Hoje, dia 19 de abril de 2020, comemoram-se os 372 anos do Exército Brasileiro, uma das armas que asseguram a defesa, a honra e a soberania de nossa pátria. São 372 anos de História, de Tradição, de valores e de sacrifícios dedicados à Terra de Santa Cruz. 

Embora o Exército Brasileiro só tenha surgido oficialmente com a independência do Brasil, em 1822, mobilizações de brasileiros para a defesa de nossa terra surgiram ainda nos chamados tempos coloniais. Tivemos o resultado da mais importante de tais mobilizações em 19 de abril de 1648, quando pela primeira vez houve a união do povo brasileiro (índios, negros e brancos) contra tropas estrangeiras que queriam dominar parte de nosso território. Era a nossa primeira batalha unidos, unidos em um só espírito, em um só ideal de preservar a soberania de nossa Nação. Era a Batalha de Guararapes. O inimigo holandês dispunha de 4.500 homens, sob o comando do mercenário alemão Sigismundt von Schkoppe, e as nossas forças dispunham de um efetivo bastante inferior de 2.200 homens, que, sob o comando do Mestre-de-Campo-General Francisco Barreto, aguardavam o inimigo nos Montes Guararapes, no caminho para Muribeca (cidade de importância estratégica). Era óbvio que estávamos em desvantagem numérica, porém, em manobra estratégica, o comandante das tropas luso-brasileiras cortou a passagem naquele local, em memorável e histórica batalha que ficaria imortalizada como a primeira batalha em que houve a genuína união das raças que deram origem ao Brasil, em defesa da nacionalidade. Na manhã daquele dia de 1648, avistava-se a vanguarda do inimigo e, entre as 9 e 10 horas daquela manhã, trava-se a batalha. André Vidal, comandante de uma das companhias, ataca bravamente o inimigo com sua espada. Sem dar ouvidos ao brado dos inimigos e ao ribombar dos canhões holandeses, em seu ataque silencia e toma-lhes de assalto a artilharia holandesa. A outra companhia, sob o comando de Henrique Dias, recua em um dos flancos. Com isso, André Vidal, vendo o entusiasmo das tropas inimigas em razão do revés desse flanco das tropas luso-brasileiras, prepara nova investida, desta vez mais forte que a anterior. Depois de uma pequena pausa na batalha, reagrupam-se as forças luso-brasileiras e reacende o combate com triplicada bravura de nossos soldados. Von Schkoppe, frente ao revés que sofreu durante a batalha, foi obrigado a se retirar com baixas de 500 mortos e inúmeros feridos, tendo sido baixíssimas as perdas luso-brasileiras. 

Em princípios de 1649, o novo comandante holandês, Coronel Brinck, com os mesmos objetivos do comandante anterior, decidiu tentar ocupar a passagem de Guararapes. Com novos reforços e provisões, o exército holandês, com exatos 3.510 homens e 6 canhões, acampou nos Guararapes. Nossas forças também receberam reforços, porém continuávamos com o efetivo bastante inferior se comparado ao inimigo. Eram exatos 2.600 homens, ainda sob o comando de Francisco Barreto e apoio de João Fernandes Vieira, Henrique Dias e André Vidal de Negreiros, com o acréscimo de tropas comandadas pelo Mestre-de-Campo Francisco de Figueiroa. Pela tarde do dia 18 de fevereiro chegam as nossas tropas à vista do acampamento holandês e, em nova manobra estratégica, fingem se estabelecer em frente das posições inimigas, mas à noite contornam a colina e acampam na posição sul dos holandeses, assim flanqueando o inimigo e o atacando pela retaguarda ao amanhecer do dia 19. Os batavos percebem a manobra e, totalmente desorientados, iniciam sua retirada. O comandante de nossas tropas, Francisco Barreto, ordena a perseguição ao inimigo e o combate trava-se duramente na várzea, nas elevações e boqueirões vizinhos a Guararapes. A vitória das forças luso-brasileiras foi total em razão da grande habilidade tática e estratégica do comandante Barreto e dos demais oficiais. Graças à estratégia e ao espírito guerreiro e ofensivo dos nossos soldados, saímos vitoriosos dessa grande batalha. 

