Faleceu na madrugada de ontem, nesta cidade de São Paulo, aos noventa e seis anos de idade, por complicações decorrentes de um tratamento contra um câncer, o grande editor, jornalista, escritor e soldado de Deus e da Pátria que foi, é e seguirá sendo Gumercindo Rocha Dorea.

Meu nobre irmão de Fé, assim como amigo dos mais próximos e companheiro de ideais e lutas por Cristo e pela Nação desde o ano de 2004, o Sr. Gumercindo Rocha Dorea, Mestre de todos nós, foi e será sempre, sem sombra de dúvida, um dos varões mais virtuosos, sábios e cultos que tive a oportunidade, a sorte e a honra de conhecer ao longo da minha peregrinação terrena. Serei, aliás, eternamente grato a Deus por haver colocado em meu caminho esse exemplar homem de pensamento e de ação, por ter me dado a graça de conhecer esse modelo incontestável de cristão, católico, bem como de patriota e integralista, e de com ele aprender todo o muito que aprendi.

Paradigma incontestável de virtudes e saberes, modelar homem público e um dos mais importantes editores de toda a nossa História, o Sr. Gumercindo Rocha Dorea foi é e continuará a ser um autêntico monumento da Cultura Pátria, que empregou toda a sua brilhante inteligência e a sua notável erudição a serviço da Cristandade e da Brasilidade, lutando até o fim da longa jornada terrena para erguer nesta Nação do ontem e do amanhã um magno Império Integral Cristão.

Diria eu que a partida de Gumercindo Rocha Dorea deste Mundo é uma perda irreparável para o Movimento do Sigma e para o Brasil, caso não soubesse que seus exemplos frutificaram e continuarão frutificando em novas gerações de guerreiros de Cristo Rei e da Terra de Santa Cruz e que Deus suscitará na Pátria Brasileira, nos dias do porvir, homens da têmpera desse nosso patrício ilustre, que, aliás, certamente lá no Céu, na Milícia do Além, rogará sempre por nós e por nossa Imperial Nação.

 

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Como escrevi algures,[1] o Sr. Gumercindo Rocha Dorea, também conhecido como GRD, foi e é, além de exemplar cristão, cidadão brasileiro e intelectual, o verdadeiro patriarca da ficção científica no Brasil e um dos mais importantes editores da História Pátria e seguramente o mais injustiçado de todos, tendo sido, com efeito, duramente perseguido e boicotado pelas chamadas “patrulhas ideológicas” de “nossa” “esquerda” rancorosa e intelectualmente desonesta desde o início de sua longa e profícua carreira editorial, iniciada há mais de seis décadas, no ano de 1956.

É em razão de tal perseguição e tal boicote que muitas pessoas, sobretudo das novas gerações, não sabem quem foi e é GRD. A tais pessoas, e também àquelas que não conhecem alguns pormenores da longa e profícua trajetória de Gumercindo Rocha Dorea ou deles se esqueceram, darei, nas linhas que se seguem, um pálido esboço dessa bela trajetória, com base em larga medida nos artigos que sobre ele escrevi nos anos de 2011 e de 2014 e que foram publicados, respectivamente, no prestigioso jornal Linguagem Viva, da Capital Paulista,[2] e no portal da Frente Integralista Brasileira (FIB).[3]

Gumercindo Rocha Dorea nasceu em Ilhéus, no Sul da Bahia, aos 04 de agosto de 1924, sendo filho do cacauicultor e sindicalista Alcino da Costa Dorea e de D. Emérita da Rocha Dorea, compositora de sonetos e colaboradora esporádica em periódicos de Sergipe, terra-natal de ambos. Em 1933, aos oito anos de idade, após ter visto uma marcha integralista em sua pátria cidade de Ilhéus, ingressou, com o consentimento dos pais, nas fileiras da Ação Integralista Brasileira (AIB), em que militou na condição de pliniano.[4] No ano seguinte se mudou, com a família, para a Cidade do Salvador, ali ingressando no Ginásio da Bahia, onde foi aluno do filólogo Herbert Parentes Fortes, um dos principais intelectuais e líderes da Ação Integralista Brasileira (AIB), que, reunindo, no dizer de Miguel Reale, “o que havia de mais fino na intelectualidade da época”,[5] constituiu, na expressão de Gerardo Mello Mourão, o “mais fascinante grupo da inteligência do País”.[6]

