Nas sociedades primitivas a mulher não passava de um bem móvel, de reprodutora e de escrava do amo. No decurso dos séculos a situação foi se modificando até atingir a mulher os mais elevados postos nos campos das atividades humanas. Modernamente as prerrogativas por ela alcançadas pouco se afastam das dos homens, excedendo-se até certo ponto. Essa transição não se fez sem grandes sobressaltos e graves perturbações. Disso tem resultado a diminuição progressiva de respeito e consideração que aos homens inspirava a mulher, nivelada hoje a eles pelas licenciosidades que se permitem.

A fé, o pudor e o recato femininos, que são as armas mais poderosas e os predicados mais preciosos da mulher, dia a dia se enfraquecem. Sem essa armadura ela passa de anjo a demônio, torna-se em ser desprezível, transformada em simples objeto de prazeres ignóbeis.

A fé, o pudor e o recato feminino acrescidos da cultura, hoje tão fácil de adquirir, são a couraça da união conjugal, do amor materno, do apego ao lar e do fortalecimento e da moralidade da família. Todos esses fundamentos essenciais de uma sociedade bem constituída se desfazem, uma vez extintos na mulher aqueles predicados.

A moeda, a dança, a pintura, o teatro, o cinema, a imprensa, a literatura, todas as diversões modernas, que, bem orientadas, podem ser excelentes meios de instrução e de educação moral e cívica, hoje contribuem para o despudor e degradação da mulher.

A semi-nudez das mulheres nos bailes, teatros e banquetes, a quase nudez nas praias, a representação na tela dos cinemas de atos os mais íntimos, as cenas de amores e beijos, com requintes de lascívia, assistidos sem vexame por senhoras, moças e meninas, são um atestado do relaxamento moral da época presente, uma provocação libidinosa, uma afronta ao pudor, o perfume delicado, o talismã com que a mulher consegue impor-se ao respeito e à estima dos homens.

Urge, a bem da humanidade, um corretivo à loucura da mulher de querer igualar-se ao homem em tudo e por tudo, em contraposição às leis biológicas quando o que lhe compete é procurar corrigi-los dos seus vícios e desregramentos.

A mulher encontrará a verdadeira esfera de ação, adequada ao sexo e aos seus deveres cristãos, no desempenho das funções do lar e da família, fundamentais para a educação física e moral da prole; da escola, e de tudo quanto tenha relação com esses alicerces das sociedades moralizadas e sadias, tais a assistência social, sobretudo as que visam amparar as mães e as crianças — maternidade, creches, preventórios, lactários, escolas de mães, orfanatos, institutos de artes domésticas. Nada disso impede, antes exige a cultura e o aprimoramento do espírito.

Por abandonar a mulher as suas elevadas atribuições naturais para debater-se no pantanal de egoísmos e de vícios em que vivem os homens é que o lar e a família atravessam tremenda crise de relaxamento e dissolução. Enquanto ela se manteve adstrita aos deveres naturais de senhora do lar, de zeladora da sua economia, de educadora dos filhos, os homens eram bem melhores do que hoje.

Grande, senão a maior culpa da desorientação mental que vai pelo mundo, do materialismo sórdido e da amoralidade em que se chafurda a humanidade cabe à mulher pelo seu alheamento do lar, com repercussão nefasta na família, fundamento da solidariedade social.

Mas se enfraquece o lar com o sistema moderno dos apartamentos em grandes edifícios, verdadeiras casas de cômodos de alto estilo, onde não entra a natureza com quintal e jardim, flores e pequena criação. São apartamentos, onde não há prazer em estar, é um suplício para as crianças.

Os desperdícios, as extravagâncias e desenvolturas das mulheres, sobretudo na América do Norte, vão numa crescente apavorante, sem que se possa imaginar até onde irão — Abyssus abyssum invocat — o cinema incumbe-se da sua divulgação e imitação em todo o mundo.

Cabe em grande parte a culpa disso ao industrialismo, ao funcionalismo excessivo, ao êxodo das populações rurais para as cidades, ao gosto pelo luxo, às múltiplas instituições de caráter mais comercial do que social — associações recreativas, clubes, cassinos, cabarés, cinemas, empresas de viagens, salões de chá dançantes, institutos de desportes, que brotam como cogumelos em toda parte e monopolizam o tempo e o pensamento, acarretando o descuido dos filhos e do lar, onde se come às vezes e se dorme durante o dia. Nas classes elevadas das grandes cidades, limitado é o número de mulheres que sabem escolher e conciliar as diversões e os sagrados deveres do lar.

