Companheiros e companheiras! Camisas e blusas-verdes das legiões do Sigma! Homens e mulheres deste grande Movimento do Ontem e do Amanhã, do Pretérito e do Porvir! Soldados de Deus e da Pátria, sentinelas sempre alertas por Cristo e pela Nação! Demais senhores, senhoras e senhoritas aqui presentes, nesta histórica data em que toma posse a nova Diretoria da Frente Integralista Brasileira, Instituição que representa hoje a vanguarda das coortes do verdadeiro nacionalismo e uma autêntica escola do mais lídimo civismo e do mais puro e genuíno patriotismo! Escutai as palavras singelas deste humilde seguidor do grande arauto e descobridor bandeirante das essências da Pátria que foi, é e será Plínio Salgado!

Tive eu o primeiro contato um pouco mais aprofundado com o Integralismo aos dezessete anos, nos idos e vividos dias do alvorecer do presente século, ao ler as memórias de um dos principais doutrinadores do Integralismo e mais notáveis vultos da pujante e ínclita geração integralista, a saber, o magno jurista Miguel Reale. Pouco depois, ainda aos dezessete anos, tive a oportunidade de ler os dois volumes da obra Plínio Salgado, in memoriam, que contêm diversos ensaios de autores d’aquém e d’além mar a respeito do tão grande e brilhante quanto injustiçado autor da Vida de Jesus e de Espírito da burguesia (Plínio Salgado) e de sua obra e, logo em seguida, o livro O Homem Integral e o Estado Integral, excelente suma das doutrinas políticas de Plínio Salgado, escrita em fins  da década de 1950 por Sacerdos, pseudônimo de um jovem sacerdote dos sertões do Ceará, ora Arcebispo Emérito de Brasília.[1] Pouco mais tarde, procedi à leitura da obra O pensamento revolucionário de Plínio Salgado, formidável antologia deste magno adail da Fé e intérprete autêntico do Brasil Integral, organizada por Augusta Garcia Rocha Dorea, e também do livro A folha dobrada: Lembranças de um estudante, belo volume de memórias do Prof. Goffredo Telles Junior, que, assim como Reale, foi e continua sendo um dos maiores jurisconsultos patrícios  e um dos mais ilustres homens de mil do Integralismo, Movimento que, na década de 1930, reuniu o que havia de mais fino e representativo na intelectualidade pátria, constituindo, nos dizeres de Gerardo Mello Mourão, o “mais fascinante grupo da inteligência do País”.[2]

Aos dezoito anos, em 2003, li o monumental romance O estrangeiro, de Plínio Salgado, e diversas outras obras deste bravo apóstolo e bandeirante da Fé e da mais lídima Brasilidade, incluindo a Vida de Jesus e Primeiro, Cristo!, fundamentais no meu processo de retorno ao Catolicismo, que se consumou naquele ano, após um longo e tenebroso período de ateísmo, em que – ai de mim! – proclamara a morte de Deus e bradara aos quatro ventos que o sentido da vida é que a vida não tem sentido…[3]

No ano seguinte, já havendo lido uma vasta quantidade de obras integralistas e tido a oportunidade de conviver com alguns veteranos do Movimento, a exemplo do Sr. Gumercindo Rocha Dorea, aqui presente, e do saudoso Dr. Genésio Pereira Filho, insigne bandeirante do Espírito falecido no ocaso do ano passado, após haver combatido o bom combate por quase um século, passei a frequentar as reuniões da Casa de Plínio Salgado, Instituição cuja sede se localizava então na Avenida Casper Líbero, número 36, no bairro de Santa Ifigênia, no Centro desta Capital. Foi ali, aliás, que, já no alvorecer do ano de 2005, tornei-me um dos fundadores oficiais da Frente Integralista Brasileira (FIB),[4] Instituição em que logo passei a ocupar o prestigioso cargo de Secretário Nacional de Doutrina e Estudos, pouco depois cumulado com aquele de Vice-Presidente.