Tendo ingressado, pois, menino nas fileiras da Ação Integralista Brasileira, o Sr. Gumercindo Rocha Dorea manteve-se integralmente fiel aos princípios essencialmente cristãos e brasileiros do Integralismo até o último dos dias de sua longa existência terrena, sendo, pois, um exemplo de fidelidade aos nobres ideais inspiradores da Civilização Cristã e da Doutrina Integralista. Prova disto, a propósito, encontra-se no fato de haver esse bravo soldado do Brasil Integral entregado sua alma ao Criador na condição de Presidente de Honra da Frente Integralista Brasileira (FIB), Instituição de que foi Vice-Presidente entre os anos de 2010 e 2020.

Em 1944, Gumercindo Rocha Dorea, que frequentara, na Bahia, o curso complementar de Direito, se mudou para o Rio de Janeiro. Na então Capital Federal, onde se formou em Direito no ano de 1948 pela Faculdade Católica de Direito do Rio de Janeiro, colaborou GRD, a partir de meados da década de 1940, na imprensa, primeiro no jornal integralista Idade Nova, dirigido por Raymundo Padilha, e depois no jornal A Marcha, também integralista, que chegou a dirigir. Foi, ainda, redator do jornal Folha Carioca e militou ativamente, desde a década de 1940, no Partido de Representação Popular (PRP), que, sob a presidência de Plínio Salgado, combateu em prol dos ideais essencialmente cristãos e brasileiros do Integralismo entre os anos de 1945 e 1965.

Após a grande repercussão do I Congresso de Estudantes do PRP, realizado em Campinas (SP) em julho de 1948, foi constituída, no ano de 1952, a Confederação de Centros Culturais da Juventude (CCCJ), cuja presidência mais tarde seria ocupada por GRD, que então tinha ótimo relacionamento com Plínio Salgado e estava em permanente contato com os jovens. A Confederação dos Centros Culturais da Juventude, de que nasceria o denominado Movimento Águia Branca, elegeria Plínio Salgado seu Presidente de Honra e reuniria dezenas de milhares de jovens distribuídos em mais de quinhentos núcleos espalhados por todo o País, configurando-se num dos mais belos movimentos cívicos, políticos e culturais da História Pátria.

No ano de 1956, com a publicação da Filosofia da linguagem, de Herbert Parentes Fortes, fundou Gumercindo Rocha Dorea as Edições GRD, que teriam seu apogeu na década de 1960 e renovariam toda a Literatura brasileira, lançando autores hoje consagrados como Nélida Piñon, Rubem Fonseca, José Alcides Pinto, Astrid Cabral, Fausto Cunha, Maria Alice Barroso, André Carneiro, Ronaldo Moreira, Geraldo França de Lima e, no romance, com a obra O valete de espadas, Gerardo Mello Mourão, que também publicou diversos livros de poesias pela GRD. Pode-se afirmar, assim, que Gumercindo Rocha Dorea foi um descobridor de vultos literários tão somente comparável, no Brasil, a Augusto Frederico Schmidt e a José Olympio.

Quando da fundação das Edições GRD, Gumercindo Rocha Dorea já estava casado com D. Augusta Garcia Rocha Dorea desde o ano de 1953. Esta, nascida em Franca, no Interior de São Paulo, em 1930 e falecida na Capital Bandeirante em 2005, é autora das obras O romance de Plínio Salgado (1956, com segunda edição publicada em 1978 sob o título O romance modernista de Plínio Salgado), Aclimação (publicada pela Secretaria de Cultura do Município de São Paulo em 1982, fazendo parte da série História dos bairros de São Paulo) e Plínio Salgado, um apóstolo brasileiro em terras de Portugal e Espanha (1999), esta última agraciada com o Prêmio Clio da Academia Paulistana de História em 2000, além de organizadora da obra O pensamento revolucionário de Plínio Salgado, magnífica antologia do pensamento do autor da Vida de Jesus, de quem, aliás, GRD publicou diversas obras, bem como a biografia escrita pela filha do escritor e pensador patrício, Maria Amélia Salgado Loureiro, intitulada Plínio Salgado, meu pai.