Para o seu enfraquecimento e dissolução nas classes médias, contribui bastante a crescente carestia da vida, o aluguel elevado da casa, e a pressão cada dia maior das necessidades criadas pelos novos inventos, dispendiosos, além da preocupação comum a muita gente de aparentar fortuna e acompanhar todos os caprichos da moda, criações de espertalhões da indústria e do comércio, que exploram a frivolidade de mundanas desocupadas e de cocotes favoritas de magnatas viciosos.

Nas classes de trabalho, o que mais enfraquece a família é a falta de lar próprio, a mudança frequente, a alimentação deficiente, a falta de conforto, de espaço e de higiene da habitação, raramente propriedade do ocupante, quer nas cidades, quer nos campos. É gente errante, de saco sempre às costas, de subúrbio em subúrbio, de casebre em casebre, de cômodo em cômodo das abjetas habitações coletivas, nas cidades; de fazenda, de Município, de Estado em Estado, os trabalhadores rurais.

Das causas apontadas resultam consequências calamitosas para a sociedade, desorganização ou deficiência do trabalho, doença multiforme e generalizada, apavorante mortalidade, incremento dos vícios da prostituição, da demência e do crime; processos anticoncepcionais e a indústria ignominiosa do aborto provocado, largamente difundida e das mais prósperas para gáudio dos seus asquerosos exploradores e consequências mórbidas desastrosas, seguidas frequentemente de morte precoce das mulheres que recorrem a esse crime contra a natureza. As mudanças operadas na mulher, desviando-a dos seus atributos naturais, perturbaram profundamente o lar e a sociedade. Os divórcios aumentam em proporções alarmantes. Nos Estados Unidos contavam-se em 1920 à razão de 1 por 25 casamentos. Há que combater por todas as formas essa tendência à destruição dos fundamentos essenciais da sociedade.

A natalidade mingua, a população debilita-se, estaciona ou decresce, a família desmantela-se, o lar dissolve-se e a sociedade entra em corrupção e ruína.

De que dependem o vigor, a operosidade e o progresso material e moral de um povo?

Da fortaleza e vitalidade da célula ou unidade fundamental da sociedade — a Família.

De que dependem a fortaleza e vitalidade da Família?

Do lar próprio e higiênico e da ação e vigilância permanente da mulher.

A família bem constituída, fixada em imóvel de sua propriedade, é a base da pirâmide social — lar, trabalho e diversões. Nenhuma instituição humana tem, pela quantidade e pela sua finalidade, a significação do lar. O Brasil, por exemplo, com 40 milhões de habitantes, deve contar cerca de sete milhões de lares. Diante dessa cifra, torna-se ridículo o número de escolas, colégios, edifícios públicos, casas de diversões, fábricas, etc.

No entanto, faz-se erradamente juízo do progresso de uma cidade pelo aparato dos seus edifícios públicos e particulares, casas de diversões, avenidas, praças, sem levar em conta as condições de vida e a salubridade dos lares das classes desfavorecidas da fortuna.

A sua função primordial é a criação e educação da infância. Essa responsabilidade, por si só, faz do lar um dos fundamentos da sociedade.

Num Estado constituído sobre o fortalecimento da família, pela propriedade do lar salubre; sobre a educação intelectual, moral e profissional; sobre o estímulo e o amparo ao trabalho, sob todas as suas modalidades, num Estado assim organizado, não se propagam as doenças, não proliferam maus vícios e maus exemplos, não frutificam maus hábitos.

Nele reinarão a paz, a saúde, a prosperidade e a alegria, em virtude das condições de vitalidade das células do organismo social.

Exemplos dessa felicidade verificam-se nos países escandinavos.

Aqui mesmo, no Brasil, observa-se fato idêntico nas regiões agrícolas de pequenas propriedades do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e do Espírito Santo.

Para o progresso social é indispensável o saneamento da família pela educação, pela assistência e pela propriedade do lar e da terra, de onde possua cada uma, pelo trabalho inteligente, fecundo e moralizador, suprir-se da alimentação variada e sadia, e adquirir proventos para as demais necessidades da vida, de modo a garantir a saúde, elemento primordial do trabalho, por sua vez o fator da produção e do caráter.

Dr. Belisário Penna

O lar urbano ou rural instituído em teto alheio, por aluguel ou arrendamento, é, de regra, descuidado. O ocupante, salvo raras exceções, não se interessa pela sua conservação, muito menos por melhoramentos, adquirindo hábitos de relaxamento. O proprietário, por sua vez, não atende, ou o faz parcimoniosamente às reclamações. Dessa forma crescem o relaxamento e a má vontade do inquilino, tudo isso em prejuízo da educação, da disciplina, da saúde e coesão da família, cujos membros se dispersam, as crianças para a rua ou para o campo, os homens para os botequins, bodegas e espeluncas, porque é apenas lugar onde comem e dormem sem prazer.

