É cansativo sequer cogitar uma resposta a todos os impropérios sobre a história do Integralismo, que têm sido publicados e divulgados através dos livros mais recentes. É dita tanta burrice, com fontes tão baixas, que não vale a pena ao menos nomear os livros e autores responsáveis.

Mas, mais do que as baboseiras ditas, chama-nos a atenção aquilo que não é dito. Ainda pior que o seu novo e célebre panfleto sobre o Integralismo, um livro de L., publicado há poucos anos, dá caráter de grande seriedade às ridículas afirmações de Stanley Hilton, que acusa Plínio Salgado de ter espionado para a Alemanha Nazista em Lisboa. [1] As muitas acusações, tantas repetidas, tantas que nascem a cada novo dia, vão atrás de vincular, num esforço desesperado, quase infatigável, Integralismo e nazismo, Integralismo e fascismo, Integralismo e governo americano…

O que resta ser dito — e ninguém gostaria que fosse —, e o que pode ser a chave para entender o que se passou no Brasil entre os anos 30 e 40, é qual foi o papel dos Estados Unidos da América na criação do Estado Novo, e o que isso tem a ver com o Integralismo.

Um golpe contra o Integralismo

Por que foi feito o Estado Novo?

Um testemunho que pode nos esclarecer isso é o de Negrão de Lima. Ele foi um dos principais articuladores do golpe do Estado Novo: organizou a opinião política entre os governadores do Norte e Nordeste e foi, ainda em novembro de 1937, nomeado chefe de gabinete de Francisco Campos, o novo ministro da Justiça. Chegou a assumir a direção interina do ministério durante os próximos anos. Entre 1951 e 1953, tamanha a sua confiança no meio getulista, assumiu o cargo de ministro da Justiça do novo governo populista de Getúlio Vargas.

Para organizar o golpe com os governadores dos estados ao norte, o varguista se responsabilizou pela “missão Negrão de Lima”. Quem a designou foi o próprio Francisco Campos, que viria a redigir a Constituição de 1937 e articular, ombro a ombro com Getúlio, os preparativos da Ditadura. Ele descreve assim:

“Eu estive na casa de Chico Campos antes de viajar e seus argumentos me convenceram. O avanço do Integralismo no Brasil era avassalador. É preciso recordar a época: quando eu ia de trem noturno para Belo Horizonte, naquelas excursões tristes da Central do Brasil, em cada estação vinha o guarda-freio com a lâmpada e o agente — todos de camisa verde. A camisa verde dominou este país de uma forma fantástica. Ninguém hoje pode imaginar o prestígio de Plínio Salgado. A história do Estado Novo ainda está para ser escrita porque, se Getúlio não dá o golpe, Plínio Salgado tomava conta do país”.

O revelador depoimento, cedido aos seus 76 anos, na edição de 10 de novembro de 1977 do Jornal do Brasil (ocasião dos 40 anos do Golpe), p. 14, muito estranhamente não se divulgou. Desconhecemos até mesmo quem já o tenha citado…

Em 1967, depondo, no 1º caderno do Jornal do Brasil, especial de 30 anos do golpe, em 10 de novembro (p. 4), Negrão já era transparente. O golpe era necessário porque o Integralismo estava prestes a assumir o poder. Textualmente, dizia: “Por um triz, o Brasil estaria mergulhado no fascismo e Plínio Salgado tomaria conta do Governo”.

Integralistas

Os integralistas foram a maior força política da história do Brasil. Na foto, comício integralista em Blumenau, 1935

Pimentel Brandão confessa

O depoimento mais importante sobre as relações entre o Estado Novo e o Integralismo é o do embaixador dos EUA no Brasil, Jefferson Caffery.

O volume V dos Foreign Relations of the United States Paper, página 313, documento 823.00/1077, traz um telegrama de Caffery ao Secretário de Estado dos EUA, na data do Golpe do Estado Novo. Segundo Caffery, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mário de Pimentel Brandão, lhe assegurou que um dos “motivos primários” do Golpe veio após o Presidente Vargas perceber que era necessário “colocar freios” no crescimento do Integralismo.

