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Diário Nacional

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Democracia em Cristo

DEMOCRACIA EM CRISTO: Prolegômenos da Teoria de Estado de Plínio Salgado

 

 

Breno Henrique (Graduando em Medicina na Universidade de Pernambuco – UPE); Matheus Batista (Presidente da Frente Integralista Brasileira em Ipatinga, MG).

 

 

 

O Integralismo, propugnam os teóricos da Doutrina do Sigma, ergue-se sob a égide de Cristo. Se toda teoria política tem um sujeito, como afirma o pensador russo Aleksandr Dugin*, é certo que o do Integralismo é um só sujeito – o verbo que se fez carne. Ao contrário do que se pode imaginar, não é o “homem novo” de São Paulo, retornado no “homem integral” de Plínio Salgado, o sujeito político ao redor e a partir do qual estabelecer-se-ia o regime integral no Brasil. Por isso, a doutrina que mobilizou homens do vulto de Miguel Reale, João Cândido e Gerardo Mello Mourão se coloca no horizonte político e filosófico muito além da posição vulgarmente imposta de “fascista”. O Integralismo se assenta “​em Deus e sua inspiração nos ensinamentos do Evangelho”.[1] É o que descreve Plínio Salgado, quando diz: “Porque o Estado Integral, essencialmente, é para mim o Estado que vem de Cristo, inspira-se em Cristo, age por Cristo e vai para Cristo. O Estado Integral (...) é o Brasil forte, respeitado, poderoso, civilizado, justo, sábio, heroico e belo, com o pensamento erguido para o alto, para o Cristo, princípio e fim de todos os caminhos humanos”.

Propomo-nos a inaugurar, por meio deste artigo, uma série de escritos que analisem a vasta formulação teórica de Plínio Salgado. O Chefe perpétuo dos integralistas, antes de ser um político, era um cristão; por conseguinte, liberto em Cristo e amante da verdade. Esses artigos, no entanto, propõem-se a discorrer acerca do Estado Integral e da Democracia Cristã no sentido integralista e, portanto, tradicional. Mas não há como versar sobre tal assunto sem que se estabeleçam antes, de forma clara, os princípios espiritualistas que norteiam a construção política do Integralismo. Conforme sublinha Plínio Salgado, “​democracia, considerada como autodeterminação dos povos, sem prefixação de princípios e de regras de conduta, é regime que atenta contra os direitos humanos, porque desarma o Estado em face de todos os erros e loucuras.”Ele aponta, ainda, acertadamente que as normatividades que regem as ações só podem ser informadas e, dessarte, existentes mediante um conceito do Universo e do Homem que se aceitou como verdadeiro. Não há senão dois paradigmas fundamentais: o materialismo e o espiritualismo - segundo o célebre líder da AIB, mesmo o idealismo hegeliano poderia ser compreendido como uma variante materialista.[2] Independente do grau de adesão, de apreço ou de influência que se possa ter pelas ideias de Plínio Salgado, sintetizadas sob a égide do Sigma, não importando a posição em que se encontre no espectro político, não há como desconsiderar o sólido relevo dos ideias plinianos no entendimento da realidade social e espiritual de nosso povo.

A princípio, é natural que se questione o que fará o Integralismo enquanto governo, o que realizará enquanto projeto de Estado. Esse, todavia, não é o ponto de partida para os integralistas. Visto que é almejado “​construir a sociedade sob a dependência da realidade absoluta, primordial, que é Deus”,[3] não há outro caminho, senão examinar as escrituras, a fim de que elas assegurem osprincípios que devem reger o poder público. Se o evangelho chegou para tocar os homens e não os reinos, é porque primeiro vêm os homens, filhos de Deus, feitos à imagem e semelhança, e, depois, os Estados e as instituições de poder. Assim, ergue-se sob os homens novos, entregues a Cristo, um Estado novo, em que estejam reordenadas prioridades e finalidades do aparelho estatal. 

Ainda que o reino de Cristo não seja o desse mundo, os seus filhos aqui estão. Estando a condição humana “​abatida por toda glória e arrogância”,[4] o homem e seus frágeis reinos se entregam à guerra, ao ódio, ao massacre, à perseguição desenfreada entre irmãos. Dessarte, conforme anota Plínio Salgado, propõe-se o Integralismo a seguir no caminho oposto:

Temos criado uma situação de unidade comocional e de identidade de interesses que exige, como base à solução dos problemas particulares, a definição de um conceito geral de finalidade humana capaz de informar noções precisas de direitos e deveres individuais e nacionais. É a base única sobre a qual se pode erigir o edifício de uma ordem nova adequada às circunstâncias dos tempos modernos. Ou adotamos uma concepção segura do Universo e das leis a que está subordinado, assim como do homem e do seu papel no mundo da matéria e no mundo do Espírito, ou então nada faremos de definitivo como construção de ordem e de paz.[5]

Congregando, conforme a própria natureza, expressão de Nosso Senhor, em famílias, comunidades, igrejas e associações de ofício, os homens não poderiam ser concebidos como partículas independentes dos grupos naturais. Se sequer os átomos podem compor harmonicamente a realidade sozinhos, requerendo interações interatômicas e intermoleculares, como poderia o homem edificar um próspero arranjo social apartado dos grupos naturais que primeiramente o definem? Poderia um regicida burguês erguer algo além de um raso devaneio?