Não é assim, geralmente, quando o imóvel é de propriedade da família, que tem todo o interesse em conservá-lo e melhorá-lo porque valoriza o que é seu, para gozo e proveito próprio, sem receio de aumento de aluguel e de despejo.

Constitui-se assim um lar salubre, atraente, educativo, operoso e moralizado, fator de bem-estar e concórdia, de cooperação e altruísmo, de paz e alegria, com benéfica e incalculável repercussão social.

O apego ao lar é condição precípua da eficiência hígida e moral da família, e a propriedade do imóvel fator indispensável dessa eficiência.

A aspiração mais legítima de todo chefe de família é possuir um teto e um pedaço de terra. Os que não conseguem realizá-la (esses constituem a imensa maioria do Brasil) tornam-se negligentes, viciosos, a caminho da doença e da miséria, arrastando a família na sua desgraça, numa vida errante, enchendo os cemitérios com a hecatombe das proles até sucumbir na prisão ou num catre de hospital de misericórdia.

Esse o negro fadário de milhões de famílias brasileiras. Escolas, edifícios suntuosos, avenidas, mostruários deslumbrantes, tudo isso pouco significa como fator de prosperidade coletiva, se os lares dos proletários e das classes médias, que são a grande maioria da população e constituem os órgãos de nutrição e de reprodução da sociedade, forem insalubres, descuidados, antros de desconforto e discórdias, de doenças, vícios e degeneração.

As crianças são as vítimas preferidas da miséria e das más condições dos lares. A mortalidade infantil atinge neles cifras aterradoras. As infecções entéricas, as verminoses, a tuberculose, a sífilis e os males venéreos produzem grandes devastações; a prostituição colhe as suas vítimas desde antes da puberdade; o alcoolismo, a demência e o crime encontram nele o seu valhacouto.

Mais de 70% das famílias brasileiras não possuem casa própria, um lar permanente que as fixe no solo. A não ser no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, onde a monarquia fixou famílias de origem estrangeira em pequenas propriedades, em todo o Brasil o elemento genuinamente nacional vegeta em ranchos de taipa e sapê nos latifúndios, ou aviltado nos morros, nos mangues e nos subúrbios das cidades, em cafuás, mocambos e casa de cômodos, assim denominadas as pocilgas humanas que lhes servem de abrigo, exploradas pela ganância dos burgueses apatacados.

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Não será essa uma das principais causas da corrupção política, da anarquia mental, da fragilidade econômica e da bancarrota financeira e moral do Brasil?

Em quase meio século de poder, nunca a democracia liberal cogitou desse magno problema nacional, nunca se preocupou com a habitação e as condições de vida das classes trabalhadoras. Encalacrou o país com vultuosos e numerosos empréstimos externos, destinados sobretudo à distribuição de polpudas comissões aos intermediários e associados da politicalha, o restante às obras de utilidade, algumas, e muitas de simples fachada, de custo decuplo do seu valor real.

Empréstimos e repetidas emissões enriqueceram da noite para o dia magnatas das finanças e da politicalha, que afrontam com palácios e automóveis de luxo a penúria geral de funcionários e proletários.

E ousam apregoar ser esse o regime do povo, para o povo, e pelo povo!

Na cegueira do egoísmo, da amoralidade e dos prazeres materiais, não podem estas castas espoliadoras da nação compreender o progresso e a segurança do Estado e a delas próprias, firmam-se muitíssimo mais na abundância e fixidez, pela propriedade, de lares operosos e sadios do que nos exércitos e nas indústrias, que milhões de lares independentes contribuem muito mais para o progresso humano do que centenas de poderosas instituições.

Ao contrário, irritam-se até o desespero, com a marcha vitoriosa do Integralismo, cuja doutrina faz da família um dos vértices do triângulo Deus, Pátria e Família.

Não há, portanto, que estranhar a fúria com que alguns comunistas, camuflados demoliberais, investem contra as falanges do Sigma. Estão na sua função odiosa de destruidora da fé, do nacionalismo e da família; de transformadores das mulheres em vacas leiteiras para fornecimento de leite aos filhos do Estado ou de ninguém.

Razão poderosa para prosseguirmos sem esmorecimento na nossa patriótica cruzada, certos, como repete constantemente o companheiro Ernani de Morais, de que “nossa hora chegará” para o bem do Brasil e castigo dos réprobos.

