Manifestantes contra a violência policial em Minneapolis contra negros queimam a delegacia de St. Paul.

Na segunda-feira, dia 25, começaram a apontar na internet as imagens da morte do segurança afro-americano George Floyd. A polícia atendia a uma chamada segundo a qual um homem havia tentado usar cartões falsos em uma loja de conveniência. O suspeito teria sido localizado em um veículo e resistido à abordagem policial. Pressionado contra o chão pelo joelho de um policial branco, Floyd passou oito minutos de agonia, tendo se queixado de que não conseguia respirar. Em seguida, faleceu.

A morte foi o pretexto para o princípio de uma guerra racial em Minneapolis, onde foi o seu cenário, no estado americano de Minnesota. Na noite de quarta-feira, 16 edifícios foram incendiados pelos manifestantes. Na sexta, dia 29, foi a vez da delegacia. Os protestos clamam pelo fim da violência policial e do racismo.

Segundo a autópsia do Instituto Médico Legal de Hennepin, no dia 26, não há nada que possa sustentar um diagnóstico de asfixia traumática ou estrangulamento. Floyd possuía más condições de saúde, incluindo doença arterial coronariana e hipertensão cardíaca. Estava, além disso, potencialmente intoxicado, como evidenciado já no início da abordagem policial. Essas teriam sido as principais causas que o levariam a óbito. [1]

A histeria negra se alia a um fato óbvio: o racismo branco. Ainda na sexta, o repórter da CNN, Omar Jimenez, negro, foi violentamente detido enquanto cobria ao vivo os protestos perante a câmera. Na gravação, é possível verificar que Jimenez e sua equipe estavam isolados, sem aparentar risco algum. A mesma atitude policial não se verificou com Josh Campbell, repórter branco, que cobria a mesma cena.

Onde tudo começa?

Antes de chegarmos à situação social corrente, a sociedade americana fundou-se longamente no princípio da luta de raças. A despeito dos elevados sentimentos morais que a inspiravam, com os puritanos, a América não viu a democracia racial. Viu, sempre, graças a um forte “gérmen” materialista que carregava consigo, o apartheid, a intriga, o desprezo e a desigualdade. Baseados nessa sociedade, certos “intelectuais” de esquerda, tanto quanto, o que é mais estranho, “nacionalistas”, defendem para o Brasil a mesma solução racial que lá eles tomam para si: a do conflito, da desordem e da espada. No Brasil, pelo contrário, vivemos desde os nossos primórdios uma “democracia bárbara”: brancos, índios e negros uniam-se na conquista da terra virgem, na união da Família e no culto a Deus. Aqui, o que não conhecemos foi a luta de raças. O brasileiro, com sua argamassa ibero-católica, sua matriz lusitana, sentimento patriarcal e benevolência indulgente, com o espetáculo do sertão inexplorado, comungou desde sempre com todas as raças que aqui aportavam para construir conosco uma Pátria. É João Ramalho, mestre piratininga, pai dos mamelucos. É o velho cacique Tibiriçá, príncipe das selvas, que fez-se guerreiro de Cristo na fundação de São Paulo! É Moacir, o primogênito de Iracema e Martim no Ceará. São Caramuru e Paraguaçu, pais da grande família cristã dos Torres, muito honrada pelos reis de Portugal. Será, enfim, o sacrifício bélico na Guerra da Luz Divina, consumado nas duas batalhas de Guararapes, quando pela primeira vez se usou a palavra “Pátria”. Davam as três raças o sangue, umas pelas outras, debaixo da bandeira de Cristo.

“Desde que os negros de Henrique Dias, os índios de Camarão e os brancos de Vidal de Negreiros e Fernandes Vieira derramaram juntos o seu sangue, em defesa do mesmo ideal brasileiro, nos campos de Tabocas e dos Guararapes, nunca os filhos desta grande e infeliz Pátria repararam na cor de pele ou na qualidade do cabelo uns dos outros. […] O Brasil era dos brasileiros e os brasileiros só tinham uma mesma cor, a cor do Brasil. […]

Lentamente, o índio fora entrando na comunidade brasileira. O negro faz parte da domesticidade e da família. O leite da Mãe Preta tornara-o colaço do branco. E os caboclos, crioulos, mamelucos, cabras, pardos, mulatos, curibocas e cafuzos encontraram sempre abertos todos os caminhos.

