Que é a Páscoa? Como devemos encará-la na sua realidade tão alta e profunda?

A Páscoa já não é a comemoração de um acontecimento histórico como é para os hebreus: a passagem do Anjo que anuncia a libertação humana de Israel. Para nós, cristãos, trata-se de presenciar a Ressurreição do Messias, o cumprimento das profecias: o anunciado dos tempos chegou!

Em Jesus Cristo é derrubada uma série de expectativas humanamente debilitantes, expectativas materialistas e mesquinhas. E já nesta derrubada formou-se um primeiro conflito entre aqueles que aceitaram o Divino Mestre e aqueles que não o aceitaram, conflito que só em Cristo poderá ser resolvido (Atos IV,12).

Deus, depois de assumir miserável condição humana, voltou triunfal ao céu de onde viera, levando consigo a Reconciliação e deixando conosco a Redenção, a porta aberta do céu, a esperança consumada, a força da imortalidade, esta que nutre o coração valente e arma o espírito para as disputas mortais, onde covardes sussurram uns aos outros “nada deve ser feito”, ou “por isso não vou correr riscos”, e no medo perdem sua vida, enquanto todos aqueles que por Cristo e em Cristo perdem sua vida, encontram-na eternamente.

O inocente foi sacrificado, o cordeiro sem mancha, pelos pecados do mundo inteiro. Seu sangue lavrou o campo estéril, de que hoje nos servimos fartamente, dos frutos de Vida Eterna. Não é a Páscoa que fala da libertação de um cativeiro na terra, para uma liberdade em termos humanos, mas a Páscoa que vence a Morte. E agora temos de considerar disposições de realidade mais profundas, e com as quais devemos olhar para condição humana em todos os aspectos. Principalmente, em nosso caso integralista, aliás, nos campos social e político, pois mesmo aí temos de considerar a última e derradeira batalha, não pela pátria terrena e transitória, na qual somos meros peregrinos, mas pela Pátria celeste e eterna.

Já não vivemos a Páscoa que ressoa no plano histórico, mas a que eleva a natureza humana ao seu estado inicial de união com Deus, em um plano transcendental que não ignora o plano terreno e material, mas que cumpre mistérios e que novos mistérios nos dá, deixando-nos já com a certeza da solução, que devemos buscar na interiorização, nas raízes sobrenaturais da nossa própria natureza humana, na busca de Cristo em nosso espírito: do Mestre que habita “no mais íntimo do íntimo do nosso homem interior”, como ensina Agostinho.

Para ir ao encontro da Verdade Integral, não é possível apartar-nos da sociedade espiritual, única expressão visível e antecipadora daquela outra no Céu. Quem se aparta da Igreja começa a se desumanizar, pois vai se afastando daquele que é a fonte do nosso Ser e perde a Graça de Deus. E, para perder o Céu, basta ao homem ficar entregue à sua própria direção materialista.

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O Reino de Deus já não é deste mundo! A Revelação não é mais de um só povo. Deus elevou a salvação a todos os povos. Não deixou nenhum homem de fora. Não há homem que a Deus não possa se voltar, arrependido, pelo coração. Precisamos agora conformar nossa vida à Vida de Cristo, em todas as nossas ações: dar combate aos vícios com as virtudes, fazer triunfar o bem onde houver mal; humildade e penitência, a Revolução Interior da qual nos falava Plínio Salgado.

A Páscoa, enfim, é a plenitude da Revelação. É a ressurreição de Deus feito Homem, depois da sua Paixão e morte de Cruz.

E quão miseráveis nos tornamos quando confundimos a Páscoa de nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, tão profundamente significativa, com a obra tosca dos imperativos do mercado, que desejam apagar toda a grandeza da Páscoa pela infusão da ganância no espírito, pela manipulação do paladar com o doce. Que desaforo!

A Páscoa de Nosso Senhor, feita ao gosto de tanto sofrimento, do vinagre para disfarçar a dor, é o caminho para a grande e definitiva Glória. Mas hoje, pergunto diretamente a você: sabem disso seus filhos, netos ou sobrinhos? Que futuro, Senhor! Que futuro temos reservado a estas pobres crianças, às quais queremos ver tão felizes que lhes empanturramos de tudo quanto querem, sem julgar de sua saúde ou salvação, mas pensando apenas nos seus breves sorrisos.

As crianças já não lembram mais de Cristo, da Cruz e do vinagre. Para elas, a Páscoa é só o sabor dos doces. De nós adultos é toda a culpa. Para vir o “doce” antes deve vir o “vinagre”, a Glória é antecipada da Cruz. No ímpeto de tornar os filhos “reis” ao invés de servos do Rei, não preparamos as crianças para a Cruz, e por isso tantos perdem a chance de se reunir com Deus: fecham todos os sentidos àquele que é a Verdade e a Vida. Esperam tocar os sentidos só pelo que for doce, material e vulgar. Mas o servo deve seguir os passos do Mestre. E qual foi o caminho do Mestre? Estamos preparando nossos filhos a trilhar esse mesmo caminho?

Integralista! Busca Deus acima de tudo e será o melhor dentre os integralistas. Buscando imitar a Cristo, será então um bom homem. E terá com Ele sua vida eterna, graças Àquele que Ressuscitou.

Pelo bem do Brasil,

Anauê!

Moises Lima
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

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