Caffery demonstra um interesse vivo na questão do Integralismo no Estado Novo. Foi ele a buscar de Pimentel Brandão a resposta sobre Integralismo. Em 13 de novembro, relatando uma conversa privada com Vargas, informou, em novo telegrama, que o Presidente assegurou não estar conectado aos integralistas “de forma alguma”.

Os EUA por trás do Estado Novo

Os arquivos secretos da Wilhelmstraße, o ministério de Relações Exteriores da Alemanha nazista, traduzidos ao francês por Michael Tournier a partir de 1949, são reveladores.

Em relatório de 30 de março de 1938, Karl Ritter, embaixador da Alemanha no Rio de Janeiro, escrevia a Ribbentrop: “Pode-se considerar como certo que a ruptura do presidente Vargas com os integralistas e a perseguição de que estes são objeto, devem ser atribuídas à influência direta dos Estados Unidos”.

É claro que o regime nazista não tinha interesse político algum no Integralismo, seu inimigo declarado, ideológico e político. Mas, na condição de um dos mais poderosos Estados da Europa nos anos 30, era de todo o seu interesse monitorar os fatos em curso na América do Sul. [2] A eficácia da espionagem nazista tem larga divulgação na história e na cultura.

De acordo com Ritter, “os acontecimentos de 10 de novembro de 1937 no Brasil e a perspectiva de um governo brasileiro sob a influência dos integralistas assustaram os Estados Unidos”.

Explicou que o medo dos Estados Unidos era o estabelecimento de um regime integralista no Brasil, e, “em consequência da possibilidade de extensão de um estado de espírito análogo, toda a América do Sul fosse atingida”, tal como constava, já, do programa integralista. Conclui: “Viram nisto uma ameaça ao seu ideal político pan-americanista de democracia e individualismo”.

Os nazistas tinham a informação certa?

Hélgio Trindade (A Tentação Fascista) entrevistava, em 1969, Devoto Pereira. Era o chefe municipal da Ação Integralista Brasileira em Campos. Protagonizou um dos principais eventos sofridos pelos integralistas nos anos 30: a chacina realizada contra a AIB em Campos. Em 1938, Devoto foi solto do cárcere por intervenção direta de Osvaldo Aranha.

De 1934 até 1937, Osvaldo Aranha ocupou o cargo de embaixador do Brasil em Washington, capital dos Estados Unidos. Ali, foi amigo íntimo de Franklin Roosevelt. Mais tarde, em 1938, seria nomeado Ministro das Relações Exteriores do Estado Novo.

Afirmou Devoto:

Mais tarde, conversando com ele no Jockey Clube, [Osvaldo Aranha] me disse: “O mal de vocês foi a marcha de 1937. O Roosevelt exigiu a dissolução do integralismo.”

[Hélgio Trindade:] Naquela época ele era embaixador?

Sim, ele é que transmitiu essa ordem de Roosevelt.

A mesma coisa, oralmente, transmitia aos integralistas o filho de Osvaldo Aranha, Euclides, nas ocasiões em que frequentava a residência de Paulo de Vasconcellos, no bairro de Botafogo, zona sul do Rio. Segundo ele, a ordem de fechar o movimento integralista no Brasil partiu do próprio Roosevelt a seu pai, Osvaldo, que a transmitiu a Getúlio.

Plínio Salgado tinha a informação. Era amigo muito próximo de Osvaldo Aranha, que chefiou tentativas de redimi-lo politicamente ao longo do Estado Novo. Em seu último discurso na Câmara dos Deputados, à sessão de 3 de dezembro de 1974, Plínio Salgado levantou-se, publicamente, com as seguintes palavras: “Me atacava o capitalismo internacional, este finalmente conseguindo que viesse aqui o Presidente Roosevelt conferenciar com o Presidente da República brasileira para combinar um golpe de Estado a fim de nos liquidar” (Perfis parlamentares, p. 305). Ele afirmava que o fechamento da Ação Integralista foi primeiro proposto por Roosevelt em conferência privada de 27 de novembro de 1936. A mesma acusação foi repetida em livros e artigos.

