Hoje, dia 22 de Abril, comemoramos outro aniversário do descobrimento do Brasil.

Quanta controvérsia sobre o tema, controvérsia que a ninguém favorece. É desses assuntos que costumamos dizer “sexo dos anjos”. É claro que os portugueses chamaram de “Descobrimento” seu achado, porque antes não sabiam (ao menos com exatidão) se o Brasil estava por aqui. Os portugueses não fingiram que os índios não estavam aqui: retrataram-nos em seus quadros, em relatos, e levaram alguns para Portugal. Em algum momento da história escrita e ensinada por cá, se os leitores e professores perderam a capacidade de entender a questão tal qual é, e passaram a entender na palavra “descobrimento” o mesmo que “criação do nada”, não me parece ser falha dos inúmeros registros, mas de uma proposital falha ideológica disposta a criar narrativas artificiais para contribuir com a ideia de que fomos “explorados” por Portugal quando isso não representa a verdade.

Ainda é preciso frisar quanto à “controvérsia” do descobrimento: quem somos e como somos deriva maximamente da cultura europeia, muito mais que da indígena, que assimilou a cultura trazida pelos portugueses com muita facilidade, se considerarmos os episódios de violência e sua natureza, com os tempos de paz e os muitíssimos episódios de ajuda mútua. Inclusive, não podemos deixar de lembrar que, se não fosse a boa-vontade do português, pouquíssimas coisas saberíamos dos povos indígenas, inclusive sua língua, cujo registro devemos totalmente ao trabalho de São José de Anchieta. Aliás, é necessário nos recordar sempre das palavras de Gustavo Barroso:

“Através do português, nos radicamos inegavelmente na Cultura Espiritual do Velho Mundo. Se nos artefatos de trabalho popular, na toponímia, em algumas formas de linguagem, em certos sentimentos, em raras manifestações de arte, na culinária e nos costumes, se sentem África e América, no domínio das coisas verdadeiramente espirituais, isto é, na Cultura, segundo seu exato conceito sociológico e cristão, a Europa predomina e há de predominar. Se somos um povo cristão, se queremos criar um Estado Cristão, como apregoa a Doutrina Integralista, o nosso conceito de cultura tem de ser, fatalmente, um conceito cristão. E esse alto conceito não vem batizado com a ardência do sol líbico, nem com a espuma das cachoeiras que cantam nos araxás e nos sertões americanos, mas com a água azul do velho mar Mediterrâneo. Teríamos, porventura, uma Cultura Espiritual, sem formas de Direito, sem normas de Ciência e de Filosofia, sem cânones de Moral e de Religião? Absolutamente, não. De onde veio o nosso Direito nas suas bases imortais? Das regras primitivas, orais e consuetudinárias, das malocas e das aringas? Não. Do antigo Fórum romano. Nas concepções sobre Mboia e Bingo, de Minas e Bantus, ou das sobre a Cobra Grande e Jurupari, dos indígenas emplumados de cocares? Não. Das claras ágoras atenienses em que discutiam os peripatéticos e do Jardim de Academus, dos banquetes platônicos e das pólis euclideanas. Em que Deus acreditamos e que código moral seguimos? Ogum, Xangô, Tupã, Guaraci? As regras singelas e primevas de exogamia, de endogamia, de guerra ou de caça dos Bororós, dos Gés ou dos Tupis? Não. Nosso Senhor Jesus Cristo e os Evangelhos”. 

Vem então aquele papo de “destruição cultural”. Ora, onde está a perfídia da “destruição cultural” no fato de terem ensinado aos índios a Civilização e o Evangelho, na língua e costumes deles próprios, aliás? Afinal, os que hoje falam de “destruição cultural” são os que leem Marx ou Rousseau, e, mais que o pensamento importado, querem trazer também os vícios, os erros, as ideologias e as formas de organizar a sociedade… Isso é abusar do direito de ser hipócrita! Há estalões de cultura que são de caráter moral e universal, objetivamente, a não ser que caiamos no erro relativista, ou, como o grosso dos nossos inimigos, materialista, subordinando a verdade às categorias de “opressor” e “oprimido”… dizia C. S. Lewis: “Se um conjunto de ideias morais não fosse melhor do que outro, não haveria sentido em preferir a moral civilizada à moral bárbara, ou a moral cristã à moral nazista. É ponto pacífico que a moralidade de alguns povos é melhor que a de outros”. Se uma norma de Direito, uma ética, valores universais de cultura e sociedade, não fossem, também, mais apropriadas a essa moral e à reta ordenação da comunidade humana, mestiça e original, que se desenvolveu no Brasil, bem poderiam nossos “reacionários” (já pagãos!) dar o exemplo, organizando sua própria tribo, através de um êxodo para a mata — são tantos, afinal, que braços não faltarão…

Vamos refrescar a memória.

