Nos últimos dias alguns veículos publicaram, em meio a algumas informações corretas, os costumeiros erros absurdos a respeito do Integralismo, tendo seus escritos a tripla coincidência de data, teor e credibilidade “progressista”. Do liberal “O Estado de S. Paulo” ao comunista “Diário do Centro do Mundo”, passando pelos também “esquerdistas” blogues “Fórum” e “Jornalistas Livres”, pelo liberal MBL e pela Folha/UOL, Terra e History, todos eles repetiram os mesmos equívocos a propósito da Doutrina do Sigma e da História e atuação do Movimento Integralista. A “Folha de S. Paulo” foi um pouco menos imprecisa que o “Estado”, sendo por isso que destacamos sobretudo os pontos mais focados na matéria publicada por este último jornal paulistano:

1 – Os integralistas não estão de volta, pois jamais saíram de cena, vestindo ou não a camisa-verde, cumprindo ressaltar, porém, que a presença destes soldados de Deus e da Pátria na vida nacional doravante crescerá a cada dia, pelo bem do Brasil.

2 – Nós não somos, nunca fomos e jamais seremos “neointegralistas”. Em verdade, temos sido há quatro gerações e continuaremos sendo integralistas. Não há, com efeito, interrupção na linha de desenvolvimento do Integralismo, mas sim o constante aprofundamento e fortalecimento doutrinário do nosso Movimento. Não há ruptura ou mudança essencial de posições, cumprindo frisar que a Doutrina Integralista possui elementos essenciais, perenes e imutáveis, mas também elementos secundários e mutáveis, sendo estes últimos elementos programáticos e, portanto, sujeitos a contínua renovação, análise e adaptação à realidade e às  circunstâncias do tempo. 

3 – Nosso Movimento essencialmente cristão e brasileiro não se inspira no fascismo, mas sim nas lições perenes do Evangelho, na Doutrina Social da Igreja, na filosofia de Santo Tomás de Aquino e na obra de pensadores pátrios como Alberto Torres, Farias Brito, Jackson de Figueiredo, Oliveira Vianna e Eduardo Prado. Não somos, pois, fascistas, como, aliás, nunca foi fascista o tão grande quanto injustiçado escritor e pensador patrício Plínio Salgado, fundador e principal líder e doutrinador do Integralismo, que na década de 1930, em pleno apogeu do governo fascista na Itália, não deixava de tecer inúmeras críticas ao fascismo e de ressaltar que o Integralismo não se confunde com tal movimento e, ademais, ao contrário de Mussolini, sempre condenou o Estado Totalitário de inspiração hegeliana[1] e sustentou os princípios do Direito Natural Tradicional ou Clássico. Aliás, na obra A Doutrina do Sigma, de 1935, Plínio Salgado escreveu que “o Integralismo é completamente diferente do Fascismo e do Hitlerismo”[2] e que

Os ignorantes, que nunca leram as obras integralistas, quando falam em público sobre essa doutrina, não reparam que estão se expondo a um ridículo tremendo, ao afirmar que o integralismo é uma cópia do fascismo.[3]

No mesmo sentido, com efeito, assim escreveu Gustavo Barroso:

Este [Armando Sales de Oliveira] confunde Estado Integral com Estado Totalitário. Ele julga que Fascismo e Integralismo vêm dar no mesmo. Ambos têm camisas. Ora, se têm camisas parecidas, são iguais. Os fundamentos doutrinários, as concepções filosóficas, as arquiteturas sociais, políticas e econômicas, dissemelhantes e até contrários, às vezes, esses não interessam a quem faz programas de superficialidades.[4]

4 – Não somos antissemitas. A propósito, afirmamos, como Plínio Salgado que “não sustentamos preconceitos de raça” e “o problema do mundo é ético e não étnico”,[5] fazendo nossas as seguintes palavras de Miguel Reale:

Nós brasileiros devemos nos libertar do jugo do capitalismo financeiro e do agiotarismo internacional, sem que para isso abandonemos os princípios éticos para descambarmos até aos preconceitos racistas. A moral não permite que se distinga entre o agiota judeu e o agiota que diz ser cristão; entre o açambarcador que frequenta a Cúria e o que frequenta a Sinagoga. O combate ao banqueirismo internacional e aos processos indecorosos dos capitalistas sem pátria, justifica-se no plano moral. E quando a pureza da norma ética está conosco, não se compreende bem qual a necessidade de outras justificações, que podem ser de efeito, mas que certamente são discutíveis.[6]

Isto posto, cumpre enfatizar que Gustavo Barroso sempre declarou que seu antijudaísmo não era de fundo racista[7] e que autores insuspeitos que se debruçaram sobre sua obra, a exemplo do liberal Francisco Martins de Souza, com ele concordaram a esse respeito.[8]

É errôneo considerar que a oposição ao alinhamento incondicional ao Estado de Israel seja uma máscara para algum racismo antissemita. Aliás, existem pessoas muito sérias no Brasil e em todo o mundo apontando para o perigo dessa ideologia geopolítica, que tem encontrado uma rejeição crescente, de maneira particular, nos próprios Estados Unidos da América, considerados o maior aliado geopolítico de Israel. A defesa da transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, por exemplo, não encontra qualquer apoio na diplomacia brasileira e nas Forças Armadas.

Por fim, insta sublinhar que as páginas de Internet não ligadas formalmente à FIB não representam as nossas posições.

5 – Não somos antidemocráticos, porque não nos propomos a instaurar uma ditadura. Pelo contrário, defendemos a instauração de uma Democracia Orgânica, em que se vejam realmente representados os grupos naturais da Sociedade econômica e cultural, ao contrário da atual democracia de massas, em que os supostos representantes do povo não possuem qualquer vínculo com os seus eleitores. Assim, podemos dizer que o Integralismo é essencialmente democrático no sentido mais autêntico e profundo do termo, consagrado já por Santo Tomás de Aquino na Suma Teológica,[9] sendo a Democracia Orgânica, com efeito, muito mais democrática, posto que efetivamente representativa de todos os grupos naturais da Sociedade, que o atual modelo dito democrático.

Por fim, vale destacar que Plínio Salgado foi candidato a presidente da República duas vezes e eleito quatro vezes ao cargo de deputado federal, sempre defendendo a autêntica Democracia.

6 – A camisa-verde da Frente Integralista Brasileira só tem sido usada em ocasiões especiais e em atividades que não envolvem todos os membros e o ato do dia 9 de novembro, que, aliás, diferentemente do que foi publicado, reuniu mais de quinze pessoas, não foi o primeiro da FIB no Brasil e tampouco em São Paulo em que ela foi usada. Isto posto, faz-se mister sublinhar que transferimos o aludido ato do dia 3 de novembro para o dia 9 por questão de organização, tendo por fator complementar a segurança da equipe de reportagem do “Estadão”, assim como cabe destacar que a maioria dos integralistas se deslocou ao local já trajado, tendo uma pequena parte dos participantes a vestido no local por empréstimo ou entrega da camisa adquirida. Por fim, é mister sublinhar que o uso de paletó ou de outra peça de roupa por cima da camisa-verde é permitido em situações de deslocamento e não compromete a atividade.

Embora não tenha ocorrido qualquer enfrentamento maior naquela data, é importante sublinhar que a camisa-verde chama muita atenção, o que, aliás, levou o “Estadão” a ilustrar a matéria ora em apreço em sua edição impressa com uma fotografia em que aparecem integralistas de camisa-verde, e que desperta ela a atenção e o ódio de muitos, em geral equivocadamente movidos pelas mesmas velhas acusações falsas contra o Integralismo, propagadas, aliás, pela grande imprensa em textos como o do Sr. Fucs, que, inclusive, deu voz a um notório detrator do Integralismo travestido de historiador.