Contudo, ainda não havia um exército homogêneo. Em linhas gerais, o Exército Brasileiro teve origem na reorganização do exército português, levada à frente em 1762 pelo Conde de Lippe e outros oficiais alemães, contratados a mando de D. José I por determinação do Marquês de Pombal. O Conde de Lippe é tido como o primeiro regulador do exército português e criou para este um modelo de regulamento de disciplina, instruções de serviço e um direito militar. Os regulamentos do Conde de Lippe foram logo em seguida introduzidos no Brasil e receberam leves modificações em 1895, encontrando-se até hoje alguns dos seus dispositivos em vigor em nosso Exército. Assim, seguiu-se a formação do Exército Brasileiro, composto em sua maioria por luso-brasileiros e militares estrangeiros contratados pelo Reino de Portugal. 

O Exército Brasileiro surgiu formalmente durante a chamada Guerra da Independência, em que deixamos de ser parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves para sermos plenamente um Estado-nação, um Império, Império este se ombrearia aos outros grandes impérios. Esse recém-formado Exército iria combater a resistência portuguesa nas regiões Norte e Nordeste e no extremo Sul, na Província Cisplatina (atualmente, Uruguai), evitando a fragmentação do território nacional e assim afirmando a unidade da Pátria. Para que o nosso nascente Império do Brasil se sustentasse com seus próprios pés e firmasse sua unidade e soberania central, foram necessárias várias missões de pacificação em diversas regiões do País. Nasceu nesse período de revoltas, muitas delas movidas pelo putrefato ideal separatista, o militar brasileiro que iria se tornar o patrono do Exército Brasileiro. Nascia ali, naquele contexto, “O Pacificador”, o lendário Marechal Duque de Caxias, militar que já havia prestado relevantes serviços ao recém-nascido Império do Brasil e já tinha manifestado lealdade a D. Pedro I e ao referido Império. Seria ele o homem que iria suprimir com sua espada, sedições como a Balaiada, as Revoltas Liberais e a Revolução Farroupilha. 

A solidificação de um Exército autenticamente brasileiro surgiu com a pressão das guerras e pequenos conflitos externos na região do Prata, como a Guerra da Cisplatina, as missões de pacificação no Uruguai e na Argentina e, principalmente, a Guerra do Paraguai. Gradativamente, o Exército se libertou do concurso de oficiais estrangeiros, para o aperfeiçoamento dos seus próprios integrantes nacionais. Foi nesse período que surgiram verdadeiras lendas da história militar brasileira, como o Tenente-Coronel João Carlos de Villagran Cabrita, Patrono da Engenharia Militar; o Brigadeiro Antônio Sampaio, brilhantíssimo militar cearense, Patrono da Infantaria; o Marechal-de-Campo Manuel Luís Osório, Patrono da Cavalaria; o Tenente-Coronel Emílio Luís Mallet, Patrono da Artilharia, e por último e já citado, o Marechal-de-Exército Luís Alves de Lima e Silva, mais conhecido como Duque de Caxias, Patrono do Exército Brasileiro. 

A Guerra do Paraguai é, com razão, tida como a nossa grande guerra. Nela lutaram dezenas de milhares de homens tanto do Exército quanto da Marinha (nossos soldados do mar), tombaram, em defesa da honra nacional, 50 mil militares e inúmeros outros se tornaram inválidos. A guerra, que se tornou o maior conflito bélico da América do Sul, começou com a ganância de um ditador, um homem que visava a construir um grande império paraguaio ao custo de invasões e saques de terras vizinhas. Suas ideias de império expansionista, que fariam o território paraguaio se expandir por algum tempo, o fizeram depois regredir em tamanho e alguns efeitos daquele conflito são até hoje sentidos pelo sofrido povo paraguaio, que teve que pagar um preço caríssimo pelas aventuras de um ditador inconsequente. 