Em sua coluna no jornal A Cruz, da Paróquia São João Batista do Rio de Janeiro, na edição de 15 de maio de 1966, Antônio Guedes de Holanda, figura eminente do Catolicismo anticomunista no Brasil dos anos 60, descrevia: “Proclamada a República, o conselheiro Eduardo Prado, monarquista por convicção, censurava a subserviência dos nossos homens públicos, num libelo tremendo — ‘A Ilusão Americana’ — contra a política interesseira dos Estados Unidos. […] O que sustentava Eduardo Prado, citando documentadamente exemplos de outras nações, é que em troca de uma amizade custeada iríamos perder a nossa independência. Hoje, somos de fato, uma colônia; ‘de nacional — ironizava Oswaldo Aranha — temos a água’. O que acontece entre indivíduos, passa-se entre nações. O credor aconselha, sugere e, por fim, impõe. O devedor está subjugado e receia a execução das dívidas.

“Em 1935, os comunistas — minoria possessa, audaciosa e cruel — cobriram Natal, Recife e Rio, de fogo, lama e desonra. No ano seguinte já estavam soltos (exceto os principais assassinos), liderando acontecimentos políticos. Luís Carlos Prestes era o Presidente da Aliança Nacional Libertadora. Roosevelt teria sugerido a Vargas, no encontro de Natal, a dar asas aos agitadores vermelhos. Por quê? Para quê? A resposta se tem em 1937 com o fechamento da Ação Integralista Brasileira, que não convinha ao credor um movimento de caráter nacionalista no Brasil. Outra explicação se terá também, mais tarde, nos estranhos acordos de Yalta e Potsdam. O Sr. Plínio Salgado vem a público, em livro, na imprensa e na tribuna, afirma todas essas coisas, que se perdem no vácuo; ninguém o contesta”.

Getúlio Vargas ao lado de Roosevelt

Getúlio e Roosevelt, em 1943. O Estado Novo de Getúlio foi o governo mais submisso aos Estados Unidos em nossa história

A ira do Estado americano contra o Integralismo

Em 1965, Plínio Salgado depôs no Diário do Paraná, 28 de maio de 1965, sobre uma conversa que teve, no ano de 1937, com José Carlos de Macedo Soares, então ministro da Justiça. O depoimento confirma as alegações de Guedes de Holanda. Segundo disse Macedo Soares, havia “uma medida que o governo deveria tomar, por imposição de Roosevelt”. “Tratava-se da libertação dos comunistas presos, sem o que o Governo norte-americano não atenderia a solicitações feitas pelo Brasil em matéria de finanças”. Que imposição diplomática estranha! Continuando, Plínio Salgado recorda que a “imposição” veio no momento das campanhas para as eleições presidenciais de 1938. Os candidatos, além do próprio Plínio, eram dois: Armando Sales, liberal, e José Américo, socialista. Plínio Salgado era o candidato mais cotado: sua vitória era dada como certa. Mas o discurso de esquerda de José Américo surtiu efeito nas massas libertas de comunistas radicais. “Dos comícios, passaram a novas lutas de rua e a atentados numa virulência que pronunciava nova tentativa de revolução armada”. É preciso repetir: Por quê?

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Era, realmente, tamanha a ira dos Estados Unidos contra o Integralismo, que, em 1946, o Departamento de Estado americano (U. S. State Department) publicou o Blue Book, o Livro Azul, sobre as relações de Perón com o Eixo. Nele, acusava o movimento integralista de colaborar com a Alemanha para o alinhamento do Brasil contra as Nações Unidas durante a Segunda Guerra Mundial. As acusações do Blue Book foram discutidas publicamente na imprensa e no Congresso. A Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS), assim como o Tribunal de Segurança Nacional, concluíram por sua improcedência. Qual propósito teria o Estado americano mentindo para associar o Integralismo ao nazismo e à “quinta coluna”? É uma coisa que nos falta descobrir… [3]

Getúlio, submisso a Roosevelt

Já no mesmo depoimento de Pimentel Brandão a Caffery, publicados em Foreign Relations, líamos uma passagem surpreendente: “O Ministro acrescentou que o Governo pretende continuar sua atual política externa, e especialmente suas cordiais relações com os Estados Unidos […]. O Ministro disse que o Governo percebeu plenamente a necessidade de capital estrangeiro e assistência no desenvolvimento da nação e explicou que o Governo pretende buscar uma política bem liberal a respeito do capital externo e dos estrangeiros com interesses legítimos no Brasil”. Uma revolução internacional desde o dia zero.