Cabe às escolas integralistas o dever dominante de entreter nos alunos o sentimento vivo da responsabilidade da família e do lar no conceito social, à igreja o de incultar entre os fiéis o conhecimento exato da poderosa repercussão do lar no progresso e moralização da humanidade.

A escola deve ser um prolongamento ou uma expressão da vida familiar, pelas atividades comuns a uma e outra, tais as formas de cooperação, a autoridade, a disciplina, a obediência, o trabalho, a recreação e o respeito mútuo, princípios indispensáveis à paz e prosperidade coletivas.

Esses princípios devem ser implantados não só para eficiência da escola, como por sua benéfica influência sobre os educandos, em cujos cérebros receptíveis se gravarão, para despertar em todo tempo e serem praticados nos respectivos futuros lares.

É indispensável habituar as crianças à prática das virtudes higiênicas, asseio do corpo, das vestes e do espírito, sobriedade, laboriosidade, recreio e exercício físico adequados, assegurar-lhes oportunidades para agricultura, jardinagem, dietética e cozinha; que todo o menino e menina pratique artes domésticas e aprenda puericultura; que a atmosfera da escola esteja sempre saturada dos sentimentos de cooperação, de altruísmo, alegria e dever, e dela sejam banidos o temor e o egoísmo.

Para o bem da sociedade e da Pátria, haverá depois do lar e da família, função de maiores responsabilidades e mais dignificante do que a do educador?

E a quem cabe essa função, senão à mãe de família no lar, e à educadora na escola?

Blusas-verdes! Bem sei que essa é a vossa mística. Praticando-a nos ditames da moral cristã, do amor à Pátria, influireis decisivamente na moralização da política, dos costumes públicos e particulares, dos colégios, das academias, das fábricas, e na volta aos seus deveres naturais, de criaturas desviadas pela infiltração de ideologias materialistas.

Fazendo minhas as palavras de vossa Chefe, companheira Irene de Freitas Henriques, digo: “Considero como crime de lesa-pátria a atitude indiferente dos brasileiros em geral, e em particular da mulher brasileira, em face de uma doutrina como sói ser a integralista, que se apresenta com tais credenciais, que jamais alguém poderá duvidar da sua capacidade de revolucionar integralmente a Sociedade Brasileira”.

E essa transformação, tendo que ser a resultante de uma transformação completa da Alma Brasileira no sentido do rigoroso cumprimento de todos os deveres para com a Família, para com a Pátria, e para com Deus, nada melhor talhado, dados os seus predicados, com que houve por bem Deus doar sempre as coisas deste território, do que a “alma da mulher”.

E para encerrar com fecho de ouro esta fastidiosa palestra, incluí nela o vibrante artigo “A Grande Missão”, da autoria da reputada escritora Iveta Ribeiro, publicado no suplemento de “A Offensiva” de 11 do corrente.

Quero que as blusas-verdes e as pessoas presentes que não o leram, vibrem como eu, ouvindo essa peça notável, que é, em grande parte, síntese, em estilo lapidar, da minha palestra.

Grande Missão Redentora deveria ser o título desse apelo ansioso às mulheres desviadas dos seus atributos naturais, para que se penitenciem dos erros, das loucuras e dos crimes que vêm praticando contra o sexo e a humanidade. Ei-lo:

“Numa época de verdadeira anarquia moral; quando os povos se debatem arrastados, perturbados, muitos enlouquecidos pelos choques tremendos de correntes subversivas mascaradas, quase sempre, com rótulo dourado de ‘correntes evolucionistas’; quando Deus, para milhares de indivíduos, deixou de existir e quando seus grandes apóstolos são ridicularizados nas suas doutrinas espirituais, insultados nas suas crenças e espezinhados nos seus símbolos mais sagrados; quando o negro espírito da guerra assenhoreia-se de responsabilidades pelos destinos políticos dos povos; quando a barbárie rediviva, saindo desenfreada dos escombros da história do mundo para zombar das realizações maravilhosas da civilização, arma as mãos dos homens de agora para destruir as obras magníficas dos homens dos passado; quando o livro é trocado pelo boletim subversivo, que incita as carnificinas, as mais assombrosas selvagerias e as mais ferozes atrocidades capazes de envergonhar os selvagens dos ínvios rincões africanos; quando tudo quanto era apanágio da evolução mental da humanidade se transforma em crimes à luz rubra que procura ofuscar a luz branca e pura da Razão, o clarão do Direito e a claridade da Crença; quando se tenta destruir a instituição sagrada da família para sobre suas ruínas erguer a organização amoral, animalizada do amor livre; quando o lar já quase não representa nada porque os lupanares dourados atraem tanto a mocidade como a velhice, tanto alucinante dos prazeres materiais; quando nada mais se pode esperar de um momento universal a refletir-se, triste e perigosamente, no nosso ‘momento nacional’, é chegado o instante de reagir, chamando à luta pela salvação geral, a força mais eficiente da humanidade — a Mulher!