Francisco Solano López queria expandir seu império, invadindo os territórios argentinos de Corrientes e Entre Rios, o Uruguai, o Rio Grande do Sul e o Mato Grosso, desta forma tendo total soberania na região do Prata. Nossa Nação foi ferida covardemente, sem declaração alguma de guerra, em 11 de novembro de 1864, com o aprisionamento do vapor brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que, aliás, morreu em uma prisão paraguaia. Seis semanas depois, nova agressão! Sob as ordens de López, o exército paraguaio invade a Província de Mato Grosso. Com uma força de 5 mil homens em 10 navios, os paraguaios sobem o Rio Paraguai e, em fins de dezembro de 1864, atacam o Forte de Nova Coimbra. A guarnição deste forte, que tinha apenas 155 homens, comandados pelo Tenente-Coronel Hermenegildo de Albuquerque, resiste heroicamente por três dias, descarregando todas as suas munições sobre o inimigo. Por fim, sem munições, a pequena e valente guarnição é obrigada a deixar o forte em uma retirada na qual não se perde um só homem. Quando as forças paraguaias entram na fortaleza, ela já estava abandonada. Em seguida, ao longo dos primeiros meses do ano de 1865, as tropas paraguaias espalham verdadeiro caos pelas cidades e vilas próximas, praticando saques, cruéis assassinatos, estupros, incêndios de propriedades, etc. Mais tarde, as tropas paraguaias invadiriam também parte do Rio Grande do Sul, tomando São Borja em junho daquele ano e Uruguaiana em agosto.

Diante desta situação, D. Pedro II toma as primeiras reações contra tais agressões covardes. A partir deste ponto da guerra, o Exército Brasileiro precisa passar por importantes evoluções em seus contingentes e material bélico. Ainda antes de recuperarmos as cidades que tinham sido ocupadas pelo inimigo, veio, em 25 de maio de 1865, em Corrientes, nossa primeira vitória, vitória essa não muito significativa estrategicamente, porém importantíssima para elevar a moral da tropa. Nossa segunda e uma das mais emblemáticas vitórias deste conflito foi a Batalha Naval do Riachuelo, em que nossos soldados do Exército e da Marinha unidos combatem ombro a ombro contra as forças daquele tirano que pouco tempo antes havia nos atacado covardemente. A artilharia e a fuzilaria inimiga crepitam constantemente e o sangue de nossos eternos guerreiros é derramado. Respondemos com cada vez mais vigor ao fogo inimigo, nossa artilharia varre completamente os canhões paraguaios que estavam na margem do Riachuelo e, num momento em que todo o espírito guerreiro de todos os nossos militares se une em uma só força, o comandante daquela força naval, Almirante Barroso, ao ver o esforço de cada um de seus homens, brada: “Sustentar o fogo que a vitória é nossa !”. Com esse brado, Barroso faz com que sua embarcação verdadeiramente atropele 4 embarcações inimigas em um combate jamais visto. 

A Batalha do Riachuelo, travada em 11 de junho de 1865, foi o atestado de óbito de Solano López e de seu império expansionista. Seu poderio naval saiu dela totalmente destruído e jamais conseguiria ele repor suas forças novamente. A partir deste ponto da guerra até o fim do conflito, em 1870, o Paraguai ficaria apenas na defensiva. 

Logo após a épica Batalha do Riachuelo, vieram inúmeros combates nos quais as armas brasileiras e de seus aliados se saíram vencedoras, em denodadas demonstrações de patriotismo. Depois da libertação de Uruguaiana, em setembro de 1865, viria a segunda fase da campanha, em que se iniciaria a invasão do Paraguai. Estávamos prontos para a ofensiva em solo inimigo, a partir do Passo da Pátria, subindo o curso do Rio Paraguai. Sob o comando do General Osório, nossas tropas transpuseram o Rio Paraná e, no dia 16 de abril de 1866, conquistaram as primeiras posições inimigas. Uma semana mais tarde, chegávamos no Passo da Pátria. 