Além da posição geográfica contrária aos Estados Unidos, nós ostentamos diante deles a diferença ainda maior da nossa falta absoluta de preconceitos de raça e de cor. Não afastamos de nosso meio o descendente do índio e não tornamos num achincalhe a negrura do preto. Lembramo-nos sempre do indígena, dono do país, auxiliar do sertanista, catecúmeno de Anchieta e o tratamos como irmão. Recordamo-nos sempre de negro arroteador das matas virgens que ensopou de suor as plantações das grandes fazendas da velha aristocracia rural e os integramos, sem limitação, na vida brasileira

O homem de cor esqueceu-se da sua cor e galgou todos os postos na paz e na guerra, na diplomacia e na ciência, nas letras e nas artes, na política e na governança”. Gustavo Barroso [2]

Não é necessário a leitura da obra de um sociólogo do tamanho de Gilberto Freyre para extirpar qualquer dúvida sobre a ausência de um fundamento racista na cultura brasileira. Basta o estudo atento da nossa história, com a verificação das nossas relações sociais e condições antropológicas. Infelizmente, pseudo-historiadores, visando o acirramento de lutas materiais no Brasil, fundamentados no materialismo histórico de cunho marxista, deformaram a nossa história, incluindo nela a constante absurda da “luta de raças”, como complemento à “luta de classes”. Se hoje há uma acentuada “luta de raças”, e uma acentuada “luta de classes”, não é possível, contudo, atribui-las à essência da nossa vida nacional. Seu denominador é o mesmo: a civilização burguesa, que fincou raízes no Brasil ao longo dos últimos 200 anos. Dizíamos no Manifesto de Outubro: “Esses burgueses criaram preconceitos étnicos originários de países que nos querem dominar. Desprezaram todas as nossas tradições. Nós somos contra a influencia perniciosa dessa pseudo-civilização, que nos quer estandardizar”.

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Não é essa civilização a que baseia a existência no materialismo, nas condições exclusivamente materiais e, como consequência, na luta? Onde há interesse material, há divisão, dissensão e luta. Por séculos, todas as raças e procedências se uniam sob caracteres espirituais, religiosos, patrióticos e familiares. Mas quando a base da existência é transportada para mesquinharias econômicas e sociais, para a ostentação, o conforto, o sexo e o estômago, não há fator possível de união. A satisfação é sempre individual. Por isso, a civilização burguesa, materialista e individualista, é onde mais se verificou o fenômeno da luta. Parece não haver mais nada que não se subordine à discórdia. Bem nos diz o conhecido comunista Aldo Fornazieri, em publicação endossada por Jessé Souza, que a “Deusa da Discórdia” abençoa as rebeliões raciais nos Estados Unidos…

Erro ou má-fé?

Fornazieri, contudo, parece se contradizer. À Deusa da Discórdia, ele acrescenta uma outra: a da Justiça. Como pode haver justiça onde as exterioridades de raça e a cor se sobrepõem ao sentimento moral, à ordem, paz e harmonia? Justiça, Sr. Fornazieri, é o oposto de vingança. Não pode haver justiça onde o fundamento se encontra na luta. Que justiça encontram os pequenos negócios de Minneapolis? São eles a fonte de sustento de tantas famílias, e estão agora barbaramente devastados pelas turbas revoltadas, impassíveis, irreconciliáveis! Os bancos e grandes empreendimentos possuem, sem dúvida, um seguro que os livre de quaisquer dores de cabeça. O único seguro, Sr. Fornazieri, que um pequeno mercado familiar pode encontrar é a ruína. Ele assinala: “As populações das periferias do Rio e do Brasil precisam desencadear suas iras santas e justas. As autoridades e a sociedade precisam saber que há um preço a pagar por esses crimes [contra os negros]. E quem deve cobrar esse preço são as comunidades através de suas revoltas”. Mas não há aqui justiça alguma, senão o sentimento cru da vingança e do ódio!