Como escreveu o arqueólogo, historiador e escritor baiano Ivan Dorea Cancio Soares, sobrinho de GRD e de D. Augusta Garcia Rocha Dorea, estes se conheceram no Edifício Martinelli, em São Paulo, onde ficava a sede do Partido de Representação Popular (PRP) e se casaram na Igreja de São Luís Gonzaga, na Avenida Paulista, no dia 07 de outubro de 1953, vigésimo primeiro aniversário do lançamento do Manifesto de Outubro, documento inaugural do Integralismo, de autoria de Plínio Salgado, tendo este e sua esposa, D. Carmela Patti Salgado, entre os padrinhos de casamento e sendo o bolo da recepção um grande mapa do Brasil.[7]

Verdadeiro Pedro Álvares Cabral da ficção científica no Brasil, GRD editou, em 1958, a obra Além do planeta silencioso, de C. S. Lewis, primeiro dos muitos livros estrangeiros de ficção científica que publicou, e, em 1960, a obra Eles herdarão a terra, de Dinah Silveira de Queiroz, primeira das também muitas obras de ficção científica de autores brasileiros dadas à estampa por ele. Em 1961, publicou a primeira Antologia Brasileira de Ficção Científica, com trabalhos de Dinah Silveira de Queiroz, Antonio Olinto, Rachel de Queiroz e Fausto Cunha, dentre outros. Como diz o verbete sobre Gumercindo Rocha Dorea na SFE (Science Fiction Encyclopedia), de Londres, é o ínclito editor ilheense, baiano e brasileiro “considerado o mais importante na história da ficção científica brasileira”, tendo sido “em larga medida responsável pela Primeira Onda da Ficção Científica Brasileira (1958-1972)”, que sem ele “poderia talvez nem ter ocorrido”.[8]

Gumercindo Rocha Dorea foi, ademais, depois da Editora Biblioteca do Exército, o principal editor, no País, de obras sobre Geopolítica e voltadas à Segurança Nacional. A publicação, em 1986, do livro Heráldica, de Luiz Marques Poliano, conferiu-lhe o título de primeiro editor, no Brasil, a publicar uma obra de vulto dedicada aos estudos heráldicos. Por fim, GRD foi e continuará sendo um dos mais destacados editores em matéria de publicações filosóficas e históricas, bem como referentes à Monarquia e ao Império do Brasil, e o mais destacado na publicação de obras integralistas ou referentes ao Integralismo, havendo sido, aliás, o idealizador e principal realizador da Enciclopédia do Integralismo, que conta com doze volumes publicados entre fins da década de 1950 e princípios da década de 1960.

Em 1982 foi publicada, pela Câmara dos Deputados, a monumental obra Discursos parlamentares: Plínio Salgado, décimo oitavo volume da série Perfis parlamentares, organizado por Gumercindo Rocha Dorea, também autor da introdução do livro.

GRD dirigiu o Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC), entre os anos de 1961 e 1963, e ocupou, entre 1964 e 1967, o cargo de Diretor da Superintendência de Turismo da Cidade do Salvador. Dirigiu, durante algum tempo, a revista Convivium, do Convívio – Sociedade Brasileira de Cultura, que tinha sede em São Paulo, cidade em que residiu, salvo por breves períodos, desde 1972. Foi coordenador editorial da Biblioteca do Pensamento Brasileiro, publicada pelo Convívio, bem como do Centro Editorial das Faculdades Integradas de Guarulhos, da Editora Voz do Oeste, fundada por Carmela Patti Salgado, viúva de Plínio Salgado, e da Editora Universitária Champagnat, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Foi, ainda, diretor da Agência de Notícias Planalto, órgão da Convívio que teve grande penetração na imprensa brasileira nas décadas de 1970 e 1980, tendo escrito, por esse tempo, inúmeros artigos publicados em dezenas de jornais de todo o País.

Em fins da década de 1970, já durante os últimos anos do Governo do General Ernesto Geisel, o Sr. Gumercindo Rocha Dorea trabalhou no Ministério da Educação e Cultura (MEC), como Conselheiro da Comissão Nacional de Moral e Civismo e assessor do Ministro Euro Brandão, seu grande amigo e também integralista, ali desenvolvendo notável trabalho em prol da Cultura Brasileira, bem como da Moral e do Civismo.

