Os princípios fundamentos do Integralismo foram admiravelmente sintetizados no artigo segundo de nossos estatutos. Esse artigo, que deve ser matéria de estudo de todas as seções do Departamento de Doutrina, diz o seguinte:

“A Ação Integralista Brasileira tem a finalidade de:

a) funcionar como centro de estudos de cultura sociológica e política;

b) desenvolver uma grande propaganda de elevação moral e cívica do povo brasileiro;

c) implantar no Brasil o Estado Integral.

§ ÚNICO — Compreende-se por Estado Integral o Estado que realiza:

1º) NA ORDEM POLÍTICA, um regime político-social baseado na doutrina Integralista ou nacional-corporativista:

2º) na ORDEM ECONÔMICA, o regime da economia dirigida, no sentido do predomínio do social sobre o individual:

3º) na ORDEM MORAL, a cooperação espiritual de todas as forças que defendem as ideias de Deus, Pátria e Família;

4º) na ORDEM INTELECTUAL, a participação de todas as forças culturais e artísticas na vida do Estado”.

Como se vê, o Integralismo mantém-se alheio a todo e qualquer preconceito de raça, preferindo julgar o homem, não pelos aspectos exteriores da cor, ou do formato dos crânios, mas pelos valores morais e cívicos.

A tese racista não está, nem nunca esteve, dentro das nossas cogitações.

Mesmo na Alemanha nazista, já se começa a abandonar o mito da raça nórdica, corrigindo-se as exageradas afirmações de Rosemberg para quem o conceito de honra, que ele diz ser próprio da raça germânica, deve se impor ao conceito latino de amor e ao conceito semita de interesse. Os mais recentes estudos sobre tão momentoso problema marcam uma volta a uma posição de equilíbrio. Notam os pesquisadores alemães que, além do fator étnico, outros há que merecem atenção, tais como o geográfico, o histórico, o econômico, o educacional e o religioso que atuam sobre a natureza humana e produzem diferenciações importantes no sistema dos movimentos sociais.

Objeto de consideração tem sido, por exemplo, a influência exercida pelo meio-ambiente sobre os imigrantes na América, na Oceania e na África, não escapando aos observadores imparciais o diferente índice de reação do homem nórdico nos diversos pontos do planeta.

Elementos estritamente sociais alteram a capacidade produtiva dos indivíduos, bastando lembrar que muitos homens, apáticos ou inoperosos, na Europa meridional, se transformam em centros de poderoso dinamismo nas terras para onde se dirigem em busca de fortuna, acontecendo o contrário a muitos dólico-louros.

Essas e outras observações condizem a uma apreciação totalitária do homem e da sociedade. Em lugar de unilateralidade étnica, compreende-se que é necessário levar em conta a totalidade dos fatores operantes sem esquecer que acima de tudo cumpre analisar o que de um específico e de próprio há no indivíduo que é quem sofre as influências exteriores mas é também que reage sobre elas e as modifica como ser dotado de inteligência e de vontade livre.

Assim sendo, a tese racista perde o caráter científico que se lhe quis atribuir para passar a ser, quando muito, um elemento sentimental, uma tradução do sentido de unidade dos que se orgulham da grande cultura germânica. A ideia da raça é na Alemanha o que representa a ideia de império na Itália, a expansão de uma constante da alma nacional.

No Brasil, onde se reúnem e se fundem todas as etnias para dar ao mundo o homem cósmico da civilização americana tropical, a teoria das raças superiores revela-se em toda sua fraqueza. Já tivemos e temos provas do poder do homem negro no campo da ciência, da arte e da política. e a participação na vida cultural do país de fileiras de imigrantes antigos ou recentes com o seu acendrado amor à terra nativa mostra de sobejo a relatividade de tão decantada voz do sangue.

Nós integralistas não declaramos guerra aos judeus por motivo raciais. Nem tampouco os combatemos a todos indistintamente devido a causas econômicas.
Foi o que o Chefe Nacional declarou em uma entrevista concedida ao grão-rabino Raffaelowitch.