O célebre jornalista político Dantom Jobim, um dos líderes históricos da imprensa brasileira, que, entre 1937 e 1939, participou ativamente da instalação e sustentação do Estado Novo, cede um panorama interessantíssimo das relações entre Roosevelt e a ditadura, pelo Diário Carioca, do “príncipe dos jornalistas brasileiros”, Macedo Soares, à capa da edição de 12 de janeiro de 1950. Leiamos com muita atenção:

“Se alguma influência nestes últimos doze anos exerceu o governo norte-americano na política brasileira, terá sido em favor da ditadura do sr. Getúlio Vargas. Dirigia os destinos da grande república um democrata da estatura de Franklin Roosevelt quando ocorreu o golpe de 1937. Mas a rigorosa política de não intervenção nos negócios da América Latina, em que se fundava a diplomacia do Bom Vizinho, fez com que os Estados Unidos prestigiassem desde a primeira hora a ditadura brasileira. Tinham-na por expressão de necessidades e peculiaridades locais. Se os brasileiros não haviam conseguido preservar a ordem constitucional restabelecida em 34, se o único remédio por eles encontrado para prevenir os perigos do comunismo e do integralismo era um ‘governo forte’ — raciocinava-se em Washington — e se esse governo era cem por cento solidário com os Estados Unidos na esfera dos negócios internacionais, o que se deveria fazer, sem a menor hesitação, era apoiá-lo. Pois bem, esse apoio chegou mesmo ao excesso de conservarem os Estados Unidos, aqui, um embaixador como o sr. Jefferson Caffery, que se encerrou no círculo dos mais íntimos familiares do ditador, jamais tomando contato com a verdadeira opinião brasileira. Em grande parte, sem dúvida, deve-se o prolongamento do Estado Novo ao prestígio que o governo de Roosevelt dava ao governo de Vargas”.

“O Integralismo vigia”. O Integralismo é a sentinela alerta da Pátria

O Integralismo, futuro do Brasil

A ofensiva dos Estados Unidos contra o Integralismo vem de um motivo simples: o Integralismo é o único movimento capaz de destronar a influência bicentenária e imperial do imperialismo americano no Brasil. Um regime integralista seria a bancarrota oficial do domínio político, econômico, financeiro e cultural da Nação americana sobre a Pátria Brasileira.

O Integralismo é o único movimento da história do Brasil que, sem concessões, se levantou contra todos os tipos de imperialismos. A União Soviética e os Estados Unidos podiam ver no Brasil a mesma ameaça à sua expansão global.

Quando o Integralismo, por fim, fizer justiça à história, e suas ideias forem realizadas na Nação, os conquistadores americanos terão motivo de saudar a memória de Roosevelt, que permitiu a extensão do seu império à América Latina por mais um século.

Matheus Batista
Coordenador de Propaganda e Redes Sociais da Frente Integralista Brasileira

Notas:

[1] Hilton acusava Plínio Salgado de ter participado de espionagem para o Eixo, enquanto estava exilado em Portugal, no ano de 1941. Em 24 de janeiro de 1978, foi publicada no Jornal do Brasil a matéria “Viúva de Plínio Salgado processa historiador que o acusou de espionagem”. O processo (encarregado a Genésio Pereira Filho) nunca foi levado adiante, mas consta da matéria: “Segundo a viúva do sr. Plínio Salgado, as acusações feitas contra o seu marido são caluniosas, principalmente porque o líder integralista se encontrava doente em 1941, internado num sanatório, com os dois pulmões atingidos pela tuberculose, e nenhuma atividade lhe era permitida”. E continua: “Dona Carmela disse ainda que o advogado já está de posse de uma série de documentos comprobatórios do estado de saúde do marido à época em que os fatos que lhe são atribuídos ocorreram, além de fotografias dele no hospital, ao lado do médico”. Nos anos seguintes, integralistas levantaram evidências de que Stanley Hilton fosse um agente da CIA, o órgão da inteligência americana. Uma carta de João Hollanda Cunha à imprensa sumariza a questão: “A acusação de que o autor do paper editado pela Civilização [Stanley E. Hilton] é agente da CIA, não é de hoje. Aliás, a facilidade de seu acesso aos papéis do DOPS, à política secreta americana, a vivência entre os espiões e os recursos com que se movimenta (em viagens internacionais) são indícios graves que devem ser apurados pelas autoridades brasileiras”. É preciso recordar a ampla movimentação de Plínio Salgado contra o Eixo em suas cartas para o Brasil desde 1941 (vide O Integralismo perante a Nação).