Ao lançar, pela primeira vez no Brasil, sob o título de A dignidade do Homem, famosa obra de Pico della Mirandola, recebeu GRD as seguintes palavras de Gilberto de Mello Kujawski, na obra O signo de sagitário:

Por incrível que pareça, o texto não interessou a nenhuma grande editora. Foi preciso que um pequeno editor, GRD, dos menos abonados, ao mesmo tempo que dos mais dispostos e vocacionados à difusão da cultura, fizesse de lançar em português a obra-prima.[9]

Em 30 de agosto 1986, o escritor e jornalista Oswaldo de Camargo publicou, no Jornal da Tarde, de São Paulo, uma longa matéria sobre os trinta anos das Edições GRD, comemorados naquele ano.

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Em 2002 foi lançada a obra Ora, direis… Ouvir “orelhas” que falam de livros, homens e ideias, com prefácio do escritor e historiador Hernâni Donato, reunindo diversos dos significativos textos escritos por GRD nas “orelhas” dos títulos por ele editados desde o início de sua carreira editorial até então. Em tal obra, temos, no dizer de Hernâni Donato, “um GRD crítico, um espirituoso cronista, um ponderado historiógrafo, o cidadão GRD motivado por valores sociais e a responsabilidade do intelectual, um GRD dono de impulsos poéticos”.[10] E, como ressaltou Odilon Nogueira de Matos em artigo publicado no jornal A Federação, de Itu (SP), a 11 de janeiro de 2003, Hernâni Donato, “admitindo que nunca se fez coisa igual – um livro construído de orelhas – reconhece (…) que só um Gumercindo Rocha Dorea poderia produzir obra semelhante, literariamente correta, extremamente correta, extremamente perfeita e significativa”.

No ano de 2004, o bravo cavaleiro do Sigma que foi e é Gumercindo Rocha Dorea fundou e dirigiu a revista integralista Sei que vou por aqui!, que deu à estampa três excelentes números.

Em 2007, o Clube de Leitores de Ficção Científica, importante instituição literária de São Paulo, dedicou o centésimo número de seu fanzine Somnium a Gumercindo Rocha Dorea e a seu trabalho editorial no campo da ficção científica.

Após muitos anos em que sua atuação editorial sofreu o boicote dos noticiaristas em virtude de sua posição filosófico-política, GRD, “o mais injustiçado dos editores”, na expressão de Antônio Olinto,[11] teve o contentamento de ver, em outubro de 2010, seu nome estampado na hoje extinta revista Bravo!, da Capital Paulista, que reconheceu sua importância como editor. No ano anterior, no prefácio de Os prisioneiros, primeira obra de Rubem Fonseca, originalmente publicada por GRD e então relançada pela Agir, Sérgio Augusto reconheceu o papel do editor baiano como descobridor do consagrado contista e romancista brasileiro.

A 08 de abril 2011, Gumercindo Rocha Dorea foi agraciado com a Comenda da Cruz da Ordem do Mérito Cívico e Cultural, outorgada pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística e oficializada pelo Governo da República Federativa do Brasil, em cerimônia realizada no Circolo Italiano de São Paulo. No mesmo ano, foi ele homenageado na Fantasticon 2011, simpósio de literatura fantástica realizado em São Paulo, tendo sido novamente homenageado no Anuário brasileiro de literatura fantástica 2011, de Cesar Silva e Marcello Simão Branco, publicado no ano seguinte.

Em 04 de agosto de 2013, data de seu octogésimo nono aniversário, teve Gumercindo Rocha Dorea a grata surpresa de se ver lembrado como o primeiro editor de Rubem Fonseca, no artigo Os pensamentos imperfeitos de um selvagem, de Alvaro Costa e Silva, publicado na Folha de S. Paulo.[12] Cumpre ressaltar que Costa e Silva manifestou, no referido artigo, rara honestidade intelectual ao falar de Gumercindo Rocha Dorea e de sua posição política, não repetindo os velhos e carcomidos chavões “esquerdistas” sobre o Integralismo, infelizmente ainda comuns em nossa imprensa. Igualmente cabe enfatizar, contudo, que o autor do mencionado artigo equivocou-se ao afirmar que até o início dos anos 1960 GRD só havia publicado obras de e sobre Plínio Salgado, quando, em verdade, além de obras do líder integralista e a respeito dele e do Integralismo, publicara o editor baiano obras ficcionais desde a década de 1950, sem mencionar a já aqui aludida Filosofia da linguagem, de Herbert Parentes Fortes.

