Evocando os quarenta e cinco anos do falecimento de Plínio Salgado, ocorrido em São Paulo na passagem do dia 7 para o dia 8 de dezembro de 1975, este último Dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de quem Plínio Salgado era devoto, nós hoje postamos o prefácio da obra “Plínio Salgado, hoje”, organizada por Ronan Matos, atual Editor-Chefe deste Portal. O prefácio do referido livro é de autoria de Victor Emanuel Vilela Barbuy, ex-Presidente Nacional e ex-Secretário Nacional de Doutrina e Estudos da Frente Integralista Brasileira e atual Secretário Nacional de Assuntos Jurídicos desta Associação. Sobre a obra “Plínio Salgado, hoje”, recomendamos também a leitura do artigo “Dois livros”, também da autoria de Victor Barbuy (https://www.integralismo.org.br/movimento/dois-livros/).

 

Prefácio

O editor e historiador Eduardo de Araújo Carneiro (EAC Editor), de Rio Branco, no Acre, publica agora o livro Plínio Salgado, hoje, pequena-grande obra sobre este tão magno quanto injustiçado escritor, pensador e líder político patrício, organizada por Ronan Matos.

Reunindo breves porém significativos ensaios de autores novos a respeito da obra de Plínio Salgado, assim como o magnífico ensaio Plínio Salgado na Tradição do Brasil, de Francisco Elías de Tejada y Spínola, o aludido livro realmente se constitui numa excelente introdução ao fecundo pensamento do ilustre e injustiçado autor da Vida de Jesus e de Primeiro, Cristo!, nobre Adail de Deus e da Pátria que foi e é, no dizer de Hipólito Raposo, o “mais eloquente intérprete da Brasilidade”.[1]

Em 1936, a Companhia Editora Panorama, de São Paulo, fundada por Miguel Reale e Rui Arruda, deu a lume a obra Plínio Salgado, que reúne dezenas de ensaios, artigos e citações de grandes escritores e pensadores sobre este augusto cavaleiro do Brasil Profundo, Autêntico e Verdadeiro, que foi e é, nas palavras de Manoel Vitor, um “pensador ilustre que arrebatava multidões na mocidade e serenava a ânsia dos intelectuais com o ouro da sua pena” e cuja “rota pelo sigma”, ainda nas palavras deste, “nada mais era que a projeção da sua mesma personalidade em busca de Deus para dá-lo aos homens”, sendo “a Família e a Pátria” os “degraus por onde andou semeando rosas que lhe trouxeram o paradoxal perfume dos espinhos”.[2]

Mais tarde, no ano de 1985, a editora Voz do Oeste, de D. Carmela Patti Salgado, viúva de Plínio, em parceria com a Casa de Plínio Salgado, instituição fundada por veteranos do Movimento Integralista, sediada em São Paulo e voltada, antes de tudo, à preservação da obra do vigoroso e fecundo escritor e pensador paulista e brasileiro, deu à estampa o primeiro volume da obra Plínio Salgado: In memoriam, que reúne diversos ensaios de vultos do pensamento e das letras nacionais a propósito do autor de O estrangeiro e de Espírito da burguesia. No ano seguinte, apareceu o segundo volume de Plínio Salgado: In memoriam, este dedicado a trabalhos de pensadores e escritores estrangeiros, na maioria portugueses, a respeito do grande bandeirante do espírito e soldado e apóstolo de Cristo Rei e Redentor e da Imperial Nação Brasileira que foi e é o autor do Poema da Fortaleza de Santa Cruz, de O ritmo da História e de Geografia sentimental.

Em 1993 foi realizada, na tradicional e bucólica cidadezinha montanhesa de São Bento do Sapucaí, terra-natal de Plínio Salgado, nos cimos da Mantiqueira, a 1ª Semana Plínio Salgado e no ano seguinte o Espaço Cultural Plínio Salgado, daquele pacato e aprazível burgo serrano paulista e brasileiro, publicou os anais de tal evento, contendo os textos das conferências nele realizadas sobre o romancista de O estrangeiro e O esperado e ensaísta de Reconstrução do Homem e de O Rei dos reis. Os Anais da 1ª Semana Plínio Salgado foram organizados pelo editor Gumercindo Rocha Dorea, infatigável defensor dos valores consubstanciados na gloriosa tríade “Deus, Pátria e Família” e cultor do legado pliniano.

Dois anos depois da publicação dos Anais da 1ª Semana Plínio Salgado, isto é, em 1996, as Edições GRD, de Gumercindo Rocha Dorea, lançaram a obra Anais do Centenário e da 2ª Semana Plínio Salgado, que reúne os principais artigos saídos na imprensa pátria sobre o centenário do autor de A Voz do Oeste e de Madrugada do Espírito, ocorrido em 1995, assim como os textos das conferências realizadas por ocasião da 2ª Semana Plínio Salgado, realizada no mesmo ano naquela bela estância climática montanhesa.

Plínio Salgado, Plínio Salgado: In memoriam, Anais da 1ª Semana Plínio Salgado e Anais do Centenário e da 2ª Semana Plínio Salgado são obras essenciais, fundamentais para o conhecimento da obra de Plínio Salgado e o mesmo podemos dizer agora de Plínio Salgado, hoje.