Apesar das primeiras vitórias em solo inimigo serem conquistadas pelas armas brasileiras e seus aliados, passaríamos dois anos bloqueados nas confluências dos rios Paraguai e Paraná, onde estavam mais bem posicionadas as fortificações paraguaias e uma extensa linha defensiva. Assim, muito suor e sangue de nossos militares seriam derramados na conquista de tais objetivos. A primeira posição conquistada foi o Forte de Itapiru. Depois desta conquista, os nossos soldados acamparam em Tuiuti. Mal sabiam aqueles homens que ali haveria a maior batalha campal da História da América do Sul e uma das mais importantes e mais sangrentas do conflito. No dia 24 de maio de 1866, iniciava-se o combate. Era manhã com bastante neblina e logo a neblina se misturaria com a fumaça dos canhões. Quatro colunas avançavam em direção às nossas tropas. Os flancos dos soldados uruguaios e argentinos foram atacados bem de surpresa e houve uma mortandade horrível dos dois lados: só das tropas argentinas foram dizimados três batalhões. A primeira reação veio com um regimento uruguaio que, mesmo com pesadas perdas, conseguiu reunir forças e iniciar uma carga. Logo após as tropas brasileiras e argentinas conseguiram se unir e começar a virar a situação a seu favor. O General Osório estava almoçando, quando, no início do combate, recebeu a notícia de que este já havia principiado. No mesmo instante, subiu em seu cavalo, alcançou as tropas brasileiras que batiam em retirada e, aos brados de “Viva a Nação brasileira!” e de “Viva o Imperador!”, reanimou tais tropas e as fez voltarem à frente de combate. Com fogo e golpes de sabre e baioneta, os brasileiros então fizeram o inimigo retroceder. Emílio Luís Mallet, comandante da artilharia naquele setor, com o apoio da engenharia, preparou fossos largos como emboscada ao inimigo. Assim, quando sua artilharia viu a cavalaria inimiga se aproximando, Mallet deu a ordem: “Granada e Metralha ! Espoleta a 6 segundos!”. Aquele que viria a ser o Patrono da Artilharia desejava que os paraguaios caíssem na emboscada que tinha dado tanto trabalho para preparar, o que de fato ocorreu. Então os seus 26 canhões e sua fuzilaria abriram fogo contra a cavalaria de López, cuja primeira carga seria dizimada pela artilharia de Mallet, que, por ser muito ligeira, foi apelidada de Artilharia Revólver. 

Assim, uma batalha que começou a favor dos atacantes teve uma reviravolta genial por parte das forças armadas brasileiras, uruguaias e argentinas. A referida batalha teve início às 11 horas daquele dia e terminou às 16:30 horas da tarde, com a retirada do exército paraguaio. As armas do Império do Brasil se saíram mais uma vez vitoriosas, ainda que ao alto preço de 10 mil mortos, entre eles o atual Patrono da Infantaria, Brigadeiro Sampaio. Ferido três vezes na batalha, em que comandava a 3ª Divisão do Exército Imperial, recebeu três estilhaços de granada, que causaram gangrena na coxa direita, e foi também acertado duas vezes nas costas, morrendo a bordo do vapor Eponina, que o conduzia a Buenos Aires. Graças ao seu espírito heroico e exemplo de líder de combate, seus comandados quebraram as linhas inimigas, causando confusão nas tropas paraguaias. 

Após o histórico combate de Tuiuti, vieram as vitórias em Curuzu e Curupaiti, fortes que guarneciam a direita da Fortaleza de Humaitá. Humaitá era considerada inexpugnável, porém Caxias irá quebrar esse mito, flanqueando a fortaleza paraguaia, ultrapassando o reduto fortificado e cortando as comunicações entre esta e Assunção, ao submeter Humaitá a um cerco. López, querendo distrair as tropas aliadas de seu objetivo principal, ataca a retaguarda de Tuiuti, porém os reforços de Porto Alegre neutralizam a força inimiga, que sofre pesadas baixas. Após pesado cerco, Humaitá irá cair definitivamente em 25 de julho de 1868. 