Em 16 de agosto do ano de 2014, o Clube de Leitores de Ficção Científica ofereceu um almoço em homenagem a GRD, pelos seus noventa anos, no tradicional restaurante italiano O gato que ri, na Capital Paulista, e os noventa anos do então decano dos editores patrícios foram, ainda, lembrados, dentre outros, pelo editor maranhense José Lorêdo Filho, da editora Livraria Resistência Cultural, de São Luís, que homenageou GRD no livro Poesia completa, de Ives Gandra Martins. No ano anterior, iniciara ele um projeto de relançar grandes obras esquecidas do pensamento brasileiro, com o lançamento da terceira edição de Fausto: ensaio sobre o problema do ser, de Renato Almeida, com prefácio de Ronald de Carvalho e posfácio de Tasso da Silveira, de cuja memória foi Rocha Dorea até hoje, aliás, o maior guardião, tendo publicado inúmeras obras poéticas do inspirado poeta e pensador curitibano, um de seus três principais mestres, ao lado de Herbert Parentes Fortes e Plínio Salgado.

Fausto, de Renato Almeida, é, sem dúvida alguma, uma das mais notáveis obras da pequena grande biblioteca filosófica GRD, que conta com obras como as seguintes: Sobre a diferença entre a palavra divina e a humana, de Santo Tomás de Aquino, traduzida por Luiz Jean Lauand; a Antologia de Farias Brito, organizada por Gina Magnavita Galeffi; O poema, de Parmênides, em tradução de Gerardo Mello Mourão; Santo Tomás de Aquino, hoje, de Luiz Jean Lauand; Filosofias da hora e filosofia perene, do Monsenhor Emílio Silva de Castro; Nietzsche e o Cristianismo, de Belkiss Silveira Barbuy; Em busca do ser, de Manoel Joaquim de Carvalho Júnior; O século da máquina e a permanência do homem, de Euro Brandão; Max Scheler e a ética cristã, de Karol Woytila, em tradução de Diva de Toledo Pisa;  Bibliografia filosófica, de Antonio Paim; Variações, de Miguel Reale; Correspondência de um ângulo a outro, de Gerschenson e Ivanov, em tradução de Diva de Toledo Pisa, e Viver é perigoso e O signo de sagitário, de Gilberto de Mello Kujawski.

A biblioteca poética das Edições GRD, por seu turno, conta, dentre muitas outras, com obras como as seguintes: Os escravos Espumas flutuantes, de Castro Alves, em belas edições facsimilares; Três pavanasO país dos Mourões Peripécia de Gerardo, de Gerardo Mello Mourão; Com amor e devoção, de Alfredo Leite, e Puro Canto (poesias completas), Cantos do campo de batalha Poemas (antologia organizada por Ildásio Tavares), de Tasso da Silveira.

No ano de 2015, o Sr. Gumercindo Rocha Dorea lançou, por suas Edições GRD, a importante obra “Existe um pensamento político brasileiro?”, Existe, sim, Raymundo Faoro: o Integralismo!: Uma nova geração analisa e interpreta o Manifesto de Outubro de 1932 de Plínio Salgado, organizada por ele mesmo e prefaciada pelo Professor Acacio Vaz de Lima Filho, antigo Secretário de Doutrina do Grêmio Cultural Jackson de Figueiredo, núcleo paulistano da Confederação de Centros Culturais da Juventude, que, aliás, sobreviveu a esta. Tal obra, lançada numa noite memorável no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), reúne o Manifesto de Outubro, de Plínio Salgado, e uma série de ensaios, quase todos escritos por jovens, comentando cada um dos capítulos daquele tão relevante quanto injusta e criminosamente olvidado documento da História Pátria, autêntica Carta Magna do Integralismo.

Aos 16 de agosto de 2017, o Sr. Gumercindo Rocha Dorea tomou posse, como sócio titular, no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Por esse tempo, era ele já havia anos membro da Academia de Letras de Ilhéus, onde ocupava a cadeira de número 40, cujo patrono é Xavier Marques.

Em 2019, lançou Gumercindo Rocha Dorea, em parceria com a editora Devir, a última obra dada à estampa pelas Edições GRD, a saber, o romance Atlântida: o Continente Perdido, de C. J. Cutcliffe Hyne, em tradução de Rocha Torres, com excelentes “orelhas” de sua autoria. Nos últimos tempos, vinha ele colaborando no tradicional suplemento Correio das Artes, do jornal A União, da Paraíba, e planejava voltar a publicar a revista Sei que vou por aqui!, assim como lançar uma nova edição da obra Pascal e a inquietação moderna, de Jackson de Figueiredo, e uma edição ampliada do magnífico Poemário da Vida Heroica, organizado por ele e originalmente publicado em 1955 pela Livraria Clássica Brasileira, do Rio de Janeiro, fazendo parte da Coleção Águia Branca.

