Entregou a alma ao Criador nesta cidade de São Paulo, no último dia 23 de abril, aos sessenta e nove anos de idade, em decorrência de uma pneumonia, o grande líder nacionalista, renovador e conservador nas mais legítimas acepções de tais vocábulos que foi e é José Levy Fidelix da Cruz. Adepto de um nacionalismo justo, sadio, equilibrado, ponderado e construtivo, defensor da renovação na continuidade e, portanto, da Tradição e conservador não no sentido de pugnar pela conservação do status quo, mas sim no sentido de lutar pela conservação dos fundamentos, das bases da Civilização Cristã, Levy Fidelix teve a coragem de fazer seu o nosso lema “Deus, Pátria e Família” e de assumir que entendia que seus princípios eram os nossos princípios[1].

Fundador e Presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Levy Fidelix baseava o seu pensamento econômico e social não no trabalhismo socialista, mas sim na Doutrina Social da Igreja e nas ideias de Fernando Ferrari, que foi, aliás, um sincero admirador do magno Movimento de Renovação Nacional essencialmente cristão e brasileiro que é o Integralismo[2]. Seu “Trabalhismo Participativo” e Renovador, longe de advogar o combate entre o Trabalho e o Capital, sustentava a convivência harmoniosa do Capital e do Trabalho, que, em seus dizeres, “são molas-mestras para a construção do Progresso e do Desenvolvimento pessoal e coletivo”, assim como a união de patrões e empregados em prol do engrandecimento da Nação Brasileira[3]. Assim, segundo as doutrinas de seu chamado Trabalhismo Participativo e Renovador, todos devem ser aliados e associados na obra do Bem Comum e da Grandeza Nacional, sendo absolutamente inadmissível a luta de classes.

Fundado, antes de tudo, no Ensinamento Social Cristão, Levy Fidelix entendia, como nós, que a harmonia, a solidariedade e a colaboração entre o Trabalho e o Capital decorrem do fato de ser este o produto da acumulação daquele, não podendo, evidentemente, um existir sem o outro. Em seu sentir, como no nosso, não pode o Capital absorver a totalidade dos frutos do Trabalho, da mesma forma que não pode o Trabalho dominar o Capital, cabendo ao Estado impor a disciplina necessária a ambos, dentro de rigorosas normas de Justiça Social, de maneira que tanto os detentores do Capital quanto os trabalhadores participem dos resultados e dos benefícios da produção de riqueza.

Em conversa que teve conosco depois da leitura da nossa Carta Brasileira da Propriedade e do Trabalho[4], Levy Fidelix, depois de elogiar tal documento, afirmou que tinha grande apreço pelas doutrinas do autêntico Distributismo, sendo favorável à ampla disseminação da Propriedade e do Capital, e também do autêntico Corporativismo, concordando conosco no sentido de que a representação pública e distinta dos chamados Corpos Intermediários ou Grupos Naturais é absolutamente fundamental para a existência da autêntica representação política e, por conseguinte, da verdadeira Democracia. Em seu entender, pois, as ideias do seu denominado Trabalhismo Renovador e Participativo não se chocavam com aquelas do Distributismo e do “são corporativismo” de que nos falou o Venerável Papa Pio XI[5].

O chamado Trabalhismo Renovador de Levy Fidelix é, a exemplo daquele de Fernando Ferrari, profundamente nacionalista. A propósito, o fundador do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (Levy Fidelix) certamente faria suas as palavras do criador do Movimento Trabalhista Renovador (Fernando Ferrari) segundo as quais “o trabalhismo renovador  cumprirá sua missão política sob a égide do nacionalismo”, entendido este como “o sentimento de nacionalidade enraizado na alma brasileira, que se bate, no campo econômico, pela participação crescente do trabalho nacional nos frutos da produção nacional”, do mesmo modo que se bate, “no plano político, pela autodeterminação da comunidade pátria”[6].

A aproximação da Frente Integralista Brasileira com o Sr. Levy Fidelix iniciou-se em fins da década de 2010, quando com ele tivemos uma reunião na cidade de Campos do Jordão, na parte paulista da Serra da Mantiqueira.  Posteriormente tivemos diversas outras reuniões com ele e lhe demos de presente alguns livros, incluindo um exemplar da obra O pensamento revolucionário de Plínio Salgado, excelente antologia da obra política deste tão grande quanto injusta e criminosamente esquecido homem de letras e pensador político patrício, organizada por Augusta Garcia Rocha Dorea,[7] que ele muito apreciou.

Como resultado da nossa aproximação com o Sr. Levy Fidelix e o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), esta agremiação política não apenas recebeu de braços abertos em suas fileiras muitos integralistas, como também fez seu o próprio lema do Integralismo, “Deus, Pátria e Família”.

Embora ligado ao atual Governo, que tem como Vice-Presidente o General Hamilton Mourão, membro de seu partido, Levy Fidelix jamais deixou de apontar os erros de tal Governo, em particular no campo econômico, tendo permanecido até o fim de sua jornada terrena um ferrenho crítico das políticas do Ministro Paulo Guedes e um destemido defensor dos princípios da Doutrina Social da Igreja e de um sadio e justo nacionalismo econômico.