Com a queda de Humaitá, Piquissiri e Lomas Valentinas eram as últimas defesas de Assunção. Mesmo em situações já precárias, o General Caballero tentou barrar a ponte sobre o arroio Itororó. Ao ver o ataque das tropas desse oficial paraguaio, Caxias içou sua espada e partiu a galope em direção ao inimigo, bradando: “Sigam-me os que forem brasileiros!”. E então, em mais uma demonstração de valentia e patriotismo de nossos militares, foi vencida a Batalha de Itororó. Era o dia 6 de dezembro de 1868. Seguindo sua marcha vitoriosa, nossas forças em seguida aniquilaram as tropas paraguaias nas batalha de Avaí (11 de dezembro) e Lomas Valentinas (21 a 27 de dezembro). Após a chamada Dezembrada, que culminou no dia 30 daquele mês com a Rendição de Angostura, em que 2 mil paraguaios se renderam sem disparar um tiro, o poderio bélico brasileiro estava muito forte frente ao exército paraguaio ou àquilo que havia restado dele. Solano López, em total desespero, foge para o norte do Paraguai e refaz um exército composto por 5 mil pessoas, na sua maioria crianças, velhos e semi-inválidos e dotado de alguns poucos canhões. Tal exército não seria senão carne para o abatedouro. Depois da tomada de Assunção, em 1º de janeiro de 1869, e da Batalha de Campo Grande (16 de agosto de 1869), na qual se daria por encerrado o grande ciclo de batalhas e de derramamento de sangue brasileiro naquela campanha, tudo acabaria com a morte de Solano López, em Cerro Corá, no dia 1º de março de 1870.. Era o fim de um ditador. O Exército Brasileiro, recuperando a honra nacional ofendida pelas armas do ditador paraguaio, cumprira seu dever brilhantemente e daquele conflito saíram verdadeiros heróis e lendas que permanecem vivos nas tradições militares até os dias de hoje. 

Anos se passaram depois deste conflito, foi instaurada a República e chegamos ao início do século XX. Explode então a Grande Guerra na Europa e o Brasil declara neutralidade. Em 1917, porém, é agredido, sem nenhuma explicação, em novos ataques covardes. Diferentes embarcações brasileiras são, com efeito, atacadas nas águas do Atlântico por submarinos alemães. É então declarada guerra ao Império Alemão e enviada para o continente europeu uma pequena força. Apesar de esta não influir decisivamente nas batalhas que levariam o Império Alemão ao armistício, é inegável o fato de que os nossos militares foram desafiar frente a frente o inimigo nos campos de combate da Europa e deram grandes exemplos de heroísmo e humanismo aos seus aliados. Muitos deles eram do Corpo de Assistência Médica e alguns eram sargentos e oficiais que chegaram a liderar tropas francesas no front ocidental, na Ofensiva de Meuse-Argonne. 

Já na década de 1930, mais uma vez o Exército Brasileiro cumpriria sua missão de estabelecer a ordem e preservar a nossa Nação de inimigos internos e externos. Nascia naquele período um ser parasitário no seio da Pátria, fruto do sionismo e da maçonaria: era o comunismo internacional, que estava obtendo sucesso em várias nações. Graças, porém, às forças armadas, à milícia integralista e à penetração dos ideais nacionalistas difundidos pelo Integralismo na sociedade, dentro e fora dos quartéis, os comunistas foram aniquilados. Militares do Exército e da Marinha (muitos do quais adeptos da Doutrina do Sigma) e Civis Integralistas lutaram lado a lado contra o inimigo vermelho, que tinha como objetivo nos tornar um “satélite” de Moscou, da Rússia Soviética. Graças à reação de nossos militares e de nossos eternos camisas-verdes e à sua missão educacional nacionalista, vencemos aquele conflito, em que muitos soldados do Exército e da Marinha e do Sigma lutaram ombro a ombro e por vezes tombaram lado a lado, como seus antepassados nas históricas batalhas do Riachuelo ou de Tuiuti; lutaram e ombro a ombro e caíram lado a lado como verdadeiros irmãos, filhos de uma Pátria eternamente grata por seus serviços. 

Alguns anos mais tarde, já na ditadura estadonovista de Vargas, militares do Exército e da Marinha, muitos do quais integralistas, lutaram lado a lado na II Guerra Mundial. Nos primeiros dias do ano de 1942, após os primeiros ataques de submarinos alemães aos nossos navios mercantes, Plínio Salgado, que estava exilado em Portugal pela ditadura varguista, pede aos camisas-verdes que ficaram no Brasil que cooperem com o governo em tudo o que disser respeito à defesa da Nacionalidade contra todos os agentes da corrupção interna e contra quaisquer ameaças externas, venham de onde vierem. Tempos depois, já após a declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo, que se deu em agosto de 1942, inúmeros integralistas se juntam à Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a defesa de nossa Nação e para a recuperação da honra nacional, ferida pelos torpedos e rajadas de metralhadoras dos submarinos a serviço do III Reich. Dezenas de marinheiros integralistas morreriam nos torpedeamentos dos navios “Araraquara”, “Bagé”, “Itagiba”, “Baependi” e “Cebedelo”. Ademais, vinte e sete integralistas pertencentes à FEB morreram em terras italianas, entre eles Frei Orlando, atual Patrono do Serviço Religioso do Exército Brasileiro. Vale lembrar, ainda, que inúmeros integralistas seriam condecorados por bravura em combate. 