7 – O Sr. Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira, em nenhum momento afirmou que o Manifesto de Outubro, de Plínio Salgado, foi escrito no antigo Clube Português, o que seria, aliás, uma inverdade. O que ele afirmou, com efeito, foi que a Sociedade de Estudos Políticos (SEP), embrião da Ação Integralista Brasileira, foi fundada por Plínio Salgado na Sala de Armas daquele Clube, onde, aliás, funcionou sua sede e foram realizadas as principais reuniões, incluindo aquela em que foi aprovado o aludido Manifesto.

8 – Diversamente do que afirma a reportagem do Estadão, o Partido de Representação Popular (PRP) foi fundado em 1945 e não em 1946.

9 – Se concordamos com algumas posições do deputado Bolsonaro nas décadas de 1990 e 2000, isto não significa de modo algum que concordemos com todas as posições daquele.

10 – Cumpre frisar, uma vez mais, que não somos “estatistas”, nos opondo ao Estado Máximo tanto quanto nos opomos ao Estado Mínimo, e que, à luz das concepções políticas modernas de “direita” e “esquerda”, nascidas com a chamada revolução francesa, não somos nem de “direita” nem de “esquerda”. 

No Brasil, o liberalismo econômico, defendido por aqueles que nos acusam de “estatistas”, mantém certa credibilidade, explicada em larga medida pela recente queda do PT, contrariando o franco descrédito dessa ideologia em todo o mundo. Julgamos, porém, que seu prestígio logo cairá também em nosso País. Aliás, apesar da falta de recursos, o Ocidente verifica um crescimento aritmético do nacionalismo antiliberal e anticomunista em quase todos os seus países, o que se opõe à projeção de que este não encontrará “futuro” no Brasil. 

11 – Não apoiamos e não coordenamos atividades de política partidária. Não apoiamos e não mantemos vínculos oficiais com qualquer partido político existente ou em criação. Os membros do movimento são liberados para participar em qualquer partido que não comprometa os valores mais básicos que defendemos.

12 – Em relação ao número de membros que aderiram à Ação Integralista Brasileira (AIB) na década de 30, diferentemente do publicado pela “Folha de São Paulo”, os documentos da época fazem registros de mais de um milhão e meio de membros filiados. A propósito, em 1936, mais de 800.000 integralistas votaram em Plínio Salgado no plebiscito em que este foi escolhido candidato da AIB à sucessão presidencial, número de votos semelhante, aliás, ao que ele teria em 1955, quando novamente candidato à Presidência da República.

Feitas estas considerações, convidamos os interessados pela verdade e pelo bem da Nação a corrigir seus textos e a ampliar o debate e o conhecimento acerca do Integralismo e do legado de Plínio Salgado, bem como de toda a sua trajetória, desde a AIB até a FIB. 

A FIB se coloca sempre à disposição de todos para dirimir as dúvidas e principalmente esclarecer a verdade do que realmente representa o movimento Integralista.

 

LEIA TAMBÉM  Governo brasileiro promove o conflito racial

Referências
[1] Estado Totalitário e Estado Integral, in Madrugada do Espírito, 4ª edição, in Obras Completas. 2ª edição, volume 7, São Paulo, Editora das Américas, 1957, pp. 443-449 (artigo publicado originalmente no jornal A Offensiva, do Rio de Janeiro, em 1º de novembro de 1936).
[2] A Doutrina do Sigma, 2ª edição, Rio de Janeiro, Schmidt, Editor, 1937, p. 182.
[3] Idem, p. 154.
[4] A Sinagoga Paulista, 3ª edição, Rio de Janeiro, Empresa Editora ABC Limitada, 1937, p. 98.
[5] Trechos de uma carta, in Panorama, ano I, ns. 4 e 5, São Paulo, abr./mai. de 1936, pp. 4-5.
[6] Nós e os fascistas da Europa, in Obras políticas (1ª fase – 1931-1937),Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1983, pp. 231-232.
[7]  Vide, por exemplo, sua obra Brasil, colônia de banqueiros, 2ª edição, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1934, p. 71.
[8] Raízes teóricas do corporativismo brasileiro, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1999, p. 49.
[9] Suma Teológica, 1ª parte da 2ª parte, Questão 105, Artigo 1º, Solução.

Foto
Hélvio Romero / Estadão

X