Yascha Mounk é o típico intelectual liberal-democrático. Plural e moderno, apareceu recentemente no Brasil sua última obra, “O povo contra a democracia”. Após duas centenas e poucas páginas constatando o declínio da democracia liberal no mundo, o autor apresenta seu primeiro remédio: “domesticar o nacionalismo”.

O Sr. Mounk deixa bem claro: “não há nada de natural no conceito de nação”. Aliás, ressalta ainda a “força destrutiva do nacionalismo” e a “arbitrariedade das nações”. Até mesmo menciona “a rapidez com que uma definição inclusiva da nação pode retroceder a uma definição excludente”. No entanto, é forçoso que admita que o “nacionalismo parece estar destinado a ser no século XXI a força política mais decisiva de sua época”.

O Sr. Mounk é claríssimo em suas intenções. Ele rechaça a nação e teme o nacionalismo. Mas, se todas as armas são válidas, é ele próprio a dizer: “A retórica importa: como a nação é, na famosa descrição de Benedict Anderson, ‘uma comunidade imaginada’, a forma como falamos dela tem o poder de afetar sua natureza”. Eis, portanto, a condição para o nacionalismo: “contanto que permaneça sob nosso controle, pode ser de enorme serventia”, embora esteja “sempre ameaçando se livrar dos freios que lhes colocamos”.

O Sr. Mounk deve ter pensado escrever seu livro apenas para o público de esquerda. Mas, para qualquer pessoa de caráter que o leia, suas palavras são um ultraje de consciência. O nacionalismo é não mais do que um animal a ser domesticado, para através dele ser possível obter controle sobre as mentes em que se exprime a consciência nacional – os componentes dessa “comunidade imaginada” e fictícia. É preciso, para a esquerda liberal-democrática, mudar o que é a Nação, “afetar sua natureza”, com o propósito de servir à retórica persuasiva de um sistema puramente ideocrático e vazio de sentido real. As coisas adquirem, como no comunismo puro, um caráter instrumental e utilitário em face do ideal.

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Se o Sr. Mounk tivesse real preocupação com o nacionalismo, saberia reconhecer os movimentos nacionalistas genuinamente inclusivos, notoriamente americanos, dos quais o maior expoente é o Integralismo. Propondo integrar todas as comunidades num só Império brasileiro, não aceitamos qualquer tipo de exclusivismo e jacobinismo. Mas o elo do Sr. Mounk é com o ideário perverso do liberal-democratismo individualista-atomista, agnóstico e (pós-)moderno. Ao seu serviço, propõe-se a instrumentalizar as consciências da comunidade nacional “imaginada” no sentido de algo que lhe é inteiramente alheio.

São os falsos nacionalistas a que aludia Plínio Salgado. Falando pomposamente em nome da Nação, não lhe querem ser fieis: estão abertos a destruir as bases de sua fundação – suas tradições -, sua identidade, sua soberania e sua cultura a qualquer momento em nome de um ideal anacional ou anti-nacional. Esse o ideal que pretende “afetar a natureza” da nação.

É nosso dever combater os perversos infiltrados no nacionalismo, como já há muito estão, particularmente no Brasil. O verdadeiro nacionalismo há de triunfar. E que o faça sem a democracia liberal.

 

Matheus Batista
Secretário Nacional de Ação e Mobilização da Diretoria Administrativa Nacional

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