Jair Bolsonaro chegou à Presidência da República do Brasil por uma série de fatores e teve na sua base de apoio uma espécie de coalizão informal de grupos políticos envolvendo diversos níveis da sociedade – o que é uma condição necessária para viabilizar qualquer eleição que ocorre pelo voto universal e direto. 

É fundamental reforçarmos que individualmente nenhum grupo, conjunto de valores, ação de campanha ou até mesmo fatores externos (como a rejeição ao PT ou o atentado) seria capaz de somar os milhões de votos necessários para a eleição.

No decorrer do primeiro um ano e meio deste governo há uma crescente percepção de movimentação de afastamento de grupos e de uma disputa por hegemonia interna. Há indícios de que o presidente sofra influência excessiva de um grupo específico, que conseguiu se fazer ser considerado (ao presidente e a seus filhos) como representante no Brasil do influenciador digital Olavo de Carvalho.

Nos últimos dias este agente influenciador manifestou de forma mais inequívoca seu incômodo com a situação de, por um lado ser reconhecido como responsável por orientar o governo e, por outro, perceber que de fato não tem exercido este papel. Acusou existirem supostos intermediários que representam as suas posições dentro do governo e que estes seriam aproveitadores que usam seu nome e que são falsos amigos. 

Vai se evidenciando que há uma ou mais pessoas que se fizeram passar por legítimos representantes de um suposto “olavismo” e, com isso, não apenas ganharam prestígio junto ao presidente como vêm comandando um processo de isolamento do chefe do Executivo, afastando ou diminuindo espaço dos grupos e de pessoas que poderiam balancear a influência, dentre os quais mencionamos brevemente o DEM, os evangélicos, o setor agro (e seus interesses internacionais), o “centro”, os militares, o próprio partido que o elegeu (PSL) e diversos grupos e pessoas que somaram esforços para viabilizar e dar vitória à chapa presidencial.

Há uma espécie de golpe baseado em fraude de informação interna que deslocou primeiro a percepção de equilíbrio de forças dentro do governo para depois compilar e até criar informações falsas, afastando pessoas e grupos e instalando uma percepção de riscos exagerados que coloca o presidente como um refém que vê no sequestrador o único possível salvador.

No momento não há possibilidade de qualquer revolução, golpe ou ação militar no Brasil com finalidade política. Mas a indisciplina militar (e de outros órgãos de Estado) que vem sendo semeada por pessoas dentro do governo (ou associadas ao governo) e os ataques internos podem mudar esta possibilidade. 

Existem prioridades nacionais, como a viabilização do desenvolvimento tecnológico, organizacional e produtivo, inclusive na área da saúde, que agora se evidencia de forma mais ampla na atual crise, com a alta dependência externa (em grande parte da China). Não vamos esgotar um plano ou programa completo de prioridades nacionais mas todas elas somente poderão ser trabalhadas de forma adequada após a neutralização desta célula de subversão implantada para influenciar negativamente o executivo. Este urgente ajuste é o primeiro passo e é perfeitamente possível.

Lucas Carvalho
Secretário Geral da Frente Integralista Brasileira

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