A intervenção da Força Expedicionária Brasileira nos campos de batalha da Itália é algo que engrandece e muito a História Militar Brasileira. Nossa participação no início era desacreditada por muitos e chegamos na Itália sendo considerada a nossa tropa; uma tropa de segunda categoria, mas, no curso dos combates, fomos mostrando o valor do soldado brasileiro, e a FEB passou a ser respeitada pelos seus aliados e temida por seus beligerantes. Algo que nos diferencia não apenas no sentido de militar, mas no sentido de povo, algo que distingue o brasileiro do restante dos povos, é o fato de que podemos nos encontrar na pior das situações, mas nunca abaixamos a cabeça perante as privações e os tempos de tormenta. Há inúmeros relatos da simpatia e do espírito carismático dos soldados brasileiros, tanto a caminho do front quanto na própria linha de frente. A Força Expedicionária teve seu primeiro combate vitorioso no dia 16 de setembro de 1944, em Massarosa. A lendária artilharia de Mallet, que havia lançado fogo nas tropas do ditador paraguaio, agora lançava fogo contra as posições dos soldados de Hitler. A infantaria expedicionária conseguiu romper a linha inimiga, obtendo grande sucesso em sua primeira investida e aquilo impressionou até mesmo os seus aliados, pois se tratava de uma tropa inexperiente e com armamento inferior ao dos alemães e lutava contra soldados veteranos, hábeis em combate e com melhor armamento. Logo depois do combate vitorioso, em que tomamos Massarosa, vieram novos triunfos: ao preço de mais de 280 baixas, avançamos 40 quilômetros, aprisionamos mais de 200 soldados inimigos e conquistamos as cidades de Camaiore, Monte Prano, Fornacci, Gallicano, Castelnuovo e Barga. Onde a tropa brasileira chegava dava exemplos de bravura em combate e de solidariedade cristã para com os civis. Inúmeros expedicionários repartiam suas provisões de comida e medicamentos com os civis famintos e doentes. As tropas anglo-britânicas dificilmente prestavam tal auxílio para os civis; na verdade, a maioria de seus soldados preferia nos tempos de folga ir atrás de jogar, beber, sair com mulheres, etc. A solidariedade do soldado brasileiro iria fazer grande diferença para aqueles civis, sendo eles gratos até hoje aos soldados brasileiros e ao seu sangue e suor derramado na luta pela libertação daquele povo. 

Os alemães eram muito espertos e sempre montavam suas linhas de defesa em elevações. Sua boa habilidade tática iria causar pesadas baixas na divisão expedicionária e combates como o de Monte Castelo e Montese iriam mostrar isso muito bem. Além disso, o intenso inverno dos Apeninos iria dificultar ainda muito mais o avanço da 1° DIE. Nesse período, a FEB realizou seis tentativas de tomar o Monte Castelo. Na segunda investida, o conhecido militar cearense, Sargento Hermínio Sampaio é morto em combate. Depois de cinco tentativas falhas, na sexta investida, na manhã de 21 de fevereiro de 1945, com o envolvimento de toda a divisão brasileira e apoio de forte barragem de artilharia, assim como do 1° grupo de caças brasileiro, conhecido como “Senta a Pua”, da 10ª divisão de montanha estadunidense e de uma divisão blindada também estadunidense, finalmente conseguimos obter sucesso no final da tarde daquele dia. A Batalha por Monte Castelo foi o maior combate entre brasileiros e alemães e, por se tratar de uma região de valiosíssima importância estratégica para o desenrolar da guerra no front italiano, foi uma das batalhas mais emocionantes da História do Exército Brasileiro e da campanha da Itália. 

