A verdade sobre Plínio Salgado e a \'Vida de Jesus\' (em resposta a Orlando Fedeli) Prezado Sr. Fedeli,
Salve Maria!
Fiquei estarrecido com a pequenez e a virulência de seus ataques à obra “Vida de Jesus” e a seu autor, Plínio Salgado, ataques estes que só demonstram o quanto o Sr. é preconceituoso e ignorante em relação ao livro que o Pe. Leonel Franca chamou de “jóia de uma literatura”, assim como em relação ao Integralismo Brasileiro e seu fundador.
Até pouquíssimo tempo atrás, julgava eu que eram “os esquerdistas de todos os naipes”, como diria o saudoso e inolvidável Prof. Miguel Reale, os únicos detratores do autor de “Primeiro, Cristo!” e de “O Espírito da Burguesia”. Recentemente, entretanto, tenho visto pessoas que, do mesmo modo que o Sr., nada têm de “esquerdistas”, repetindo vetustas e absurdas calúnias contra Plínio Salgado e sua obra, ao mesmo tempo em que vejo notórios “esquerdistas” a fazer-lhes justiça. É o caso, por exemplo, de Plínio de Arruda Sampaio, que recentemente observou, em entrevista que se encontra transcrita na página “Bombordo”, que “ele [Plínio Salgado] era um escritor fantástico. Eu tinha divergências políticas e teóricas com ele, mas o respeitava muito. O mais incrível é a força desse nome: Plínio Salgado morreu há mais de 30 anos e ainda confundem meu nome com o dele.”
Não sou teólogo. Sou apenas um jovem estudante de Direito e de História que prefere concordar com Juscelino Kubitschek, para quem “Vida de Jesus” inscreveu Plínio entre “as maiores expressões da cristologia”, ou com o Senador Marco Maciel, autor do prefácio da 22ª edição do livro que foi considerado, por tradicionalistas portugueses da mais alta estirpe, um “Quinto Evangelho”, do que com o Sr., um obscuro professor de História que demonstra entender pouquíssimo desta matéria.
Prefiro ficar com o “Osservatore Romano”, com o Cardeal Cerejeira, com bispos como D. Manuel Trindade Salgueiro, com padres como Leonel Franca, Moreira das Neves e Domenico Mondrone, com pensadores tradicionalistas do quilate de um Francisco Elías de Tejada, de um João Ameal, de um Fernando de Aguiar, um Alberto de Monsaraz, dentre tantos outros diante dos quais o Sr. não passa de uma pulga, ou, na melhor das hipóteses, uma formiga.
Veja só o que dizia o Cardeal Cerejeira sobre esta obra-prima da literatura universal: “Falando da ‘Vida de Jesus’, queria confessar que é a mais bela de quantas tenho lido. Tão difícil de escrever, a ‘Vida de Jesus’ de Plínio Salgado é, de fato, a vida de Jesus feita com a inteligência, com a alma e com o coração todo.” Estaria acaso o egrégio Patriarca de Lisboa errado?
Sugiro-lhe a leitura de “Plínio Salgado na Tradição do Brasil”, texto de autoria de ninguém menos que Francisco Elías de Tejada y Spínola que se encontra transcrito na íntegra no segundo volume da obra “Plínio Salgado: ‘In Memoriam’”. Ali o grande tradicionalista espanhol faz justiça a Plínio Salgado, que, para ele, compreendeu a Tradição brasileira como nenhum outro antes de sua pessoa, sendo digno de comparar-se a ele apenas José Pedro Galvão de Sousa.
O Sr. não leu “A Quarta Humanidade”, ou, se leu, nada compreendeu deste livro. A Quarta Humanidade não seria a integração das três humanidades anteriores, mas sim sua Síntese.
Prefiro acreditar que seus ataques ao Integralismo sejam fruto de ignorância e não de má fé, ou de desonestidade intelectual. Se eu estiver errado, espero sinceramente que se arrependa e aprenda, com o marxista Chasin, autor do clássico “O Integralismo de Plínio Salgado”, a pelo menos condenar Plínio Salgado e o Integralismo Brasileiro por aquilo que verdadeiramente são, levando em conta as inúmeras críticas do primeiro ao fascismo italiano e, sobretudo, ao nazismo e as profundas diferenças existentes entre estes últimos e a Doutrina do Sigma, diferenças estas que Salgado sempre sublinhou, mesmo nos tempos do auge do esplendor fascista e nazista.
Você afirma que Plínio Salgado era nazista. Ora, como pode ser nazista o primeiro homem público deste País a condenar o nacional-socialismo, primeiramente em seus artigos e depois na “Carta de Natal e Fim de Ano”, de 1935, como bem sublinharam Hélio Rocha, em “Integralismo não é totalitarismo”, de 1950, e, mais recentemente, o insuspeitíssimo Prof. Olavo de Carvalho?
E como pode ser nazista o movimento cívico-político oficialmente lançado com o chamado Manifesto de Outubro, onde Plínio Salgado condenava o racismo, observando que “os brasileiros das cidades” se envergonhavam do “caboclo e do negro de nossa terra” e viviam a cobrir o povo brasileiro “de baldões e de ironias, a amesquinhar as raças de que proviemos”? Como pode ser nazista o primeiro movimento cívico-político a ter em suas fileiras - inclusive em posições de liderança – negros que se contam aos milhares e incluem personagens como João Cândido, Abdias do Nascimento, Sebastião Rodrigues Alves e Ironides Rodrigues, para não falar do apoio de Arlindo Veiga dos Santos e da Frente Negra Brasileira? Como pode ser nazista um movimento cívico-político que teve, ainda, em suas fileiras, vários judeus – inclusive ortodoxos, como bem salientou, em entrevista recente, o poeta Gerardo Mello Mourão -, como Aben-Atar Neto, Roberto Simonsen, Adam Steinberg e Lans Grinover? Como pode ser nazista um movimento cívico-político cujas bases repousam nos ensinamentos perenes do Evangelho, na Doutrina Social da Igreja, no pensamento de Alberto Torres, Farias Brito, Jackson de Figueiredo, Euclides da Cunha, Pandiá Calógeras, Tavares Bastos e outros de igual valor, e nas poesias de um Gonçalves Dias, de um Castro Alves, de um Olavo Bilac? Como pode ser nazista um movimento que opõe ao Estado Totalitário de inspiração hegeliana o Estado Ético e à ditadura, a Democracia Integral?
Bem, falava eu de sua ignorância no que tange ao Integralismo. Pois ela é tão abissal que o Sr., respondendo, se não me engano, ao Dr. Rômulo, discorreu a respeito do Integralismo Brasileiro e de Plínio Salgado, quando a pergunta era
sobre o Integralismo Lusitano, reproduzindo o verbete da “Wikipedia” sobre este movimento tradicionalista e monárquico fundado por António Sardinha.
Termino esta carta com as palavras de Francisco Elías de Tejada no texto já citado a respeito de Plínio Salgado:
“Plinio Salgado, mal se trocavam idéias com ele, aparecia como o profeta incandescente e sublime de seu povo, como a encarnação viva do Brasil melhor. Daí que a sua figura seja inolvidável e me permaneça na memória com a graça de haver conhecido em sua pessoa um dos homens mais geniais com quem em minha vida haja eu deparado. Quem visse Plinio Salgado uma só vez que fosse, não poderia esquecê-lo nunca mais.”
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