Isto posto, devo dizer que, na condição de Secretário Nacional de Doutrina e Estudos da Frente Integralista Brasileira, realizei, na segunda metade da década de 2000, um trabalho sem precedentes recentes de divulgação da tão nobre quanto injustiçada Doutrina Integralista e da igualmente tão nobre quanto injustiçada História do Movimento do Sigma. Ao mesmo tempo, na qualidade de Vice-Presidente da FIB, assumi interinamente por diversas vezes a Presidência Nacional desta Associação, na ausência do então Presidente, o Sr. Marcelo Batista da Silveira.

Em janeiro de 2009, por ocasião do III Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira, realizado na cidade do Rio de Janeiro, foi lançado o Manifesto da Guanabara, documento redigido por mim e que alcançou então considerável repercussão, e fui comunicado pelo Sr. Marcelo Silveira de que em breve deveria assumir definitivamente a Presidência Nacional da Frente Integralista Brasileira, o que de fato se deu poucas semanas mais tarde.

Na condição de Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira, cargo que ocupei por mais de uma década, entre os albores do ano de 2009 e este dia 14 de março de 2020, dei prosseguimento ao frutuoso trabalho iniciado na Secretaria Nacional de Doutrina e Estudos no sentido de mostrar a todos o que o Integralismo verdadeiramente é, contando, para tanto, com a preciosa colaboração de veteranos da primeira e da segunda geração integralista, como Damiano Gullo, Hélio Pellegrini, Genésio Cândido Pereira Filho, Gumercindo Rocha Dorea, Dario Alves, Acacio Vaz de Lima Filho e José e Pedro Baptista de Carvalho, assim como de expoentes da terceira geração, como Sérgio de Vasconcellos e Paulo Fernando Costa; da quarta, em que me incluo ao lado de companheiros como Cleiton Oliveira, Moises Lima, Carlos Eduardo Ferraz, Lucas Pavão de Carvalho Xavier, e, mais recentemente, de Matheus Batista, Ronan Matos, Danilo Allan de Assis, Igor Awad, Breno Costa, Marcos Lima, Paulo Sales, Fellipe Alves, André dos Santos, Mateus Tomaz Martins, Fernando Zanardo, Carlos Ribeiro, Jonas de Mesquita, Gabriel Gangussu e muitos outros vultos daquela que tem sido chamada a quinta geração integralista. Como resultado de tal labor, temos visto, nos últimos anos, um exponencial crescimento do número de integralistas e um recrudescimento ainda maior do número de simpatizantes do Movimento e da Doutrina do Sigma, dentro e fora das fronteiras do vasto Império que é o nosso Brasil e tanto em terras d’aquém quanto d’além oceano.

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Em 2010, como muitos aqui bem sabem, a Frente Integralista Brasileira desempenhou um papel fundamental na grande campanha então levada a cabo por diversos cristãos e patriotas brasileiros contra o autoproclamado Partido dos Trabalhadores (PT) por conta da posição deste em favor do aborto. A propósito, foi graças a tal campanha que tivemos um segundo turno nas eleições presidenciais daquele ano e que o desgoverno petista não “legalizou” o crime do aborto em nosso País, cumprindo a promessa que a então candidata Dilma Rousseff se vira forçada a fazer à Nação por conta do clamor público que se ergueu contra ela e seu partido em virtude de sua posição favorável ao aborto.

Nos anos de 2013 e de 2014, participamos ativamente das grandes manifestações públicas que então tiveram lugar na Avenida Paulista, no coração desta cidade de São Paulo, desempenhando papel fulcral no processo de direcionamento destas contra o desgoverno petista e tendo sido os principais responsáveis pela expulsão dos partidos ditos de “esquerda” de tais manifestações. Antes disso, já tínhamos realizado, também na Avenida Paulista, diversas manifestações em favor da extradição do assassino e terrorista Cesare Battisti, bem como em defesa da Vida e da Família e contra a corrupção generalizada que grassava no desgoverno petista.