Espero que, apesar do falecimento de seu ilustre fundador, continue viva e atuante a GRD, editora que, sendo pequena, é uma das maiores da nossa História, como também espero que ela ajude a perpetuar a memória de Gumercindo Rocha Dorea, já imortalizado, aliás, no coração de todos os verdadeiros soldados de Deus e da Pátria.

Membro do Conselho Nacional da Ação Brasileira de Cultura (ABC) e da Associação Brasileira de Cultura e Filosofia Professor Heraldo Barbuy (ABCFPHB), foi o Sr. Gumercindo escolhido, há alguns dias, por sugestão do Professor Claudio De Cicco, para ser o primeiro Presidente desta última Instituição, cargo de que, infelizmente, não pôde tomar posse.

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Já havendo me estendido além do que inicialmente pretendia nesta singela homenagem àquele que foi, é e continua sendo um lídimo monumento da Cultura Brasileira, encerro aqui estas linhas rogando a Deus que, confirmando nossas esperanças, suscite, nas gerações futuras, homens da têmpera desse nobre guerreiro do Brasil Integral, que até o final de sua jornada terrena sonhou sempre construir, em nosso Brasil, um Grande Império Cristão.

Gumercindo Rocha Dorea, presente!

Ao Sr. Gumercindo Rocha Dorea, três “anauês”:

Anauê! Anauê! Anauê!

Por Cristo e pela Nação!

Victor Emanuel Vilela Barbuy,

Presidente da Ação Brasileira de Cultura e Secretário Nacional de Assuntos Jurídicos da Frente Integralista Brasileira.

São Paulo, 22 de fevereiro de 2021-LXXXVIII.

Notas:

[1] 90 anos de Gumercindo Rocha Dorea. Disponível em:  https://www.integralismo.org.br/cotidiano/90-anos-de-gumercindo-rocha-dorea/. Acesso em 22 de fevereiro de 2021

[2] Gumercindo Rocha Dorea, in Linguagem Viva, Ano XXI, nº 260, São Paulo, Abril de 2011, p. 4.

[3] 90 anos de Gumercindo Rocha Dorea, cit.

[4] Os Plinianos eram crianças e jovens de ambos os sexos entre 4 e 15 anos que militavam na Ação Integralista Brasileira, sendo divididos em quatro categorias: Infantil (de quatro a seis anos), curupiras (de sete a nove anos), vanguardeiros (de dez a doze anos) e pioneiros (de treze a quinze anos).

[5] Entrevista concedida ao Jornal da USP. Disponível em: http://espacoculturalmiguelreale.blogspot.com/2007/08/entrevista-concedida-pelo-prof-reale-ao.html. Acesso em 22 de fevereiro de 2021.

[6] Entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Disponível em:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=414001. Acesso em 22 de fevereiro de 2021.

[7] Augusta e Gumercindo Rocha Dorea: um dia… um sonho – a trajetória literária. Disponível em: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=3874549359270078&id=100001451565205. Acesso em 22 de fevereiro de 2021.

[8] Versão eletrônica disponível em: http://www.sf-encyclopedia.com/entry/dorea_gumercindo_rocha. Acesso em 22 de fevereiro de 2021.

[9] O signo de sagitário, São Paulo: Edições GRD, 1990, p. 92.

[10] Ouvindo “orelhas”, in Gumercindo Rocha DOREA, Ora, direis… Ouvir “orelhas” que falam de livros, homens e ideias, São Paulo, Edições GRD, 2002, p. XIII.

[11]  Apud Hernâni DONATO, Ouvindo “orelhas”, in Gumercindo Rocha DOREA, Ora, direis… Ouvir “orelhas” que falam de livros, homens e ideias, cit., p. XIV.

[12]  Versão eletrônica disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2013/08/1320482-os-pensamentos-imperfeitos-de-um-selvagem.shtml. Acesso em 22 de fevereiro de 2021.

 

Texto originalmente publicado em 22 de fevereiro de 2021 e revisado pela última vez em 23 de fevereiro de 2021.