Edifício incendiado em Minneapolis, durante manifestações negras, nos Estados Unidos.

Cedem os fundamentos de um grande edifício. Se a América não reavaliar os seus próprios fundamentos, será trivial a sua queda

É isso, brasileiros, que querem trazer para o Brasil. Não só o materialismo de raça; mas todas as desgraças que qualquer materialismo carrega consigo. Estamos vivendo em plena civilização materialista. A solução não está no acirramento das lutas da matéria, mas na criação de uma unidade de espírito. Não é a luta de raças que pode ajudar os negros, que estão em desvantagem social. É a união, a solidariedade de todos num só espírito em Cristo e no Brasil. Não se conhece na história um caso em que o conflito tenha sido motor de paz. É impossível do caos sair a ordem. Enquanto os materialistas buscam trazer ao Brasil as desgraças da luta de interesses, nós, integralistas, cristãos, queremos que impere aqui a unidade espiritual de todos, sem qualquer apreço por cores ou procedências, mas pelo valor espiritual de cada um, pelas virtudes, pelo aprimoramento físico, intelectual e espiritual. Se “um reino dividido contra si mesmo não pode subsistir” (Mc 3,24), todos aqueles que espalham entre nós a divisão são nossos inimigos inassimiláveis.

Nosso futuro é diferente

Os Estados Unidos estão enfrentando as consequências do fundamento materialista em que basearam sua existência nacional. Nós precisamos erguer a nossa, que dará início a uma grande e gloriosa civilização, sobre um fundamento completamente diferente: o Espiritualismo Cristão. Sairá daqui a Grande Nação Cristã, um Império em que os troncos do capitalismo, do materialismo histórico e do espírito burguês, que deram origem ao racismo, ao desprezo às nossas raças de um lado, à revolta dessas raças umas contra as outras de outro, serão substituídos por raízes sólidas, que encontrarão seu firmamento no fundo da nossa essência jesuítica e bandeirante. Não a luta, mas a Justiça. Não a raça, mas a Nação. São esses os nossos princípios inconfundíveis, afirmados solidamente no Manifesto de 13 de Maio. Com eles, bradamos, contra supremacistas de todas as raças e classes, em nome de um só e mesmo Brasil:

Iassô Pindorama koti, itamarana pô anhaatim Yara rama recê!

Informações: Reuters e Advogados do Hennepin

Matheus Batista
Suplente de Secretário-Geral da Frente Integralista Brasileira

Referência:

[1] Parece estar em curso uma guerra de narrativas médicas. O texto apresenta o resultado da primeira autópsia, realizada pelo Instituto de Hennepin. Na autópsia seguinte, divulgada em 31 de maio e realizada pelo mesmo Instituto, apesar da confirmação de um homicídio, a causa da morte é estabelecida como parada cardiopulmonar resultante da restrição, contenção e compressão, por Chauvin, do pescoço da vítima. O resultado, contudo, cita três condições verificadas em Floyd: doença cardíaca aterosclerótica e hipertensiva, intoxicação por fentanil e uso recente de metanfetamina. A versão apresentada, horas antes, pelos médicos contratados pela família de Floyd, numa manobra legalmente questionável e conduzida pelo figurão Dr. Michael Baden (principal envolvido em muitas acusações absurdas de lobby nas últimas cinco décadas, desde a investigação do assassinato de John F. Kennedy e Lee Harvey Oswald ao primeiro julgamento de O. J. Simpson, até, enfim, a autópsia de Jeffrey Epstein como morto por suicídio…), nega a contribuição de qualquer problema médico subjacente no óbito e estende sua culpa aos três outros policiais… Enquanto aguardamos os resultados do exame toxicológico, que devem ficar prontos em algumas semanas, contenhamos nossas dúvidas sem externalizá-las em absurdas pretensões.

[2] Gustavo Barroso, Espírito do Século XX, pp. 145-147.

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