Maior escritor em prosa do chamado Modernismo Brasileiro da década de 1920 e do dealbar da década de 1930 e autor da Vida de Jesus, que é, inegavelmente, a “joia de uma literatura”, como bem escreveu o Padre Leonel Franca,[3] Plínio Salgado inscreveu seu nome em letras de ouro na História Literária e Cultural da nossa Terra de Santa Cruz.

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Criador e condutor do maior movimento cívico-político e cultural de que se tem notícia na História do Brasil e um dos poucos políticos brasileiros do século XX que, no dizer de Alceu Amoroso Lima, efetivamente fizeram “Política com P grande”,[4] inscreveu Plínio Salgado também seu nome, igualmente em letras de ouro, na História Política do nosso Brasil.

Tendo inscrito o nome em letras de ouro na História Literária, Cultural e Política deste grande Império do pretérito e do porvir, esse bandeirante do Brasil Profundo que foi e é Plínio Salgado inscreveu, em uma palavra, o seu nome, em letras de ouro, na História Pátria.

Havendo sido, como frisou Francisco Elías de Tejada, o primeiro a efetivamente compreender a Tradição do Brasil, sendo, pois, um autêntico descobridor bandeirante das essências da Terra de Vera Cruz,[5] e tendo, ademais, elaborado  uma “teoria da Tradição Brasileira com traços de granítico castelo, destinado a suscitar adesões para quem queira em tempos vindouros conhecer a substância do Brasil”, como salientou o jus-filósofo e publicista espanhol,[6] Plínio Salgado inscreveu, do mesmo modo, o seu nome, em letras de ouro, na Tradição do nosso Brasil.

Ao saudar Plínio Salgado, por ocasião de uma conferência que este realizou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, aos 3 de agosto de 1953, o Prof. Heraldo Barbuy, insigne filósofo, sociólogo e escritor paulista, examinando a obra de Plínio Salgado como escritor, pensador e homem de ação, ressaltou que a Doutrina Pliniana se tornara, então, mais do que nunca, necessária por firmar os verdadeiros conceitos do Homem, da Sociedade e do Estado, e terminou seu discurso exaltando a tenacidade, a coerência e a capacidade de sacrifício de Plínio Salgado, sustentando seu nobre e límpido pensamento em meio às injustiças e incompreensões.[7]

Hoje, ainda muito mais do que no ano de 1953, é necessária a Doutrina Pliniana para o nosso Brasil e, aliás, para todo o Mundo e a leitura de Plínio Salgado, hoje seguramente confirmará isto a todas as pessoas intelectualmente honestas que a realizarem.

Como ressaltou Gumercindo Rocha Dorea, na apresentação aos Anais da 1ª Semana Plínio Salgado, “indiscutível líder político, criador e condutor do maior e mais bem estruturado movimento político-cultural já registrado em nossa vida como Nação”, autor de marcantes obras da Literatura Brasileira, pensador que tinha larga compreensão do mais complexos problemas nacionais e internacionais, questionado por alguns poucos que lhe conhecem a fecunda obra – e que a rejeitam por motivos ideológicos ou filosóficos -, combatido por muitos que jamais leram sequer um de seus numerosos trabalhos, “a presença de Plínio Salgado na história do Povo brasileiro é inafastável e seu projeto – obra de estadista – permanece como uma das poucas opções capazes de, algum dia, conduzir o Brasil a mais dignos destinos que o amanhã lhe permitirá alcançar”.[8]

Para tanto, ainda como sublinhou Gumercindo Rocha Dorea, urge que as novas gerações representadas por aqueles que resolvam pesquisar e reviver o magno patrimônio cívico-político-cultural erguido pelo autor de Psicologia da Revolução e de A Tua Cruz, Senhor assumam o comando da Inteligência Pátria e transmitam aos brasileiros a sua mensagem, confiantes de que ela pode, realmente, edificar um Brasil Novo e Maior, onde uma Sociedade verdadeiramente cristã possa se desenvolver integralmente.[9]

Estamos certos de que a publicação de Plínio Salgado, hoje será um importante passo da grande marcha dessas novas gerações de soldados de Deus e da Pátria no bom combate em prol da restauração de tal patrimônio e da edificação de tal Sociedade.

Por Cristo e pela Nação!

Victor Emanuel Vilela Barbuy,

São Paulo, 23 de setembro de 2019.

 

Notas:

[1] A notável oração do Dr. Hipólito Raposo, In VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, Volume II, São Paulo, Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1986, p. 189.

[2] Plínio Salgado, pensador ilustre, In VV.AA., Plínio Salgado: “In memoriam”, Volume I., São Paulo, Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985, pp. 41-42.

[3] Carta a Plínio Salgado, in Plínio SALGADO, Vida de Jesus, 22ª edição, São Paulo, Voz do Oeste, 1985, pp. IX/XI.

[4] Companheiros de viagem, Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1971, p. 21.

[5] Plínio Salgado na tradição do Brasil, In VV.AA., Plínio Salgado: “in memoriam”, Volume II, cit., p. 70.

[6] Idem., p. 53.

[7] Cf. A MARCHA, Plínio Salgado falou aos estudantes da Universidade Católica de São Paulo, in A Marcha, ano I, n. 26, 14 de agosto de 1953, p. 1.

[8] A 1ª Semana Plínio Salgado, In Anais da 1ª Semana Plínio Salgado, São Bento do Sapucaí-SP, Espaço Cultural Plínio Salgado, 1994, página não numerada.

[9] Idem.