Não é muito difícil para o mais leigo observador compreender o triunfo da alternativa liberal através do processo histórico consolidado no fim do século passado com o colapso da União Soviética, a supressão das guerrilhas e movimentos populares nacionais e a vitória da Revolução Sexual. As trincheiras se desfizeram: uns seguiram a correnteza, como troncos, e outros optaram pela consciência revolucionária e antiburguesa, sofrendo toda sorte de ataques e difamações por parte dos aparelhos de dominação do Estado burguês. Assim como não foram chocantes à sensibilidade hegemônica os ataques bárbaros à liberdade e ao Dr. Victor Barbuy na USP, não será por vias de diálogo parlamentar, dentro das lógicas da dinâmica hodierna, que se poderá consolidar uma alternativa nacionalista e popular de mundo.[6] Malgrado ter o liberalismo se consolidado como campo indispensável para a possibilidade da ação humana, renunciando a seu caráter político e de possibilidade do ser num horizonte ontológico, ainda é possível elaborar sistemas e doutrinas bem consolidadas no sentido da construção de uma verdadeira democracia, analisando o prisma histórico e social em conformidade com a identidade nacional. Se para Aleksandr Dugin, analisando a conjuntura abordada, é preciso “Rechaçar as teorias políticas clássicas, tanto as derrotadas como as triunfantes, demonstrar imaginação, compreender as realidades do novo mundo global, decifrar corretamente os desafios do mundo pós-moderno e criar algo novo”,[7] a propositura da QuartaHumanidade atende a esses requisitos e, por isso, muito além de um saudosismo vazio das trincheiras verdes dos mártires Nicola Rosica e Juvenal Falcão, os movimentos e núcleos integralistas disseminados ao longo do vasto território brasileiro parecem se consolidar como uma busca de construção de uma alternativa político-doutrinária ao liberalismo e ao socialismo em suas faces econômicas, sociais e individuais. Plínio vislumbrou primeiro a supressão de cada gesto aburguesado nos costumes do povo: era preciso “exterminar” o espírito burguês. Toda formulação teórica constrói uma régua a partir da qual possa compreender o mundo que o cerca; com o integralismo brasileiro não foi diferente, emprega-se a tudo e a todos a reta do “espírito nobre”,[8] contraponto ao burguês. Na democracia cristã e orgânica, por fim, o desmonte do espírito burguês acarretaria o sepulcro dos vícios liberais que impedem a real expressão da vontade de um povo.

É   evidente que, no avanço atual das ideias coletivas, parte do que Alberto Buela denomina megacategorias de dominação, é incompreensível que num regime dito democrático se tenha “Cristo” como sujeito e, ainda, que se tornem os valores cristãos em valores do povo e do Estado. No entanto, sem Deus os homens se entregariam a toda sorte de paixões. Como já apontou Farias Brito:

Se se trata de um povo sem crenças, de um povo sem ideias, de um povo sem convicções, rebanho de escravos que se deixa dominar por um déspota, neste caso a convicção que aparece, a convicção que se impõe e domina, e que por isto mesmo deve ser considerada como convicção comum, é em verdade a convicção do déspota. Depois o déspota nem sempre se impõe pela força. É ordinariamente um homem de valor, que dispõe de poderosos elementos na coletividade, que se impõe por suas ideias e por sua energia, cujas opiniões são acatadas, em cuja palavra se tem fé; que domina, portanto, nas consciências. É a sua vontade que, de fato, se traduz em lei; mas a sua vontade representa, em todo caso, uma convicção comum. É só assim que o despotismo se estabelece naturalmente, e é só assim que pode ser durável.[9]

Nada mais cabe concluir, senão que o homem precede a sociedade, mas a família e Deus o procedem. A seu modo, o desenvolvimento do Integralismo Brasileiro compreendeu a democracia cristã como indispensavelmente atrelada à orgânica. Fiquemos com as palavras de Plinio Salgado acerca da compreensão integral da Sociedade e do Universo: “​a concepção do Estado e da Sociedade está diretamente ligada à concepção do próprio Universo. É da ideia do Cosmos que deriva o senso das finalidades humanas. É do sentido das finalidades humanas que procede o pensamento da organização social que decorre a orientação política, com influência, por sua vez, na Sociedade e no Estado.”

 

 *O fato de os autores do presente artigo citarem Aleksandr Dugin não implica em sua adesão ao pensamento gnóstico deste.

 


[1] SALGADO, Plínio. O Conceito Cristão da Democracia (1945). Edições Estudos. p. 6.

 

[2] Idem. Ibidem.

 

[3] SALGADO, Plínio. Diretrizes Integralistas (1933). O Integralismo perante a Nação (1950).

 

[4] CALVINO, João. A Instituição da Religião Cristã (2007). São Paulo: Ed. Unesp. p. 225.

 

[5] SALGADO, Plínio. Idem (1945). p. 19.

 

[6] BARBUY, Victor E. V. Já passamos e seguiremos passando. http://integralismo.org.br/?cont=781&ox=423#.Wi67m9-nHIU

 

[7] DUGIN, Aleksandr. A Quarta Teoria Política: ser ou não ser? Trad. Breno Costa. 2015.

 

[8] BARBUY, Victor. Espírito burguês e espírito nobre. 2012.

 

[9] BRITO, Farias. A Verdade como Regra das Ações: livraria do Senado. 2005.

 

 

 


16/01/2018, 01:04:11



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