Nos idos de março de 2014, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade ou, simplesmente, Marcha da Família, totalmente organizada pela Frente Integralista Brasileira, reuniu milhares de pessoas na região central desta Pauliceia, em memória dos cinquenta anos da Marcha de mesmo nome realizada no mesmo local aos 19 de março de 1964 e que teve, aliás, Plínio Salgado como um dos principais oradores.

Poderia permanecer aqui por horas a fio falando de todas as realizações da FIB nos últimos anos, assim como de todas as incompreensões, injustiças e calúnias que temos sofrido por lutar por Deus, pela Pátria e pela Família. Já havendo, contudo, me alongado além daquilo que pretendia, encaminho-me ao encerramento destas palavras, não sem antes ressaltar que, em todos estes anos em que permaneci na liderança da Frente Integralista Brasileira, julgo ter sempre combatido o bom combate, guardado a Fé e feito tudo aquilo que era humanamente possível fazer com tão poucos recursos pelo Bem do nosso amado Brasil e deste nosso magno Movimento do Passado e do Futuro. Nada esperando da Pátria e em tudo desejando servi-la, encerro aqui esta breve fala, sublinhando que tudo valeu a pena, pois um sentido de uma vida heroica pelo Bem desta Terra de Santa Cruz tornou mais valoroso tudo o que fiz e que, do mesmo modo, valeu e vale a pena marchar sob a luz deste magnífico ideal de paladinos, que é o ideal de pelejar por Cristo e pela Nação, continuando sempre esta marcha e esta luta sem tréguas até o fim de minha jornada terrena, esperando, como nosso Chefe Plínio Salgado, fechar os olhos na terra para abri-los no Céu e então poder exclamar a Deus: “Eis-me, Senhor: o vosso servo está exausto; mas cumpriu o seu dever para com a Pátria que lhe destes, fiel à lei que lhe traçastes”.[5]

Victor Emanuel Vilela Barbuy,

Secretário Nacional de Doutrina e Estudos e Secretário Nacional de Assuntos Jurídicos da Frente Integralista Brasileira,

São Paulo, 14 de março de 2020.

Notas:

[1] D. José Freire Falcão.

[2] Entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Disponível em:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=414001. Acesso em 14 de março de 2020.

[3] Nesse caliginoso período de ateísmo, escrevi um poema de que constavam, dentre outros, os seguintes versos: “Quando quis conhecer a Deus,/ Vi que Ele estava morto./ Quando quis realizar meus sonhos,/ Percebi que era incapaz de realizar meus sonhos./ Quando quis entender o sentido da vida,/ Entendi que a vida não tinha sentido./ Quando li a obra de Nietzsche,/ Notei que poderia tê-la escrito./ Sinto agora saudades/ Do tempo em que contemplava/ Estas mesmas montanhas/ Sem ter ainda ouvido a voz/ Do demônio que um dia me disse/ Que Deus estava morto/ E que o sentido da vida/ É que a vida não tem sentido./ (…) Serei sempre aquele em quem o ateísmo/ Existiu por instinto./ Serei sempre aquele que cantou/ A cantiga do nada/ Numa montanha qualquer/ E ouviu a voz de Nietzsche num poço tapado./ Serei sempre aquele que ouviu/ A voz de Nietzsche num poço tapado/ E gritou ao mundo/ Que Deus estava morto,/ E que o sentido da vida é que a vida não tem sentido.”

[4] Embora tenha surgido de fato em fins do ano de 2004, quando foi realizado, em São Paulo, o I Congresso Integralista para o século XXI, a fundação oficial da Frente Integralista Brasileira se deu apenas em janeiro do ano seguinte.

[5] Discurso de Belo Horizonte, in Discursos, 1ª edição, São Paulo, Companhia Editora Panorama, 1947, p. 190. Cumpre ressaltar que as últimas linhas do derradeiro parágrafo do presente discurso são, em última análise, uma paráfrase de parte da magnífica peroração do Discurso de Belo Horizonte, um dos mais belos do magno orador que foi e é Plínio Salgado.

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