Faleceu hoje, aos 95 anos, e 73 de sacerdócio, o Cardeal José Freire Falcão. Sacerdote dos mais zelosos, Arcebispo-emérito de Brasília e de Teresina, feito Cardeal em 1988, Dom José foi, ainda, um dos mais notáveis autores integralistas.

Suas 2 obras, O Homem Integral (1957) e O Estado Integral (1957), editadas por Gumercindo Rocha Dorea, vieram anônimas: saíram em nome de Sacerdos. O prefácio entregava alguns detalhes do autor. Exemplo de humildade? Às escuras dos olhos dos homens, a coleção de Dom José é, segundo Plínio Salgado, “a mais criteriosa seleção de minhas ideias esparsas em tantos livros” e “resumo exato” da doutrina integralista. Na época, era um jovem sacerdote.

O Homem Integral e O Estado Integral, reeditados depois em um só tomo, em 1987, quando seu autor se preparava para receber o Cardinalato, é, verdadeiramente, uma obra admirável. O autor não apenas sintetiza organicamente as tantas passagens de Plínio Salgado — coisa artesanal, penosa, que revela um contato profundo e de longa data com seus livros: aqui e ali, vemos a todo momento suas intervenções pessoais, considerações, explicações, argumentos e, até, originalidades.

Como então, e para todos os séculos, a obra de Dom José será, sempre, o mais perfeito resumo da doutrina de Plínio Salgado. Não é possível superá-la.

Que, no seio do Divino Mestre, Dom José possa patrocinar nossa campanha de recristianização do Estado.

Trechos de “O Homem Integral” e “O Estado Integral”:

“Desde já, podemos antecipar os resultados de nossa investigação para esclarecer qual a base sobre a qual Plínio construiu sua doutrina, tão vasta, que praticamente abrange todos os problemas que se põem ao homem e exigem uma definição e uma solução seguras: família, trabalho, estado, comunismo e capitalismo, técnica, etc. Poderíamos em rigor sintetizar em três palavras mestras esta intuição genial, inspiração do seu pensamento e alicerce de sua atividade política: a Reconstrução do Homem em Cristo. Esta, a chave de compreensão de toda sua obra. Também, o segredo de seu vigor, de sua perene juventude, de sua permanente atualidade”.

“Algumas vezes, falaremos de doutrina integralista; outras, do pensamento de Plínio Salgado. Na verdade, a obra de Plínio não passa de uma explicitação e de um aprofundamento dos diversos Manifestos Integralistas por ele lançados à Nação. Manifestos que norteiam a atividade política dos adeptos do Integralismo”.

“O pensamento de Plínio Salgado é profundamente cristão. Cristo está subjacente em toda sua obra. Impossível penetrar-lhe o sentido interior, se não temos sempre em mente esta presença iluminante e vivificante do Divino Mestre. Só à luz do Evangelho se esclarece plenamente sua doutrina”.

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“A democracia liberal criou um ser estranho, o ‘Homem Cívico’. Com razão, diz Plínio Salgado que o Homem Cívico é um ‘Homem mutilado, Homem sem alma’. Não vale por sua eminente dignidade de pessoa humana, mas por um voto inexpressivo, instrumento de abdicação de sua autonomia”.

“O Homem tem uma missão a realizar na terra. Vocação própria a cada Homem. É desta consciência de um papel a preencher na vida da comunidade que decorre o bem-estar social”.

“O Homem não vale pelo que possui, mas pelo que é. A grandeza do Homem reside em suas virtudes domésticas e cívicas”.

“A ordem política, social e econômica, para ser justa, tem que se fundamentar numa concepção integral do Homem”.

“A Revolução Interior supõe o domínio de si mesmo pela renúncia às paixões, pelo esforço reflexivo que procura descobrir no homem decaído a verdadeira grandeza humana”.

“[O] pensamento [de Plínio Salgado é] rico e fecundo, original e coerente, humano e cristão”.

“Na prática, o Estado comunista é o mais cruel dos totalitarismos”.

“O nacionalismo não é um atentado aos legítimos direitos da Pessoa Humana, mas a condição de sua plena realização”.

“O Estado Integral não é um fim em si, a que deva sacrificar-se o Homem e os grupos naturais. Mas, um meio indispensável ao desabrochamento das virtualidades humanas e de suas legítimas projeções”.

“O Estado Integral se opõe, a um tempo, às ditaduras que sacrificam o Homem ao Estado; e aos regimes que imolam o Homem às oligarquias políticas e financeiras”.

“No organismo social, os homens fazem parte integrante de grupos naturais, que gozam de prerrogativas humanas. Estes grupos estão intimamente entrelaçados entre si, constituindo a Nação. A Democracia Orgânica toma por base, então, não o homem cívico, isolado, da liberal-democracia, mas o homem em função dos grupos naturais, que protegem sua personalidade e asseguram sua autonomia. Em outras palavras, o Estado Integral se edifica a partir das realidades que constituem o organismo social”.

Anauê! Anauê! Anauê!

Matheus Batista
Ipatinga Σ MG

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