Em seus últimos dias como presidente dos EUA, o magnata Donald Trump convocou uma manifestação com o título “Marcha para salvar a América” (“Save America March”). Milhares de cidadãos eleitores do candidato oficialmente derrotado entenderam como uma convocação para algo que iria além de uma manifestação.

Os conselheiros do então presidente podem até não ter planejado os atos que se seguiram – e, diante do fracasso e de tantas situações ridículas, provavelmente jamais reconhecerão. Mas vamos considerar aqui que sim, que tenha sido um ato planejado para causar a invasão de parte dos manifestantes inflamados e enfurecidos, levados a crer que de seus atos estaria assegurada a própria salvação da nação.

No Brasil, em 11 de Maio de 1938, alguns grupos organizaram e lançaram um ataque armado ao palácio do governo federal. Nas duas ações revolucionárias ocorreram mortes: na primeira por fuzilamento de participantes rendidos; na última por aparente acidente e despreparo de forças de segurança.

Mas são outras enormes diferenças que merecem destaque, desde o objetivo, passando pelo planejamento, o meio de execução e principalmente pelo papel dos que foram responsáveis pela mobilização.

Naquele ato ocorrido aqui no Brasil, o objetivo era a detenção do ditador para restauração da ordem, enquanto o ataque nos EUA foi uma reação de pessoas (muitas das quais anarquistas) que acreditavam que o processo de eleição foi fraudulento [1] – o objetivo deste, pode-se supor, seria inviabilizar a declaração de vitória do eleito (vale lembrar que não modificou a ordem para alcançar o poder).

Aqui a organização foi nacional, reunindo diferentes (e até antagônicos) grupos que se opuseram à ditadura de Getúlio Vargas. Entre os atos organizados estava o controle de meios de comunicação e ações dentro das diferentes forças de segurança. Foi um ato executado por militares da ativa que estavam conscientes do dever da defesa da Nação e do Estado.

O plano aqui não foi organizado ou convocado por qualquer detentor de poder, mas por grupos legítimos que foram transformados em “ilegais” como consequência do golpe do Estado Novo.

A humanidade ainda precisa aperfeiçoar os sistemas de organização do poder e de representação nas nações – e usar a tecnologia hoje disponível para ampliar o controle e envolvimento dos grupos naturais na condução das nações. Sem dúvida, os sistemas eleitorais estão ultrapassados e distantes da população, acabam por causar distorções e, não raro, colocam no poder grupos antagônicos que se revezam, contrariando princípios e interesses que deveriam ser permanentes – e desconhecendo ou suprimindo os interesses reais das populações e das nações.

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A solução não será alcançada de forma imediata e muito menos com promoção da anarquia, que tende a causar fragmentação e corre risco de fraturar e até mesmo inviabilizar a manutenção de muitas nações.

Neste momento, uma das lições importantes para todos os grupos que esperam e atuam por mudanças está na questão da tecnologia e dos meios de comunicação – e estes precisam ser geridos de forma estratégica, voltada ao interesse nacional e da população, livrando as pessoas da ingenuidade da mitologia liberal de que sendo privados [2] estariam necessariamente melhor geridos que se subordinados a leis.

Deus dirige o destino dos povos.

Lucas Carvalho
Secretário Geral da Frente Integralista Brasileira

Notas:
[1] Curiosamente, não são raros os defensores de sistemas eleitorais mais antiquados que coincidem com apoiadores de Trump no Brasil; e estes não percebem que tanto a possível fraude quanto o questionamento de resultados não mudaria caso o nosso sistema de votos envolvesse papéis (de forma total ou complementar). Este assunto pretendemos desenvolver melhor em breve, analisando os erros que ocorreram lá e também alternativas para aprimorar o nosso sistema eletrônico.

[2] Dentre os grupos que foram vistos na baderna, foi possível observar a exótica bandeira de anarquistas que chegam ao absurdo de defender plena liberdade para empresas e agora têm seus perfis sendo banidos em redes privadas de comunicação (Twitter e Facebook – para mencionar os mais populares). Aparentemente, ignoravam que estavam, no fundo, defendendo monstruosidades tais como as “companhias” holandesas que monopolizaram “negócios privados” como o tráfico negreiro à base de violenta armada.