As tropas da FEB passaram quase três meses entrincheiradas nos arredores de Monte Castelo, sofrendo com o intenso frio, os bombardeios constantes da artilharia alemã, as minas e a saudade do lar e da pátria; porém venceram esses enormes desafios como autênticos e fortes soldados e lançaram-se contra o inimigo com granadas, fogo de metralha e baionetas, assim incorporando todo o sentimento do mais puro patriotismo, o espírito de bravura de nossos antepassados e uma infinita camaradagem entre os seus, fazendo os nossos inimigos se arrependerem de ter nos atacado anos antes e de nos ter levado à guerra. 

Depois da tomada de Monte Castelo, o combate continuou, pois ainda restava um grande dispositivo inimigo na região de Montese. Foi nas missões de reconhecimento que antecederam os combates de Montese que o nome do Sargento Max Wolf Filho se imortalizou para sempre em nossa História. O Sargento Max Wolf Filho morreu no dia 12 de abril de 1945, liderando uma missão de reconhecimento, atividade que já estava acostumado a realizar. Havia uma “cerca viva” com uma metralhadora alemã MG42, considerada a mais rápida e mortal da Guerra, e os brasileiros foram pegos de surpresa. Um dos primeiros da coluna a morrerem, o Sargento Max Wolf seria mais tarde, por seus inúmeros feitos, tido como o mais ilustre dos sargentos do Exército Brasileiro e exemplo de um excelente líder de combate. Atualmente há várias instituições civis e militares que lhe dão um merecido reconhecimento e respeito pelos seus feitos heroicos e patrióticos na campanha da Itália. 

A Batalha por Montese seria ainda mais sangrenta que a de Monte Castelo para ambos os lados. O combate por essa pequena cidade atravessou a noite de 14 para 15 de abril de 1945, com cerrado bombardeio e resistência inimiga, tendo por fim as forças alemãs recuado. As palavras do comandante do 4° Corpo de Exército dos EUA, Tenente-General Willis D. Crinttenberger, aos integrantes do seu Estado-Maior na manhã do dia 15, foram altamente elogiosas à tropa brasileira: “Na jornada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações; com o brilho do seu feito e seu espírito ofensivo, a divisão brasileira está em condições de ensinar as outras como se conquista uma cidade”. 

A conquista de Montese deu-se por concluída na manhã do dia 17 de abril. Montese era essencial para o desmantelamento das tropas alemãs no norte da Itália e por isso que a luta por ela foi tão acirrada. 

O último combate que as tropas da FEB travaram foi nas cercanias de Collechio-Fornovo di Taro, nos últimos dias da II Grande Guerra. Foi nesta região que a FEB obteve a sua vitória mais importante sobre as forças do Eixo. Mais de quinze mil homens de 4 divisões foram feitos prisioneiros, sendo uma dessas divisões a 148ª divisão de infantaria alemã, que havia lutado no norte da África e na Rússia e tinha causado pesadas baixas às forças aliadas em Monte Cassino, no sul da Itália.  Também havia remanescentes da 90ª divisão panzer das SS e duas divisões italianas e foram apreendidas milhares de viaturas, carros de combate e armamentos. Assim se encerrava a epopeia da Força Expedicionária Brasileira, força que atravessou o Atlântico em defesa da honra e dignidade de nossa Nação, que mostrou nos campos italianos o valor do soldado brasileiro e que se superou ganhando respeito de seus aliados e inimigos no campo de batalha. 

Tempos depois da Guerra, soldados do Exército, assim como da Marinha, muitos deles Integralistas, se unem novamente a civis integralistas para combater por uma vez mais o comunismo internacional e seus agentes aqui no Brasil. A Revolução de 31 de Março de 1964, que foi iniciada no campo militar pelo General Olímpio Mourão Filho, que era integralista e já na época da Ação Integralista Brasileira prestava grandes serviços à Pátria, dentro e fora do Exército Brasileiro, onde então detinha a patente de Capitão. No campo político e intelectual, por sua vez, estavam Plínio Salgado, um dos principais oradores, aliás, da célebre Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ocorrida em São Paulo em 19 de março daquele ano, e os demais representantes do Partido de Representação Popular (PRP). A Revolução Civil-Militar de 1964 foi iniciativa de integralistas que justamente viam as Forças Armadas em geral e o Exército em particular como a “última trincheira” que poderia lutar e barrar o avanço do comunismo no Brasil. E de fato estávamos certíssimos sobre isso e o Exército Brasileiro iria cumprir a importante missão de promover a manutenção da ordem naqueles turbulentos anos da Guerra Fria e combater os grupos terroristas de esquerda que tentavam subverter a sociedade e em especial a juventude brasileira. Operações se desencadearam no início dos anos 1970 e entre elas ficou conhecida a operação contra a guerrilha no Araguaia. A tropa paraquedista se destacaria pelo seu ótimo desempenho contra a guerrilha organizada pelo PC do B aqui no Brasil. Aliás, dos 80 guerrilheiros vermelhos, sobraram menos de 20. Esses e outros terroristas comunistas que escaparam da mira dos nossos militares hoje em dia se fazem de “democratas” e vítimas da “ditadura” e até recebem “indenizações” do governo. Alguns desses indivíduos, que empunharam armas não apenas contra os nossos militares, mas contra o Brasil, chegaram, aliás, em tempos recentes, a ocupar os mais altos cargos do governo.