[2] Ritter faz aqui uma constatação política, não um apoio ideológico. Os oficiais e doutrinadores nazistas tinham ódio do Integralismo, tratado com revolta pela imprensa nazista da própria Alemanha. Por isso o cônsul alemão em Florianópolis, Alnobert Dittmar, disse em relatório a Berlim de 20 de novembro de 1935 que um alemão integralista era “o coveiro do seu próprio germanismo”. E por isso o governo nazista expulsou do território alemão, em 1941, o monge beneditino e integralista D. Nicolau de Flue Gut, logo após a publicação do livro Plínio Salgado, o criador do Integralismo Brasileiro na Literatura Brasileira, que trazia trechos do pensamento de Plínio Salgado muito desagradáveis ao regime, embora sem menção ao nazismo. De fato, as duas doutrinas eram inconciliáveis. Daí que Plínio Salgado, já em 1936, no periódico oficial A Offensiva, legitimava a formação de uma rebelião contra o regime nazista na Alemanha, e dizia que o regime nazista, pagão, totalitário e materialista, como o entendia, era um perigo para o Brasil. E Wolfram Metzler, líder integralista no Sul, dizia que o nazismo era o maior inimigo do Integralismo na zona colonial. A revista Panorama, órgão oficial de cultura política da Ação Integralista Brasileira, divulgou que Integralismo e Nazismo eram forças opostas, que se combatiam. Tudo isso é explicado com maior profundidade pelo companheiro Victor Barbuy, em seu importante estudo O Sigma em oposição à Suástica. Recordamos que foram muito próximos os contatos da Alemanha nazista com o Estado Novo, de 1938 até 1942. Tão próximos que o nazista brasileiro Hunsche teve seu livro sobre o Integralismo retirado de circulação, pessoalmente, por Joseph Goebbels, logo após a instauração do Estado Novo, ainda que fosse um livro crítico, ressaltando a profunda diferença entre o Integralismo e o nazismo. Segundo Hunsche, a medida de Goebbels se justificava na ideia de que era então indevida a leitura sobre o Integralismo na Alemanha.

[3] Raimundo Padilha era o representante de Plínio Salgado no Brasil durante o período de 1939 a 1945. Foi, assim, chefe interino do movimento integralista das “catacumbas”. Ele defendeu o movimento com grande propriedade de todas as acusações, particularmente em seu discurso na Câmara a 9 de fevereiro de 1954, contando com depoimentos de grandes parlamentares de todas as correntes políticas. Ao longo do discurso, disse: “O ‘Livro Azul’ […] é documento tipicamente eleitoral, para impedir que o Sr. Juan Perón chegasse à Casa Rosada. Foi desencadeada essa campanha contra o Sr. Perón e, por acréscimo, contra aqueles movimentos de direita, que se diziam ligados, pelo menos por simpatia, ao do Sr. Juan Perón”; “o Reich afirmava perante o mundo que […] havia praticado [o afundamento de navios mercantes brasileiros] e justificava o ato; e o Departamento de Estado inventava que integralistas pediam ao Reich que se desculpasse, para se justificarem”. E, recordando que a Justiça americana identificou que mais da metade das representações dos Estados Unidos da América no estrangeiro estavam infiltradas de bolchevistas — na investigação decorrente da descoberta de espionagem por Harry White —, concluiu: “Sabe V. Exa. de onde veio esse documento, sr. deputado? Veio do mesmo ventre onde se fabrica a revolução bolchevista internacional. Este aqui é documento para destruir as resistências morais de uma nação”.