— “Os judeus, disse o grão-rabino, são homens como os das outras raças. É natural que entre nós haja liberais e comunistas, socialistas e conservadores. Não é justo responsabilizar todos os judeus pelos erros praticados por alguns de nós”.

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— “Os Integralistas também são homens, respondeu o Chefe, e é justo que eles se revoltem quando são atacados por elementos semitas que abusam das nossas leis para se intrometer no nosso país. Assim como desejais saber o que quer fazer o Integralismo dos judeus, nós queremos saber o que querem fazer os judeus no Brasil e do Integralismo. Não temos preconceito de raça. Colocamos o problema no plano moral: para nós não há judeus e não judeus, mas homens honestos e homens desonestos. Os judeus honestos são tão merecedores de nossa estima como os brasileiros cumpridores de seus deveres”.

Não há pois mais dúvida a respeito.

Os judeus que se estabeleçam em nossa terra sem os pensamentos de formar uma nação dentro de uma nação; os judeus que vêm aqui para trabalhar com os brasileiros na construção de uma grande Pátria; os judeus que não procuram destruir os valores espirituais da civilização cristã; os judeus que não são instrumento do banqueirismo internacional ou agentes secretos do imperialismo vermelho de Moscou; os judeus que não segregam os seus descendentes da comunhão nacional; os judeus que não vivem de usura e do infortúnio dos produtores, esses nada têm a temer do Integralismo. Nossas fileiras estão abertas para os brasileiros de raça semita, assim como os judeus estrangeiros podem formar em nossa Legião dos amigos do Brasil desde que eles possuam consciência dos nossos deveres morais e cívicos.

Nosso combate é contra o capitalismo internacional que afunda as garras no coração das pátrias, sabendo que entre os potentados desse Super-Estado não é pequeno o número de judeus. É provável que quando o Integralismo vitorioso cortar as asas desse abutre, se levante uma gritaria na imprensa mundial acusando-nos de perseguir uma raça. O banqueirismo lançará mão desse recurso para cobrir de opróbio a mais sacrossanta das campanhas em prol da honra e grandeza nacional. Mas a verdade há de se revelar.

Nesse dia, que vertiginosamente se aproxima, os judeus conscientes de seus direitos e de seus deveres, os judeus produtores que não vivem de negociatas, e que sofrem tanto como os brasileiros o peso do Bezerro de Ouro, formarão conosco. Os outros serão esmagados, não por serem judeus, mas por serem inimigos da causa nacional.

O elemento semita, que já colaborou na formação do Brasil colônia, pode e deve trazer o seu coeficiente poderoso de energias para a implantação do Estado Integral.

Nem se diga que o judeu é incapaz de aceitar ideias orgânicas e disciplinares. Se é formidável o número de semitas nas fileiras do comunismo desde Marx a Trotsky e Litvnoff, não é difícil lembrar nomes de semitas adversários poderosos das doutrinas materialistas de dissolução. Basta lembrar Stahl, o grande teórico da restauração germânica, Disraeli, o construtor do Império Britânico, Jellinek, o mestre em cujas obras foram buscar inspiração os juristas do fascismo; Gino Arias, que ainda há pouco nos visitou pregando os princípios do corporativismo, do qual é um dos mais profundos representantes.

E que dizer de Bergson, ponto de partida do espiritualismo contemporâneo, e de seu ex-discípulo Maritain, também israelita, hoje considerado a maior figura da neoescolástica?

Não há, pois, razão algum para se repelir o judeu de nosso movimento. E se alguém vos perguntar como recebemos os judeus, deverão responder:

— De braços abertos se forem da marca de Disraeli e de Gino Arias, mas os expulsaremos do mesmo meio se forem discípulos de Trotsky ou de Rotschild.

Miguel Reale
“A Offensiva”, 13 de dezembro de 1934.

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