueira e Jardim do Brasil.

 

Victor Emanuel Vilela Barbuy,

Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira,

Campos do Jordão, 29 de janeiro de 2017-LXXXIV.

 

 

*O presente artigo deve ser publicado na próxima edição do jornal O Lince, de Aparecida-SP.

 

 

NOTAS: 

[1] Nota de pesar pelo falecimento do acadêmico Celso Marcondes Ferreira. Disponível em: http://academiadeletrasdecamposdojordao.blogspot.com.br/2016/12/nota-de-pesar-pelo-falecimento-do.html. Acesso em 9 de janeiro de 2017.

 [2] Idem.

 [3] Sobre isso, vide: Pedro PAULO FILHO, História da Estrada de Ferro Campos do Jordão: Uma escalada para a vida, São Paulo, Noovha América, 2007, pp. 151-153.

 [4] O Município de Campos do Jordão foi criado a 16 de junho de 1934.

 [5] Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifolia, 2ª edição (na verdade 3ª), São José dos Campos-SP, JAC Editora, 2007, página não numerada.

 [6] Idem, loc. cit.

 [7] A Montanha Magnífica (memória sentimental de Campos do Jordão), volume II, São Paulo, O Recado Editora Ltda., 1997, p. 63.

 [8] Idem, loc. cit.

 [9] Prefácio, in Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifolia, cit., página não numerada.

 [10] Segundo a referida lenda, numa madrugada, pouco antes do nascer do sol, uma gralha, que ainda se encontrava acomodada no galho da araucária em que dormira, principiou a ouvir as fortes e agudas batidas do machado de um lenhador e o surdo gemido do pinheiro que lhe servia de morada e que o lenhador, pouco a pouco, derrubava. A cada violenta machadada desferida sobre o pinheiro amigo, sentia a gralha um doloroso golpe no fundo do coração, até que, num momento de desespero, não sendo mais capaz de suportar tamanha dor e agonia, partiu a gralha num voo vertical; e subiu, subiu, subiu muito além das nuvens que flutuavam nos céus, a fim de não mais ouvir os estertores da araucária amiga, seu refúgio, sua morada, seu lar.

Lá nos altos céus a que subiu, ouviu a gralha uma voz cheia de ternura, que dizia: “ainda bem que as aves se revoltaram com as dores alheias”.

A gralha continuou subindo, como que à procura daquela voz luminosa, que agora assim dizia: “Não suba mais, avezinha bondosa; volta, vai novamente para os pinheirais. De hoje em diante, eu te vestirei de azul, da cor deste céu. Serás a partir de hoje a minha ajudante, vais plantar pinheirais até que o homem veja neles o símbolo da fraternidade, pois, como Cristo, estão sempre com braços abertos, acolhendo a todos que os procuram. Ao comer o fruto da pinheira, tira-lhe primeiramente a cabeça para depois, a bicadas, abrir-lhe a casca. Porém não te esqueças de, antes de terminar o teu repasto, enterrar o restante dos pinhões, com a ponta para cima, para que, sem cabeça, não apodreça, destruindo o pinheirinho que ali nascerá. Assim, os pinheirinhos irão nascendo, e neles nascerão as pinhas, e das pinhas nascerá o pinhão e não faltará alimento para teu sustento.”

Em seguida, afirmou a Voz que o pinhão alegraria as festas dos homens bons e maus e que ainda tinha esperança de que os entes humanos um dia se convenceriam a não mais destruir os pinheirais, “que têm sempre seus galhos abertos, repetindo as auras que embalam no seu convite eterno: Venham a mim todos...”

Então a gralha, que já havia atingido incalculável altura, voltou seus olhos para si mesma, ficando surpresa ao ver que suas penas tinham se tornado de fato azuis. Com efeito, apenas a cabeça da gralha, que ela não podia enxergar, continuou negra, tendo todo o restante de suas penas a cor celeste.

Ao ver em suas penas refletida a cor daquele céu azul translúcido, voltou célere a gralha, agora azul, para os seus amados pinheirais, a fim de cumprir sua missão de semear araucárias. (Cf. Celso Marcondes FERREIRA, Pinha Pinhão Pinheiro: Araucaria angustifólia, pp. 101-102).

 [11] Pedro Paulo Filho foi e é um jordanense de Pindamonhangaba, assim como Washington Luís foi e é um paulista de Macaé.

 [12] Plínio Salgado, esse injustiçado, in Gumercindo Rocha DOREA (Organizador e apresentador), São Bento do Sapucaí, São Paulo, Espaço Cultural Plínio Salgado, 1994.complete aqui com as informações a mostrar


27/02/2017, 15:39:30



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