O Exército Brasileiro se destaca nas ações humanitárias e missões de paz mundo afora. Sua primeira missão de paz veio em 1956, em Suez. Depois participamos de outras missões, como a de Moçambique; em 1992; de Angola, em 1995; do Timor-Leste, em 1997, e, por último, a mais conhecida delas, a do Haiti, em 2004. 

Ao analisarmos toda a História Militar Brasileira, podemos afirmar com grande clareza e segurança que o nosso Exército sempre foi um Exército de defesa, nunca um Exército de agressão covarde e expansionista; que foi um Exército que sempre se guiou por princípios nobres e puro patriotismo; que foi um Exército que sempre lutou pela justa liberdade dos povos e pela soberania de nossa Nação; que foi um Exército que esmagou regimes tirânicos e ideologias totalitárias e absorventes em todo o curso de sua História; que foi um Exército de pacificação e de manutenção da ordem nas nações; que foi um Exército de um solidarismo único com os povos que necessitaram de sua ajuda. O Exército Brasileiro é o Exército invicto, o Exército que nunca perdeu uma só guerra, o Exército que escreveu lindas páginas de nossa História Pátria com o suor e sangue de nossos bravos militares que hoje descansam no sagrado solo pátrio após terem dedicado suas vidas a serviço do Brasil, como o Brigadeiro Sampaio, como o Tenente-Coronel Emílio Luís Mallet, como o Sargento Hermínio Sampaio, como o Sargento Max Wolf Filho, como o Capelão Frei Orlando e milhares de outros bravos militares que tombaram desde os Guararapes até os campos do Paraguai e o front italiano na II Guerra Mundial e como outros que até hoje derramam seu sangue em defesa de nossa sociedade. 

A missão de nossos militares de preservar a soberania nacional, a honra da Pátria e a dignidade do Brasil se perpetua, seja nos rios, seja nas florestas, seja nos céus, seja no Norte, no Sul, no Leste ou no Oeste. Temos um dos melhores exércitos do mundo em riqueza humana, em profissionalismo, em solidariedade com quem precisa. Seja na paz, seja na guerra, o Exército Brasileiro se mantém como uma sentinela alerta há quase quatros séculos em defesa de nosso amado Brasil. Nos momentos mais críticos de nossa História estavam lá os nossos soldados para preservar a paz e a ordem Tanto no interior do País quanto no exterior, nos momentos de confusão lá estavam os nossos soldados dedicados a melhorar a realidade do nosso povo. 

Durante muito tempo, o Exército foi muito criminalizado pela mídia e por movimentos subversivos e amorais, que queriam causar a desordem, subverter o nosso povo e tirar a moral das Forças Armadas. É inegável, porém, o fato de que o Exército Brasileiro sempre atendeu ao clamor e às necessidades do nosso povo em tempos de desordem social e em tempos de guerra, assim como foi responsável pela pacificação de várias nações desde os tempos imperiais, do mesmo modo que foi em grande parte responsável pela manutenção da unidade territorial do nosso País e defendeu a nossa Nação de regimes e ideologias exóticas e absorventes, assim se firmando, em situações extremas de nossa História, como o último baluarte da Nacionalidade Brasileira.

Carlos Ribeiro

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Presidente Provincial do Núcleo da Frente Integralista Brasileira no Ceará.

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