Faleceu hoje, na cidade de Brasília, aos oitenta anos de idade, o ilustre advogado, professor universitário, ensaísta e político pernambucano e brasileiro Marco Antônio de Oliveira Maciel. Marco Maciel, como assinava seu nome e é mais conhecido esse notável homem público patrício, nasceu em Recife, Pernambuco, aos 21 de julho de 1940, sendo filho do Dr. José do Rego Maciel e de D. Carmen Sílvia Cavalcanti de Oliveira Maciel.

Formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, Marco Maciel iniciou a exemplar vida pública nos bancos universitários, tendo sido eleito Presidente da União Metropolitana dos Estudantes de Pernambuco em 1963, enfrentando com grande vigor os comunistas que dominavam a UNE (União Nacional dos Estudantes), com a qual inclusive rompeu. Foi nessa época que teve o primeiro contato com o Integralismo e, segundo diversos veteranos da Segunda Geração Integralista,[1] teria sido membro do chamado Movimento Águia Branca, formado em torno da Confederação de Centros Culturais da Juventude (CCCJ), que chegou a reunir mais de quinhentos núcleos espalhados por todo o País, tinha Plínio Salgado como Presidente de Honra e afirmava os ideais essencialmente cristãos e brasileiros do Integralismo.

Político que sempre se caracterizou pela retidão moral com que exerceu todos os cargos e funções que ocupou ao longo da vida, o Dr. Marco Maciel foi Deputado Estadual em Pernambuco pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional) entre os anos de 1967 e 1971 e Deputado Federal pela mesma província e pela mesma agremiação política entre 1971 e 1979, havendo ocupado a Presidência da Câmara dos Deputados entre os meses de fevereiro de 1977 e janeiro de 1979. Neste último ano, tornou-se Governador de Pernambuco, cargo que ocupou até 1982, quando foi eleito Senador da mesma província pelo PDS (Partido Democrático Social), sucessor da antiga ARENA, com o qual rompeu em 1985 por apoiar a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República. Neste mesmo ano foi um dos principais fundadores do PFL (Partido da Frente Liberal), atual DEM (Democratas), agremiação política a que permaneceu vinculado até o final de sua jornada terrena, e tornou-se Ministro da Educação, sendo Presidente da República o Dr. José Sarney, vice de Tancredo Neves, que faleceu antes de tomar posse do cargo para o qual fora eleito. Deixou Marco Maciel o aludido Ministério em 14 de fevereiro de 1986 e foi nesse mesmo dia nomeado Ministro-Chefe da Casa Civil do Brasil, cargo que ocupou até o final de abril do ano de 1987. Senador entre 1º de fevereiro de 1983 e 1º de janeiro de 1995, assumiu neste último dia a Vice-Presidência da República. Como Vice-Presidente, assumiu interinamente a Presidência em diversas ocasiões em que esteve ausente da Pátria o então Presidente, o Sr. Fernando Henrique Cardoso. Findo o mandato como Vice-Presidente da República no dia 1º de janeiro de 2003, retornou neste ano ao Senado, nele permanecendo até 2011.

Imortal da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras, Marco Maciel ocupava na primeira de tais instituições desde 1992 a cadeira de número 22, cujo patrono é o religioso e botânico pernambucano Frei Leandro do Santíssimo Sacramento, e na segunda a cadeira 39, que tem como patrono o grande historiador e diplomata paulista e teuto-brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen.

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Autor das obras Ideias liberais e realidade brasileira (1984), Educação e liberalismo (1987) e  Liberalismo e Justiça Social (1987), era Marco Maciel um adepto do chamado liberalismo social, que teve e tem em Miguel Reale seu criador e mais proeminente arauto e se caracteriza por uma preocupação com o Bem Comum e a Justiça e as questões sociais ausente no denominado liberalismo clássico. A propósito, cumpre ressaltar que o dito liberalismo social contém muito do Integralismo e que no campo socioeconômico está mais próximo da Doutrina Integralista e da Doutrina Social da Igreja em que aquela se inspira do que da ideologia do chamado liberalismo clássico.

Havendo mencionado o Integralismo, julgamos ser oportuno salientar que Marco Maciel foi, ao longo de toda a vida terrena, um profundo admirador de tal Movimento e de tal Doutrina, assim como de seu principal líder e doutrinador, o tão grande quanto injustiçado homem de letras e de pensamento patrício que foi e é Plínio Salgado, sendo, inclusive, o autor do prefácio da 22ª edição de sua Vida de Jesus,[2] obra que, como escreveu Maciel, “não é apenas um clássico da literatura brasileira”, mas “um clássico da própria literatura universal”.[3] Faz-se mister sublinhar, ainda, que, como já dissemos, de acordo com diversos veteranos da Segunda Geração Integralista, Marco Maciel teria sido na juventude, como eles, um membro do chamado Movimento Águia Branca, de cujos quadros, aliás, saíram diversos ministros, secretários de Estado, deputados federais e estaduais, prefeitos, professores universitários e diretores de empresas de todo o Brasil.

Seja esta a nossa singela homenagem ao exemplar cidadão e homem público e sincero católico e patriota que foi e é Marco Maciel. Que Deus o receba nos Céus e suscite nas gerações futuras homens da têmpera desse nobre filho de Pernambuco e do Brasil!

Victor Emanuel Vilela Barbuy
Secretário Nacional de Assuntos Jurídicos da Frente Integralista Brasileira.

Notas:

[1] Dentre tais veteranos destacamos os saudosos companheiros José Batista de Carvalho, Alfredo Leite e Leovigildo Pereira Ramos.

[2] Prefácio, in Plínio SALGADO, Vida de Jesus, 22ª edição, com reproduções de arte sacra pernambucana, Prefácio de Marco Maciel, São Paulo, Editora Voz do Oeste, 1985, pp. XLIX-LII. O texto de Marco Maciel foi originalmente publicado no Diário de Pernambuco, de Recife, em 6 de novembro de 1984 e, com sua autorização, aproveitado como prefácio na referida edição da obra.

[3] Idem, p. XLIX.

Imagem: Folha de Pernambuco.