Muito se fala sobre a mulher hoje em dia, sobre seu papel, sua independência, sua natureza e afins, visando — como a maioria pensa — uma maior respeitabilidade perante situações diversas, uma emancipação, uma liberdade, um espaço nesse e em tal lugar, uma valorização desse ou daquele aspecto, mas o que se vê na prática é exatamente o contrário: o empobrecimento e a destruição de tudo aquilo que caracteriza a mulher em sua natureza. O texto que bombou nas redes sociais nos últimos dias ‘’Mãe Arrependida’’, quando os ânimos de maio sopravam pensamentos e fotos no Instagram sobre o Dia das Mães nos mostra a que pé estamos. 

O texto estarrecedor, do qual não ouso citar uma linha, se encontra na internet para quem quiser ler. A autora, dita ‘’mãe arrependida’’, pensa mesmo que ao estar se pronunciando está a ajudar mulheres em suas maternidades reais e difíceis. A verdade é que esse texto não passa de autocomiseração da autora e das leitoras que coadunam com os ideais ali expostos. Um afago na consciência pesada da autora e daquelas que aplaudem. 

A dita maternidade real, tão falada por aí, prega uma linha de pensamento que serve perfeitamente para as mulheres modernas que não concebem mais a vida como um dom, a maternidade como um bem, o amor como sacrifício. Ora, mas não são essas mesmas mães, feministas, que se dizem ‘’guerreiras’’, ‘’mulheres de fibra’’ e etc.? Acontece que não se deram conta de suas misérias, e ao contrário, pensam que na derrota está a vitória. Longe de ser fácil — muito longe, aliás; digo como mãe de dois meninos pequenos —, a maternidade nos pede uma única coisa que a mulher moderna não sabe mais o que significa e muitas vezes nem ouviu falar: doação. Doação de si, pura e simples. 

Vejamos as coisas do espectro da autora do texto: imagine você cuidando de um ser humano diariamente, tendo a responsabilidade de não só limpar, alimentar, e dar banho, mas também entreter, forjar um caráter, corrigir diariamente os mesmos defeitos, birras, ensinar o certo e o errado, ter responsabilidades civis, morais e legais com esse ser, abdicando de sonhos, vontade, tempo, tudo, tudo para esse ser que tens responsabilidade até o fim da vida. Imagine você fazer tudo isso para nada — sim, para nada —, para não ter nada em troca, sendo obrigada, obrigada, a fazer tudo isso contra a sua vontade. Isso é escravidão, não? Sim, é. Aí mora o ‘’x’’ da questão.

A mulher moderna, por não compreender a si, não vê senão como escravidão um fato normal de sua natureza feminina: a maternidade e o que ela computa. Doação, entrega, sacrifício. Estas são infelizes e arrependidas porque seus olhares estão voltados pra si. Suas infelicidades residem num só ponto, que é a falta de uma concepção metafísica dos acontecimentos de nossas vidas, particularmente, da maternidade. Enquanto se olha o próprio umbigo, não se pode admirar a beleza do Céu.

Para olhos mundanos e imanentistas, a maternidade parecerá mesmo loucura, pois imagine doar seu corpo para a geração de uma vida que te suga a vitalidade. Sim, pois a cada filho a mulher se torna mais debilitada: nossas vitaminas e a saúde do corpo correm e compactuam para que tudo chegue de primeiro ao bebê, em maior quantidade e qualidade — vide cabelos, unhas e dentes que se tornam fracos na gestação ou pós parto. Imagine você ter de comparecer a consultas incômodas, questionários, exames, até o dia derradeiro da chegada desse ser. O trabalho de parto, as dores lancinantes, a chegada doída e sacrificante de um ser que chora e exige atenção 24hrs, que dorme pouco e se alimenta muito. Que tortura, não é mesmo?! Sim, seria, se eu fosse uma pessoa que ignorasse minha natureza e sobretudo, uma pessoa que não concebesse os ideais de doação, entrega e sacrifício feitos por um ser composto de corpo, mas sobretudo de uma alma imortal, bela e querida por Deus. 

A mulher moderna é ensinada a amar a si acima de tudo. Nossas meninas são ensinadas que amor próprio vem em primeiro lugar. Incutem nelas um amor vaidoso e exacerbado. Assim não aprendem, ou aprendem tardiamente, sobre caridade e entrega, mas aprendem que liberdade é viver de modo desregrado — e muitas vezes pernicioso. Assim carregam consequências de uma vida leviana. São ensinadas que felicidade é fazer tudo aquilo que lhe dá prazer, que amar é sentir, que maternidade é pra tua satisfação pessoal; que se te fizer sofrer, é ruim e deve ser abandonado ou colocado na categoria de ‘’arrependimentos’’, como foi feito com a filha da autora do dito texto. A cultura de morte existe sim, e mora no ventre de certas mulheres.

Assim alguns dirão: ‘’Ainda penso que é tortura, trabalho demais, essa renúncia é escravidão’’. Pois afirmo que não: maior escravidão é a dos sentidos. Nosso corpo é naturalmente inclinado a tudo que nos favorece; veja como damos preferência ao doce, do que ao que é amargo feito fel. Queremos mais cinco minutos deitados ao amanhecer, queremos tranquilidade, criança comportada e calada, férias eternas, salário sem trabalho, um cônjuge perfeitamente dócil e adequado, comida na mesa e louça lavada, bens materiais, casa cômoda, etc. Vida fácil e sem problemas. Isso que o corpo pede, não? Isso é fácil. Difícil é correr contra a maré, dar ao corpo o que ele diz não querer, mas a razão toma lugar e com ela o coração verdadeiro se compraz e se alegra!

O texto ‘’Mãe Arrependida’’ tem origem em um único ponto: o abandono de Deus e o culto aos homens. Quem não concebe uma alma imortal, não pode amá-la, doar-se por ela, muito menos não arrepender-se. Quem ama a Deus, ama aos seus. Quem quer a Deus, quer aos seus.

Jennifer Assis
São Paulo Σ SP.

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Recomendações de leitura:

  • ‘’Família, Santuário da Vida’’ – Prof. Felipe Aquino;
  • ‘’Mulieris Dignitatem’’ – Carta Apostólica, S. João Paulo II;
  • ‘’Amor que dá a vida’’ – Kimberly Hahn.
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Leandro Schenfelder Schneider

Anauê companheira!

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