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Levy Fidelix foi, nas últimas décadas, um dos poucos políticos com boas propostas, algumas delas copiadas por outros candidatos, a exemplo do aerotrem (rebatizado de monotrilho) e do anel viário (renomeado como rodoanel) em São Paulo, assim como um dos poucos políticos que sustentaram bons princípios.

Mineiro de Mutum, municipalidade em que veio ao Mundo aos 27 de dezembro de 1951, Levy Fidelix foi, até o término de sua peregrinação terrena, um fiel católico e muito devoto de Nossa Senhora Aparecida, assim como de Nossa Senhora do Brasil, em cuja belíssima Igreja, no bairro do Jardim América, ia à Missa todos os domingos.

Defensor intransigente da Vida e da Família, Levy Fidelix deixou esposa, um filho e duas filhas, todos membros do PRTB e adeptos dos mesmos princípios que ele afirmou ao longo da vida terrena.

Empresário de sucesso, publicitário e jornalista, o Sr. Levy Fidelix muito contribuiu para o Bem Comum e colaborou em diversos jornais e revistas, tendo, ainda, sido um dos fundadores da revista empresarial Governo e Empresa e da revista política O Poder, bem como o fundador, em 1982, da revista Interface, primeiro periódico especializado em informática do Brasil. Entre 1984 e 1985 apresentou, primeiramente na Rede Bandeirantes e depois no SBT, o programa televisivo TV Informatika, primeiro programa nacional dedicado à Informática, em que entrevistava tanto especialistas da área quanto políticos, discutindo os impactos e necessidades que o desenvolvimento de tal área traria para o País nos anos seguintes. Anos antes, fora assessor de comunicação do Governo da União, produzindo o primeiro boletim nacional de agricultura, o Agricultura Urgente, em que lançou a primeira grande campanha ecológica nacional do Brasil.

Que Cristo Rei e Redentor receba no Reino dos Céus o sincero católico e bravo soldado de Deus e da Pátria que na pia batismal recebeu o nome de José Levy Fidelix da Cruz e que Ele conforte os corações de todos os seus familiares e amigos e suscite nas novas gerações homens da têmpera desse nosso nobre companheiro de ideais e de lutas em prol de um Brasil Maior.

Por Deus, pela Pátria e pela Família!

Victor Emanuel Vilela Barbuy,

Presidente da Ação Brasileira de Cultura (ABC) e da Associação Brasileira de Cultura e Filosofia Professor Heraldo Barbuy (ABCFPHB) e Secretário Nacional de Assuntos Jurídicos da Frente Integralista Brasileira (FIB),

São Paulo, 01 de maio de 2021-LXXXVIII.

Notas:

[1] Na página da Frente Integralista Brasileira (FIB) no Facebook encontra-se um áudio que registra uma das diversas vezes em que o Sr. Levy Fidelix afirmou que havia uma grande proximidade entre seus ideais e aqueles de Plínio Salgado e do Movimento Integralista (Disponível em: https://www.facebook.com/integralismobrasil/videos/2137719639809915. Acesso em 01 de maio de 2021).

[2] Como demonstrou Maura Bombardelli, Fernando Ferrari, em seus textos da juventude, não apenas defendia claramente os mesmos princípios do Integralismo – inclusive fazendo seu o lema “Deus, Pátria e Família” -, como neles citava várias vezes o nome de Plínio Salgado [A trajetória de Fernando Ferrari no PTB: da formação do partido ao “Trabalhismo Renovador” (1945-1960), Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em História, Porto Alegre, 2016, p. 25]. Nos anos seguintes, o pensamento de Ferrari, em larga medida inspirado pela Doutrina Social da Igreja, não se distanciou muito da Doutrina Integralista, ainda que não mais citasse em seus escritos o Chefe Perpétuo e principal doutrinador do Movimento do Sigma (Plínio Salgado), de quem, no entanto, permaneceu um admirador, segundo nos relatou o Dr. Genésio Pereira Filho, sobrinho de Plínio Salgado, que o conheceu na década de 1950.

[3] Programa do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Disponível em:  http://prtb.org.br/programa/. Acesso em 01 de maio de 2021.

[4] Carta Brasileira da Propriedade e do Trabalho Disponível em: https://www.integralismo.org.br/doutrina/carta-brasileira-da-propriedade-e-do-trabalho/. Acesso em 01 de maio de 2021.

[5] Carta Encíclica Divini Redemptoris, dada em Roma aos 19 de março de 1937. Disponível em: http://www.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19370319_divini- redemptoris.html. Acesso em 01 de maio de 2021.

[6] Programa do Movimento Trabalhista Renovador, 1961, p. 1. Disponível em: https://www.tse.jus.br/hotsites/registro_partidario/mtr/arquivos/programa.pdf. Acesso em 01 de maio de 2021.

[7] O pensamento revolucionário de Plínio Salgado, 2ª edição, São Paulo, Voz do Oeste, 1988.

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