A pandemia de COVID-19 recentemente completou um ano, com o Brasil ultrapassando a marca de três mil óbitos por dia em decorrência desta única doença. À medida que os casos do novo coronavírus lotam os hospitais, os brasileiros que sofrem com outras enfermidades ou problemas sociais são ignorados pelo poder público.

Longe de querer expor aqui um comodismo macabro ou um alarmismo oportunista, como fazem governo e oposição, o intuito deste artigo é olhar para o cenário de crise sob a perspectiva humana e política da maior organização nacionalista do país.

De agora em diante, para onde vai o Brasil?

Os primeiros indícios

Enquanto o governo chinês operava extensa campanha de propaganda para informar ao mundo que toda a situação estava sob controle naquele país — evidentemente graças à maquiagem estatística e ao aparato repressor do regime —, o presidente brasileiro negava intenções de repatriar 34 brasileiros que viviam na cidade chinesa de Wuhan, epicentro da epidemia de coronavírus.

O descaso e o abandono de compatriotas pelo governo, ao contrário da política de proteção e auxílio praticada pela ampla maioria das nações, demonstrava à população os primeiros indícios da escalada de decisões absurdas e situações de descaso que se apresentariam mais adiante. Dias depois, pressionado pela população escandalizada, o Governo Federal mudaria de posição.

Ao passo que o mundo restringia ou fechava totalmente suas fronteiras para países que começavam a apresentar casos do novo coronavírus, como a Inglaterra e os Estados Unidos, o Brasil seguia com as fronteiras abertas, inclusive ignorando ao longo da pandemia o princípio da reciprocidade aos países que fechavam suas fronteiras para brasileiros. O presidente informou ao povo que se trataria de uma “gripezinha”.

As disputas políticas

A luta fratricida no seio do próprio governo, que vinha ocorrendo há meses, expôs ainda mais a fragilidade da coalizão que foi alçada ao poder, ao mesmo tempo em que as velhas raposas da política nacional se aproveitaram em cada oportunidade para dilacerar ainda mais a já debilitada autoridade governamental.

A estrutura política brasileira, causadora principal de todas as nossas crises e verdadeira amarra no gigante, infelizmente caído, que é o Brasil, mostrou-se incapaz de responder com seriedade às graves ameaças que se apresentam à segurança nacional. Se a guerra fosse contra um inimigo externo e não um vírus, veríamos a classe política sabotar o próprio Estado e a liberdade do povo para salvar sua pele.

Essa situação é mais uma em que é possível verificar na prática que “o Brasil não pode realizar a união íntima e perfeita de seus filhos, enquanto existirem Estados dentro do Estado, partidos políticos fracionando a Nação, classes lutando contra classes, indivíduos isolados, exercendo a ação pessoal nas decisões do governo”, conforme preconizado pelo manifesto integralista, em 1932.

O caráter mesquinho

A ausência de boa índole que, tal como o vírus, se alastra e permeia todas as classes sociais, ficou ainda mais evidente nesta crise.

Infelizmente, em uma guerra na qual dispomos de poucas armas, somos obrigados a lidar com escândalos de corrupção e atitudes egoístas que tiveram como consequência direta a morte de brasileiros.

Com as portas abertas para contratações emergenciais que, em primeiro momento, escapam de mecanismos de controle, as contratações irregulares para combater o coronavírus, executadas por vários estados e municípios, chegaram a bilhões de reais, com a compra de equipamentos hospitalares superfaturados ou com sobrepreço.

Em Manaus, enquanto pessoas morriam sufocadas, pilantras escondiam e estocavam cilindros de oxigênio para inflacionar os preços e lucrar com a pandemia. Enquanto isso, parte da ajuda não havia sido enviada primeiro por Brasília, mas por Caracas (!), em uma manobra de oportunismo político do ditador venezuelano.

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Os “furos de fila” na vacinação, as falsas aplicações e até mesmo os casos de furto de vacinas cometidos por enfermeiros — a imoralidade cometida em toda parte causa revolta e reflete o mau exemplo das autoridades de todas as esferas, inclusive do Judiciário, que livra criminosos sem qualquer limite.

A falácia da liberdade

Diversos militantes têm lançado o truque da carta falsa, do “coringa” que espertos usam para camuflar a incompetência e, não raro, a vil indiferença ou o criminoso individualismo. A cada brado desonesto por “liberdade”, tombam mais brasileiros, vítimas diretas da irresponsabilidade.

A morte não é um exercício de liberdade, mas a própria interrupção desta.

É absolutamente legítima a reclamação por readequação inteligente às necessárias medidas de aumento de distanciamento físico e diminuição de atividades presenciais, mas para isso não se pode recorrer a argumentos de liberdade – que seriam igualmente aplicáveis a contraventores, traficantes e outras práticas moral e legalmente ilícitas.

A sociedade e o interesse geral de defesa da vida não estão subordinados a interesses particulares de obtenção de renda. Caberia aos governantes liderar e coordenar planos que permitissem a viabilidade dos negócios mais afetados, mas não há interesse algum a não ser por conquistar uma cota eleitoral nas próximas eleições.

Cada vida importa

Sem uma concepção espiritualista do homem e muito menos uma visão total da realidade, alguns políticos, parte da imprensa e mesmo cidadãos de diferentes matizes ensaiam, por conveniência eleitoral ou ideológica, um falso pesar pelas vidas perdidas.

Enquanto isso, o cidadão comum percebe calado todo o teatro ao mesmo tempo em que chora a perda de um ente querido, que em condições normais não deveria ter partido tão cedo, ou poderia ter sido salvo pela resposta enérgica de governantes verdadeiramente comprometidos com a vida dos seus governados.

Observar a Dignidade da Pessoa Humana, como princípio fundamental para as ações do Estado, seja na esfera municipal, estadual ou federal é uma obrigação moral e constitucional dos dirigentes brasileiros, mesmo que, pessoalmente, vejam o povo apenas como commodities em ano eleitoral.

Os que forem contra esse princípio, devem ser responsabilizados.

Próximos capítulos

O lento processo revolucionário demonstrado com a Operação Lava Jato e cujo estopim se apresentou nas violentas manifestações em 2013, com a ampla rejeição à classe política, não tem seu fim com a eleição de Jair Bolsonaro, mas apresenta hiatos em razão de eventos que se sobrepõem no curso dos acontecimentos.

O sentimento de traição, as negociatas escusas na hora mais precisa, a nação dividida em facções emburrecidas, a arrogância dos idiotas envaidecidos, a revolta pelas injustiças que poderiam ser evitadas…

Precisamos de hierarquia, de disciplina, sem o que só haverá desordem. Essa autoridade capaz de colocar o Brasil em seu destino de grandeza não virá de mais um caudilho, mas da organização de forças semi-adormecidas que começam a convergir em um sentimento claro e preciso de moral e de justiça.

Enquanto isso, vão se acumulando os fatos amargos, que culminarão em eventos decisivos.

Eduardo Ferraz
Diretor Administrativo Nacional da Frente Integralista Brasileira

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João Gabriel

Texto muito bom, não precisa acrescentar mais nada! Análise completa da realidade, parabéns!

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