É chegado o momento sagrado de tocar a reunir o remanescente impoluto desse grande todo construtivo, porque, agora dele, desse elemento básico das sociedades humanas, dependerá salvação do mundo.

Quando faliram todos os processos políticos; quando as chancelarias já não dispõem de elementos capazes de resolverem as questões da política internacional e que as próprias religiões já não demonstram possuir forças morais para deter na queda para o materialismo mais bruto milhões de criaturas perdidas num caos de loucuras medonhas, chegou a vez da mulher mostrar que compreende bem o seu alto papel em face do mundo, que sabe cumprir com segurança seus deveres recebidos, impostos pelo próprio Deus!

Não será de certo, por meio desse falso feminismo que devasta tantas almas, que tem levado e está levando a sociedade e as nações a regressos lamentáveis, que ela conseguirá desempenhar-se de sua missão natural e sublime, nem cumprir seus deveres múltiplos, básicos, indispensáveis para o bem-estar da humanidade.

Não será esquecendo os costumes familiares e seculares de suas Pátrias, velhas nações, grandes e fortes, ou pátrias jovens, pletóricas de forças vivas, puras e criadoras, não será estabelecendo como padrão universal de mulher moderna as figuras despersonalizadas, espetaculares, impúdicas que imperam nas telas do cinema, nem copiando as ideias nefandas de algumas agitadoras criadas pela política maldita dos armamentistas, que a mulher poderá retomar seu lugar de verdadeiro alicerce moral da civilização!

Não! Não será por nenhum desses modos que ela reconquistará o respeito que lhe é devido, nem a sagrada soberania sobre os destinos da humanidade evoluída, esclarecida pela inteligência, desenvolvida pela ciência e pela sabedoria!

Será reunindo todas as magníficas forças naturais que moram na sua aparente fragilidade; será retomando, voluntária e conscientemente, seu posto de honra no lar — fonte das nacionalidades, berço das individualidades que formam os governantes e os defensores da Pátria, forja onde se amoldam os caráteres das gerações que devem suceder-se em ascensão moral e mental para a glória crescente do ser humano; será readquirindo por vontade própria seu justo lugar ao lado do homem, como sua igual pelo cérebro e pela ação, mas diferente dele nos sentimentos; com os seus direitos políticos e sociais, mas com deveres diferentes por exigência de ordem biológica; será assumindo, gloriosamente, o governo moral da família, como formadora natural de mentalidades irradiantes, de corpos que nasceram da ‘carne da sua carne e do sangue do seu sangue’; será cingindo à fronte, orgulhosamente, a coroa de mártir e de santa, que a maternidade consciente e divinizadora lhe oferece pela mão sábia da natureza; será revestindo o hábito branco da honestidade mais completa, quer do corpo, quer da alma; será instruindo-se para dar à Pátria e aos filhos as luzes de seu saber construtivo, colaborando na elaboração das leis humanas para torná-las mais seguras e mais lúcidas; será, enfim, regressando de perigosas digressões por sendas e paragens materialistas, às luminosidades espirituais de uma fé absoluta na Onipotência e na Onisciência de Deus, Criador dos mundos e dos seres, que a mulher terá forças para reerguer-se, vitoriosamente, sobre as derrocadas de agora, trazendo nas mãos sagradas, erguidas para o alto, a dignidade dos povos, feita de justiça perfeita, de paz perene, sabedoria completa e de crença salvadora.

Acorda, Mulher! Cumpre o teu dever, enquanto é tempo… Pelo menos aqui neste rincão da América que Deus abençoa e que se chama Brasil.

Dá o exemplo, BRASILEIRA!”

E vós, Blusas-Verdes de todo o imenso território pátrio, que conservais as tradições de fé, de moralidade, de pudor e candura da mulher brasileira, muito antes do apelo angustioso de Iveta Ribeiro, já vos havíeis disposto a todos os sacrifícios para impedir a propagação do vírus materialista corruptor, inscrevendo-vos nas falanges femininas do Sigma.

Para a frente, sem tibiezas, sem esmorecimentos, e a vossa ação será coroada com a vitória da trilogia redentora — DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA.

Belisário Penna
Palestra apresentada no I Congresso Nacional Feminino da Ação Integralista Brasileira, em outubro de 1936. Título original: “A Mulher, a Família, o Lar e a Escola”.