Disse Henrique Lopes de Mendonça: “A expedição de Pedro Álvares Cabral era a primeira que em som de guerra ia ameaçar no Oriente a arrogância muçulmana”. A Ordem Militar de Cristo, vinda inequivocamente dos heróis cristãos das grandes cruzadas, seguia sua tradição de alargar a fé. Para isso,  desenvolveram a mais alta técnica náutica na escola de Sagres. A técnica, somada a interesses mercantis e uma fé inabalável no fundamental da missão, expandir a fé em Cristo, tornaram Portugal o maior Império em extensão do mundo. 

Poucas aventuras podem ser comparadas à epopeia das grandes navegações. É incalculável o número de homens que morreram nos mares tenebrosos. Diz-se que nas naus portuguesas havia o equivalente em termos de tecnologia do primeiro foguete que chegou na lua. E isso não é de se duvidar. Das 13 velas de Pedro Álvares Cabral, 10 eram do Rei, uma era del signor don Alvaro (de Bragança), in compagnia de Bartolo fiorentino et Hironimo et uno genovese; outra, do Conde de Porto Alegre. 

O comando das 13 velas de Cabral estava assim distribuído:

1- Pedro Álvares Cabral – Nau Capitânia; 2- Sancho de Tovar – Nau sota-capitânia (“El-Rei”); 3- Simão de Miranda – Nau; 4- Bartolomeu Dias – navio destinado a Sofala; 5 – Vasco de Ataíde – Nau; 6- Aires gomes da Silva -Nau; 7- Simão de Pina – Nau; 8- Nicolau Coelho – Nau; 9- Nuno Leitão da Cunha – “Anunciada”, navio; 10- Diogo Dias – Nau; 11- Pedro de Ataíde – navio “S. Pedro”, de 100 toneladas; 12- Luís Pires – nau; 13 – Gaspar de Lemos – navio dos mantimentos. 

Sigamos o roteiro ditado por Plínio Salgado:

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“No dia 14, chegam às Ilhas Canárias. A 22 ancoraram no arquipélago de Cabo Verde. Daí por diante seguem na direção Sudoeste, mas, em meados de abril, na latitude de 17 graus e muito distantes da África, tomam resolutamente o rumo do Oeste. Desistiram de dobrar o Cabo da Boa Esperança e ir às índias? Tudo nos leva a crer que sabiam da existência de uma terra no Ocidente, a qual devia estar próxima. Ovídio da Cunha explica: “Eis como se conciliam as duas teses, a da intencionalidade e do acaso do descobrimento do Brasil. Houve, efetivamente, acaso na aguada da frota em Porto Seguro, pois não a buscava, nem mesmo a conhecia. Ignorava-se, entretanto, entre os grandes iniciados portugueses, a existência da terra? Não, porque o recuo do meridiano (isto é, o recuo da linha da bula Inter Coetera para 340 léguas a oeste de Cabo Verde) prova o conhecimento anterior de algo muito importante a defender pelos portugueses”. Em 21 de abril, surge na água sinais de terra. No dia 22, aves pela manhã; à tarde, os nautas avistam um monte, e ao sul, terra plana com arvoredos. Deu Cabral ao monte o nome de Pascoal e à terra o de Vera Cruz. Verificam ser a terra habitada por gente nua com cintos de penas. No dia 24, a armada encontra um porto de bom abrigo. A espaçosa baía é denominada Porto Seguro. 

“Das treze velas saídas do Tejo no dia 9 de março de 1500, somente doze chegaram ao Brasil, somente seis atingiram a Índia, e somente quatro regressaram a Lisboa; naufrágios e outras situações, habituais durante as navegações, foram responsáveis pelo desmantelamento da esquadra de Cabral.

“D. Manuel recebeu Cabral com júbilo e honrarias. Algum tempo depois, com uma armada de 20 navios, foi Cabral escolhido para consolidar o prestígio português nas índias. Cabral recusou o trabalho, e, em virtude de sua recusa, o Rei nunca mais o quis na liderança de outra expedição. Cabral retirou-se para Santarém, onde morreu em 1520”.

A grande lição do descobrimento do Brasil, que nós não podemos perder de vista, é a herança da tradição, da nobreza e da missão dos nautas. Com o mesmo espírito que aqui chegaram e rezaram a primeira missa, é nosso dever de brasileiros afirmar e reafirmar a fé em todos os lugares que estivermos: a Terra de Santa Cruz que está em nossos corações. É, sobretudo, um dever salutar honrar pela memória àqueles que deram suas vidas para alargar a verdade da fé ao longo de nossa história. Isso faz parte da busca pela nossa essência, que não se perderá jamais, não importando o quanto tenham desfigurado nossa capacidade de compreender a grande obra feita em nossa Pátria. 

Precisamos de um novo Descobrimento. Precisamos descobrir o Brasil em nós! E tal tarefa não é mais difícil do que passar a vida acreditando em mentiras e tentando negar nossa personalidade e nossa essência brasileira.

Façamos nossas as palavras de Plínio Salgado, que disse:

Estes dias inquietos, que estamos vivendo no Brasil, exigem da nossa geração uma atitude sem precedentes. Chegou o momento de tomarmos uma resolução suprema: revestir-nos da coragem de nos confessarmos brasileiros…

Moises J. Lima
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

Matheus Batista
Suplente de Secretário-Geral da Frente Integralista Brasileira

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